Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, acho que Leco acertou em cheio na indicação de Raí como novo diretor de Futebol do São Paulo. É um cara do meio, respeitado por todos, ídolo e que já andou junto com dirigentes do Paris Saint Germain, por exemplo e, até por atividades empresariais que exerce, não pode ser julgado como um leigo para dirigir o departamento.
Antes que pensem que vim aqui levantar a bandeira em defesa do Leco, quero que saibam que não é do meu feitio esse tipo de atitude. Mas também não esperem que eu vá, nesse momento, soltar a alavanca da guilhotina. E espero em minha análise, neste que será, por si próprio, a opinião do Tricolornaweb, não ser contraditório ou defender por estar do lado da diretoria, nem atacar por estar do lado da oposição.
Começo lá por trás. A maioria massacrante da torcida do São Paulo não aguentava mais Rogério Ceni. No início foi um glamour, todos entendendo que era uma aposta, mas acertada. No meio do caminho, aqui mesmo no Tricolornaweb, a cada dez comentários, nove pediam sua saída, sob o risco de sermos rebaixados. Quando Rogério Ceni foi demitido, alguns mesmos que pediam sua saída passaram a direcionar críticas à diretoria, pois Rogério Ceni era o M1TO. Conversei com pessoas muito próximas ao presidente e elas me falaram que o dia da decisão e comunicação da demissão de Rogério foi o mais difícil vivido nas últimas décadas no clube.
Quando Vinicius Pinotti foi indicado para a diretoria de futebol, fui cobrado aqui para externar minha opinião sobre a nova diretoria. Disse que era preciso esperar, mas que a princípio não via essa indicação com bons olhos. Pinotti desmontou o time em pouco tempo. Vendeu Luis Araujo, David Neres, Thiago Mendes, Lyanco, enfim foi uma liquidação. Trouxe jogadores como Denilson, Marcinho, Morato e alguns outros que foram dignos da nossa irritação. Mas trouxe Arboleda, Petros, Hernanes, Marcos Guilherme, jogadores de ponta, que fizeram a diferença e, sob o comando de Dorival Junior – que também foi ele quem trouxe – fizeram do São Paulo o vice-campeão do segundo turno do Brasileiro, um ponto atrás da Chapecoense.
Há, então, que se considerar que Pinotti não foi de todo um desastre. Montou uma boa comissão técnica, que conseguiu dar fôlego ao time, mas já começava a dar sinais de as coisas andariam mal no início de 2018. As contratações de Edimar em definitivo e Jean, goleiro do Bahia, a volta de Reinaldo, a falta de perspectiva de um grande nome e a iminência de perdermos alguns, como Cueva, Arboleda, Militão, o colocavam em xeque.
A torcida do São Paulo, em sua imensa e massacrante maioria, queria Pinotti fora do futebol. E zagueiro do Arquidiocesano era ridicularizado em todos os cantos, também no Tricolornaweb. Todos diziam que tinha que ser alguém do ramo. Nomes como os de Muricy Ramalho, Diego Lugano, Edimilson, foram citados várias vezes. Raí foi esquecido nessa lista. Mas que experiência eles tem que o Raí não tem? Oras, por que agora alguns começam a lamentar a saída de Pinotti e pedir para Raí não aceitar o convite, pois irá manchar sua imagem? Ou mudamos agora, ou continuaremos três anos lutando contra o rebaixamento. Só que uma hora caímos.
Quando recebi o contato ontem da fonte que me falou sobre a demissão do Pinotti – e contou o motivo – e a indicação de Raí, até perguntando minha opinião, fui taxativo: grande notícia. Perguntou se eu apoiava o nome de Raí. Respondi de pronto que sim, era também o meu nome.
Entramos, então, na indicação. Raí não me parece ser uma pessoa que se preste a ser figurativo. A ingerência de Leco no futebol terá que ser contida. Aliás, estarei aqui para denunciar se houver atropelos. Raí vai se cercar de executivos que lidam diretamente com este meio. É um nome que me inspira confiança em todos os sentidos, seja no sãopaulinismo, na ética, no profissionalismo e no caráter. Portanto, estou apoiando integralmente a decisão de Leco e, principalmente Raí em sua nova função. Não adianta torcer pelo quanto pior melhor, para pegar os bons nomes que temos e afastá-los do clube apenas para Leco se afundar um pouco mais. Também é inócuo criar campanhas de Fora Leco, porque ele só sairá em dezembro de 2020. Então que mude a diretoria enquanto é tempo.
O regime do São Paulo é presidencialista. Portanto Leco até poderia negociar Pratto sem o conhecimento de Pinotti. Mas Pinotti não poderia contratar um técnico sem o conhecimento do presidente. É o tal negócio do imoral, mas não ilegal.
Respeito a opinião de todos e entendo, mais do que nunca, que o debate de ideias é de suma importância nesse momento. Mas é inegável que todos queriam mudanças na diretoria. Elas começaram a acontecer. Nos resta torcer que o caminho seja o correto, porque 2017 não pode ser repetido em 2018.