Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, não nego que estou em êxtase. Vi alguns leitores discordarem quando chamei Aguirre de gênio. Então me deixa explicar: quando subi da sala de imprensa para o local onde assisto o jogo, na Cativa (poderia ir para uma cabine, com ar condicionado, mas prefiro ficar junto da galera), falei a meu filho e ao Flávio, leitor e assíduo comentarista deste site, meu amigo, que não criticaria o Aguirre antes do jogo por escalar Edimar e Reinaldo para a vaga do Everton. Lembrei que em Belo Horizonte, na partida contra o América-MG, fiquei perplexo dele escalar Araruna de ponta direita. E ganhamos de 3 a 1. Portanto, dava crédito a ele. E disse mais: se ganharmos, ele será gênio.
E foi o que aconteceu: ganhamos, ainda com dois gols de Reinaldo, aquela que um dia chamamos de Ruinaldo e hoje chamamos de Kingnaldo. E tenho, aqui, que reconhecer que Vinicius Pinotti, quando diretor de Futebol, fez questão de segurar Reinaldo de volta da Chapecoense e mantê-lo no elenco.
Mais uma vez o time fez uma grande partida. Dominou o jogo desde o início. Com pouco mais de cinco minutos de partida já havia finalizado três vezes ao gol. Todas as bolas altas, fossem em cobranças de escanteio, fossem em cobranças de faltas, nossos atacantes e zagueiros ganhavam lá na frente. Só a mira estava errada, pois todas iam para fora. Mas o domínio era total.
Estava evidente que o Corinthians veio para empatar em 0 a 0. Em boa parte do jogo colocou os 11 jogadores atrás da linha da bola. E batia à vontade, contando com a complacência do árbitro. O jogador mais adiantado ficava aquém do semi-círculo central. E o São Paulo atacava com quase todo o time. Apenas os dois zagueiros e, algumas vezes, Edimar, mantinham posição.
O gol já poderia ter saído no primeiro tempo, não fosse a afobação de nossos atacantes, pilhados em impedimentos algumas vezes. Mas era inegável que se alguém tivesse que estar na frente no marcador, esse alguém seria o São Paulo.
No segundo tempo o cenário não mudou. Só que, numa cobrança de escanteio, mais uma vez ganhamos no alto e a bola foi na direção do gol. Anderson Martins. Pensei na hora: agora vamos nos fechar lá atrás e garantir o 1 a 0. Me enganei. O time continuou marcando o Corinthians em seu campo, forçando o erro do adversário.
Impressiona cada vez mais a determinação desse time. Marca centímetro por centímetro do campo. Se antecipa em todas as bolas. Quando não consegue pegar, recupera lá atrás. Não permite sobras, apesar de duas ou três bolas terem passado perto da nossa trave. Mas ultimamente a sorte está ao nosso lado.
A noite seria de Reinaldo, coroando a genialidade de Aguirre. O primeiro dele num frango de Cássio. O segundo, um golaço. E ele acabou se tornando o nome do jogo, o nome da noite maravilhosa no Morumbi.
Então deparamos com o seguinte: quando voltamos da Copa, comparando com o Flamengo, víamos que tínhamos três jogos fora e um no Morumbi – clássico – enquanto o Flamengo tinha um fora e três em casa. Era, para nós, a sequência da morte. Ou de mostrar onde podemos chegar. Eu fazia um cálculo de que ganhar seis pontos nesses quatros jogos já me deixaria contente e confiante na briga lá na ponta. Mas já conquistamos esses seis pontos nos dois primeiros jogos, enquanto líder ganhou apenas três.
Se perdermos do Grêmio em Porto Alegre, não haverá o menor problema. Esse é um daqueles jogos que chamamos, no início do campeonato, de “perdível”. Mas não acredito em derrota. Do jeito que o time está jogando, com a pegada e a técnica, no mínimo sairemos de lá com um empate. Se não arrancarmos outra vitória.
Que tudo continua como está. A nossa alma está lavada, como há muito não acontecia. Vamos, São Paulo!