Flávio Marques

Chegamos à semifinal, e agora?

 

Agora já podemos comemorar que os “quatro de Cotia” são nossos novos “Menudos”? reconhecer que nossos dirigentes são brilhantes e prepararam o time para crescer na fase decisiva da competição? Acreditar que Cuca será a reencarnação de Telê e fará essa equipe voar em campo? Ter a confiança que o Tricolor vai atropelar o time da Crefisa como fizemos no passado com os esquadrões da Parmalat? Não pessoal, ainda não.

 

Fizemos duas boas partidas e vencemos com autoridade os dois jogos das quartas de final, mas enfrentamos o Ituano – equipe que vai disputar a Série D do Campeonato Brasileiro. O otimismo tem que ser moderado. Os jogos da semifinal serão a prova de fogo para nosso “quarteto de Cotia” e para todo o time Tricolor. Nosso elenco ainda é muito limitado para enfrentar as trinta e oito rodadas do longo Campeonato Brasileiro.

 

Neste ano, até agora, enfrentamos três equipes que disputarão a Série A do Brasileiro e quatro que jogarão a Série B a partir de abril. Contra os times de primeira divisão colecionamos três derrotas em clássicos. Já contra as equipes da segundona vencemos São Bento e Bragantino, mas perdemos de Ponte Preta e Guarani. O aproveitamento de cinquenta por cento contra times da Série B não seriam suficientes para um time alcançar o acesso à divisão principal.

 

Nosso último título Estadual foi em 2005, quando o campeonato foi disputado em pontos corridos. Fomos ainda vice-campeões em 2006, último ano dos pontos corridos, quando éramos favoritos, mas priorizamos o tetra da Libertadores que não veio.

 

Nos últimos doze anos não chegamos nem sequer na final do campeonato paulista. Em duas oportunidades fomos eliminados nas quartas de final – por Penapolense e Audax – e em outras dez disputas eliminados nas semifinais – por Corinthians e Santos quatro vezes cada, Palmeiras e São Caetano. Foram campeões no período o Santos (6 títulos em 9 finais disputadas), Corinthians (4 títulos em 5 finais), Palmeiras (1 título em 3 finais) e até o Ituano (1 título na única final que disputou). Chegaram ainda às finais, mas sem conquistar o título, a Ponte Preta (por duas vezes), Audax, Guarani, Santo André e São Caetano.

 

Nessa fase de seca de títulos do campeonato paulista observamos que, além do time vencedor que não existe mais, o Clube de gestão diferenciada, modelo de administração, que resolvia seus problemas internamente de maneira discreta também é coisa do passado.

 

Eleito em 2006, Juvenal Juvêncio manipulou o Conselho Deliberativo aprovando uma série de alterações no Estatuto que acabaram por permitir um período de oito anos consecutivos de mandato. O sucessor, eleito com apoio de Juvenal, renunciou sob acusações de fraude no pagamento de comissões e negociação de contratos lesivos ao clube, eventos que tiveram ampla cobertura da imprensa. Esse sucessor, que foi expulso do Conselho Deliberativo, segue, porém, como membro do Conselho Consultivo, órgão responsável pela manutenção das tradições éticas, filosóficas e históricas do Clube. O presidente atual, Carlos Augusto de Barros e Silva, que liderou o processo de revisão do Estatuto Social, desrespeitou os artigos desse Novo Estatuto que determinam prazos para apresentação de estudos de viabilidade sobre a constituição de sociedade empresária (S.A.) e sobre eleição direta. Recentemente nosso vice-presidente foi à mídia para criticar a administração.

 

A torcida que vibrou com os “Menudos de Cilinho” e com o “expressinho” de Rogério Ceni, Juninho Paulista e Caio agora vê os jovens valores sendo vendidos antes de se firmarem no time profissional. O clube que no passado contratava veteranos como Leônidas, Gérson e Pedro Rocha para dar qualidade e experiência ao time hoje abriga atletas em final de carreira que pouco ou nada acrescentam ao fraco elenco. Péssimas contratações inflam nossa folha de pagamento enquanto drenam nossos recursos financeiros. Graças à imensa torcida o Tricolor continua a ser um dos clubes com maior receita no futebol brasileiro, mas a gestão catastrófica do futebol desperdiçou milhões de Reais nos últimos anos sem obter nenhuma conquista.

Voltando ao campeonato paulista deste ano, chegamos a este confronto eliminatório acumulando oito pontos a menos que nosso adversário. Para passarmos de fase precisamos quebrar a escrita de derrotas na arena da Pompéia, onde perdemos todos os jogos que disputamos até aqui. Só o futebol permite que o mais fraco – neste caso o SPFC – sonhe com a classificação improvável, mas em dois jogos a tarefa fica mais difícil.

 

Estamos nas semifinais e, se por aquelas surpresas que só o futebol permite, chegarmos ao nosso vigésimo segundo título paulista não se iludam. Teremos apenas igualado a campanha do Ituano nesses últimos treze anos, e isso é ainda muito pouco para quem administra um dos maiores orçamentos do futebol da América do Sul. Estarei torcendo muito a cada jogo, mas sem perder a noção da realidade.

 

Vamos São Paulo!

 

 

 

4 comentários em “Flávio Marques

  1. Boas observações, Flávio. Como sempre. Concordo que nosso elenco não permite sonhar com o Brasileirão, mas estou muito otimista em relação à Copa do Brasil. Acho que seremos muito competitivos, para disputar o título mesmo.

    O amadorismo na administração tricolor é patente nos últimos quinze anos. Pensando bem, sempre se deixou a desejar nesse quesito. A verdade é que só nos “destacamos” durante um tempo porque os outros eram ainda piores.

    O Futebol não está sozinho. O Marketing tricolor também está muito aquém do que deveria ser. Enquanto continuarem a buscar “soluções caseiras”, os “políticos” do clube só aumentarão nossa desgraça.

  2. Bom dia tricolores,
    Bom dia amigo Flávio, parabéns pela ponderação do texto, estamos vivendo a nossa pior fase, pelo menos que eu tenha presenciado, o Juvenal surfou a onda das conquistas do MPG, teve a oportunidade de fazer um trabalho espetacular mas deu maior importância em manter o poder mesmo que por vias tortas, a derrocada teve início na demissão do Murici, não se demite, impunemente, um técnico tricampeão brasileiro sem ter um planejamento para tal, aliado ao hoje presidente Leco, não podemos esquecer que são milho da mesma espiga, barbarizaram o nosso tricolor fazendo de Cotia um grande balcão de negócios com empresários de caráter bem duvidosos (não sei se algum não seja), e hoje pagamos caro por esses desmandos, muitos falam em modernizar a administração mas a meu ver, muito mais que modernizar precisamos moralizar com pessoas competentes, honestas e dedicadas, que queiram de verdade recolocar o São Paulo na primeira prateleira de onde não deveria ter saído, quanto ao jogo de hoje estarei lá para ver de perto, espero superar os favoritos que, apesar de jogar no Morumbi, não somos nós. Abraços

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