Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, a terça-feira foi das mais tristes da história do São Paulo. Depois do soco na cara que Carlos Miguel Aidar tomou de Ataíde Gil Guerreiro, todos os membros da diretoria do grupo Legião decidiram entregar o cargo. Vendo o movimento acontecer, pois alguns exerciam cargos importantes – vice-presidência de futebol, diretoria social, diretoria de esportes amadores e diretoria de estádio – Aidar emitiu uma nota oficial pedindo todos os cargos para uma grande reforma. Durma-se com um barulho destes.
Como era de se esperar, todos entregaram seus cargos. Mas vamos aqui fazer uma diferença. Há os que renunciaram, caso dos ligados à Legião, e os que entregaram os cargos, casos de Douglas Schwartzmann, Júlio Casares e Antonio Donizette Gonçalves, apenas para citar os mais graúdos. Estes certamente voltarão, em alguns casos com cargos mais cobiçados e altos, como é o caso de Douglas Schwartzmann, que de acordo com a engenharia planejada há meses, iria galgar o cargo de vice-presidente de futebol.
Carlos Miguel Aidar está tentando reconstruir sua base. Ele está mandando e-mails e ligando para os diretores que renunciaram – não os que entregaram – oferecendo cargos mais altos. Mas ninguém está aceitando. Ele vai ter que recompor sua base em outros setores, outros grupos.
Entendam uma coisa: Aidar está em situação difícil, sim, mas não existe a menor, repito, a menor possibilidade de impeachment. São necessários 180 votos, num colégio de 240 conselheiros. Destes 240, mais de 40 não comparecem às sessões por questão de saúde ou elevada faixa etária. Convenhamos que entre os 200 que vão, Aidar tem mais de 20 conselheiros. Eu diria mais: ele ainda detém a maioria no Conselho Deliberativo.
O caminho mais viável seria a renúncia. Ele realmente está no olho do furacão e agora o próprio Conselho Consultivo, ao que parece, vai se manifestar. Ainda que não tenha poder nenhum, é apenas um órgão para consultas, ele é composto por todos os ex-presidentes do clube e do Conselho Deliberativo, além de convidados ilustres. Possui, por isso, um peso político infinito e um parecer, que está sendo elaborado, demonstrando que não há outro caminho a ser seguido por Carlos Miguel Aidar, que não seja a renúncia, pode ser fatal. Aliado à Moção de Desconfiança que está recebendo cada vez mais assinaturas, o quadro fica completo.
Vamos ver qual vai ser a composição de forças que Carlos Miguel Aidar conseguirá aglutinar para sua gestão. Mas tem que ficar muito claro a todos que receberão convite e estarão propensos a aceitar: a crise que o São Paulo vive está muito longe de ser política. É uma crise moral e ética, que está jogando o nome da instituição na lata do lixo.