Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, quando eu imaginava que fosse escrever, um dia, que o Corinthians foi roubado em Itaquera, contra o São Paulo. Que jogou com um jogador a menos um tempo todo e que, mesmo assim, não conseguimos vencer o jogo. E só não perdemos, exatamente pelo roubo contra o time deles. Acho que estou delirando.
Ao anunciar a escalação do São Paulo no Notícias Antes do Jogo já pedi, ali, a proteção a seres divinos, porque se dependesse do nosso técnico não teríamos essa proteção. Não se tratava de jogar com cuidado porque era um clássico na casa do adversário. Não. O Corinthians entrou em campo preocupado com o rebaixamento. Vive seu pior momento nos últimos anos. Temos a grande oportunidade de, enfim, vencermos em Itaquera. Mas entramos com três zagueiros e três volantes, tal qual fizemos contra o Flamengo e foi um horror, sem criar absolutamente nada.
Começa o jogo e o time se posta lá atrás. O Corinthians dá espaço. O São Paulo vai um pouco para a frente, mas conta com a categoria técnica de Hudson para armar o ataque. Bruno Peres, um grife, e Reinaldo, até outro dia King, mas voltando aos tempos de Tiririca, sem descer. Diego Souza sem se mexer e Gonzalo Carneiro, o único que conseguia produzir alguma coisa, se machuca. Entra Brenner – pensei que ele fosse colocar o Edimar ou o Rodrigo Caio – e nada muda, porque Brenner, ao que parece, desaprendeu a jogar.
Gol que foi mas o juiz não deu, pênalti discutível – para a TV pênalti claro, para mim discutível – e um jogador expulso – bem expulso -. Acho que para o segundo tempo, o Aguirre vem com tudo. Afinal, para que manter três zagueiros e três volantes com um time que joga com dez e que é medíocre?
No primeiro tempo, mesmo com todo esse zelo defensivo, deixamos um buraco entre o meio de campo e a defesa e sofremos horrores com o adversário. As melhores chances foram deles.
Aguirre ousou voltar com Everton no lugar de Anderson Martins, mas já deveria ter voltado com Everton e Nenê, tirando, além do zagueiro, Liziero, que teve um primeiro tempo digno de dó. Completamente perdido.
Aguirre demorou 20 minutos para colocar Nenê em campo. E quanto colocou, tomamos o gol. Inacreditável: um time com dez jogadores faz troca de passes no ataque e faz o gol, porque o volante, que não sabe o que é marcar gol há anos, sobra sozinho, sem marcação, na entrada da área. Onde estavam nossos dois volantes?
Empatamos, é verdade, em jogada de Everton. Mas não criamos mais nada que pudesse justificar um comentário de que tentamos, mas não conseguimos. Ou porque Cássio foi gigante, ou porque a trave ajudou, sei lá. Nada. Absolutamente nada.
Aguirre foi incompetente por completo. Quando o time teve um jogador a mais, no encerramento do primeiro tempo, ele teve 15 minutos para montar o time e passar uma estratégia que possibilitasse usufruirmos dessa superioridade. Mas não. Incompetência plena.
Em vista disso, e ouvindo a sua entrevista dizendo que não gostou do que viu, lembro que ele é responsável por esse estado de coisas e, portanto, não quero suportá-lo até o final do Brasileiro e quero sua demissão já. Entreguem o time para André Jardine, permitam que ele termine o Brasileiro, ou até a Libertadores estará em risco.Sei que, nesse momento, são 12 pontos que nos separam de Atlético-MG e Santos e faltam 18 pontos a serem disputados por essas equipes (para nós só 15). Mas do jeito que estamos nos afundando, nada mais é improvável.
Imagino que entraremos contra o Grêmio na quinta-feira, num confronto direto, em quinto lugar, o que quer dizer que entraremos na posição de pré-Libertadores. A pressão será grande e estará do nosso lado. Por isso, a vaga na fase de grupos está ameaçada e na própria pré-Libertadores começa a correr risco.
Vamos acordar enquanto ainda é tempo.