Politicagem pode desviar o foco da modernização do estatuto

O novo estatuto do São Paulo chegou ao seu texto final com algumas mudanças baseadas nas 48 emendas apresentadas por associados do clube. A comissão de sistematização, responsável pela reforma do documento, incluiu a possibilidade de votação direta dos sócios e sócios torcedores para eleger o presidente. Mas na disposições transitórias o que, por si só, já me faz ser contra a aprovação. É importante salientar que participar do pleito é um pedido antigo dos associados e, por isso, não dá para entender o pleito já não ter sido considerado como sólido no novo estatuto. Isso significa que uma minoria absoluta falou mais alto que a coletividade.

Serão 12 meses de estudos. O resultado desse trabalho será enviado ao Conselho de Administração junto com um parecer do presidente a respeito do assunto. O Conselho Consultivo, o Deliberativo e os sócios, em uma assembleia geral, também serão consultados sobre eventual decisão de mudar o formato da eleição, hoje decidida pelos conselheiros.

Em editorial anterior não neguei que há avanços consideráveis no texto e, mais uma vez, cumprimento a Comissão Estatutária pelo trabalho incansável que foi feito. Lembro que, entre as alterações, estão o mandato presidencial que passará a ter três anos sem direito à reeleição, e não mais quatro como proposto inicialmente, ou três mais três, como é atualmente.

O outro estudo a ser realizado também no prazo de um ano é sobre a viabilidade de separar o clube social do futebol, com orçamentos e administrações distintas, o que justificaria a mudança na forma de escolha dos dirigentes. Defendo, sim, a separação financeira, mas não administrativa. Nada de se tornar S.A. possibilitando a entrada de aventureiros no comando do Tricolor. Tenho a garantia de membros do Conselho – e da própria comissão – que essa possibilidade está afastada. Mas nunca se sabe.

Além disso, o novo estatuto pedirá aos cerca de 6 mil associados que informem qual é o seu time de futebol do coração. A resposta serviria como primeira base de dados para o Tricolor ter uma noção do número de são-paulinos dentro do seu quadro associativo. Isso porque há sócios que torcem por rivais, frequentam a sede social localizada no Morumbi e influenciam as decisões do futuro do clube.

O que está colocando em risco a aprovação ou rejeição do estatuto, no entanto, é algo que para mim não tem importância tão significativa – notem que não estou dizendo que é assunto menor -, porém está fazendo com que haja um embate político entre situação e oposição: o voto aberto ou secreto.

Proposto originalmente como sendo aberto e nominal para todas as votações do Conselho, exceção feita a expulsão do quadro de conselheiros, o voto secreto está ganhando força nos bastidores para votação do texto final do estatuto no Conselho, previsto para a próxima quarta-feira. Essa mudança virou bandeira da oposição e já conta com o apoio de muitos situacionistas. Há contas que dizem que 80 conselheiros estão defendendo o voto secreto, número que se aproxima da metade de total de conselheiros presentes às reuniões.

Preocupado com isso o presidente Leco teve uma reunião nesta quinta-feira com representantes de oito partidos políticos da base de sustentação: Vanguarda, Legião, Nova Força, Legenda, Sempre Tricolor, União dos Independentes, Participação e Pró-São Paulo.

 

Eu, particularmente, defendo o voto aberto. O que depurei na defesa da oposição é uma visão curta, que tem validade em abril de 2017. Entendem os opositores que se o voto for secreto, a chance de vitória cresce, pois não haverá o patrulhamento ideológico do voto pela troca de favorecimento.  Isso é muito pobre para quem pensa num estatuto que vigore por décadas.

Hoje temos o voto aberto para tudo no Conselho. Mudar para o voto secreto é retroagir no tempo e darmos alguns passos atrás.

Repito minha posição: sou pela rejeição do novo estatuto, mas porque uma minoria insignificante – no universo que vivemos – está tirando da coletividade o direito de votar. E sem esse direito colocado já, sem disposições transitórias, não há avanço que justifique minha defesa. Mas reconheço que os demais ítens do novo estatuto representam, sim, uma modernização no que já pode ser considerado arcaico sistema de leis do clube.

 

Novo estatuto tem avanços, mas peca no principal. Por isso voto não!

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, o novo estatuto do São Paulo FC está pronto. Ainda se encontra para análise dos Conselheiros, mas, após votado, irá à aprovação dos sócios, na Assembleia Geral. Encontrei nele, apesar de não conhecer o texto em seus detalhes, muitos avanços em relação ao que está em vigor, mas não no ponto que mais seria necessário: o voto direto para presidente. Ora, meus amigos, se nós, brasileiros, podemos eleger o presidente da República, por que nós, são-paulinos, não podemos votar no presidente do nosso clube. Mas volto a este assunto mais abaixo.

Algo muito importante que está no novo estatuto é a profissionalização da gestão. O São Paulo passará a contar com profissionais especializados, devidamente remunerados com valores de mercado, para dirigirem áreas importantes dentro do clube, como Jurídica, Financeira, Marketing e Comunicação, além de que o presidente também será remunerado.

O presidente terá mandato de três anos, sem direito à reeleição. Os conselheiros também terão esse tempo de mandato. Todas as votações no Conselho Deliberativo deverão ser abertas, exceção feita à votação de expulsão. Essa permanecerá secreta. Entendo esses pontos como grande avanço e fim da perpetuação de poder.  O que não concordo é com o inchaço do Conselho Deliberativo, hoje com 240, passando para 260 em 2020. Se é positivo porque serão 100 conselheiros eleitos pelos sócios (apenas 25 por antiguidade), é ruim porque permaneceremos com 160 conselheiros vitalícios. Isso, por mais que a Comissão do Estatuto tenha tentado mudar, sentiu que seria derrotada na votação do colegiado.

Também entendo como interessante a criação do Conselho de Administração, que será formado por nove membros: três serão eleitos pelo Conselho Deliberativo; um pelo Conselho Consultivo; três indicados pelo presidente, mas com referendo do outros membros do grupo; além de presidente e vice eleitos. Quanto aos três indicados, não poderão ser conselheiros, sendo, portanto, independentes e tendo como requisito experiência em conselhos de administração. Apesar de achar interessante, confesso que preciso estudar mais um pouco essa questão.

Ficou para as “disposições transitórias” a separação do Futebol do Social. Defendi, desde o primeiro momento, que as tesourarias voltassem a ser separadas. Que se criassem duas subcontas contábeis – acho que isso é possível – para que todo o dinheiro arrecadado com o futebol ficasse em uma conta; o que fosse arrecadado com o social ficaria em outra. Cada um teria seu custo e seu investimento. Há muitos torcedores que imaginam que o futebol banca o social. Garanto que é exatamente o contrário, pois o futebol está cheio de dívidas, enquanto o clube se paga por si só.

Mas nesse ponto, o que estou entendendo, é que se quer criar uma S.A. Sim, porque haverá outro CNPJ, será uma empresa. Apesar de eu ter tido a garantia de alguns conselheiros e membros da Comissão Estatutária, que o presidente deverá necessariamente ser um conselheiro, ou seja, nenhum estranho, sem história no Tricolor assumiria o cargo, não me parece que Abílio Diniz, que foi o mentor intelectual de boa parte deste novo estatuto, não esteja vislumbrando a posição em 2020.

Por fim o voto dos sócios e sócios torcedores ficou para as disposições transitórias. Esse seria, sem dúvida alguma, o grande avanço do novo estatuto. Tirar das mãos de 240 senhores o privilégio de eleger o presidente, pois isso só se dá através de conchavos políticos. Ao entregar aos sócios em geral, criando as barreiras necessárias para depurar quem terá direito ao voto, as práticas políticas que permeiam o clube ficariam reduzidas ao pó e nós teríamos, certamente, a higienização do poder e o teríamos em nossas mãos.

Por não acreditar que os conselheiros irão, em 12 meses, aprovar o voto direto – por que não o fazem agora? – é que decidi apoiar a rejeição do novo estatuto.

E o que acontece se ele for rejeitado? Até onde eu sei, continua valendo o atual, mas o São Paulo fica a mercê de uma decisão do STF – já tomada, aliás – e a nomeação, pelo Forum de Pinheiros, de um interventor, que anulará diversos atos administrativos, cassará mandatos de conselheiros e tirará vitaliciedade de muitos, e promoverá a reforma estatutária.

É ruim? É. Mas talvez seja pior aprovarmos uma reforma de estatuto que não contempla a devida modernização esperada em sua totalidade. Não tem essa de “demos alguns passos importantes”. Temos que chegar ao final, não ficar no meio do caminho.

 

 

 

Goleada atípica, com futebol perfeito, também atípico neste ano

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, não há um torcedor do Tricolor, hoje, que não esteja soltando rojões, comemorando, vibrando. E tem que comemorar muito. Afinal, ganhar de 4 a0 do Corinthians, deixá-lo fora do grupo que dá acesso à Libertadores, e selar definitivamente nosso afastamento do Z4, ao qual nunca pertencemos, e tudo isso jogando um futebol primoroso, lembrando os velhos tempos do grande São Paulo, não é para qualquer um.

Mas pera lá. Vamos com calma. Comemorar muito o que ocorreu neste sábado à noite, sim. Achar que esse time pode render muito no ano que vem, já que 2016 acabou, não. Isso tem uma distância enorme. Pés no chão e olho na realidade. Temos uma espinha dorsal? Claro que temos. Temos um jogador que desequilibra um jogo, como Cueva? Claro que temos. Mas temos muito o que fazer para que em 2017 não cheguemos a cinco rodadas do final do Brasileiro fazendo contas para se livrar do Z4.

O resultado, portanto, foi totalmente atípico. Ninguém, nem o são-paulino mais fanático e cego da nossa realidade, arriscaria esse palpite. Poderia falar, sim, como eu disse no ar, na Jovem Pan, que o São Paulo ganharia o jogo. Longe de um grande favoritismo, mas porque o time do Corinthians é tão ruim ou pior que o nosso. Não fosse o período de Tite lá, hoje estaria brigando para não cair.

Ricardo Gomes colocou em campo o time que eu imaginava, aquele que, na minha visão, é o melhor que temos. O time jogou com vontade, para a frente, marcando a saída de bola, sufocando o Corinthians. O gol logo a 16 minutos foi fundamental para que o esquema funcionasse. A marcação muito forte, defesa bem postada, impediu o Corinthians de criar qualquer chance de gol. Tanto que o primeiro chute foi dado aos 34 minutos, de fora da área, e no final do primeiro tempo uma bola que cruzou toda a área e levou certo perigo.

No segundo tempo o São Paulo não fugiu do jogo, não recuou. Continuou com marcação forte e com contra-ataques precisos. Chegou aos 4 a 0 num verdadeiro baile em pleno Morumbi. Não fosse a atitude covarde do árbitro, ao menos dois jogadores do Corinthians deveriam ser expulsos.

Um parágrafo para falar de Cueva. Que jogador. Desde que chegou vem sendo citado como o principal do time. E neste sábado ele verdadeiramente desequilibrou. Marcou um golaço de pênalti, com cavadinha, e deu assistência para os outros três gols. Sem contar as jogadas de efeito e a luta em campo. Um espetáculo à parte.

Fica para nós a certeza que time grande cai. Time gigante não cai. Pés n o chão para terminarmos bem o  Brasileiro. Que a vitória deste sábado dê a moral e a confiança necessárias ao elenco. Mas que não faça o torcedor sonhar com algo que, com o que temos, me parece muito irreal.

Derrota para o América mantém nossa realidade, que é chegar aos 45 pontos

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, bastaram duas vitórias – uma fora de casa, contra o Fluminense e outra no Morumbi, contra a Ponte -, para começarmos a vislumbrar o G6. Saímos do perigo da zona de rebaixamento e começamos a fazer contas para chegarmos à Libertadores. Não condeno os torcedores que fizeram isso, porque eu também fiz. Eu também simulei vários resultados e, com uma boa dose de boa vontade, achei da poderia ser possível.

Nesta noite, no Horto, sentimos que nossa realidade é outra: chegar nos 45 pontos e, matematicamente – pelos cálculos que são feitos – nos livrarmos de vez de qualquer risco de Z4. E começamos a pensar em 2017. Porque perder do jeito que perdemos no Independência, só se fosse para o Atlético. Para um time rebaixado, não tem explicação.

Mas vamos lá: Ricardo Gomes falou que o América conseguiu impor o jogo dele, que era jogar por uma bola, um contra-ataque. E conseguiu. O São Paulo, ainda segundo Ricardo Gomes, teve amplo domínio do jogo, criou várias chances e fez o nome do goleiro americano. Perdeu oportunidades diversas e deveria ter saído com a vitória.

Vou concordar com Ricardo Gomes em sua análise, mas, mesmo assim, nunca vou admitir um time com  investimento que tem o São Paulo, com o elenco que tem, com jogadores de nível de Seleção, perder para um time de segunda divisão. Bem, mas para quem foi eliminado outro dia para um da terceira, parece que isso não é nada.

Gostei da escalação que Gomes colocou em campo. Mas o ataque não pode perder tantos gols como perdeu. Alguns de maneira bizarra, como o de David Neres de cabeça, o de Pedro, que errou o chute. Ninguém vai conseguiu me dar uma explicação plausível para o time ficar treinando oito dias para jogar contra o América. E sair de lá derrotado. Não há o que falar.

Nossa realidade é, mesmo, atingirmos 45 pontos e respirarmos tranquilamente, cumprindo tabela até o final do campeonato. Estou torcendo muito para este ano acabar logo, porque 2017 não poderá ser pior do que este. Ou pode?

Um ano de Leco: a balança está equilibrada

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, Carlos Augusto de Barros e Silva está completando, nesta quinta-feira, um ano na presidência do São Paulo. Pegou o clube em uma de suas maiores – se não a maior – crises de sua história. Assumiu o cargo após a renúncia de Carlos Miguel Aidar, que fizera uma administração extremamente danosa ao clube, em todos os sentidos, e tinha missões bastante difíceis para cumprir. Digamos que houve erros e acertos ao longo desse período.

Lembro-me muito bem que, em conversas que tive com diversas pessoas influentes no clube, no início na transição Aidar – Leco, que preguei a união de forças. Naquele momento não interessava pensar quem seriam os candidatos à presidência em 2017, mas Aidar deixou o clube tão esfacelado, economica e politicamente, que somente com a uinão das principais lideranças o clube poderia voltar à paz.

Não há dúvida que, num primeiro momento, foi isso o que aconteceu. Leco montou a diretoria beneficiando todos os grupos, trazendo bons nomes da oposição e pregando a transparência em sua gestão. Aliás, até hoje, salvo algumas exceções no campo do Social, a transparência e a correção no trato das coisas do clube estão presentes.

Conseguiu montar uma ótima equipe de marketing. Aliás, a credibilidade da nova diretoria abriu as portas para o São Paulo voltar a ter patrocínio na camisa, principalmente o master, há muito distante de nós. Sanou as dívidas do clube, com boas negociações com os bancos. Ponto para o departamento financeiro. Administrativamente, portanto, Leco acertou a mão.

Seus grandes  erros foram verificados no futebol. Seu primeiro – e maior -, ainda no campo político, mas com interferência no profissional, foi a manutenção de Ataíde Gil Guerreiro em sua diretoria. Reconheço que foi Ataíde o responsável pelo ótimo acordo feito pelo São Paulo com a televisão, mas o sujeito foi expulso do Conselho Deliberativo. Portanto, não poderia continuar na diretoria.

Leco também errou na escolha dos técnicos: primeiro trouxe Edgardo Bauza, que tinha no currículo duas Libertadores, mas mostrou não ter a menor capacidade para ser técnico do São Paulo. Para piorar, trouxe Ricardo Gomes para substituí-lo. E nós chegamos quase ao fundo do poço. Não tenham dúvidas que eu elegeria Leco como o maior responsável por uma possível tragédia no Brasileiro. Mas não dou a ele os louros da recuperação, mas sim à força da camisa e da torcida.

Temos um dos piores elencos de toda a nossa história. Isso passa pela escolha de Leco em ter Gustavo de Oliveira como gerente de futebol, responsável quase que direto por essas contratações. O presidente conseguiu reverter parcialmente este quadro, ao demitir o sobrinho de Raí e trazer para seu lugar Marco Aurélio Cunha. Só não se sabe até quando MAC ficará no cargo, pois tem compromisso com a CBF a partir de janeiro.

Enfim, entre tapas e beijos, Leco conseguiu passar este primeiro ano de presidência sem ser reprovado. Mas precisará fazer muito no futebol para conseguir uma nota alta.

Time mais ofensivo = vitória mais fácil

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, bastou o treinador medroso, covarde, Ricardo Gomes, colocar o time um pouco mais ofensivo desde o começo e conseguimos a vitória. Aliás, já no começo do jogo.

Quando vi a escalação e notei que ele, ao contrário de todos os outros jogos, não entraria com três volantes, e, principalmente, entraria com David Neres e daria chance a Pedro Bertolucci, senti que iríamos ganhar o jogo.

O time não jogou bem, é verdade. Mas pressionou desde o início, conseguiu o gol e passou a administrar o jogo, ainda que recuando um pouco. Mas não sofreu muito, a não ser por uma bobagem de Denis que quase causou o gol de empate da Ponte, não fosse a trave nos ajudar.

Uma restrição fica pelo São Paulo ter forçado todas as jogadas pelo lado esquerdo no primeiro tempo. Mena e Kelvin tentaram várias vezes, mas não foram felizes.

No segundo tempo a situação mudou. O time voltou jogando de maneira mais equilibrada, com as jogadas sendo variadas entre a esquerda e a direita. Aí David Neres começou  a aparecer na partida e as jogadas de perigo para o São Paulo começaram a aparecer.

Ricardo Gomes começou a fazer alterações, tirando Pedro Bertolucci, que funcionava bem como pivo, colocando Chavez e lançando Luiz Araujo no lugar de Kelvin, que mais uma vez não foi bem.

O segundo gol saiu já na parte final do jogo, apenas concretizado aquilo que, naquele momento, já parecia certo, que era a vitória do São Paulo.

Precisamos de mais uma vitória. Espero que seja na próxima semana, em Belo Horizonte, contra o América. Sairemos definitivamente de qualquer risco de coisas piores. E ainda poderemos respirar um ar que, há duas semanas nem nos passava pela cabeça: o ar da Libertadores.

Não esqueçam: somos torcedores do time da fé.

Reforma estatutária prossegue, apesar de alguns recalques

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, o Conselho Deliberativo realizou, nesta terça-feira, mais uma sessão aberta aos sócios, com a finalidade de debater a minuta apresentada como projeto do novo estatuto, mas que está recebendo emendas até esta quinta-feira, dia 20 de outubro.

Como já me manifestei aqui, do jeito que foi apresentado farei campanha pela sua rejeição. Não concordei com alguns pontos e não podemos aprovar um estatuto que já nasce com defeitos, alguns deles que podem ser tornar graves no decorrer do período.

Conversei com algumas pessoas da comissão e fui convencido a ver com outros olhos alguns pontos. Mas entendo que o estatuto deve ser moderno, com avanços em todas as áreas. É inegável que a profissionalização do clube como um todo já se constitui em grande evolução. Mas ainda é muito pouco.

É impossível mantermos o sistema arcaico e cartelizado de eleição do presidente. Se há uma rejeição quase total para a participação do sócio-torcedor nessa eleição, até porque há que se fazer uma análise profunda e colocar travas para dar direito a votos a esta classe, assim como existem essas travas para o sócio do clube, é absurdo se imaginar que nada vai mudar nesse sentido, como consta na minuta que está publicada.

Algumas ausências e presenças me chamaram a atenção. Não estavam o presidente Leco, Abilio Diniz, Julio Casares e Leonardo Serafim, figuras de intensa atuação na reforma estatutária, mas o Jack estava muito bem representado com a presença de Douglas Schwartzmann.

Participei da reunião do Conselho e apresentei minha emenda, também protocolada como manda o figurino, afirmando que o presidente deverá ser eleito pelos sócios, de maneira direta. Coloco lá minhas travas para haver a certeza de que quem vai votar será são-paulino. Um dos membros da Comissão do Estatuto, Carlos Eduardo Ambiel, me diz, então, que existem várias emendas nesse sentido. Então interpreto que vai passar, pois essa comissão tem o dever de aglutinar propostas e formular o novo estatuto seguindo a vontade da maioria dos sócios.

Pouco depois um conselheiro usa a palavra e fala que é uma loucura total a minha proposta. Esse conselheiro é o ex-presidente José Augusto Bastos Neto. Ele diz que há muitos sócios torcedores de outros times no clube. E vai além: sabe que existem cerca de 20 conselheiros que torcem para outros times. E finaliza que a eleição do presidente tem que ser exclusiva do Conselho Deliberativo.

Vamos lá. É evidente que tenho que respeitar a opinião dele, mas não posso deixar de fazer a minha análise. Os que me conhecem, que comigo convivem neste amor profundo que tenho pelo São Paulo, sabem que sempre classifiquei Bastos Neto como o pior presidente de nossa história, só sendo superado por Carlos Miguel Aidar. Ele, os senhores devem se lembrar, é aquele que um dia foi ao CT da Barra Funda ensinar Marcio Santos a pular e cabecear uma bola. Por isso me senti honrado em ser criticado por ele.

Mais uma: se ele, como membro do Conselho Consultivo, diz que há 20 conselheiros que torcem para outros times no Conselho Deliberativo, cabe à Comissão Disciplinar convocá-lo para identificar quem são estes conselheiros. Se não conseguir, terá cometido crime de falsa acusação, passível de ser expulso do Conselho. Se der os nomes, estes todos deverão ser expulsos do Conselho por falsidade ideológica, pois ao postularem uma vaga na eleição, são obrigados a assinar a Fé São-paulina, documento oficial do clube.

Para encerrar, pensamentos deste tipo, achando que o sócio é um mero detalhe e que não merece participar ativamente da vida do clube como um todo – porque se engana que pensa que o sócio não se preocupa com o futebol  -, mostram que ainda temos alguns retrógrados no Conselho que não conseguem perceber que hoje utilizamos computadores. A máquina de escrever ficou para trás.

 

Vitória no Rio foi de superação

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, o São Paulo obteve um resultado no Rio de Janeiro que, de são consciência, ninguém esperava. Se você chegasse para qualquer um, por mais fanático que fosse o torcedor, no intervalo do jogo, perdendo por 1 a 0 e perguntasse o que esperava para o segundo tempo, a resposta seria única: derrota.

O time, como sempre, entrou completamente retrancado. Ricardo Gomes manteve a formação com três volantes, fazendo Robson voltar para compor a marcação, deixando Cueva para puxar o contra-ataque e Chavez isolado lá na frente. Deu azar porque Cueva fez, seguramente, sua pior partida com a camisa do São Paulo. Teve a chance de um contra-ataque, três contra um, ele não soube o que fazer com a bola e acabou perdendo. Depois ainda perdeu um gol cara a cara com o goleiro. E errou todos os passes.

Thiago Mendes é outro que fez um primeiro tempo horrível. Por mais que tenha se apresentado sempre para participar da jogada, sua displicência e sangue de barata fizeram com que ele cometesse muitos erros. Um deles resultou no gol do Fluminense, pois ele perde a bola no ataque, os cariocas saem rapidamente pegando a defesa do São Paulo desarmada.

Ricardo Gomes voltou para o segundo tempo com o time um pouco mais ofensivo. Tirou Buffarini e colocou Kelvin, passando Wesley para a lateral direita. O time cresceu, começou a apertar o Fluminense. Mas foi a entrada de David Neres que mudou tudo. O garoto entrou endiabrado, chamou a responsabilidade, começou a ganhar todas as jogadas pela direita, criou oportunidades, botou fogo no time.

O gol de empate saiu de uma falha da defesa do Fluminense, mas sairia em algum momento, tamanha era a pressão exercida pelo São Paulo. Na sequência o mesmo Thiago Mendes, que houvera feito o gol, acertou uma bola no travessão. E Wesley perdeu uma oportunidade. E as bolas começaram a passar dentro da pequena área do Fluminense, com as descidas de Mena que, mesmo atacando bem, errou todos os cruzamentos.

Ricardo Gomes tirou o inútil Chavez para colocar Pedro. Na primeira bola alçada na área, a defesa carioca se preocupou com o garoto e Rodrigo Caio cabeceou livre para fazer o segundo gol.

Se faltou raça e entrega em algumas partidas, não foi o caso desta segunda-feira. O time jogou muito, botou pressão e mereceu a vitória. O que não quer dizer que acho que tudo mudou, que o elenco é ótimo e que já podemos pensar em brigar por vaga na Libertadores.

Vamos colocar os pés no chão e continuar concentrados de que nossa briga é outra este ano, continuarmos humildes e jogarmos de forma muito séria contra a Ponte Preta, para fazermos mais três pontos e continuarmos nossa recuperação.

E, importante, ter consciência que time grande cai, mas time gigante não cai.

Caldeirão político ferve, enquanto time congela

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, peço desculpas para, mais uma vez, entrar na esfera política do clube. Sei perfeitamente que minha cabeça deveria estar – e está – totalmente virada para o jogo desta noite contra o Fluminense. Afinal, estamos a apenas um ponto da zona de rebaixamento e uma derrota será catastrófica. Não espero vitória, pois na atual circunstância, é como enxergar uma piscina no deserto, mas entendo que um empate terá que ser muito comemorado por nós, reles torcedores.

Porém, se esse sofrimento, essa angústia, todo esse quadro vale para nós, parece não ser igual aos nobres senhores que dirigem este clube, ou que querem um dia dirigí-lo. Sábado passado todos os conselheiros se reuniram no CT de Cotia para um grande almoço. Situação, oposição, ex-Jacks, enfim, todos presentes para uma grande confraternização e comemoração. Mas comemorar o que? O clima político no clube? A posição do São Paulo no Brasileiro?

Aí, passado o sábado, leio no domingo o blog do Abílio Diniz defendendo o indefensável. Entendam que quero, sim, a profissionalização das diretorias do São Paulo. Todas, não só o futebol. Mas o que Abílio e os conselheiros que estão subservientes a ele escondem atrás da cortina é que ele quer, de fato, a separação do futebol com o clube. O futebol se tornaria uma S.A. e ele, naturalmente, presidiria essa Sociedade Anônima, já que, por não ser conselheiro, não pode se candidatar à presidência agora.

Ao profissionalizar o clube, como eu e tantos outros sócios e torcedores defendem, você não precisa necessariamente desvincular a entidade São Paulo Futebol do Clube. Se profissionais forem contratados para os setores mais importantes da administração, o gerenciamento empresarial estará presente.

Júlio Casares, que foi vice-presidente de Marketing de Carlos Miguel Aidar, tem dado várias entrevistas defendendo a tese de Abilio Diniz. Comigo mesmo já teve várias conversas e, em alguns pontos, nossos pensamentos convergiram. Ele tem negado insistentemente que é candidato à presidência do São Paulo. Para mim não foram poucas as vezes que ele ratificou essa negativa.

Mas neste final de semana, andando no clube, conversando com pessoas de vários setores da política, pude depurar o que eu já desconfiava: o artigo no projeto do novo estatuto que diz que o presidente eleito em 2017 deverá colocar para o Conselho Deliberativo, em um ano, a consulta da separação do Clube do Futebol, é a mais clara definição para que eu possa afirmar aqui: Júlio Casares será o candidato de Abilio Diniz à presidência do São Paulo. E junto com ele estão outros conselheiros, entre os quais Leonardo Serafim, que também ocupou posição de destaque na área jurídica do clube na gestão de Carlos Miguel Aidar, e o atual presidente do Conselho Deliberativo, Marcelo Pupo.

Leco não está percebendo o que acontece a sua volta. Seu vice, Roberto Natel, já debandou. Alguns ficaram em cima do muro, mas estão, no fundo, perdidos sobre que caminho tomar em 2017. O espaço para Abilio Diniz foi dado. Mas, para mim, a emenda pode sair pior que o soneto.

Disse semana passada que não apresentaria emendas ao projeto de estatuto, por ter me sentido um otário na última reunião. Recebi o convite para participar de outra nesta terça-feira, 19h30, no Conselho Deliberativo. Vou apresentar emendas, pois não quero, amanhã, ser taxado de omisso. Quero ter o que sempre tive, moral para cobrar o que de ruim vier. Mas, mesmo apresentando as emendas que julgo fundamentais, que serão mais supressivas que inclusivas, mantenho o firme propósito de defender a não aprovação deste texto. Por mais boa vontade que tenham tido muitos da comissão do Estatuto, o prato estava pronto e eles não perceberam.

Ah, voltando ao que interessa…à vitória, Tricolor!

 

Abilio Diniz

No final da manhã recebi uma ligação da assessoria de Abilio Diniz dando algumas explicações sobre o nosso editorial Aqui reproduzo, abaixo, a nota que ele nos mandou, mas reiterando que minha opinião não muda uma única letra.

“1- não há nas propostas do Abilio para o estatuto nenhuma ideia de separação do social do futebol;

2- ele não interesse qualquer em ser presidente de qualquer órgão no SPFC;

3- a preocupação do Abilio junto ao São Paulo não é com política e sim, exclusivamente com a aprovação de um estatuto que permita uma gestão profissional no clube;

4- dessa maneira, ele não está apoiando qualquer candidato à presidência do SPFC”

 

Técnico grotesco, medroso e retrógrado, reforma a situação do time

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, o São Paulo perdeu do Santos no Pacaembu. Mais uma derrota. Mando nosso. Clássico de torcida única. Nem empatar estamos conseguindo mais.

O time precisa ganhar e o técnico entra com três volantes, dois laterais esquerdos e dois atacantes de meio. Nenhum meia. Lembrando que no banco tínhamos, no mínimo, três: Cueva, Daniel e Jean Carlos. Aí, quando toma o gol, começa a trocar todo o mundo. Tira o inútil Wesley para colocar o peruano. Depois o burocrático e fraquíssimo Hudson para colocar outro horrível: Jean Carlos. Carlinhos, o rei do Refis, já tinha saído e entrado Kelvin. Melhor seria se tivesse ficado no banco.

Jogando com três volantes, não foram poucas as vezes que Ricardo Gomes gritava para Hudson não passar do meio de campo. Ou seja: não era um time ofensivo, apesar de três volantes. Era retranca no duro. E mesmo assim conseguiu tomar o gol, com a bola passando por toda nossa intermediária, na frente e nas costas dos três volantes. Inúteis.

Nunca defendi a troca de treinador pura a simplesmente por maus resultados. Mas Ricardo Gomes, a quem critiquei antes mesmo de ser anunciado como nosso técnico, não dá mais. Já passou da hora. Aliás, nem deveria ter tido essa hora.

Só queria entender como eu e toda torcida do São Paulo enxergamos, por antecipação, que ele não daria certo, enquanto Leco, Medicis e Jackobson, que tem o dever de saber o que estão fazendo, não conseguem ver que Ricardo Gomes nunca daria certo com esse elenco, que já é fraco por natureza, e agora tem a auxiliá-lo esse treinador. E vem o Marco Aurélio Cunha e diz que agora não é hora de trocar. É sim. Deixa o Jardine. Coloca o Pintado. Traz o Luxemburgo, o Roger, sei lá quem, mas tira esse cara ainda hoje, pelo amor de Deus. Talvez o Luxemburgo, com um contrato de risco até o fim do ano e renovação se tiver feito um trabalho decente. Pior que isso não será. Mas ele não entra no São Paulo. Alguns conselheiros fazem biquinho quando se fala o nome dele.

É muita incompetência junta. E ainda sou obrigado a ouvir, jogo após jogo, derrota após derrota, que o time está evoluindo, criando chances, perdendo muitos gols e que existe falta de confiança. Perdendo quais gols? Quais chances foram criadas? Gol perdido, mesmo, teve um, do Chavez. Alias, contra o Flamengo também teve um, do Chavez. Muito pouco para um clube da grandeza do São Paulo, mas que por incompetência, aliada aos conchavos políticos, jogou o Tricolor numa vala comum e caminha de forma célere com a cartilha da série B em suas mãos.

Que o São Paulo nos proteja!