Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, é impressionante como o time do São Paulo vive uma gangorra, mais na parte de baixo do que na de cima. Não consegue se acertar. Quando você pensa que vai engrenar, tenta se enganar com duas vitórias boas sobre times sofríveis, vem o balde de água fria e o time faz uma apresentação medonha como a deste sábado, em São Caetano.
Aguirre, que, reconheçamos, teve um dia para conhecer e treinar o time, não teve tempo nenhum para impor sequer uma jogada tática, ou um plano de trabalho. Então deveria ter a humildade de ouvir André Jardine, que já vinha acompanhando o elenco e comandou o time nas duas vitórias, para não repetir os erros de Dorival Junior, e que culminaram com sua demissão.
Eu tinha a mais absoluta certeza que o time que entraria em campo seria o que venceu o CRB em Maceió, apenas com as entradas de Arboleda no lugar de Rodrigo Caio e Diego Souza no de Trellez. Quando vi que ele sacou Marcos Guilherme para colocar Nenê, e não compensou a lentidão que isso iria gerar com a entrada de Brenner, preferindo Diego Souza, senti que o filme de tudo o que aconteceu até dez dias atrás voltaria. E voltou.
O time foi medonho, sem ultrapassagens, sem velocidade. Nenê era o ponta direita sem conseguir dar um pique; Cueva era o meia, mas não conseguia ter velocidade dos lados do campo para tentar uma jogada; Valdivia era obrigado a jogar com ele mesmo, porque Junior Tavares estava num dia daqueles, “tipo horrível”; para piorar, Jucilei e Petros fizeram juntos, talvez, a pior partida da dupla pelo São Paulo. Enquanto isso Diego Souza ficava brigando entre os zagueiros, mais parecendo uma disputa de várzea do que quartas-de-final do Campeonato Paulista.
Se Aguirre tivesse a humildade de escutar Jardine, não teria feito essa bobagem. Manteria o time que venceu os últimos dois jogos e depois teria uma semana para treinar a rapaziada e começar a conhecer o elenco, já que no próximo final de semana não haverá jogos do Paulista, por causa da Seleção Brasileira.
No intervalo falei pelas redes sociais, e também aqui no “Opinião de são-paulino durante o jogo”: não dá para trocar o Aguirre pelo Jardine? Essa seria a melhor substituição a se fazer.
Veio o segundo tempo e, então, tomamos o gol. Aí bateu o desespero. Ele colocou o Marcos Guilherme tirando Cueva, que não estava jogando nada. O time ganhou em velocidade. Mas então ressuscitou Bruno e a coisa degringolou. O time não se encontrou em nenhum momento, fazendo alguma pressão no final do jogo mais pelo recuo excessivo do São Caetano do que por mérito próprio. Mas não levou perigo algum. Não posso deixar de citar a falha bizarra de Jean no gol. Saiu socando o ar. Ali não dá para culpar zagueiro. A bola era dele.
Temo que, se essa mentalidade de Aguirre não mudar para terça-feira, poderemos ser vergonhosamente eliminados por um time da série D do Brasileiro. Isso pode ser um indicativo futuro.