Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, que Doriva não continuaria no São Paulo em 2016 era ponto pacífico. Faltava apenas saber em que momento ele iria cair. Eu, particularmente, estou numa posição antagônica: acho que o sucesso de um time está na manutenção de seu técnico o maior tempo possível e esta falta de sequência (foram quatro este ano) explica a situação crítica em que nos encontramos; mas entendo que Doriva deveria ser demitido logo após a partida contra o Santos, na Vila Belmiro. Aliás, acho que ele nem deveria ter vindo.
Mas por que veio? Segundo apurei junto a pessoas bem ligadas ao futebol do Tricolor, Doriva seria a resposta de Carlos Miguel Aidar a Ataíde Gil Guerreiro e de todos que queriam, naquele momento, colocar em dúvida sua autoridade. Enquanto Osorio e Ataíde botaram para fora do CT empresários que lá entravam autorizados por Carlos Miguel Aidar, Mariana Aidar e Cinira Maturana, Doriva seria mais maleável. Não participante de esquemas, mas faria vistas grossas pela vontade alucinante que tinha em dirigir o São Paulo. O substituto de Osorio, por Ataíde, seria Diego Aguirre. Mas ele foi demitido do cargo e Doriva foi contratado. À época denunciamos isso aqui.
Se houve um erro no presidente Carlos Augusto Barros e Silva foi a demora para fazer essa troca. É evidente que nem Aguirre, nem Doriva, nem ninguém deveria ser contratado para este final de ano. Não morro de amores pelo Milton Cruz, mas tenho certeza que ele iria manter o esquema implantado por Juan Carlos Osorio e levaria o time até o final desta temporada.
Estranho, no entanto, o momento da demissão. Por mais que tenha sido após mais uma derrota, quando o time não jogou nada contra o Cruzeiro, se tornou nebulosa. Até porque minutos após sua saída, veio a notícia da também demissão do CEO Alexandre Bourgeois. O que se comenta nos bastidores é que foi ele quem vazou a informação do contrato de Gustavo Oliveira, que conteria comissão de 1% a 3% sobre a venda de jogadores, além do um alto salário. Isso gerou nova crise interna no São Paulo e desagradou toda a diretoria. principalmente o vice-presidente de Futebol, Ataíde Gil Guerreiro, e o presidente Leco. Doriva teria sido usado como a grande notícia do dia para empanar a demissão de Alex Bourgeois. Se confirmado, joga fumaça no ventilador neste início de administração de Leco.
Como afirmei em editorial no dia seguinte à eleição de Leco, nós apoiaremos essa diretoria por acharmos que é hora de pacificar o clube. Elogiamos a formação da atual diretoria por levar, entre outras pessoas de bem, dois membros da oposição, demonstrando vontade de unificar o São Paulo. Mas isso não significa dizer que vamos fechar os olhos para possíveis mal feitos ao São Paulo. E os acontecimentos desta segunda-feira me deixaram com a pulga atrás da orelha.
Antes que me perguntem, Cuca é o meu técnico. Não de hoje. Há muito tempo. Desde 2004, quando saiu do Tricolor, entendi que ele era o mesmo responsável pela perda da Libertadores naquela fatídica partida contra o Once Caldas, em Manizales. Não esqueçam que foi Cuca quem trouxe para o São Paulo, quase de graça, Danilo, Mineiro, Grafite, André Dias, Josué e Rodrigo, entre outros. Foi ele quem montou o time que acabou sendo campeão Paulista, da Libertadores e Mundial em 2005, e foi base do time tricampeão brasileiro em 2006, 2007 e 2008. Ele conseguiu dar o único título de Libertadores da história do Atlético Mineiro. E tenho certeza que será o nome ideal para levantar o São Paulo.