Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, vou dividir este meu comentário em três partes: a vitória em Assunção sobre o Cerro Porteño por 1 a 0, na estreia de Edgardo Bauza como nosso técnico; a derrota para o Flamengo por 2 a 0 e consequente eliminação na Copa São Paulo de Juniores; e a bombástica entrevista de Leco à Folha de São Paulo.
Começo pelo jogo do Paraguai. Não teria o menor cabimento querer fazer aqui qualquer avaliação do trabalho de Edgardo Bauza. Estamos em pré-temporada, com apenas 14 dias de treinamentos, que foi o tempo para que ele conhecesse o elenco, e não seria, portanto, justo avaliar seu trabalho.
Mas nesse pouco tempo já foi possível ver que a defesa ficou mais consistente. Breno é lento, mas Mena, que joga bem mais recuado do que Carlinhos, dá a cobertura pelo setor. Hudson ficou bem mais preso e, dos volantes, apenas Thiago Mendes teve liberdade para aparecer no ataque. Aliás, mais uma vez foi o principal nome do time, não só pelo gol marcado, mas pela disposição técnica e tática.
Bauza deu a entender que vai usar Carlinhos mais avançado, quando for necessário e que o meio de campo deverá funcionar com cinco jogadores, ou seja, Michel Bastos e Centurion partirão do meio para a frente, onde Alan Kardec ficará quase isolado. E vi Ganso com liberdade para atuar em qualquer setor do campo, mas dando combate na defesa. Foi um bom aperitivo.
Já o time da Copinha decepcionou. Alguns jogadores, principalmente. Me lembro que logo após o final da primeira fase indiquei, aqui mesmo, os nomes de Lucas Fernandes – um craque -, Johanderson – um modelo renovado de Serginho Chulapa -, Bangulê – um tipo Chicão -, e David Neres – uma grande surpresa -, como nomes prontos para treinarem com o time profissional. Alguns leitores incluíram Inácio nesse rol.
Vou refazer minha análise, com os devidos pedidos de desculpas. Lucas Fernandes é o craque dos jogos fáceis. Quando precisamos dele, desapareceu; Banguelê não teve controle emocional e só não foi expulso por bondade do árbitro do jogo com o Flamengo; Johanderson não consegue dominar uma bola e erra todos os passes; Inácio acha que joga mais do que joga e afundou o time com seu erro numa saída de bola; portanto, sobrou David Neres. Esse, sim, eu levaria para cima. Os outros precisam de mais um ano em Cotia.
Enquanto isso, Carlos Augusto de Barros e Silva concede uma entrevista à Folha de São Paulo e confessa que o clube dá dinheiro para o carnaval da Independente e Dragões da Real e ingressos para jogos aqui e fora. Ou seja: é conivente com a violência.
Tenho que elogiar a sinceridade de Leco, que tornou público o que o São Paulo sempre fez – e escondeu – e o que os outros clubes fazem – e escondem -. Mas não posso aprovar essa cultura.
Vou me ater aqui apenas ao São Paulo, objeto do Tricolornaweb, deixando os outros a quem de direito. Sempre soube que Juvenal Juvêncio financiava as torcidas organizadas, apesar dele sempre negar. Disse aqui mesmo que Carlos Miguel Aidar quebrou esse elo num primeiro momento, mas o trouxe de volta para receber apoio e não cair. Agora Leco deixa tudo às claras.
Triste, muito triste saber que isso ocorre. Que através do medo, esses marginais das organizadas comandam o nosso futebol, obrigam jogadores a fazer o seu símbolo e a diretoria a servir seus anseios. Enquanto isso usam o escudo do clube para ganhar dinheiro com a venda de camisas e outros que tais, sem pagar qualquer tipo de royalty.
isso reforça a tese que defendi, de que o São Paulo deveria ter sido excluído da Copinha após os incidentes de Mogi das Cruzes. Ora, se o clube financia esse bando, é conivente e responsável por ele. Portanto…
É o tal negócio: se não podemos com eles, nos unamos a eles. Assim as organizadas se fortalecem e os verdadeiros torcedores, aqueles que amam o clube, se afastam dos estádios. Parabéns, Leco, pela transparência. Meus sentimentos, Leco, por ser mais do mesmo.