O novo estatuto do São Paulo chegou ao seu texto final com algumas mudanças baseadas nas 48 emendas apresentadas por associados do clube. A comissão de sistematização, responsável pela reforma do documento, incluiu a possibilidade de votação direta dos sócios e sócios torcedores para eleger o presidente. Mas na disposições transitórias o que, por si só, já me faz ser contra a aprovação. É importante salientar que participar do pleito é um pedido antigo dos associados e, por isso, não dá para entender o pleito já não ter sido considerado como sólido no novo estatuto. Isso significa que uma minoria absoluta falou mais alto que a coletividade.
Serão 12 meses de estudos. O resultado desse trabalho será enviado ao Conselho de Administração junto com um parecer do presidente a respeito do assunto. O Conselho Consultivo, o Deliberativo e os sócios, em uma assembleia geral, também serão consultados sobre eventual decisão de mudar o formato da eleição, hoje decidida pelos conselheiros.
Em editorial anterior não neguei que há avanços consideráveis no texto e, mais uma vez, cumprimento a Comissão Estatutária pelo trabalho incansável que foi feito. Lembro que, entre as alterações, estão o mandato presidencial que passará a ter três anos sem direito à reeleição, e não mais quatro como proposto inicialmente, ou três mais três, como é atualmente.
O outro estudo a ser realizado também no prazo de um ano é sobre a viabilidade de separar o clube social do futebol, com orçamentos e administrações distintas, o que justificaria a mudança na forma de escolha dos dirigentes. Defendo, sim, a separação financeira, mas não administrativa. Nada de se tornar S.A. possibilitando a entrada de aventureiros no comando do Tricolor. Tenho a garantia de membros do Conselho – e da própria comissão – que essa possibilidade está afastada. Mas nunca se sabe.
Além disso, o novo estatuto pedirá aos cerca de 6 mil associados que informem qual é o seu time de futebol do coração. A resposta serviria como primeira base de dados para o Tricolor ter uma noção do número de são-paulinos dentro do seu quadro associativo. Isso porque há sócios que torcem por rivais, frequentam a sede social localizada no Morumbi e influenciam as decisões do futuro do clube.
O que está colocando em risco a aprovação ou rejeição do estatuto, no entanto, é algo que para mim não tem importância tão significativa – notem que não estou dizendo que é assunto menor -, porém está fazendo com que haja um embate político entre situação e oposição: o voto aberto ou secreto.
Proposto originalmente como sendo aberto e nominal para todas as votações do Conselho, exceção feita a expulsão do quadro de conselheiros, o voto secreto está ganhando força nos bastidores para votação do texto final do estatuto no Conselho, previsto para a próxima quarta-feira. Essa mudança virou bandeira da oposição e já conta com o apoio de muitos situacionistas. Há contas que dizem que 80 conselheiros estão defendendo o voto secreto, número que se aproxima da metade de total de conselheiros presentes às reuniões.
Preocupado com isso o presidente Leco teve uma reunião nesta quinta-feira com representantes de oito partidos políticos da base de sustentação: Vanguarda, Legião, Nova Força, Legenda, Sempre Tricolor, União dos Independentes, Participação e Pró-São Paulo.
Eu, particularmente, defendo o voto aberto. O que depurei na defesa da oposição é uma visão curta, que tem validade em abril de 2017. Entendem os opositores que se o voto for secreto, a chance de vitória cresce, pois não haverá o patrulhamento ideológico do voto pela troca de favorecimento. Isso é muito pobre para quem pensa num estatuto que vigore por décadas.
Hoje temos o voto aberto para tudo no Conselho. Mudar para o voto secreto é retroagir no tempo e darmos alguns passos atrás.
Repito minha posição: sou pela rejeição do novo estatuto, mas porque uma minoria insignificante – no universo que vivemos – está tirando da coletividade o direito de votar. E sem esse direito colocado já, sem disposições transitórias, não há avanço que justifique minha defesa. Mas reconheço que os demais ítens do novo estatuto representam, sim, uma modernização no que já pode ser considerado arcaico sistema de leis do clube.