Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, o Conselho Deliberativo rejeitou na noite desta terça-feira (13), por 78 votos a 60, a proposta da diretoria de renovação de contrato com a TV aberta – entenda-se Globo – para o período 2019/2024 e o consequente pedido de antecipação de R$ 40 milhões de reais, sem contar as luvas, que seriam de R$ 20 milhões. Mais do que uma derrota do presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, foi o escancaramento da divisão política que há no clube, hoje sendo sintetizada em três frentes: Leco, Roberto Natel e a oposição.
É sabido que a oposição sozinha não teria chance de rejeitar a proposta. Precisaria contar com alguns situacionistas. Deve-se levar em conta, nesse cenário, o número gigantesco de ausentes: num colégio de 240 conselheiros, 96 não compareceram (levando-se em conta que há seis vagas em aberto entre os vitalícios). Desses ausentes, a grande maioria seria da base de apoio a Leco.
Está bastante evidente que na luta política do São Paulo Leco está de um lado, a oposição de outro e, então, aparece a terceira figura: Roberto Natel. Esse será o fiel da balança em tudo que for levado ao Conselho. E mostra a quantidade de conselheiros que reuniu em torno de si para levar adiante seu objetivo de ser o candidato da situação à presidência do clube em abril próximo.
Roberto Natel, como os senhores sabem, era vice-presidente de Leco. Entregou o cargo quando decidiu lançar sua candidatura, propondo a realização de uma prévia entre ele e Leco. Por isso entendo que a votação desta terça-feira foi uma demonstração de força de Natel. Só não sei se o suficiente para dar-lhe a vaga para a disputa presidencial.
A oposição continua afirmando que fará uma prévia em fevereiro. Alguns nomes estão colocados para o debate: Newton Ferreira (o Newton do Chapéu), Erovan Tadeu, José Roberto Ópice Blun e, menos cotado, Eduardo Alfano. Há quem continue apostando no nome de Julio Casares, que viria com apoio incondicional de Abilio Diniz. Casares, com quem tenho tido contatos constantes, continua negando com veemência essa candidatura, alegando falta de tempo pelos seus afazeres profissionais. E há outro detalhe nessa questão: Casares é o coordenador do grupo Participação, ao qual pertence Leco.
Já ocorreram algumas conversas de Roberto Natel com membros da oposição. O ex-presidente Fernando Casal de Rey, um dos principais nomes oposicionistas negou, em contato que teve comigo, que haveria espaço para Natel na oposição. Mas eu lembro que a política é muito dinâmica e quem vê hoje uma rosa amarela pode vê-la vermelha daqui a alguns minutos.
Quanto a Leco cabe chamar seus vice-presidentes, diretores e conselheiros que compõem sua base para definir quem está e quem não está ao seu lado. Ou Leco expurga da diretoria quem não trilha seu caminho, ou terá sua candidatura à reeleição seriamente ameaçada.
E notem que aqui não estou fazendo juízo de valor em apoio a este ou aquele nome. Apenas expondo a conclusão que tirei depois do movimento político que vi no clube nestes últimos dias, e que culminou com o resultado da sessão do Conselho Deliberativo. É fato que muitos outros capítulos virão, mas as turbulências tendem a aumentar a partir de agora.