Acabou o ciclo de Paulo Henrique Ganso no São Paulo. Maestro, gênio do futebol, um dos poucos meias verdadeiros e nostálgicos que ainda existem no mundo, mas que nos deixou e agora vai brilhar nos campos da Europa.
Sei que estou sendo antagônico no título do editorial, mas tenho duas visões sobre a passagem e a saída de Ganso do São Paulo. Vou tentar explicar.
Muitos estão dando adeus a Ganso, ressaltando sua importância dentro do clube, que durante quatro anos foi o grande maestro da equipe, e piriri e pororó. Mas o cartel dele não demonstra isso: em 221 jogos que disputou nesse período, marcou 24 gols e deu 49 assistências. Somando-se temos, então, 73 participações efetivas, entre passes e assistência. Isso quer dize que em 34% dos jogos disputados Ganso fez alguma coisa. No restante fez o que?
Convenhamos, é muito pouco para um maestro, um gênio do futebol. Se pegarmos outros exemplos, e não vou longe, vou em Jadson, no Corinthians, que não era gênio nem maestro, 24 gols em 103 partidas, além de 48 assistências. Somando temos 82 participações efetivas em gol, entre passes e assistências. Isso quer dizer que em 70% dos jogos disputados Jadson fez alguma coisa. Notaram a sensível diferença?
Ganso, efetivamente, jogou muito em 2015 e em 2016. Tanto é que boa parte de seus números foram alcançados nos últimos 18 meses. Por isso não vou entrar na corrente do “Obrigado, Maestro, por tudo o que fez com a camisa do São Paulo”, porque outros jogadores fizeram muito mais do que ele e não tiveram esse tratamento. CAlleri é exemplo vivo do que estou falando.
Mas, aqui entra meu antagonismo, lamento muito a perda deste jogador e culpo a inabilidade da diretoria, desde o presidente Leco até Gustavo Oliveira, passando por Alexandre Médicis e José Jakobson Neto. Quando o diretor de Futebol era Luiz Cunha, Ganso estava negociando sua renovação com o São Paulo. Havia dito, inclusive, que não queria deixar o Tricolor e só o faria se viesse uma proposta muito boa de um time grande da Europa. Convenhamos que o Sevillha não é bem um time grande.
Com a saída de Luiz Cunha o assunto ficou deixado de lado e Gustavo Oliveira, com o aval de Leco, foi para cima de Cueva e conseguiu sua contratação. Depois Maicon, o que todos queriam. Não digo que Cueva não possa ser muito útil ao São Paulo, até acredito em seu potencial, mas não pode ser comparado a Ganso em qualidade técnica. Então, por que investir tanto dinheiro em Cueva se o meia que procurávamos estava ali mesmo, no CT da Barra Funda?
Portanto não me venham com chorumelas, de que Ganso pediu para ser vendido, que ele queria ir para a Europa, porque não é verdade. Até pode ser real, sim, no momento atual, mas não era há um mês. Ele estava pronto para renovar seu contrato e o São Paulo não teve o time correto para isso. E assim perdemos nosso grande maestro.
Dentro deste antagonismo todo, se vocês me perguntarem se eu queria ou não que Ganso continuasse, minha resposta será direta e clara: SIM! Não conseguiremos repor um jogador da sua categoria. Sua falta para o time ficou provado nos dois jogos das semifinais da Libertadores.
Então, boa sorte, Ganso, mas não vou agradecer pelos “brilhantes” serviços prestados.