Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, quando o São Paulo empatou com o Vasco cravei aqui que o time estava livre do risco de rebaixamento. O tal número mágico, 47 pontos, é mais uma questão de segurança para matemático bradar por aí que não erra nunca do que plena realidade.
A derrota para o Grêmio nesta quarta-feira foi, portanto, absolutamente normal para um time que tem potencial, no máximo, para brigar por essa posição intermediária na tabela. Deverá ganhar do Botafogo domingo, no Pacaembu; provavelmente vai perder do Coritiba, no Couto Pereira; e ganha do Bahia em São Paulo. E assim fechamos um ano medíocre, em que tivemos tensões extremas e pouquíssimas alegrias. Ouso dizer que a única coisa boa que tivemos este ano foi a marca da nossa torcida. Provamos que deixamos de ser uma torcida modinha, abraçamos o time e fomos para cima. E que isso sirva de alerta para aqueles dirigentes que se julgam donos do São Paulo. Não o são.
O primeiro tempo foi deplorável. Me questiono como o São Paulo consegue superar, jogo após jogo, a incompetência e incapacidade de atuar fora de seus domínios. Ganhamos apenas três jogos em todo o Campeonato Brasileiro. Somos a segunda pior campanha como visitante. E, nitidamente, o Grêmio estava treinando com o São Paulo. Usou aquele que é tricampeão mundial, tricampeão da Libertadores, hexacampeão brasileiro, ou seja, que outrora foi grande, como sparring. E nosso time não se aproveitou disso para forçar o jogo e colocar a gauchada para correr e dividir as bolas. Fomos complacentes com os preparativos do Grêmio para a final da Libertadores.
E com todo esse treino de luxo o Grêmio precisou de uma falha grotesca de marcação do Edimar para marcar seu gol, meio sem querer. Aliás, o próprio Grêmio demonstrava não estar muito afim de jogo.
Por falar em Edimar, a única explicação que encontro para sua compra em definitivo é pelo diretor de Futebol, Vinicius Pinotti, ter sido um grande zagueiro no Arquidiocesano e entender muito bem deste setor do time. Ele dever ter olhos de crocodilo e vê o que nós, humanos, não enxergamos. E se julga no direito de ficar irritadinho, típico daqueles mauricinhos, quando teço críticas a ele. Vai chorar no WhatssApp dos conselheiros. Meu Deus!!
Dorival ainda tentou mudar alguma coisa. Tirou o ineficiente Maicosuel e colocou Lucas Fernandes para o segundo tempo. Melhorou, é fato. Mas chance que é bom tivemos duas com o Pratto, sem contar o gol que ele fez e o juiz anulou – mal, diga-se de passagem -. E foi só. Aliás, Lucas Pratto está numa fase em que sabemos que bola para ele é bola perdida. Marcos Guilherme dá uma no cravo, como o gol que fez contra o Vasco, outra na ferradura, como a maioria das partidas em termos ofensivos.
Outra coisa que ficou patente: o São Paulo continua dependendo diretamente de Cueva. Hernanes fica sobrecarregado sem o peruano. É presa fácil de marcar. Petros se perde na saída de bola e Jucilei deixa o time lento. Não há profundidade. Não há criatividade. A marcação cresce para cima de Hernanes e não aparece ninguém para ajudar. O pior é que não dá nem para culpar o técnico. Dorival tentou Shaylon, não deu certo; tinha tentado Lucas Fernandes, também não deu; tentou Maicosuel, pior ainda.
Está patente que não temos um time. Antes eu falava que não tínhamos elenco. Hoje afirmou que não temos time. Para almejarmos alguma coisa para 2018, dos 11 que são considerados titulares – porque os reservas são piores ainda – eu manteria Arboleda, Rodrigo Caio, Jucilei, Petros, Hernanes, Cueva e Lucas Pratto. O resto é posição vaga. Não são Edimar, Araruna, Militão, Bruno, Junior Tavares, Buffarini, Marcos Guilherme, Marcinho, Denilson, Maicosuel, Shaylon ou qualquer outro que vão resolver.
Ou se leva a sério o peso da camisa do São Paulo, que entorta varal, ou teremos um 2018 igual ou pior que 2017. E Leco, a partir deste momento, passa a ser diretamente responsável por isso. No novo estatuto, assalariado que é, tendo que administrar o São Paulo como uma empresa, não pode cruzar os braços para pagar dívidas políticas e deixar o futebol nas mãos de um aventureiro de perfumes. E digo mais: alguns ainda falam que o lugar dele é no Marketing. Esqueçam. Quem trouxe e bancou Alan Cimerman para gerenciar nosso Marketing não pode voltar para lá, sob risco de fazer voltar quem tanto mal fez para o São Paulo.
Chega! O copo transbordou. Empatar com o Vasco em São Januário e perder do Grêmio no Olímpico seriam resultados normais se o time estivesse brigando lá em cima, fazendo uma campanha vencedora. Não. A partir do momento que eu achar tudo isso normal estarei me nivelando aqueles que só querem se beneficiar do São Paulo. Que desfilam incompetência ancorada no estatuto que não permite grandes mudanças.
Não vou entrar na onda do “Fora Leco”, porque isso não vai acontecer. Será apenas um bordão a mais sem a necessária consequência. Mas o prazo de seis meses que dei para falar da administração, prorrogado pela situação desesperadora do time, quando todos os que verdadeiramente torcem pelo São Paulo se uniram e abraçaram o time, acabou. Ou o presidente Leco, devidamente remunerado para a função, demite o diretor de futebol, também remunerado em regime de CLT e contrata alguém que entende do assunto para gerenciar o setor, ou será responsabilizado diretamente por qualquer coisa que ocorrer com o São Paulo. E a esses dois – Leco e Pinotti – dedico o título do Corinthians, a ida para a Libertadores, de maneira direta, de Palmeiras e Santos, e a nossa conquista de não cairmos para a série B. O São Paulo talvez até vá, ainda, para a Libertadores. Mas será a premiação maior da incompetência administrativa no futebol.