Final melancólico de um campeonato que poderia ter terminado em festa

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, o final de Campeonato Brasileiro do São Paulo foi completamente melancólico. Perdeu da Chapecoense jogando o mesmo futebol patético que jogou contra Vasco, Sport e até o Cruzeiro. Ganhou dos mineiros, mas não mereceu.

Indago: não há um pinguinho de vergonha nesse time do São Paulo? Será que eles tem essa mesma má vontade quando vão ao banco sacar o salário?

Lembem-se que no primeiro turno, o que chamava a atenção e era o diferencial do time eram garra, vontade, determinação, que chamávamos de raça uruguaia que Aguirre tinha implantado no time. Se na técnica não ia, resolvíamos na vontade. Enchia os olhos ver como Jucilei e Hudson se acabavam na frente da zaga, Militão e Reinaldo se desdobravam nas laterais, Rojas e Everton eram um inferno pelas pontas, Nenê dava combate e armava com maestria para Diego Souza completar.

Hoje temos um time apático, que entra em campo pouco se lixando com o resultado. E não me venham falar que perdeu com gol roubado, porque o cara da Chapecoense estava impedido. Não fosse esse, sairia outro. O São Paulo não fez por merecer nada melhor do que a derrota. Não conseguimos chutar a gol. Nenê tentou duas vezes: um “recuo” para o goleiro e outro que foi parar  na bandeira de escanteio. E foi só.

Outra desculpa que poderia ser dada: o time ficou sabendo do gol do Grêmio. Um motivo a mais para ir para cima e tentar ganhar, pois se surgisse o empate em Porto Alegre, a vitória nos colocaria no G4. Não. Fizeram nada. Sangue de barata.

O pior é olhar para a frente e ver o que nos espera em 2019. Tenho falado constantemente que precisamos voltar a ser protagonistas. Entrar nos campeonatos como mero coadjuvantes não serve para o peso da camisa do São Paulo. Mas não vejo nada que possa me alegrar.

Vão me chamar de incoerente, pois sempre disse que lá atrás pensávamos que lutaríamos para não cair; depois para brigar por uma vaga na Sul-Americana; então passamos a sonhar com a Libertadores; veio a liderança e o sonho do título. Voltamos à nossa realidade. E só não ficamos pior porque Aguirre tirou leite de pedra e fez um primeiro turno perfeito com o time. O segundo turno, provavelmente, tenha sido a nossa realidade. Se esse quadro real tivesse perdurado o campeonato, talvez hoje estaríamos aqui lamentando uma vergonha maior ainda.

Leco, que vai muito bem na administração do clube, vai muito mal na parte esportiva. Por mais que tenha montado uma diretoria de respeito no futebol, parece que não deu liga. Alguma coisa tem que ser feita, de maneira urgente. Raí e Lugano continuarão. Ricardo Rocha vai sair. Por que não trazer Muricy Ramalho para assumir a gerência de futebol? Por que não trazer Carlinhos Neves para ser nosso preparador físico? Por que não pensar em Turíbio Leite e Luis Rosan para o Reffis? Por que não remontar essa comissão técnica que foi amplamente vitoriosa na década passada?

Chega de achar que os senhores são maiores que o clube. Ninguém, absolutamente ninguém é maior que a instituição São Paulo. E essa instituição está pedindo socorro há anos. Salvem enquanto é tempo.

Despedida melancólica do Morumbi de um time que se imaginava campeão

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, é duro de acreditar, mas é verdade: o São Paulo, um time que ousou um dia se imaginar campeão do Brasileiro de 2018 -e  pior, iludiu a torcida – se despediu melancolicamente do Morumbi neste ano com um empate em 0 a 0 contra o Sport, que luga desesperadamente para fugir do rebaixamento. Mas hoje é o antepenúltimo colocado do campeonato.

A noite teve requintes de crueldade, porque, além da ruindade absoluta do time, ainda tivemos Nenê perdendo uma cobrança de pênalti. Aliás, se puxarmos na memória, ele já vinha batendo mal as penalidades. Algumas vezes falou pouco para o goleiro defender. Hoje coroou essa sequência e perdeu aquele que seria o gol da vitória do São Paulo.

O primeiro tempo foi muito amarrado. O Sport armado para se defender e tentar levar um ponto de São Paulo para Recife e o São Paulo não sabendo como abrir a retranca adversária. Um chute de Helinho, uma chance perdida por Nenê, outro de Jucilei, uma cavada de pênalti de Reinaldo – não foi – quando poderia ter feito o gol, e foi o que tivemos. O time não conseguia penetração, não criava nada, a não ser as que citei.

No segundo tempo o time veio mais aceso. Prensou o Sport em seu campo, passou a arriscar mais chutes de média distância, principalmente com Helinho. Liziero era quem mais procurava armar o jogo. Aliás, ele fez boa partida. Sofreu o pênalti que Nenê perdeu.

Encontrei destaque individuais no time, como Arboleda, Liziero e Helinho (no segundo tempo). A substituição de Jardine, tirando Helinho e colocando Antony acabou com a única jogada que o São Paulo ainda conseguia produzir, quando ele trazia da lateral para o meio do campo e batia de perna esquerda, sempre levando perigo.

De resto, um horror. Reinaldo e Araruna exageraram na dose de cruzar no corpo dos adversários. Diego Souza não queria marcar, preferia servir, mas ninguém conseguia complementar para gol. Nenê, a decepção. Correu, buscou a bola, eu até iria destacar essa sua participação ativa no jogo, apesar dos passes errados, mas o pênalti perdido é indesculpável.

No final do jogo, os 15 mil pagantes que apoiaram o time o jogo todo, cantando e gritando, passaram a chamar o time de amarelão e deram uma sonora vaia em todos. Merecida. Até porque mais um ano que sonhamos com alguma coisa e vamos nos contentar com a Pré-Liberadores. E um sofrimento que começa agora, pois só duas coisas estão faltando para nossa humilhação total e nos igualar aos nossos rivais: ser rebaixado (não seremos) e sermos eliminados na Pré-Libertadores. Aí já não posso apostar minhas fichas de que não seremos.

O time não é horrível, mas foi medonho.

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, que futebol grotesco, digno de vergonha, o que o São Paulo apresentou no Rio de Janeiro nesta quinta-feira. O interessante é que até começou bem o jogo, dominando, tentando encurralar o Vasco em seu campo. Mas bastou uma falha ridícula de Jucilei, completada pelo Hudson, para o Vasco marcar seu gol e desmoronar qualquer esquema do São Paulo.

É impressionante como conseguimos nos abater e perder o foco jogando contra um timinho como é o do  Vasco, que está lutando para não cair novamente. E conhecemos São Januário. Lá tudo acontece. Nesta noite a invenção foi murchar as bolas. Ridículo. Coisa de time pequeno, como o Vasco se tornou. Mas não foi por isso que perdemos. Foi por ruindade absoluta mesmo.

Acho que Jardine entrou com o time correto. Não tinha Bruno Alves e Anderson Martins estava voltando de contusão. Sobrou Rodrigo Caio. Não tinha Diego Souza, Brenner e Gonzalo Carneiro. Sobrou Trellez. Não tinha Rojas. Sobrou Helinho. De resto, o time é isso daí. Não se acrescenta nada.

E, convenhamos, um time que liderou boa parte do primeiro turno e era tido por muitos como o grande favorito ao título, não pode virar uma pereba de uma hora para a outra. Não podemos contestar jogadores como Arboleda, Jucilei, Nenê, Diego Souza, Rojas e Everton. Mas saiu do eixo, e isso é fato.

No segundo tempo tivemos mais de 60% de posse de bola, mas com dois chutes na direção do gol – de Reinaldo e Nenê cobrando falta – e mais nada que colocasse o Vasco em risco. E merecedores, tomamos o segundo gol.

Analisando o time. O lado esquerdo foi vergonhoso. Reinaldo, que desde que foi chamado de Kingnaldo passou a carregar uma máscara maior do que ele, voltou a ser o  Tiririca. Quer ser o faz tudo do time e não faz nada certo. Deu um belo chute a gol, é verdade. Poderia ter marcado um golaço. Mas no resto do jogo cruzou todas as bolas nas pernas do marcador, errou passes, teve lances bisonhos. Everton, por sua vez, fez sua pior partida pelo São Paulo.

Criticam Diego Souza, dizem que com ele jogamos com um a menos. E com o Trellez: jogamos com quantos a menos?

Jucilei ficou perturbado. O erro que custou o primeiro gol fez com que ele errasse o jogo inteiro. Não que Hudson estivesse muito melhor, mas só saiu porque estava com cartão amarelo. Aliás, saiu para entrar Shaylon. No papel, grande alteração, de um técnico que não tem medo, que vai para cima. Na prática uma lástima, porque Shaylon não se convenceu ainda que é um jogador de futebol e que joga no São Paulo, no time profissional.

Nosso lado direito também padeceu de qualidade. Bruno Peres não se encaixou no São Paulo. Helinho não se convenceu que não pode viver de um gol que fez na estreia e que joga no time profissional. Assim sendo, tem que correr o tempo todo, não ficar com as mãos na cintura.

Nessa mediocridade – no sentido de muito ruim – toda sobraram os zagueiros. Rodrigo Caio até fazia uma boa partida, mas falhou no gol. Arboleda acabou se salvando. Esse joga sempre sério. E Jean… Bem, continuamos sem goleiro.

Já estou me conformando com o G5. Essa rodada nos dava a grande oportunidade de ficarmos no G4, empatados com o Internacional, que está em terceiro. Ou seja, nas duas últimas rodadas, dois times brigariam por duas vagas no G4. Mas nós estaríamos em vantagem. Agora o sonho acabou. Acho que vamos ganhar do Sport, mas também acho que o Grêmio ganhará do Vitória na Bahia. Acho que o Grêmio ganhará do Corinthians em Porto Alegre, mas também acho que o São Paulo não ganhará da Chapecoense em Chapecó. Portanto, bem vinda Libertadores. Ou melhor: bem vinda pré-Libertadores. Espero queimar a minha língua.

Vitória contra o Cruzeiro mostrou time diferente, de posse de bola

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, é muito pouco tempo para se avaliar esse tipo de situação, mas o time que ganhou do Cruzeiro já começa a ter a cara de André Jardine. Completamente diferente do estilo Aguirre, onde o time se fechava e partia no contra-ataque, esse tem a posse de bola e propõe o jogo.

Assim como na partida contra o Grêmio, o São Paulo começou dominado pelo adversário. Mas em dez minutos já tinha equilibrado as ações e passou a tomar conta do jogo. Nenê e Diego Souza se posicionavam lado a lado no ataque, com Everton e Shaylon pelos cantos do campo. Jucilei e Hudson também desciam bastante. Interessante notar que a intensidade fica por conta dos volantes, nem tanto dos laterais. Reinaldo e Bruno Peres se guardaram um pouco mais atrás.

Outro detalhe: saída de bola com os zagueiros. Jardine disse, na entrevista após o jogo, que na sua cabeça os zagueiros tem que ter bom passe e saber sair jogando. As jogadas devem nascer com eles, pois trazer um meia para buscar o jogo no meio do campo enfraquece o ataque, que fica com um jogador a menos. Nesse quesito, Arboleda que foi gigante na partida, vai ter que melhorar muito, pois o passe dele é horrível.

Mas vejam: o gol de Diego Souza foi uma assistência dele, Arboleda, que na cobrança de escanteio cabeceou na direção do centro-avante, que marcou um golaço.

Verdade que na metade final do segundo tempo sofremos muito. O Cruzeiro partiu para cima, pressionou, tentou de todas as formas. Mas o sofrimento foi relativo, pois Jean não fez uma única defesa. A zaga estava muito bem postada e em grande jornada.

As substituições feitas por Jardine não surtiram efeito. Ele colocou Brenner no lugar de Shaylon, mas o garoto entrou com medo de partir para cima e matava qualquer chance de contra-ataque; depois entrou Edimar no lugar de Reinaldo para segurar o setor; por último Araruna no lugar de Hudson, que jogou pendurado com dois amarelos. Quando eu digo que não surtiram efeito é porque tudo continuo como estava. Não melhorou, mas também não piorou.

Entendo que o futebol de Bruno Alves cresce assustadoramente quando ele forma a dupla de zaga com Arboleda; assim como cresce o futebol de Nenê e Diego Souza quando ambos jogam juntos, principalmente com Everton em campo.

A vitória nos deixa em boas condições de ficar no G4. Se pegarmos pela frente, nós vamos jogar contra o Vasco no Rio e o Grêmio contra o Flamengo no Maracanã. Convenhamos que nossa missão é muito mais fácil. Depois teremos o Sport no Morumbi, e o Grêmio faz outra fora, contra o Vitória na Bahia. Se bem que aí não dá para considerar muita vantagem nossa. Na última rodada nós vamos pegar a Chapecoense em Chapecó, enquanto o Grêmio joga contra o Corinthians em Porto Alegre. Então a decisão é agora. Acredito que se ganharmos do Vasco e o Grêmio perder do Flamengo nós terminaremos no G4.

Se isso acontecer, sem dúvida alguma, para o elenco que temos, e pelos desmandos que tivemos em nosso clube nos últimos dez anos, é um grande prêmio.

O time dos empates empatou mais uma em casa

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, o São Paulo conseguiu mais um empate, em casa, agora contra o Grêmio. Sim,  o time dos empates que empatou  neste segundo turno, em casa, contra América-MG, Atlético-PR, Fluminense, Flamengo e agora Grêmio. E quer ganhar campeonato como?

Sei que já fui chamado de corneteiro, mas tenho dito reiteradamente e não vou me cansar de falar e escrever: o São Paulo não pode mais ser coadjuvante. Tem que voltar a ser protagonista.

É fato que, por incrível que pareça, jogamos melhor do que o Grêmio. Os gaúchos deram um único chute a gol no primeiro tempo, obrigando grade defesa de Jean. O São Paulo, que foi dominado nos primeiros 15 minutos, tomou as rédeas da partida a partir deste ponto e me fez crer que poderia vencer. Mas com Trelles não acertando um chute a gol – ele é centro-avante -, Nenê não concluindo uma única jogada, os pontas tentando alguma coisa, mas geralmente perdendo de seus marcadores e dois volantes que não conseguem arriscar um único chute a gol, me fez crer que desta vez tivemos a bola, mas não conseguimos transformar a superioridade em gol.

Menos mal que André Jardine não inventou. Fez o arroz com feijão e colocou o time que ganhou quase tudo no primeiro turno. Só não tinha Rojas. Entrou Helinho. Clamor da torcida. Nem digo que decepcionou, mas mantém uma pegada que já tinha no sub-20: se desliga do jogo muito facilmente. E não me venham dizer que estou querendo queimar o garoto. Peguem tapes dos juniores e me digam se estou errado. Ele não era titular nas equipes de base exatamente por esse marasmo em que as vezes se envolve.

Segundo tempo e o São Paulo melhor. Algumas chances apareciam, mas caíam com Trelles. Ou ele errava, ou cometia falta. Entrando no segundo tempo ele vinha salvando a equipe. Mas nos enganou. Começando o jogo percebemos o quão ele é ruim. Colombiano por colombiano, enquanto uns contratam Borja, nós contratamos Trelles. Bem sinal dos nossos dias de hoje.

Estava evidente que Hudson não poderia continuar em campo. Estava errando mais do que o Trelles. Mas o primeiro a sair foi Helinho, para a entrada de Antony. Eu até poderia criticar o Jardine por isso, mas ele explicou na coletiva que Helinho pediu a substituição por estar com câimbras nas duas panturrilhas. Aí veio Shaylon no lugar do ineficaz Nenê. Aliás, pelo que jogou nesta quinta-feira, dá para perceber a razão do Aguirre tê-lo colocado na reserva.

Shaylon, por incrível que pareça, foi melhor que Nenê. Mas não se iludam. Shaylon é Shaylon. Isso só basta para não nos iludirmos.

Por fim Liziero entrou no lugar de Hudson. Acho que Jardine demorou demais para essa alteração. Mas fez. E não vou crucificar o técnico do São Paulo. Foram apenas três dias de treinamento. Impossível imaginar que ele vá dar novo padrão para o time em tão curto espaço de tempo.

Continuamos na briga pelo G4, mas deixamos de ganhar no confronto direto, de quem está na nossa frente (em número de vitórias). Agora não dependemos só de nós para entrarmos na fase de grupo da Libertadores.

Pode parecer uma bobagem essa, mas se entrarmos na pré-Libertadores, muda toda a fase de preparação. O planejamento que foi feito com Florida Cup vai por água abaixo, porque a pré-Libertadores começa em fevereiro, enquanto a fase de grupos só começa em março.

Mas não há o que reclamar. Foi o próprio elenco quem determinou essa sorte. Portanto, que se virem para mudar.

 

Empate roubado, time medíocre, técnico medroso.

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, quando eu imaginava que fosse escrever, um dia, que o Corinthians foi roubado em Itaquera, contra o São Paulo. Que jogou com um jogador a menos um tempo todo e que, mesmo assim, não conseguimos vencer o jogo. E só não perdemos, exatamente pelo roubo contra o time deles. Acho que estou delirando.

Ao anunciar a escalação do São Paulo no Notícias Antes do Jogo já pedi, ali, a proteção a seres divinos, porque se dependesse do nosso técnico não teríamos essa proteção. Não se tratava de jogar com cuidado porque era um clássico na casa do adversário. Não. O Corinthians entrou em campo preocupado com o rebaixamento. Vive seu pior momento nos últimos anos. Temos a grande oportunidade de, enfim, vencermos em Itaquera. Mas entramos com três zagueiros e três volantes, tal qual fizemos contra o Flamengo e foi um horror, sem criar absolutamente nada.

Começa o jogo e o time se posta lá atrás. O Corinthians dá espaço. O São Paulo vai um pouco para a frente, mas conta com a categoria técnica de Hudson para armar o ataque. Bruno Peres, um grife, e Reinaldo, até outro dia King, mas voltando aos tempos de Tiririca, sem descer. Diego Souza sem se mexer e Gonzalo Carneiro, o único que conseguia produzir alguma coisa, se machuca. Entra Brenner – pensei que ele fosse colocar o Edimar ou o Rodrigo Caio – e nada muda, porque Brenner, ao que parece, desaprendeu a jogar.

Gol que foi mas o juiz não deu, pênalti discutível – para a TV pênalti claro, para mim discutível – e um jogador expulso – bem expulso -. Acho que para o segundo tempo, o Aguirre vem com tudo. Afinal, para que manter três zagueiros e três volantes com um time que joga com dez e que é medíocre?

No primeiro tempo, mesmo com todo esse zelo defensivo, deixamos um buraco entre o meio de campo e a defesa e sofremos horrores com o adversário. As melhores chances foram deles.

Aguirre ousou voltar com Everton no lugar de Anderson Martins, mas já deveria ter voltado com Everton e Nenê, tirando, além do zagueiro, Liziero, que teve um primeiro tempo digno de dó. Completamente perdido.

Aguirre demorou 20 minutos para colocar Nenê em campo. E quanto colocou, tomamos o gol. Inacreditável: um time com dez jogadores faz troca de passes no ataque e faz o gol, porque o volante, que não sabe o que é marcar gol há anos, sobra sozinho, sem marcação, na entrada da área. Onde estavam nossos dois volantes?

Empatamos, é verdade, em jogada de Everton. Mas não criamos mais nada que pudesse justificar um comentário de que tentamos, mas não conseguimos. Ou porque Cássio foi gigante, ou porque a trave ajudou, sei lá. Nada. Absolutamente nada.

Aguirre foi incompetente por completo. Quando o time teve um jogador a mais, no encerramento do primeiro tempo, ele teve 15 minutos para montar o time e passar uma estratégia que possibilitasse usufruirmos dessa superioridade. Mas não. Incompetência plena.

Em vista disso, e ouvindo a sua entrevista dizendo que não gostou do que viu, lembro que ele é responsável por esse estado de coisas e, portanto, não quero suportá-lo até o final do Brasileiro e quero sua demissão já. Entreguem o time para André Jardine, permitam que ele termine o Brasileiro, ou até a Libertadores estará em risco.Sei que, nesse momento, são 12 pontos que nos separam de Atlético-MG e Santos e faltam 18 pontos a serem disputados por essas equipes (para nós só 15). Mas do jeito que estamos nos afundando, nada mais é improvável.

Imagino que entraremos contra o Grêmio na quinta-feira, num confronto direto, em quinto lugar, o que quer dizer que entraremos na posição de pré-Libertadores. A pressão será grande e estará do nosso lado. Por isso, a vaga na fase de grupos está ameaçada e na própria pré-Libertadores começa a correr risco.

Vamos acordar enquanto ainda é tempo.

Mais um empate no Morumbi de um time que não tem cérebro

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, o São Paulo empatou com o Flamengo no Morumbi, em 2 a 2 e tem que levantar mãos aos céus, pois poderia ter sido pior. Culpa do péssimo futebol apresentado de um time acéfalo. E aí, culpa, então, do técnico, que não consegue dar criatividade ao time, tira o único meia que tinha essa condição e arma o time, dentro de casa, com três zagueiros, três volantes e dois laterais – sim, laterais, não alas -, deixando apenas Diego Souza e Gonzalo na frente.

Era visível o posicionamento tático do time para quem estava no Morumbi: três zagueiros, com Arboleda cobrindo o lado direito, Anderson Martins o esquerdo e Bruno Alves o centro. Sim, digo centro porque ele não foi líbero. Quem viu Valber jogar sabe o que é ser líbero. Cinco jogadores no meio, quase que em linha, da direita para a esquerda: Bruno Peres, Luan, Jucilei, Liziero e Reinaldo; Diego Souza e Gonzalo centralizados na área.

Na minha cabeça passou um filme dos bons tempos de nosso 3-5-2, onde estávamos longe de ser retranqueiros. Ali Cicinho descia forte por um lado, Junior pelo outro. Josué ficava, mas Mineiro apoiava; Danilo armava. Que tempo. Hoje Bruno Peres não desceu, Reinaldo, nas vezes que tentou, errou e quem armava era…era…era…era…sei lá. Talvez Liziero. A coisa deu mais certo quando o garoto Luan se soltou e tentou ir para a frente. Aí saíram nossas melhores jogadas.

Aguirre não montou um time para amarrar o Flamengo e sair em contra-ataque. Fosse assim não teríamos tomado o gol de empate tão logo marcamos. A marcação foi bisonha e ninguém sabia o que fazer com a bola. Aliás, se cabia a Liziero alternar com Reinaldo o lado do campo, eles não foram informados.

Acho que o treineiro viu que a coisa não estava boa. No intervalo mudou o esquema, deixando Anderson Martins no vestiário e voltando com Helinho. Na primeira bola que ele pegou trouxe para dentro e mandou uma bomba, marcando um golaço. Deu para sentir que a coisa iria render e que estava ali o substituto do Rojas.

Não sei se por sentir o peso da responsabilidade – acho mesmo que foi isso – ou por ordem do banco, ele encolheu a perna e desistiu de partir para cima do seu marcador. Ao contrário, perdeu contra-ataques e várias jogadas. Mas não entendam que estou aqui jogando nas costas do garoto a responsabilidade. É apenas uma análise. Independente de ter sentido o jogo, acho que tem que ficar no time e fazer o lado direito enquanto Rojas não volta, o que só vai acontecer no próximo ano.

Mas Aguirre continuou errando. Ao tirar Gonzalo e colocar Edimar, passando Reinaldo para a frente, coroou um cara que estava fazendo sua pior partida desde a volta para o São Paulo e acabou com nosso contra-ataque, pois Diego Souza não conseguia mais nem andar em campo. E completou o show de horrores quando Luan se macucou. Seria a hora de colocar Nenê, ou Shaylon, para dar opção de saída de jogo, mas ele colocou Araruna. Sofremos pressão e, com  Sidão no gol, isso é elementar, tomamos o empate.

Aguirre expirou seu prazo de validade. Ele calou a boca de todos, colocou o time na liderança por várias rodadas, mas acabou caindo para a realidade do elenco e dele. Nosso lugar é esse mesmo, não vamos passar disso. Agora é torcer para conseguirmos nos manter em condição de ir para a Libertadores na fase de grupos, não na pré. Corremos até esse risco, pois sábado que vem temos o Corinthians, em Itaquera, enquanto o Grêmio pega o Vasco, no Olímpico. Portanto, é só pensar um pouco para nos depararmos com uma quinta posição logo aí na frente.

Não prego a demissão do Aguirre agora, mas já não defendo a renovação do contrato para o próximo ano. Quero treinador novo, vitorioso, para termos um time vitorioso.

Vitória sofrida de um time que jogou como pequeno

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, o São Paulo quebrou o jejum sem vencer há vários jogos e bateu o Vitória, em Salvador, por 1 a 0. Mas seri desnecessário sofrer o tanto que sofremos se o time tivesse um pouco mais de ousadia ofensiva.

Aguirre, teimosamente, repetiu o time que vinha escalando e não estava dando certo. Reinaldo fez uma ótima partida contra o Corinthians jogando por esse setor, e só. O meio de campo acéfalo, pois o lógico seria termos Diego Souza como meia. Mas ele se revezava com Gonzalo no meio da área.

A formatação tática do time, de fato, era um 4-4-4, sendo que os quatro que formavam a linha de meio eram Hudson, Luan, Rojas e Reinaldo. Mas os dois últimos jogando abertos deixavam o “pensamento” do time por conta de Hudson – horrível no passe – e Luan, muito jovem para assumir essa responsabilidade.

Achamos um gol, essa é a verdade. Ouvi Bruno Alves falar, depois do jogo, que era uma jogada treinada por Aguirre. Mas por que não treinar esse tipo de jogada, de finalização, com um atacante ou meia? Certamente a precisão do chute será melhor do que a de um zagueiro.

Mas vamos lá, que tenha sido ensaiada – que bom que temos algo assim -, mas inexplicavelmente o time puxou o freio de mão, se desligou do jogo. O Vitória, time que está na zona de rebaixamento, que sofreu 52 nos neste Brasileiro, passou a mandar na partida e pressionar o São Paulo. Arboleda e Bruno Alves foram dois gigantes.

No segundo tempo ele colocou Trellez no lugar de Gonzalo e a coisa piorou. O uruguaio ainda puxava alguns ataques, ganhava algumas jogadas. O colombiano praticamente não pegou na bola. Depois colocou Nenê, que deu toquinho de calcanhar na primeira jogada, mas também voltou a jogar mal.

O lado positivo é que encontramos um jogador que funciona como segundo volante, dá velocidade e qualidade na saída de bola: Luan. Prova que um trabalho bem feito na base pode gerar ótimos resultados.

Mas vamos lá: ganhamos o jogo. Está certo. Só que, ao contrário de outras partidas onde ganhávamos de 1 a 0 e víamos uma entrega total do time, dando a certeza de suas união e força, desta vez não. Ganhamos porque o adversário era realmente muito fraco e está fadado ao rebaixamento.

Continuamos no G4, o que já será um prêmio para a qualidade do nosso elenco se chegarmos assim até o fim do Brasileiro.

Empate melancólico de um time que esqueceu o que é garra

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, o empate entre São Paulo e Atlético-PR neste sábado, no Morumbi, foi digno de dó. Dois times sem técnica, sem garra, sem nada, tornando o sábado frio, de quem foi ao Morumbi, pouco mais de 13 mil pagantes, enfadonho.

Apesar de três bolas na trave – duas do São Paulo, uma do Atlético-PR – foi um jogo de dar raiva, pela apatia e falta de estrutura tática, principalmente do São Paulo.

O time escalado por Diego Aguirre deu raiva. Dentro do Morumbi, precisando da vitória, ele mantém o lado esquerdo com Edimar e Reinaldo, uma invenção que deu certo no jogo do Corinthians por ser uma surpresa. De lá pra cá, em todas as tentativas, nada deu certo. Pior, porque ao invés de fazer a ala esquerda Reinaldo virou o cérebro do time, caindo pelo meio para armar o jogo. Inicialmente eu pensei que isso fosse função de Diego Souza, mas ele ficou lá na frente, ocupando o mesmo espaço de Gonzalo Carneiro.

Ainda que o uruguaio tentou algumas jogadas, conseguiu até criar chance de gol, perdida pelo próprio Diego Souza, numa das bolas que bateram na trave. Mas com pouca movimentação, Diego Souza mais atrapalhou do que ajudou. O meio de campo do São Paulo ficou acéfalo. Vamos reconhecer que Reinaldo vive grande momento, mas depender dele para ser o armador do time, só na cabeça do Aguirre.

Do lado direito tinha o Araruna que marca bem, mas é péssimo no ataque, pior ainda na armação. Rojas tinha que se desdobrar e tentar fazer as jogadas sozinho.

No segundo tempo, já com 20 minutos, Aguirre colocou Nenê em campo, mas tirou, erroneamente, Diego Souza. O lógico ali seria tirar Edimar, voltar Reinaldo para a posição dele e colocar Gonzalo mais deslocado para a esquerda. O time até cresceu de produção, mas não o suficiente para levar perigo ao gol do Atlético.

Aguirre então, voltou  a errar, ao colocar Trellez o lugar de Gonzalo, o único que ainda fazia alguma coisa. Verdade que o time foi para cima, que o goleiro do Atlético teve trabalho duas vezes, mas foi muito pouco para o volume de jogo que esse time tinha até alguma semanas atrás.

Em todo o Campeonato Brasileiro o São Paulo nunca demonstrou qualidade técnica exuberante, nem ganhou jogos que nos fizeram crer que éramos imbatíveis. Mas a raça, a dedicação, a vontade de ganhar, faziam do São Paulo o grande favorito ao título, pois essa determinação supria a falta de técnica e até de elenco.

Tudo isso sumiu e hoje, sem querer ser alarmista, o que vejo em campo é um time que em muito pouco se difere daquele que lutou para não cair ano passado. Se já deixei de acreditar no título, agora começo a colocar em dúvida nossa capacidade de ir para a Libertadores. Estamos num viés de baixa impressionante e será difícil reverter esse quadro.

Quanto a Aguirre, o gato subiu no telhado. Sou radicalmente contra sua demissão, mas nesse momento não arriscaria a renovação do contrato que se encerra em dezembro deste ano. Raí foi muito sábio – e de novo teho que me render a ele – que no momento em que todos pediam, ou mais, exigiam a renovação do contrato do técnico uruguaio, ele ponderou, disse que esperaria o momento certo e fez o correto. Hoje, aqueles torcedores que reputavam em Aguirre um grande técnico, já o chamam de burro.

Por isso temos que dar tempo ao tempo e esperar o que tem por vir. Não tiro do meu foco a ideia de que Libertadores já estará de bom tamanho para o elenco que temos e para a terra arrasada que existia no São Paulo. Mas 2019, que já está sendo planejado, tem que ser com muito cuidado, pois o comandante poderá não ser o que hoje dirige o time.

 

 

Não se vai do inferno ao céu em tão pouco tempo

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, chegou o momento de refletirmos sobre o momento do São Paulo, em todos os seus setores, que influenciam, inevitavelmente, o futebol.

Está claro, ao menos em minha cabeça, que não se conserta em um ano o que estragaram em dez. E que estrago!

Com muitas pessoas com as quais converso, e que tem, de alguma forma, muito conhecimento sobre o todo do São Paulo, me dizem que é incalculável o buraco em que Juvenal Juvêncio nos colocou. Às custas de se manter no poder a qualquer preço e qualquer custo, foi conquistando apoiadores das mais diversas maneiras, com cargos, viagens com a delegação, obras que não cabiam no orçamento, antecipações de receitas, contratações erradas com preços acima do mercado. Enfim,, deixou o São Paulo com dívidas assombrosas, e estado pré-falimentar. E notem: ao cometar que escreveria esse editorial me disseram que tudo o que eu falasse ainda seria pouco para o quadro que encontraram no clube.

Veio, então, o nefasto Carlos Miguel Aidar, que chegou prometendo austeridade, corte de despesas, revolução administrativa, mas que acabou renunciando após diversas denúncias de irregularidades. A primeira sua namorada, Cinira, negociando jogadores.  Vou lembrar aqui o caso Iago Maidana, o mais grave. A negociação envolveu três clubes. Uma empresa chamada Itaquerão Soccer tirou o zagueiro do Criciúma ao preço de R$ 800 mil e o registrou por dois dias no Monte Cristo (clube da terceira divisão goiana) antes de vender 60% de seus direitos econômicos ao São Paulo por R$ 2 milhões. Esse processo está no Ministério Público e corre em segredo de justiça, porque uma testemunha foi ameaçada.

Aliás, foi na gestão Carlos Miguel Aidar que apareceu o Jack. E não é um personagem. Ele existe. Trata-se de Jack Banafsheha, um empresário americano (ou chinês, é um mistério), que tinha como representante comercial (legal, mas imoral) no Brasil Douglas Schwartzmann, conselheiro e. à época, diretor de Comunicação e Marketing do São Paulo. Ele (Jack) receberia uma comissão de R$ 18 milhões pelo acordo firmado com a Under Armour para fornecer material esportivo ao São Paulo. A comissão só não foi paga porque o Tricolornaweb denunciou e o Conselho Deliberativo impediu. Seria mais uma fuga gigantesca de capital.

Leco pegou o clube nessa situação: estado pré-falimentar. Dívidas com bancos incalculáveis, linhas de crédito zeradas pela falta de credibilidade, jogadores sendo vendidos a rodo para que funcionários pudessem receber que o clube conseguisse cumprir com pagamentos que eram básicos.

Inegável o mérito da atual diretoria em recompor as finanças. Sem indicar nomes, prefiro deixar no coletivo. A promessa que foi feita e abril, quando o balanço de um ano da atual gestão foi apresentado era de que em 2019 as vendas de jogadores já não mais seriam necessárias para cobrir custos.

Os patrocínios voltaram, os bancos renegociaram, a dívida passou a ser reduzida e hoje já está num patamar aceitável  para não afetar a saúde do clube.

Entro, então, no futebol. Ano passado ainda patinamos na briga contra o rebaixamento. Tínhamos uma diretoria política numa área tão técnica e que é, seguramente, a mais importante do clube. Com a indicação de Raí para a diretoria, e a formação com Ricardo Rocha e Diego Lugano, a profissionalização passou a existir com quem entende do assunto. É inegável a grande mudança que houve de 2017 para 2018. Hoje brigamos – ainda – pelo título, que pode estar difícil, mas o consolo de uma vaga para a Libertadores parece assegurado.

Quem em sã consciência achava, em janeiro, que estaríamos nesse patamar a esta altura do Campeonato Brasileiro? Se existe uma frustração, por termos caído da liderança para a quarta colocação em tão pouco tempo, é porque chegamos mais longe do que poderíamos. O time não foi desmontado no meio do ano e os jogadores que saíram, eram aqueles que a torcida não aguentava mais, representavam despesas e irritação ao torcedor. As contratações foram pontuais e, salvo um errinho aqui, outro acolá, o balanço foi muito positivo.

Entendo que o plantio que está sendo feito para 2019 é muito bom. E ainda acredito que será uma vitória descomunal se conquistarmos um grande título ano que vem, porque será o segundo ano da arrumação de uma casa devastada.

Mas ainda há o que se fazer e o que se reparar. O São Paulo ganhou muitos títulos importantes quando tinha uma grande estrutura por trás. Inesquecível o time do Reffis, envolvendo, além da fisioterapia, a fisiologia, quando contávamos com Turíbio Leite, Luiz Rosan e Carlinhos Neves. A falta de profissionais desse quilate talvez possa explicar o número excessivo de lesões musculares que nos causou a queda no Brasileiro.

Nosso estádio, que passará por uma pequena reforma de modernização no começo do próximo ano, precisa ser mais bem utilizado. Temos hoje o Maurinho, que foi administrador do Pacaembu por muitos anos e agora está conosco. Sinônimo de grande trabalho. Mas sinto falta de outros eventos para o estádio, como shows. Não podemos nos conformar com o fato de empresários preferirem as arenas. Temos estrutura superior para receber shows, mesmo para públicos menores, usando apenas parte do estádio. Enfim, é só sair e prospectar.

O horizonte que vejo para nosso clube é límpido e transparente. Não sou defensor – nem opositor – do presidente Leco, mas da mesma maneira que já fiz duras críticas a ele, sei também reconhecer o bom trabalho. Tenho sérias restrições a alguns acordos políticos que ele está fazendo, e serei um crítico ferrenho se forem concretizados. O risco de novos Jacks (re)aparecerem pode tornar turvo esse horizonte. Portanto, todo cuidado é pouco. #Ficaadica!