O São Paulo perdeu, de novo, em Campinas, para a Ponte Preta. É um tabu difícil de ser quebrado. Mas naquela velha história, foi fora de casa, vá lá. Mas pior que a derrota é o amadorismo que ronda nosso clube.
O preparo físico continua deprimente. O time simplesmente desaparece no segundo tempo. Você torce muito para que tudo se resolva no primeiro tempo, para que na etapa final o time possa jogar fechadinho, sem grandes combates ou correrias, porque se for assim a gente dança. E dançamos. Pior: ninguém faz qualquer menção de trocar os preparadores físicos. A situação é patente: o time não aguenta correr 90 minutos, o Reffis está lotado de jogadores, e continuamos batendo palmas com as orelhas. E o principal detalhe, que afunda ainda mais essa preparação física: estamos jogando apenas uma vez por semana. Se estivéssemos em dois torneios – ou três como alguns times grandes – a coisa iria ser pior ainda.
Agora, para coroar o que chamo de amadorismo, Cueva é impedido de jogar pelo uso de um spray que contém uma substância que se considera doping. No momento que recebi a informação, chequei com outras pessoas e, mais uma vez, minha fonte estava certa. Publiquei na coluna “Alguém me disse” a informação, confirmada pelos demais sites apenas depois que a escalação do São Paulo foi confirmada.
A princípio imaginei que o atleta, inadvertidamente, teria usado o medicamento e, por precaução, o clube o tirado do jogo. Mas deixava o alerta: se houve conhecimento prévio do Departamento Médico, era amadorismo total. E foi pior: não só havia conhecimento, como o spray foi receitado por um dos médicos da equipe. O próprio dr. José Sanches assumiu a responsabilidade. Vejam abaixo o que ele disse:
– A responsabilidade é nossa, do departamento médico. Não vamos entrar em detalhes, não tem sentido. Não tem de haver caça às bruxas. O produto tem indicações, é um bom produto, mas não muito usado no nosso meio. É um spray que contém uma substância que a chance era muito pequena de dar problema. Mas, quando você fala em doping, não pode ter chance nenhuma. A repercussão para a pessoa (jogador) e a instituição é muito grave. Preferimos passar por tudo isso, esse constrangimento. Foi um deslize que tem de ser atribuído ao departamento. Já passamos para a diretoria e não gostou. O atleta foi gentil de entender o equívoco ocorrido.
É preciso, sim, saber quem foi o médico. Ou se o nome não for divulgado, pela conhecida “ética médica”, a diretoria tem obrigação de intervir e punir. Por mais que Cueva não estivesse em sua melhor forma, melhor com ele do que com Thomas, que mais uma vez entrou e se escondeu no jogo.
Aliás, por falar em jogo, o time até que fez um bom primeiro tempo. O esquema tático funcionou, apesar das poucas chances criadas, mas o São Paulo dominou a partida. Marcinho ganhava quase todas as jogadas pelo seu lado, enquanto Luíz Araújo, nas poucas bolas que lhe eram dadas, também levava vantagem.
Mas, como eu disse acima, se não resolvemos o jogo no primeiro tempo, sobra o segundo onde o cansaço bate e o ritmo cai. Numa dessas tomamos o gol, exatamente pelo setor onde Junior Tavares deveria estar, só que ele não teve fôlego para recompor e deixou o buraco. Aí ficava impossível uma reação.
Por mais que o São Paulo tenha tentado algo, com Bruno entrando no lugar de Lucão para forçar mais o ataque pelo lado direito, com Gilberto somando-se a Pratto lá na frente, não oferecemos perigo e os jogadores da Ponte sempre chegavam na frente dos atletas do São Paulo em qualquer dividida.
A derrota não é daquelas irrecuperáveis, mas intercepta uma série boa que o time estava conseguindo e, por isso, levantando o moral do elenco.
Agora é esperar o Vitória, quinta-feira, no Morumbi. Espero que os jogadores estejam descansados.