São Paulo perde oportunidades e se perde no jogo. A síndrome do segundo tempo voltou

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, o São Paulo até deu a impressão que traria uma vitória de Buenos Aires, mas acabou sofrendo de nova síndrome do segundo tempo e sucumbiu ante um Boca que parecia perdido, mas que mostrou que sua camisa ainda entorta varal, assim como a nossa.

Aliás, mais do que a importância de um jogo da Sul-Americana, o jogo teve sintomas de nostalgia, quando durante décadas os dois clube ostentaram os degraus mais altos da rivalidade na América do Sul. Hoje o Boca é um arremedo do que foi e o São Paulo…desnecessário falar alguma coisa.

No jogo, foram 30 minutos de total domínio do São Paulo. O trio de zaga funcionando bem, Marcos Antonio encostando na frente, Iago e Lucas Ramon avançando pelos lados e as oportunidades foram surgindo. Primeiro foi Luciano que cabeceou para grande defesa do goleiro argentino e depois Caller, que perdeu um gol inacreditável.

Mas, como eu disse, durou 30 minutos. Aí o Boca acordou para o jogo e começou a rondar a área do São Paulo. As deficiências começaram a surgir, principalmente no setor de meio de campo, onde Pablo Maia estava completamente perdido e Marcos Antonio não acompanhava a descida dos argentinos.

Na transmissão eu e o Dario Campos comentávamos que Dorival deveria voltar com Newton no lugar de Pablo Maia para dar maior consistência ofensiva. Ou até Danielzinho, o que faria o futebol de Marcos Antonio melhorar. Só que Dorival não mexeu, mas o Boca sim. Não com troca de jogadores, mas com troca de posição em campo, formando um carrossel. Em pouco tempo o gol saiu e as fragilidades do São Paulo ficaram patentes. O ataque morreu, o meio de campo não existiu e a defesa passou a bater cabeça o tempo todo.

O São Paulo voltou a ser o time omisso no segundo tempo que tem sido este ano. As exceções talvez tenham sido os jogos contra RB Bragantino e Atlético-MG.

A culpa maior, no meu entender, foi de Dorival. Ele desmontou uma dupla de meio de campo que estava dando muito certo, com Danielzinho e Marcos Antonio, para colocar Pablo Maia que não consegue mais jogar futebol. E depois de estragado, quando viu a coisa complicar, deveria ter colocado Newton, a quem ele tanto pediu à diretoria. Mas os erros continuaram, porque ele colocou Danielzinho no lugar de Marcos Antonio e Newton aos 47 minutos do segundo tempo. Grotesco.

Dá para virar. O estrago não foi tão grande. Mas tivéssemos um técnico com um pouquinho mais de capacidade, e jogadores com mas vontade em campo, não se dobrando a amores passados pelo Boca, no mínimo com um empate teríamos saído de Buenos Aires.

São Paulo faz partida sólida e ganha com méritos, se afastando do risco

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, o São Paulo conseguiu fazer uma grande apresentação neste sábado, no Morumbi, vencendo o Atlético-MG por 2 a 0. O time apresentou uma solidez defensiva muito grande, com o meio de campo fluindo e o ataque funcionando, até porque a bola chegou nos atacantes, principalmente pelos lados do campo.

O trio de defesa formado por Domingos Duarte, Arboleda e Sabino foi perfeito. Não houve uma falha sequer. O time, nesse esquema de necessidade premente de vitória, joga para a frente, sem volante cabeça de área. Depende da atuação perfeita da zaga. E isso aconteceu. Além de defender, várias vezes Sabino se fingiu de meia e avançou, sempre levando perigo ao gol adversário e o que é mais importante: não perdeu bola dando chance ao contra ataque adversário, com lacuna na defesa.

O meio de campo com Danielzinho e Marcos Antonio deixa o time mais leve, mais veloz, com muita movimentação e passes certos. Arthur se movimenta por todos os cantos, com técnica apurada. Luciano, apesar de mais lento, conseguiu ser bom companheiro para Gustavo Santana que promete muito. Continuando nesse ritmo, deverá ser o sucessor de Calleri.

Deixei por último os alas. Dorival tem alternado as escalações. Quando coloca Iago de um lado, põe Buta do outro para segurar um pouco. A mesma coisa ele faz quando coloca Wendel, liberando Lucas Ramon pelo outro lado. Mas o jogo só foi resolvido depois que Iago entrou. Participou diretamente do primeiro gol e marcou o segundo, provando que é titular e não se discute mais.

O time já havia apresentado um bom futebol contra o RB Bragantino. Só que ali sofreu um pouco. Tomou um gol e viu a síndrome do segundo tempo viva em sua frente. Mas venceu. Com a segunda vitória consecutiva, a imagem que fica é que Dorival conseguiu encontrar o time certo para tirar o São Paulo desta zona sufocante em que se encontrava e pensar em terminar o ano sem solavancos.

É muito agradável quando posso fazer um comentário elogiando o time e vendo algo em que possa me ancorar para pensar apenas positivamente.

Com bom primeiro tempo, São Paulo evitou a síndrome do segundo

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, finalmente passamos um final de semana aliviados. Depois de quatro meses, um time com a envergadura do São Paulo, com uma camisa que entorta varal, voltou a vencer. Uma vitória de extrema importância, pois nos levou para uma provisória décima posição, mas, principalmente, nos afastou momentaneamente do Z4.

O espiral de baixa que o time estava vivendo, tirando a confiança dos jogadores e da torcida, estava colocando a nau com o nariz para baixo e nos levando para uma situação da qual dificilmente sairíamos.

Dorival Jr conseguiu montar um time confiável para uma partida sólida, sem correr riscos. Com uma formação inicial de 3-4-3, onde os três zagueiros – Domingos Duarte, Arboleda e Sabino – estiveram quase perfeitos, o time pode se preocupar em ir para a frente com maior tranquilidade. Danielzinho esteve longe de ser um cabeça de área, mas funciona muito bem quando tem Marcos Antonio ao seu lado. Ambos viram o futebol crescer e as chegadas foram mais fortes.

Méritos para Luciano que lutou por uma bola num lance onde ele havia sofrido falta não marcada por Daronco. A insistência resultou no pênalti – o VAR precisou de oito minutos para convencer Daronco a marcar – e de Gustavo Santana, que marcou um digno gol de centroavante.

A partir daí, e por todo o segundo tempo,  RB Bragantino se abriu, pois saiu em caça de um melhor resultado. O São Paulo passou, então, a perder oportunidades. Uma com Arthur, outra com Luciano, outra com André Silva. Enfim, elas se enfileiraram.

A falta de confiança da torcida é tão grande que com 42 minutos eu falava no ar que ainda não iria comemorar. E o gol do Bragantino aos 45 minutos, com mais sete por jogar, me deixou em pânico. Mas conseguimos levar o jogo até o fim e sair com os três pontos. Aliás, coincidentemente, repetimos o resultado do primeiro turno em Bragança. Lá marcaram Calleri e Sabino.

Verdade que o acerto de Dorival Jr na montagem do time se desfez no segundo tempo. Quando ele colocou Pablo Maia, André Silva e Ferreira, o time acabou. Virou aquele que nós vínhamos falando: digno de uma Série B. Mas chegamos até o fim.

Uma semana para o time se preparar para jogar com o Atlético-MG, de novo no Morumbi. Outra vez obrigação de vencer esse jogo, até porque na sequência iremos ao Chiqueiro. E aí é se armar para perder de pouco. Ou, quem sabe, conseguir a grande zebra da rodada.

É importante ressaltar que em campo o time deu a resposta. E eu espero que essa vitória traga de volta a confiança necessária para a equipe chegar ao fim do ano sem sustos, sem sobressaltos.

O dia que o Conselho pode salvar o São Paulo ou enterrá-lo de vez

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, o Conselho Deliberativo tem hoje um dos dias mais importantes de sua história: o de salvar o São Paulo. Ou decretar de vez sua insolvência, enterrando o clube em sua história de glórias, que vem do passado. Estará em votação a Reforma Estatutária, a mais séria, desenvolvimentista, das últimas décadas. Uma reforma que não é o golpe, como a feita pelo presidente deposto e futuramente encarcerado, Júlio Casares.

A reforma, elaborada originalmente por Daurio Speranzini, Eudardo Alfano e Flávio Marques, que depois teve as mãos de Vinicius Pinotti e, sim, Rogerio Caboclo, colocam o São Paulo no século XXI. Permitem que o futebol se desligue das amarras políticas viciadas do clube social e abra as portas para investimentos externos sem, no entanto, se tornar uma SAF.

É uma reforma que lida com a governança. Dá, por exemplo, ao Conselho de Administração, a força que lhe é inerente em qualquer empresa multinacional. Ela deve ter o poder de decisão sobre os atos da diretoria, mais especificamente do presidente. Acaba o “dizer amém” a tudo o que o presidente encaminha. Para vocês terem uma ideia do que é a atual, quando Casares ainda era presidente e Massis, como vice, membro do Conselho de Administração, Massis aprovou tudo sem ler um único contrato. E isso foi falado por ele numa reunião logo que assumiu.

No novo formato, já alterado por acordo, serão quatro executivos contratados de agências (sempre três para cada função, com escolha feita pelo Conselho Deliberativo), três conselheiros indicados pelo CD e um quarto do Consultivo. Na proposta original seriam nove, com um a mais dos independentes. Isso foi tirado para reduzir a ira dos mais conservadores, que não admitem existir um órgão, principalmente com pessoas estranhas ao clube, que se sobreponha ao presidente.

Outros fator importante é a retirada do Compliance da égide da presidência, colocando o setor como subordinado do Conselho de Administração. Se pegarmos o que Roberto Armelin fez – ou não fez – na gestão Casares, percebe-se que é um grandioso salto de qualidade.

A reforma também responsabiliza criminalmente dirigentes que lesarem o clube. A má administração, conhecida como gestão temerária, poderá punis com maior rapidez e consequências mais graves o próprio presidente.

Todos os setores ligados ao futebol, passando pela Comunicação, Marketing, Jurídico e o próprio Futebol, serão profissionais e ficará vedada a participação de conselheiros ou mesmo indicações políticas para os setores. Sempre serão buscados nome de destaque no mercado.

Eu tenho informações que existem nomes de peso, investidores de peso, esperando a votação desta reforma. Pela abertura que será dada e pela certeza de confiança que o clube passará, em breve poderemos começar a solucionar essa crise profunda. É fato que só entrará em vigor em 02 de janeiro de 2027, até porque é uma mudança estatutária que atinge a governança e isso não ser faz dentro do próprio mandato. Quando isso ocorre, é golpe, como foi a reeleição de Júlio Casares, um dos maiores golpistas – em todos os sentidos – da história do São Paulo.

O Tricolornaweb vai expor nomes e fotos de quem votar contra qualquer item. As 54 propostas foram condensadas em 12 itens. Não admitimos qualquer voto não, por qualquer explicação.

A aprovação desta reforma nos proporcionará condição para, em três anos, estarmos atingindo o patamar do Palmeiras e voltarmos a disputar títulos importantes. Sua reprovação nos levará a insolvência em até três anos, pois com tudo o que o clube fatura, já não consegue pagar contas de água e luz. O que dirá salários de jogares e dívidas com os bancos.

Quem votar sim para todos os itens mostrará que é são-paulino e que ama o São Paulo. Quem votar conta, mostrará que torce para outro time e só quer ver o fim do São Paulo. Aos mais conservadores, mais idosos, uma dica: guardem em suas memórias afetivas o Século XX. Mas permitam que o São Paulo se prepare, com muito atraso, para o Século XXI. Ou ele marcará o final deste clube que ainda é um dos mais importantes do mundo.

Contra a Chapecoense, São Paulo encarnou a Série B

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, o São Paulo decidiu encarnar a Série B. Com a partida dantesca que jogou em Chapecó neste domingo, como dito no Mesa Redonda, o Tricolor decretou seu rebaixamento. Perdemos de um time que só ganhou uma partida no Brasileiro até então – do Santos, na estreis – e estava, portanto, há 21 jogos sem vencer.

Que o elenco é horrível, estamos alertando há tempos. Mas o time também me parece ser medonho e o técnico pior ainda.

A dupla de zaga foi risível, para não dizer “chorável” . Domingos Duarte tomou um drible de criança na várzea no final do jogo; Sabino deu um escanteio, que originou o gol, quando não tinha ninguém perto dele e Rafael, talvez mudo, não o avisou disso; depois, no segundo tempo, recuou de cabeça uma bola para Rafael que gerou outro escanteio; os laterais mergulharam na ruindade da zaga e completaram o estrago; sem contar que o meio de campo não tinha marcação e um meia que não serve nem para time da série C, quando mais para o São Paulo. Arthur, nosso grande destaque, perdeu um gol absurdo e errou todos os passes.

Mas vamos entender que Dorival, um péssimo treinador, escalou o time do empresário Giuliano Bertolucci. Cauly fez as pazes com ele. Cauly completa seu 14º jogo com a camisa do São Paulo atuando por pelo menos 45 minutos. Caso cumpra 20 jogos nessa minutagem, a cláusula de compra obrigatória será acionada. Valor de € 2 milhões, pouco mais de R$ 12 milhões. Ou seja: mais seis jogos, atuando ao menos um tempo, e nós, que temos dinheiro sobrando, vamos ter que comprar em definitivo esse meia maravilhoso. Claro, contém ironia.

Eu sou otimista e, mesmo o time perdendo de 2 a 0, faltando um minuto para terminar, ainda acredito no empate. Sempre fui assim. Mas estou jogando a toalha. As apresentações do São Paulo não tem dado esperança de que algo possa mudar. E temos que levantar as mãos aos céus, pois só não estamos no Z4 por absoluta incompetência – maior do que a nossa – de quem está atrás do São Paulo. E olha que estamos lutando muito para ingressar nessa região, onde moralmente já nos encontramos há muito tempo.

Enquanto o time se derrete em campo e na classificação, nossos conselheiros continuam achando que vivemos os anos 1960 e que o modelo atual de clube associativo é o melhor que existe. Que octogenários, com pensamentos arcaicos conseguirão resolver o problema do clube, que já é pré-insolvente. Que não precisamos de uma reforma estatutária, que permita que o clube se modernize, separe o futebol do social, abra as portas para os investidores, ainda que não se torne uma SAF, para voltar a ser São Paulo.

Não querem perder o Status Quo. SE temos que responsabilizar Hary Massis por estarmos virtualmente rebaixados, afinal foi ele quem mandou Crespo embora quando o São Paulo era líder, e trouxe Roger Machado e agora esse ser que nos dirige, o caos é comandado pela atual situação e, por que não, pela oposição.

Os conselheiros da situação, que apoiaram Casares desde o início e continuam na gestão Massis, são parte da corja. Os da oposição, em sua grande maioria, pela total omissão e resposta contra esse estado de coisas, também são culpados.

Que a situação está trabalhando para derrotar a reforme estatutária, não é segredo para ninguém, O pseudo candidato Adilson Alves, que tem medo de lançar seu nome por saber que seu curriculum virá à tona, tergiversa quando é perguntado se votará a favor ou contra. Mas seu grupo, como todos os outros, vota contra.

Pior é a oposição, que também tem nomes importantes que votam contra. E um pré-candidato a presidente que não assume publicamente ser a favor para não se inviabilizar com os conservadores. Parece que ele também faz parte destes conservadores.

Assim, com a série B se aproximando e sem reforma estatutária aprovada, caminhamos para a insolvência total em até três anos. Por isso as nossas glórias vem do passado.

A síndrome do segundo tempo apareceu, mas conseguimos superar

Quando Asprilla acertou um chute preciso de fora da área para o Bolívar e balançou a rede defendida por Rafael aos 15 minutos do segundo tempo, todo o Morumbi pensou: de novo? A síndrome do segundo tempo está aí. Mas o São Paulo, pressionado por decepções recentes, desta vez resistiu e mudou o cenário pessimista.

Pouco tempo depois do empate, mais precisamente seis minutos, Calleri voltou a colocar o São Paulo em vantagem, em cobrança de pênalti para colocar um pouco de tranquilidade aos torcedores. E quando Sabino marcou o terceiro gol, veio a certeza que a síndrome do segundo tempo, desta vez, não vingou.

Você tem ideia que há mais de rês meses o São Paulo não vencia um jogo? Não me lembro em toda a nossa história de termos passado tanto tempo assim sem vencer. Sei que houve a parada para a Copa do Mundo, mas desde que voltamos, só empatamos, ou perdemos.

Dorival repetiu o esquema que havia colocado em La Paz, com uma linha de três zagueiros, onde Newton cobria o lado direito, Domingos Duarte centralizado e Sabino pela esquerda. Com isso abriu mão de um cabeça de área fixo, tipo Pablo Maia, para dar mais mobilidade na transição, com Danielzinho em grande jornada e Marcos Antonio em péssima atuação. Aliás, coube a Danielzinho a assistência para o primeiro gol.

Curiosamente, a falta deste cabeça de área foi responsável pelo gol do Bolivar. Um chute indefensável para Rafael, mas desferido da meia lua, de frente para o gol, lugar onde obrigatoriamente um volante deveria estar.

Nosso problema residiu no lado direito do time. Se pelo lado esquerdo Iago descia bem, sempre apoiado por Danielzinho ou Marcos Antonio, pela direita Arthur e Buta não se entendiam. No caso do lateral pela total falta de capacidade técnica. E Arthur, completamente sem ritmo.

Lá na frente Luciano e Calleri flutuavam o tempo todo, mas a bola não chegava nunca. Tanto que o segundo gol foi de pênalti, após cobrança de falta e o terceiro de cabeça, após cobrança de escanteio. Bola trabalhada, da defesa para o ataque e a condição de finalização, não teve nenhuma. Contra-ataque teve um, um minuto antes de levarmos o gol de empate. Arthur toca para Luciano, e no dois contra dois, Luciano leva para a esquerda e chuta, acertando a trave.

Classificação conquistada, sabemos que teremos o Boca Juniors pela frente. Mas antes disso tem a Chapecoense, aí sim o campeonato que nos interessa. O São Paulo está em 13º lugar, a quatro pontos do Z4. Uma derrota poderá nos deixar a um ponto, com risco total e real de rebaixamento. Essa é a nossa Copa do Mundo. Domingo será mais uma final. E não podemos decepcionar.

São Paulo resiste à pressão e altitude e traz ponto valioso

O São Paulo começou bem o mata-mata da Sul-Americana. O empate em 1 a 1 com o Bolívar na partida de ida das oitavas de final, 3.650 metros acima do nível do mar, em La Paz, a capital mais alta do mundo, é um bom resultado.

E foi uma noite para comemoração. Além do ponto conquistado, podendo resolver a classificação no Morumbi (se a Live Nation nos emprestar o estádio), alcançar as quartas de final e faturar um bom dinheiro para o caixa furado do clube, ainda tivemos três estreias que não decepcionaram: Newton, Domingos Duarte e Iago.

Meu destaque fica, principalmente, para Iago. Autor da cobrança de escanteio, que foi uma verdadeira assistência para o gol de Arboleda. Muito bom no combate corpo a corpo, ganhando quase todas as disputas de bola e dado consistência ao sistema defensivo. Mas Newton, que jogou mais como zagueiro do que como volante, também se deu muito bem. E Domingos Duarte, que teve um primeiro tempo fraco, muito inseguro, cresceu muito e ganhou todas as bolas por cima no segundo tempo.

Dorival Júnior escalou o São Paulo num 3-5-2. Newton, portanto, precisou atuar na zaga. O volante, mesmo fora de posição, mostrou segurança e ajudou Lucas Ramon na marcação pelo lado direito da defesa da equipe. Arboleda, em noite inspirada, também ganhou a maioria das bolas, e foi autor do gol.

Nesse sistema 3-5-2, Dorival liberou os laterais para avançar. Lucas Ramon esteve muito bem de novo, jogando praticamente sozinho pelo seu lado, enquanto Iago sobrava pelo lado esquerdo, repito, numa grande partida.

Ainda é cedo para dizer que o São Paulo resolveu problemas em três setores (meio, zaga e lateral esquerda) com os reforços, mas a maneira como os estreantes atuaram em circunstâncias adversas (fora de casa, a mais de 3 mil metro de altitude e num mata-mata) anima a torcida.

Por outro lado, outras peças importantes do time não foram bem. Apesar de ter feito uma ótima defesa no início do segundo tempo, o goleiro Rafael falhou no gol adversário; Calleri lutou muito, mas errou várias tentativas; Pablo Maia, seguramente, fez a pior partida de sua carreira no clube; Luciano vou outro jogador perdido; e Marcos Antônio, que alguns da grande mídia endeusam, sofreu na altitude.

Agora, o foco volta a ser o Campeonato Brasileiro. No sábado, às 21h, o São Paulo encara o Coritiba no Morumbi para tentar encerrar um longo jejum na competição. A última vitória da equipe foi no dia 25 de abril, contra o Mirassol, ainda pela 13ª rodada – agora, a 23ª será disputada no fim de semana. Será jogo de Copa do Mundo. Vou além: de final de Copa do Mundo. Temos que vencer ou vencer, não há outra alternativa.

São Paulo perdeu com primeiro tempo digno e segundo covarde

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, o São Paulo perdeu de novo, de virada, e agora está há nove jogos sem vencer – oito no Brasileiro -. Dorival Jr tem em seu curriculum, nesta passagem no Brasileiro, apenas dois pontos conquistados, com dois empates e seis derrotas.

O time começou o jogo bem. Convenhamos que esse “bem” se insere no patamar atual do futebol, paupérrimo em técnica, com alguma sobra de suor. Mas o time não ficou lá atrás e jogou de igual para igual com o Grêmio.

A ausência de Arthur foi preenchida pela ótima partida de Lucas Ramon, que por mais que tenha aberto um corredor atrás de si, teve ótima produção ofensiva, não só indo à linha de fundo, mas puxando a diagonal, papel desempenhado por Arthur. Apesar do gol ter saído pela esquerda, em dobradinha de Ferreira e Luciano, com conclusão final contra, mas Marcos Antonio junto e Calleri ratificando o gol, nosso lado direito levou mais perigo. Mesmo pelo meio, as chegadas e Danielzinho e Marcos Antonio, algumas conclusões de fora da área, fizeram com que o São Paulo fosse para o vestiário com uma vitória parcial e merecedor do resultado.

Mas aí veio a síndrome do segundo tempo. Aliás, são duas síndromes: dos primeiros cinco minutos e dos últimos cinco minutos. Isso já está se tornando tradição no São Paulo. Tanto que sofremos o empate aos 2’30 e a virada aos 40′. Mas para isso acontecer, Dorival colaborou bastante e nossa defesa também.

Pablo Maia fez um bom primeiro tempo, tanto que foi ele quem roubou a bola que sucedeu a jogada do gol. Mas caiu vertiginosamente no segundo tempo, voltado a ser o jogador fraco de outros jogos. Arboleda, que já tinha errado em duas saídas de bola no primeiro tempo, se perdeu completamente na defesa, sobrando para o jovem Osório comandar o setor. Wendel, um verdadeiro horror. Atrapalha lá na frente e lá atrás. E Dorival acentua a bobagem ao tirar Calleri para colocar André Silva, sendo que Luciano era um inválido no campo.

Pior: assim que Calleri saiu o São Paulo parou de trocar bolas da defesa ao ataque e passou à ligação direta de Rafael para o meio. E os laterais passaram a alçar bolas na área. Desnecessário lembrar que esse é um jogo para Calleri, não para André Silva. Calleri saiu revoltado e apoio a revolta dele. Dorival foi muito incompetente.

Outro detalhe: falara em cansaço, mas o São Paulo ficou 53 dias sem jogar (Copa), fez dois jogos, parou mais 13 dias para fazer outro jogo. O Grêmio, somente nestes 13 dias, fez um jogo pelo Brasileiro, dois pela Copa do Brasil e esse contra o São Paulo. E quem cansou foi o São Paulo, num frio de dez graus em Porto Alegre.

Definitivamente tudo está errado no São Paulo. E ainda querem errar mais projetando um assediador sexual, corrupto “da iniciativa privada” para presidir o clube. Esses canalhas não tem noção do que o São Paulo representa para o mundo.

Cheguem logo 45 pontos. O coração está machucado.

O São Paulo consegui um resultado que pouquíssimos esperavam neste domingo contra o Flamengo, no Maracanã. Buscou um empate e conseguiu jogar de igual para igual com um dos dois melhores elencos do País. Se não deu na técnica, foi na raça. E há algum tempo temos alertado que se não houver cem por cento de concentração e muita doação, estaremos fadados a caminhar para a Série B.

Quando Dorival assumiu o São Paulo, tinha pleno conhecimento de que a fase dentro de campo não era boa e que fora, era pior ainda. Faltava sorte, apesar de haver empenho. Faltava técnica, mas sobrava raça. O vestiário estava rachado desde a saída de Crespo e os salários atrasados atrapalhavam ainda mais o desempenho do time.

Contra o Flamengo, o roteiro de azar parecia se repetir quando os cariocas marcaram um gol nos acréscimos do segundo tempo em lance de pura falta de sorte: um cruzamento em que a bola quase saiu, Lucas Ramon chega na recuperação para cortar, mas a bola bate na cabeça de De Arrascaeta e sobra para Samuel Lino marcar. Não havia um culpado, um erro cometido na jogada.

Foi então que a nova tecnologia do Brasileirão, o impedimento semiautomático, flagrou o pé de Wallance Yan em posição irregular no momento do primeiro passe da jogada. Uma “sorte” inédita para o clube no ano.

Mas se engana quem pensa que o resultado foi mera sorte do time de Dorival Júnior. Não foi.

A equipe são-paulina mostrou uma aplicação tática inquestionável para segurar o Flamengo no Maracanã. As tradicionais duas linhas de quatro de Dorival sem bola se mostraram afiadas para não dar paz aos cariocas durante o jogo todo.

O Tricolor não foi ao Maracanã com a ideia de dar a bola ao Flamengo e se defender atrás da linha. Pelo contrário. Terminou a partida com 49% de posse e marcando alto até os acréscimos do segundo tempo.

Ouso dizer que se o São Paulo saísse vencedor da partida não seria absurdo, não só pela equivalência no jogo, mas principalmente pelo sistema tático que funcionou e impediu o poderoso ataque carioca funcionar.

Arboleda e Ozório fizeram uma partida primorosa, anulando por completo Pedro e as entradas de outros pelo setor central da área, enquanto Lucas Ramon acabou com Bruno Henrique. Lá no ataque Calleri se desdobrava para ganhar – e ganhou – todas as quebradas de Rafael. E deu assistência para Wendel, grotescamente, chutar a bola quase fora do estádio. E fez o gol numa assistência perfeita de Ozório.

O empate não resolve a vida do São Paulo, longe disso. A equipe paulista segue sem vencer no Brasileirão há sete jogos: são três meses de jejum. Ainda assim, é um primeiro passo na direção certa. E mais um ponto somado.

São Paulo treina 45 dias para saber como ter um apagão e perder um jogo fácil de virada

O São Paulo voltou do intervalo com a vitória nas mãos, mas deixou o Estádio Cícero de Souza Marques derrotado por 2 a 1 pelo Athletico-PR, nesta quarta-feira. Pela forma como controlou a primeira etapa, o Tricolor tinha motivos para acreditar em um retorno positivo ao Campeonato Brasileiro. Bastaram, porém, seis minutos no início do segundo tempo para tudo desmoronar.

O time “apagou”, como definiu o próprio técnico Dorival Júnior, sofreu dois gols de Leozinho e transformou uma atuação convincente em mais um tropeço na competição.

Se havia expectativa para saber como o São Paulo voltaria após a pausa para a Copa do Mundo, os primeiros 45 minutos deixaram uma impressão positiva. A equipe dominou a posse de bola, circulou com qualidade, ocupou bem os espaços e praticamente não permitiu que o Athletico-PR ameaçasse o gol.

Marcos Antônio foi o responsável por ditar o ritmo no meio-campo e Artur voltou a ser decisivo ao marcar um belo gol de falta. Mesmo com a saída precoce de Rafael Tolói por lesão, o Tricolor manteve a organização e chegou ao intervalo com a sensação de que o placar era justo.

Mais do que o resultado parcial, o desempenho mostrava uma equipe que assimilou as ideias trabalhadas durante a intertemporada. A saída de bola funcionava, a pressão pós-perda aparecia em diversos momentos e o Athletico-PR encontrava dificuldades para criar.


Porém houve um intervalo, onde os técnicos conversam com seus jogadores para mudar algo ou manter como está. E o cenário mudou completamente.

Antes mesmo do relógio marcar um minuto, Leozinho já havia acertado a trave e, na sequência da jogada, empatado a partida. Cinco minutos depois, o atacante voltou a aparecer livre dentro da área para marcar o segundo gol e decretar a virada.

Foram seis minutos suficientes para apagar praticamente tudo o que o São Paulo havia construído durante a etapa inicial.

Não foi apenas uma queda de rendimento. Houve desorganização defensiva, falta de concentração e dificuldades para reagir imediatamente ao primeiro golpe. O Athletico-PR, que pouco havia produzido até então, aproveitou cada espaço concedido e mudou completamente o roteiro da partida.

A situação se torna desesperadora. A ideia era que conquistássemos três pontos obrigatórios “em casa”, contra o Athletico-PR, para assim fecharmos o primeiro turno com 28 pontos e respirarmos aliviados, tendo 19 jogos pela frente para conquistarmos os tão sonhados 45.

Com a derrota ficamos provisoriamente na nona posição, mas podendo terminar 12º lugar, hoje a cinco pontos, mas podendo ficar a quatro pontos do Z4, já que alguns times tem um jogo a menos que o São Paulo, caso, também, do Mirassol, que pode sair do Z4 e deixar o Grêmio com 21 lá.

Aí lembro que a primeira pergunta feita ao presidente Massis na coletiva com a mídia alternativa foi sobre o risco de rebaixamento. Ele se irritou e disse que essa palavra não faz parte de seu dicionário e que vamos brigar por vaga na Libertadores.

Mas o futebol demonstrado nesta quarta-feira escancarou o atual momento do São Paulo, afinal, jogamos com o que temos de melhor, considerado o time titular. E o time foi patético, deprimente. A somatória de atrasos de salários, volta de Arboleda depois de ter feito o que fez, desmando e descrédito na diretoria, um executivo de futebol que é só ex-atleta, apontam para a escrita final da cartilha, que poderá ser catastrófica no final do ano.

Será a premiação dos cinco anos e meio de gestão Casares, que dilapidou o patrimônio do clube, com envelopinhos de R$ 100 mil reais para o presidente, R$ 20 mil para outro, R$ 10 mil para outro, enfim, fizeram a farra com um dinheiro que não existia e afundaram o clube ainda mais em dívidas. Nos deu mais um transfer ban. Nos colocou na vala dos comuns. Pior. Na vala dos afogados.

A Copa acabou. Para nós, são-paulinos, depressão voltou.