Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, nem o mais pessimista do torcedor esperaria que o São Paulo não vencesse o fraco América-MG neste sábado, dentro do Morumbi. O placar de 1 a 0 no primeiro tempo, com gol marcado aos 46 minutos, seria uma mostra do que teríamos no final da partida. O empate castigou a má atuação do time, que vem em decadência desde o ínicio do segundo turno.
Aguirre surpreendeu novamente com a escalação. Ao optar por fazer de Rodrigo Caio um Militão – algo que não deu certo com Arboleda no último domingo – conseguiu extrair desse jogador mais segurança defensiva, mas acabou com o ataque.
Aliás, o time foi uma verdadeira bagunça. Do lado esquerdo estavam Reinaldo e Liziero. Só que Liziero jogou como segundo volante e Reinaldo raramente descia para o ataque. Era Nenê quem ocupava em alguns momentos aquela posição.
Em determinado momento veio a ordem para que Liziero fosse para a lateral e Reinaldo para o ataque, mas pouca coisa mudou. Ou melhor: foi numa jogada de Reinaldo com Nenê pela esquerda, em cobrança de falta, que saiu o gol de Diego Souza. Foi o alívio, pois o time fazia um primeiro tempo horrível, sem dar um chute a gol.
No segundo tempo o América saiu da retranca absoluta – entrou em campo com quatro zagueiros, quatro volantes, um meia e um atacante – e passou a se lançar no ataque. O São Paulo teve, então, o jogo que queria. E os contra-ataques estavam à nossa disposição.
Aguirre colocou Trellez e Regis para deixar o time mais rápido na saída de contra-ataque, tirando Everton Felipe e Liziero. Realmente isso passou a acontecer. E coube a Diego Souza dar as assistências necessárias par Nenê começar a desperdiçar oportunidades claras de gol. Uma delas foi com Regis que colocou a bola para Nenê e Reinaldo e os dois se atrapalharam na frente do goleiro.
O América dominava e o São Paulo perdia gols no contra-ataque. Até que o América marcou, empatou, o São Paulo perdeu o contra-ataque e voltou ter o domínio da bola. Aí não soube o que fazer com ela, pois o sistema nervoso falou mais alto e erros grotescos começaram a acontecer.
Aguirre foi muito infeliz na escalação e na montagem do time. Temos que considerar que estávamos sem três titulares absolutos: Bruno Peres, Rojas e Everton. Isso pesa muito, até porque fica cada vez mais claro a limitação do nosso elenco. Mas dava para fazer coisa melhor.
Esse empate coloca efetivamente em risco nossa chance de título. Ganhando hoje – vitória sempre obrigatória no Morumbi – abriríamos quatro pontos do Internacional, seis do Palmeiras e oito do Flamengo. Dependendo dos resultados deste domingo, poderíamos ter disparado na liderança. Ou, na pior das hipóteses, mantido a mesma situação, mas faltando uma rodada a menos para terminar o Brasileiro.
Mas não. Agora, dependendo do que acontecer, poderemos ficar um ponto atrás do líder, apenas um ponto na frente do terceiro colocado e três na frente do quarto. A luz amarela acendeu no fim do túnel. Eu diria mais: a luz vermelha acendeu bem ali à nossa frente. Vamos acordar, enquanto é tempo. Se é que ainda é tempo.