Empate no Ceará: faltam 42 pontos para nos livrarmos da Série B

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, o empate do São Paulo em Fortaleza, contra o Ceará, foi medonho. O time não jogou nada, não teve um mínimo de organização e o resultado de 0 a 0 soa mais como nota para os dois times do que placar. O jogo foi medonho.

Quando se joga fora e o adversário está num campo acanhado, com torcida em  cima, pressionando, o empate é justificável. Mas quando se joga contra um time oriundo da Série B, num estádio de Copa do Mundo, em que a torcida do São Paulo quase dividiu espaço com a cearense, e o time vem na retranca e não consegue produzir nada, é de jogar a toalha. Quando se joga na retranca, o mínimo que tem que ter é velocidade para o contra-ataque. E a velocidade do São Paulo é um faz-me rir.

Aguirre novamente inventou e fez lambança. O Cueva, que já não tem jogado bem na sua verdadeira posição, foi jogar de lateral para que o time fixasse um a espécia de 3-4-3. Um desastre. Ainda no primeiro tempo Aguirre percebeu a bobagem e adiantou o peruano. Em dois lances quase o São Paulo marca.

Nosso trio de volantes um absurdo: Petros, o melhorzinho, ao menos desarmava e desta vez não errou passes; Hudson, além de muito lento, é ruim demais; Liziero, mal escalado, entrou na mesmice dos outros. Errou vários passes, foi muito individualista, enfim, foi muito bem substituído no intervalo.

Trellez, que também saiu, também não conseguiu jogar. A bola bate na canela, ele perde no alto, não faz uma tabela, não consegue fazer o pivô, enfim, é um centro-avante que não é centro-avante. Aliás, Aguirre explica sua titularidade porque ele compõe muito bem na defesa. Ou seja, é um atacante que defende bem. Eu, sinceramente, prefiro um atacante que ataque bem e um defensor que defenda bem. Mas a mentalidade do uruguaio é só olhando para trás, não para a frente.

Se fizermos as contas básicas para ganhar o campeonato, o resultado não nos trouxe enorme prejuízo. A conta aponta vitória em casa e empate fora, necessitando ganhar alguns jogos fora dos times mais previsíveis, para contrabalançar com aqueles que deveremos perder. Nessa média o time alcança 76 pontos. Então o empate entra como bom resultado? Errado. Esse era jogo para ganhar, pois muito provavelmente perderemos lá fora de Grêmio, Atlético-PR e Atlético-MG, por exemplo. Então vencer Ceará, Vitória, Paraná e América-Mg acaba virando obrigação para que o time se mantenha equilibrado. Por isso reputo o resultado desta tarde como um mau resultado.

Temos que torcer muito para Reinaldo voltar logo, Carneiro estrear e Everton se entrosar. Fica patente que temos, sim, um bom time. Mas temos um elenco de doer o fígado. Então nossa conta, por enquanto, tem que ser esta: faltam 42 pontos para nos livrarmos do rebaixamento.

E só uma coisa a acrescentar: Aguirre culpou o calor pelo desempenho fraco do time. É fato que esse calor é muito ruim. Erra passes de dois metros e não chuta para o gol.

Mais uma eliminação: a segunda em quatro meses do ano

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, é duro mas é verdade: fomos eliminados mais uma vez da Copa do Brasil, dentro de casa, após estar ganhando por 2 a 0 e ceder o empate. Aí ouço alguém falar perto de mim, no estádio, que o Atlético-PR é nossa asa negra. Bem, o Atlético é, o Palmeiras é, o Corinthians é, o Santos é, o Grêmio é. Todos são. Na realidade, nós é que somos a asa branca de todos.

Pensem numa coisa: em quatro meses deste ano (se levarmos a ferro e fogo três, porque a estreia no Paulista foi na segunda quinzena de janeiro e estamos iniciando a segunda quinzena de abril), já fomos eliminados de duas competições: Campeonato Paulista e Copa do Brasil. Pior: este ano, exceção feita à vitória sobre o Corinthians no Morumbi, na primeira semifinal do Paulista, não ganhamos de nenhum time da série A. Nossas vitórias, além dos times do interior do Campeonato Paulista, foram, na Copa do Brasil, sobre o Madureira, CSA e CRB. No Brasileiro, ganhamos do Paraná, recém-chegado da série B.

Falar que não aguento mais ser zoado pós jogos do São Paulo, já virou lugar comum. Eu não aguento, vocês todos não aguentam. A imensa torcida tricolor não aguenta. Talvez aqueles senhores que ocupam os microfones do Salão Nobre do Morumbi aguentem. Vão dormir de cabeça quente essa noite, mas amanhã ninguém estará rindo da cara deles. Salvo se entrarem em qualquer rede social e verem os memes que já se formaram.

Falando do jogo desta noite, atribuo diretamente a Diego Aguirre a eliminação. Mas espera um pouco: não estou, com isso, dizendo que vou defender sua demissão. Longe, muito longe disso. Mas o time, que jogou muito bem no primeiro tempo, teve duas peças falhas, uma por si próprio, outra por culpa do técnico.

Ao invés de fazer o simples, o que vinha dando certo, colocando a defesa com Militão do lado direito e Regis do lado esquerdo, optou por inverter os dois. Só que Militão foi terceiro zagueiro, mas Régis não foi lateral, nem ala. Foi um quase meia. Aguirre formou um esquema 3-4-3. Liziero também não foi ala, nem lateral. Foi segundo ou terceiro volante, mas foi muito mal. Não chegava à frente pelo lado porque  tinha que entrar pelo meio; não voltava para cobrir o lado esquerdo porque era missão de Militão.

O fato é que, após um primeiro tempo quase perfeito, com o time marcando pressão, tomando a bola no ataque, descendo em massa, fazendo 2 a 0, sofre um gol por um pênalti bobo cometido por Liziero e começa a desandar. Aliás, esse pênalti só aconteceu porque Liziero era o volante que deveria marcar aquele setor. Mas estava lá na frente. Militão foi para dentro da área. O cara entrou sozinho. Liziero chegou atrasado e erro grotescamente ao dar o carrinho e ficar deitado. Aí cometeu o pênalti.

Era evidente que Aguirre deveria voltar para o segundo tempo com Cueva ou Lucas Fernandes no lugar de Petros; que Militão e Régis deveriam inverter a posição. Mas não. Aguirre não mexeu. Tudo continuou como estava. E de novo, jogada pelos lados, entram dois contra um da esquerda para o meio, o cara vai na linha de fundo sem marcação, cruza para outro entrando pela direita sem marcação e sai o gol de empate. Arboleda falhou, sim. Mas Petros não marcou o lado, Régis muito menos; do outro lado, Militão não marcou, Liziero muito menos.

O gol de empate foi aos seis minutos, mas o São Paulo se desarrumou. Os paranaenses ainda acertaram uma bola na trave. Poderiam ter virado o jogo. Aguirre colocou Diego Souza no lugar do inútil Trellez. Perdeu em velocidade, mas ganhou em técnica. Algumas chances apareceram. Nenê obrigou o goleiro atleticano a fazer grande defesa; depois o próprio Nenê cruzou uma bola que deveria ter chutado ao gol; o mesmo aconteceu numa jogada com Régis. Enfim, algumas chances foram criadas, mas acabamos eliminados, dentro do Morumbi.

Não vou entrar na questão dos quase R$ 50 milhões  gastos para reforçar o time, até porque dois jogadores, que entendo titulares, ainda vão estrear: Gonzalo Carneiro e Everton. Também não vou contestar a falta de contratações. Vamos lembrar que o São Paulo contratou, este ano, um jogador para cada posição do time: goleiro Jean, laterais Régis e Reinaldo (que voltou), zagueiro Anderson Martins, volante Hudson (que também voltou), atacantes Trellez e Gonzalo Carneiro, meias Nenê, Valdívia, Diego Souza e Everton. Foi praticamente um time inteiro.

Tenho esperança, sim, para o Brasileiro e para a Sul-Americana. Desde que não saiam vendendo no meio do ano. Continuo achando que o time ganhou corpo e, por mais que hoje Aguirre tenha errado, na minha opinião, é visível que existe um esquema tático.

Não vou abaixar a cabeça. Estou puto, sim. Saí do Morumbi cuspindo marimbondos. Mas tenho esperança que ainda poderemos ter algo bom este ano.

Vitória magra, mas valem os três pontos

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, claro que todos nós esperávamos uma boa vitória contra o Paraná, recém-chegado da Série B do Brasileiro. Mas o placar foi de apenas 1 a 0, muito magro comparadas as duas equipes.

No Morumbi, observando atentamente a movimentação de Diego Aguirre e do time, conversando com amigos, conclui que esse ano vai ser assim: 1 a 0 aqui, 0 a 0 ali, eventualmente 0 a 1 acolá, ou 1 a 0 aqui ou acolá. E sigamos em frente. Lá atrás, segurança total. Não pelo goleiro que temos, mas pelo sistema defensivo que ele arma e que, convenhamos, é digno. Em oito jogos que ele comandou o São Paulo, sofremos quatro gols.

Sendo assim, ao contrário de muitos que acham que vai ser um ano de muito sofrimento, eu entendo que será um ano em que estaremos longe da briga contra o rebaixamento. Não gosto, já disse várias vezes, deste tipo de futebol. Prefiro milhões de vezes o de Juan Carlos Osório, que vê o time ganhando e faz substituições para torná-lo mais ofensivo ainda, enquanto esse tipo de treinador, mesmo quando está perdendo, faz substituições para perder de menos. Mas temos que reconhecer que o Corinthians foi campeão brasileiro de 2017 jogando exatamente assim: era 1 a 0 aqui, 0 a 0 acolá, muitas vezes 1 a 0 lá também. E chegou quase invicto. Logo, não vou crucificar Aguirre.

Aliás, longe de mim estar criticando o nosso técnico. Se foi contratado, é porque os dirigentes entendiam que, com este elenco, o remédio era jogar fechadinho para não correr riscos. Que assim seja.

Uma virtude que vejo no uruguaio: além de ser grande montador de sistema defensivo, vê bem o jogo, substitui muito bem. Já na Argentina, quando Reinaldo se machucou, fez as trocas certas. Assim como as demais substituições. Nesta segunda-feira, estava patente que Lucas Fernandes não vinha bem, seu primeiro tempo foi sofrível. Aguirre já voltou com Valdívia em seu lugar e deu outra cara ao time.

Verdade que depois houve uma queda inexplicável. O Paraná cresceu, o São Paulo se fechou e perdeu o domínio da bola. Mesmo os contra-ataques foram ruíns. Os poucos que saíram, foram desperdiçados no último lance, principalmente com Marcos Guilherme.

Aguirre colocou Junior Tavares no lugar de Brenner, que fez uma partida horrível, o que talvez tenha sido responsável pelo choro dele no banco após ser substituído. O garoto é bastante inteligente para ter auto-crítica. Só espero que ele não seja queimado no clube, porque tem um futuro brilhante pela frente e ainda nos dará muitas alegrias, tenho certeza. Mas a substituição, por mais que tenha sido com boa intenção, não deu certo, pois Aguirre mudou o composição para o 3-5-2, deixando Marcos Guilherme como centro-avante. O problema maior nem foi esse. Foi Junior Tavares. Ele já entrou cansado, não foi ala, não foi lateral e atrapalhou o jogo do São Paulo.

Mas repito: o sistema defensivo que ele monta é muito bom. Por mais que o Paraná tenha dominado boa parte do segundo tempo, o São Paulo não correu risco algum. Não houve um chute no gol. Se corremos algum risco, foi proporcionado por erros nossos, como duas saídas ridículas de Sidão.

Enfim, acho que teremos um bom ano. De vitórias magras ou empates sem graça, mas não passaremos o sufoco que passamos ano passado. Se quero ganhar um título? Mais do que tudo. Mas estou muito escaldado e já me darei por satisfeito se não sofrer os riscos que nos causaram traumas em 2017. Por isso, a vitória foi magra, mas valeram os três pontos.

Em Rosário, time honrou a camisa que entorta varal

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, o São Paulo mostrou em Rosário que sua camisa entorta varal. Segurou a pressão, uma arbitragem caseira – no primeiro tempo -, jogou com um a menos desde os 36 minutos do primeiro tempo, e saiu com um empate. Não seria nada injusto se conseguisse a vitória, pois não se acovardou em nenhum momento e teve chances de gol.

Quando, no começo da semana, vieram as notícias que Diego Aguirre escalaria três zagueiros e três volantes, fiquei um tanto decepcionado, pois odeio esquemas defensivos. Mas entendi que nosso momento, que já vem de dez anos, é tão cruel e difícil, que precisamos urgentemente de um título, por menor expressão que tenha, para voltar a nos dar força e moral. Então aceitei a tese, jogando por um empate em Rosário para decidir aqui no Morumbi.

Aguirre posicionou bem o time, com tudo muito definido. Arboleda era o líbero, ficava lá atrás, enquanto Militão e Rodrigo Caio arriscavam algumas descidas. Regis e Reinaldo abertos e avançados, com Jucilei sendo o leão de chácara da defesa, tendo Petros ao seu lado e Liziero liberado para ir à frente. Essa postura permitiu que o São Paulo segurasse a pressão natural do dono da casa, que vai para o abafa nos primeiros 15 ou 20 minutos.

Então os problemas começaram a acontecer. A contusão de Reinaldo logo a 16 minutos quebrou o sistema que Aguirre havia desenhado para o time. Ele, então, passou Liziero para fazer a ala esquerda e Lucas Fernandes entrou no lugar de Reinaldo. Li algumas críticas à substituição no momento que ela foi feita. Alguns torcedores entenderam que Cueva deveria ter entrado. Errado. Cueva não marca ninguém e ali precisávamos de alguém que pudesse fazer a função que vinha sendo desenvolvida por Liziero.

Após a expulsão absolutamente injusta de Rodrigo Caio, Aguirre formou duas linhas de quatro, mantendo apenas Trellez mais adiantado. A pressão aumentou e aí começaram a se destacar Arboleda, que foi um monstro; Militão, que fez a melhor partida com a camisa do São Paulo; Nenê, pela experiência e técnica, além de Liziero, Petros, Jucilei, Régis, enfim, o time todo jogou para suprir a ausência do zagueiro que foi expulso.

No segundo tempo o São Paulo começou a administrar a partida e arriscar o ataque. Durante todo o tempo não deu para perceber que o time tinha um jogador a menos, pois jogava de igual para igual com o Rosário. A entrada de Bruno Alves foi precisa, para aumentar a altura na área defensiva, já que essa era a única jogada dos argentinos. Então Militão, que foi cobrir a lateral direita com a saída de Regis, era muitas vezes o terceiro zagueiro, enquanto Petros cobria esse lado do campo.

A entrada de Valdivia no lugar de Trellez seria para explorar a velocidade dele e de Lucas Fernandes, com Nenê mais centralizado. Seriam contra-ataques rápidos. O Rosário não deu chance para isso, mas acabou sucumbindo ante a forte marcação do São Paulo, que ainda teve uma bola na trave num chute de Nenê de fora da área.

A lamentar as cenas proporcionadas pelos torcedores argentinos, de puro racismo. O mínimo que espero é que o presidente Leco faça uma representação na Conmebol exigindo punião ao Rosário Central. Mas esperar isso de Leco é demais. Fomos prejudicados no primeiro tempo por um árbitro caseiro. Não temos força alguma na Conmebol. Aliás, não temos força alguma em qualquer federação. Nosso presidente, quando vai às reuniões, vai embora mais cedo por compromissos assumidos. Então temos que depender unica e exclusivamente a força do grupo, e da torcida, para revertermos situações adversas. Felizmente, desta vez, o quadro não está tão feio assim e ganharemos aqui o jogo da volta, tenho certeza.

Retranca nem sempre ganha jogo

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, parece que retrancas nem sempre são suficientes para evitar um mau resultado. O São Paulo de Aguirre, a cada jogo que passa, vem demonstrando mais e mais que vai ser um time fechado, explorando contra-ataques, jogando por uma bola. Só um time conseguiu fazer isso até hoje com pleno sucesso: o time treinado por Tite, cujo trabalho teve sequência com o atual técnico.

E olhem que o São Paulo nem jogou tão mal. No primeiro tempo, até sofrer o gol, fez muita marcação na frente, na saída de bola do Atlético, e parecia que dominaria  a partida. Mas bastou tomar o gol, numa pixotada de Rodrigo Caio, para o time se desestabilizar e se fechar por inteiro para não sofrer o segundo. Trellez ficava sozinho lá na frente, Nene e Marcos Guilherme voltavam para fechar as laterais e, com isso, tome sufoco para cima do São Paulo. Acabamos o primeiro tempo perdendo só por 1 a 0 e ficamos no lucro.

No segundo tempo, nada muito diferente. O São Paulo até encenou marcação avançada, mas voltou a recuar. Então começaram as bobagens de Diego Aguirre. De uma vez só colocou Regis e Cueva em campo, tirando Petros e Marcos Guilherme. Oras, se estamos perdendo a partida, por que tirar um atacante?

Mas vá lá. Imaginei: ele vai formar o 3-5-2, colocando Militão para formar o trio de zaga, liberando Regis e Reinaldo como alas, avançando Liziero, Cueva, Nenê e Trellez lá na frente. Nada disso. Ele deixou Regis, que é um lateral, jogando na função do Marcos Guilherme e Militão seguiu na lateral. Então tomou o segundo gol. Sinceramente, vi a viola em cacos. Pensei: definitivamente, Arena da Baixada e Copa do Brasil não combinam com o São Paulo.

Por sorte, poucos minutos depois, em bela assistência pela esquerda, Reinaldo serviu Trellez que marcou o gol do São Paulo. Isso seria suficiente para o São Paulo ir para a pressão. Até avançou um pouco, mas timidamente. E Aguirre fez mais uma: tirou Liziero, um segundo volante quase meia, para colocar Hudson, um primeiro volante brucutu. Passou, então, a segurar o 1 a 2. Ali seria óbvio que Lucas Fernandes deveria entrar, ou mesmo Brenner, passando Militão para volante e Regis ficando como lateral direito.

Mas Aguirre, definitivamente, tem a filosofia defensiva e tudo fará nesse sentido. Se pudermos empatar com um gol de volante, ótimo. Se não for possível, ao menos não vamos tomar outro gol.

Não concordo com essa filosofia. Se o São Paulo estivesse sendo sufocado, posso até admitir. Mas o Atlético marcou o segundo, tomou o gol e se preocupou em garantir o resultado. O São Paulo até foi à frente, mas com total carência de qualidade.

Esse é o resultado da filosofia defensiva desse treinador.

É possível reverter no Morumbi? Claro que é. Mas vamos precisar de mais ousadia, porque se o futebol for covarde, seremos eliminados mais uma vez da Copa do Brasil.

A derrota foi doída, mas vimos um time com atitude, sem amarelões.

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, é doído ser eliminado mais uma vez do Campeonato Paulista, não conseguindo chegar à final? Sim. É doído ser eliminado pelo Corinthians? Muito. É doído ser eliminado com um gol de cabeça de um “anão”, aos 3 minutos de um acréscimo inexplicável de cinco minutos? Muito, muito e muito. É doído ser eliminado, depois de tudo isso, nas cobranças de pênaltis, quando estávamos a dois minutos da classificação? Muito, muito, muito, muito, muito e muito.

Isso resume meu sentimento em relação ao final da partida, ao resultado que mais uma vez nos fez perder em Itaquera e nos manter como único time a não conseguir eliminar o Corinthians no Eliminates Stadium. Pior: nunca conseguimos uma vitória lá.

Inegável, no entanto, agora sim analisando o todo da partida, que vimos um São Paulo muito diferente do que nos acostumamos a ver nos últimos anos. Um time com atitude, encurtando a marcação, dividindo todas as bolas, não amarelando, tendo consciência e postura tática. Errada ou não, o fato é que o desenho era perceptível em campo.

Os quatro zagueiros bem distribuídos, Jucilei se fixando quase como um zagueiro na frente da dupla de área, Petros e Liziero completando esse triângulo, ficando Nenê com a responsabilidade de criar as jogadas para Marcos Guilherme e Trellez.

O primeiro tempo do São Paulo foi tão perfeito, no propósito que colocou em campo, que mesmo o Corinthians tendo maior posse de bola, conseguiu ter duas chances, com Emerson Sheik, ambas as bolas indo para fora. O São Paulo teve chances com Nenê, quase marcando um gol olímpico, com Militão e com Trellez, todos parando nas mãos de Cássio. O de Trellez o mais absurdo, pois um centro-avante não pode perder esse tipo de gol. Cássio estava fora da área. Se ele tocasse por cima, ou a bola passaria, ou Cássio cometeria a falta e poderia ser expulso. Ele fez tudo errado.

No segundo tempo o time recuou demais. Era lógico que o Corinthians iria aumentar a pressão. Precisava do gol. Mas continuou parando no bom posicionamento do time, que não dava espaço para jogadas. Nosso adversário passou a viver de cruzamentos, por cima e por baixo, sempre interceptados por Arboleda e  Bruno Alves, que faziam uma partida perfeita, de gigantes.

A saída de Nenê complicou tudo. Ouvi algumas críticas à substituição feita pelo Aguirre, mas o Nenê pediu para sair. Estava se arrastando em campo. Só que ele era o cara que segurava a bola, tinha a saída para o ataque, puxava dois ou até três jogadores corinthianos em sua marcação. O  São Paulo começou a cair a partir deste ponto, pois Lucas Fernandes não teve qualidade para suprir a ausência de Nenê, Diego Souza já entrou cansado e Caíque não viu a cor da bola.

O gol do Corinthians talvez tenha feito justiça ao time que mais atacou, mas penalizou, principalmente, Bruno Alves. Naquele espaço da área, a marcação sobre o Rodriguinho seria dele. Ele não estava ali. Estava atrás. É um erro primário de fundamento do zagueiro.

Nos pênaltis, pura loteria, a sorte pendeu para o lado deles. Aliás, aqui vou deixar a sorte de lado. Se Cássio teve muita sorte na defesa que fez do pênalti cobrado por Liziero, já que a bola bate no travessão e sai, não se pode dizer em relação à defesa consciente e fácil que fez na cobrança de Diego  Souza. E aqui puxo um espaço somente para falar desse jogador.

Diego Souza só aceitou sair do Sport e vir para o São Paulo para estar numa vitrine melhor e ir para a Copa do Mundo. Chegou dizendo que seria centro-avante, pois essa seria  posição carente para Tite. Nunca fez nada que pudesse garanti-lo no time titular. Foi para o banco e a partir daí, todas as vezes que entrou durante o jogo, fosse com Dorival Jr, com Jardine ou com Aguirre, sempre demonstrou extrema má vontade. Hoje não foi diferente e a cobrança de pênalti que executou comprova que ele não tem o menor comprometimento, o menor respeito pela camisa que veste. Por isso estou abrindo a campanha de “Fora Diego Souza”. Não quero ver mais essa mercenário vestindo a camisa do São Paulo.

Para encerrar, deixo claro que vou dormir puto, sim, mas pela derrota e não pela atitude do time. Acredito que esta semana parado, treinando para enfrentar o Atlético-PR em Curitiba na próxima quarta-feira, pela Copa do Brasil, será muito produtivo para Aguirre conhecer um pouco mais o elenco. E tenho convicção, pela amostra dada, que com dois ou três bons reforços, além de ficarmos longe da briga contra o rebaixamento no Brasileiro, vamos brigar por algo muito bom lá na frente. Quem sabe, o título.

 

Vitória de um time consciente em campo

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, é inegável que vitória conquistada sobre o Corinthians neste domingo, no Morumbi, nos lavou a alma. Há tempos não vencíamos um clássico, principalmente em momento decisivo. Ele vai nos cegar para os problemas que o elenco apresentou até agora?Claro que não. Mas também é incontestável que vimos um time em campo, o que há muito não acontecia: consciente, com desenho tático definido e sabendo o que deveria fazer.

Desde o começo do jogo deu para perceber quem queria e quem não queria jogar. O São Paulo estava dividindo todas e ganhando a maioria. Os jogadores entraram em campo disputando uma verdadeira decisão e esse pode ter sido o fator primordial para a vitória, pois isso sempre é fator positivo do Corinthians e nós é quem entramos com o pé mole. Eles foram surpreendidos pela volúpia e vontade de vencer.

Na hora em que vi a escalação, fiquei preocupado, pois jogarmos com três volantes dentro do Morumbi não era bom sinal. Mas logo deu para perceber que Aguirre deixou Jucilei fixo à frente da zaga, formou uma linha de quatro com Petros, Liziero, Nenê e Marcos Guilherme, com Trellez mais avançado.

Muitas vezes Trellez saiu da área abrindo espaço para entradas de Nenê. Liziero, em algumas oportunidades, foi ponta; ou mesmo meia, chegando bem á frente, enquanto Marcos  Guilherme ficava aberto pela direita. Então o desenho tático, que colocava quatro jogadores à frente de Jucilei quando o Corinthians tinha a bola, viravam cinco atacantes  e dois laterais vindo de trás, pressionando o adversário.

Esse esquema foi responsável pelo pelo domínio do São Paulo no primeiro tempo e o gol que, curiosamente, saiu num contra-ataque. Coisa, vamos reconhecer, raríssima de acontecer com o Corinthians, que é quem, geralmente, marca seus gols em cima dos erros do adversário e em contra-ataques. Ele provou do próprio veneno.

No segundo tempo foi nítido o recuo do time, fechando os espaços e esperando para contra-atacar. Isso ficou mais claro quando Liziero sentiu e pediu para sair. Ao invés de colocar Shaylon, por exemplo, ou mesmo Morato, ele optou por Araruna, fechando de vez o meio.

Deixamos de ter oportunidade de ampliar o placar, é fato, mas esse recuo não permitiu que sofrêssemos qualquer tipo de  pressão. Levando-se  em conta que nosso adversário de hoje ganhou um Campeonato Brasileiro jogando todas as partidas por um gol, acho que estamos no caminho certo.

Não é o futebol dos meus sonhos, nem resgata, como disse lá atrás Raí, a identidade do São Paulo. Mas é o que temos para hoje. E para isso, pelo resultado que alcançamos, não podem haver críticas.

Conseguimos nossa classificação. Nada além do lógico.

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, o São Paulo está na semifinal do Campeonato Paulista. Absolutamente nada a mais do que a obrigação. Ganhamos do São Caetano, no Morumbi, temos que  comemorar, coisa e tal, mas lembrarmos que seria uma grande vergonha se não tivéssemos alcançado a classificação, até porque jogamos contra um time da série D do Campeonato Brasileiro.

Gostei da movimentação do São Paulo. Digo isso em termos de luta, de vontade, porque tecnicamente o primeiro tempo, por exemplo, não mostrou nada. O time dominou mas criou apenas duas oportunidades. Faltaram triangulações e o que eu pude perceber é que o esquema Aguirre é chuveirinho na área. Voltaremos ao Muricybol. Só que naquela época havia um Jorge Wagner que colocava a bola onde queria e jogadores altos, bom cabeceadores, para concluir em gol.

Gostei muito da entrada de Lucas Fernandes, para mim o principal jogador do segundo tempo e responsável, não só pela assistência do segundo gol, mas por grandes jogadas.

Agora o time vai parar uma semana, tempo suficiente para Aguirre conhecer um pouco mais a fundo o elenco e expor seu plano tático. Então veremos o que ele tem em mente e o que poderá apresentar para nos impormos contra o Palmeiras.

No jogo de São Caetano, parece que voltamos dez dias no tempo

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, é impressionante como o time do São Paulo vive uma gangorra, mais na parte de baixo do que na de cima. Não consegue se acertar. Quando você pensa que vai engrenar, tenta se enganar com duas vitórias boas sobre times sofríveis, vem o balde de água fria e o time faz uma apresentação medonha como a deste sábado, em São Caetano.

Aguirre, que, reconheçamos, teve um dia para conhecer e treinar o time, não teve tempo nenhum para impor sequer uma jogada tática, ou um plano de trabalho. Então deveria ter a humildade de ouvir André Jardine, que já vinha acompanhando o elenco e comandou o time nas duas vitórias, para não repetir os erros de Dorival Junior, e que culminaram com sua demissão.

Eu tinha a mais absoluta certeza que o time que entraria em campo seria o que venceu o CRB em Maceió, apenas com as entradas de Arboleda no lugar de Rodrigo Caio e Diego Souza no de Trellez. Quando vi que ele sacou Marcos Guilherme para colocar Nenê, e não compensou a lentidão que isso iria gerar com a entrada de Brenner, preferindo Diego Souza, senti que o filme de tudo o que aconteceu até dez dias atrás voltaria. E voltou.

O time foi medonho, sem ultrapassagens, sem velocidade. Nenê era o ponta direita sem conseguir dar um pique; Cueva era o meia, mas não conseguia ter velocidade dos lados do campo para tentar uma jogada; Valdivia era obrigado a jogar com ele mesmo, porque Junior Tavares estava num dia daqueles, “tipo horrível”; para piorar, Jucilei e Petros fizeram juntos, talvez, a pior partida da dupla pelo São Paulo. Enquanto isso Diego Souza ficava brigando entre os zagueiros, mais parecendo uma disputa de várzea do que quartas-de-final do Campeonato Paulista.

Se Aguirre tivesse a humildade de escutar Jardine, não teria feito essa bobagem. Manteria o time que venceu os últimos dois jogos e depois teria uma semana para treinar a rapaziada e começar a conhecer o elenco, já que no próximo final de semana não haverá jogos do Paulista, por causa da Seleção Brasileira.

No intervalo falei pelas redes sociais, e também aqui no “Opinião de são-paulino durante o jogo”: não dá para trocar o Aguirre pelo Jardine? Essa seria a melhor substituição a se fazer.

Veio o segundo tempo e, então, tomamos o gol. Aí bateu o desespero. Ele colocou o Marcos Guilherme tirando Cueva, que não estava jogando nada. O time ganhou em velocidade. Mas então ressuscitou Bruno e a coisa degringolou. O time não se encontrou em nenhum momento, fazendo alguma pressão no final do jogo mais pelo recuo excessivo do São Caetano do que por mérito próprio. Mas não levou perigo algum. Não posso deixar de citar a falha bizarra de Jean no gol. Saiu socando o ar. Ali não dá para culpar zagueiro. A bola era dele.

Temo que, se essa mentalidade de Aguirre não mudar para terça-feira, poderemos ser vergonhosamente eliminados por um time da série D do Brasileiro. Isso pode ser um indicativo futuro.

Vitória fácil, com o time respirando ares diferentes

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, o São Paulo fez algo que há muito tempo não fazia: ganhou fácil, goleando no campo do adversário e jogando bem. Foi um time leve e solto o que vimos em campo. Postura tática bastante diferente, com algumas mudanças de posicionamento e o jogo fluiu.

É fato que o adversário era bem fraco. Mas contra esse mesmo CRB nós ganhamos de 2 a 0 no Morumbi e o futebol apresentado foi de lascar. Além do mais, empatamos com a “forte” Ferroviária dentro do Morumbi em 0 a 0, mesmo resultado, também no Morumbi, com o Novorizontino. Portanto, na fase que nós estamos, onde não confiamos nem em ganhar de times de série B, vamos comemorar como uma vitória de gala.

Falando sério, esse tipo de resultado, ainda que jogando contra ninguém, dá moral para o time. O paspalhão do técnico deles havia dito aqui no Morumbi que 2 a 0 tinha sido pouco e que a condição era plena de fazer 3 a 0 lá. Ele só não disse para quem. Portanto, creio que anteviu o resultado.

Quando eu falei em mudança tática é porque vi Cueva jogando onde tem que jogar, flutuando pelo meio e não largado numa lateral do campo como se fosse um ponta. Ele é o cara mais criativo do time, não pode ficar, como Dorival queria que ficasse, jogando pelas laterais. Valdivia, sim, é um atacante pelos lados, mas também tem talento para voltar e armar o jogo. Foi assim que fez domingo, contra o RBB e repetiu nessa noite. Aliás, jogo após jogo ele vem se transformando no melhor jogador do time.

A volta de Jucilei também fundamental para retomar a segurança defensiva. Tanto que Rodrigo Caio pode aparecer na frente, surgindo como homem surpresa e até marcando gol. Isso é fundamental para o equilíbrio do time.

Ainda estamos padecendo de um centro-avante em condição de ser titular. Pelas partidas que fez, parece que Trellez não é esse nome. Diego Souza também não correspondeu. Brenner ainda é o melhor deles, mas não sei se tem estrutura física e técnica para jogar entre os zagueiros adversários. Talvez falte ainda um centro-avante goleador para entrar no time.

De resto, o time começa a me dar esperanças de que pode render. Não estou achando que seremos campeões de tudo só porque ganhamos do CRB. Mas aquele marasmo técnico e tático acabou e o time começou a render.

Oxalá assim se mantenha.