Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, vi a saída de Milton Cruz com absolutamente natural. Apesar dos 22 anos de clube, ele estava desgastado. Ainda na gestão de Carlos Miguel Aidar, o então – nefasto – presidente queria demití-lo. Algumas forças dentro do clube o fizeram ficar.
Analisando aquele momento talvez entenda que Milton atrapalhava os planos de Aidar e sua trup de negociar com seus próprios empresários. Aliás, Milton tinha contato com a maioria deles, mas nunca me pareceu ter participado de qualquer negociata.
Ele era o cara da emergência. Assumia o time em momentos de crise e sempre se virava bem. Mas nunca o vi como técnico do São Paulo. Aliás, ele mesmo não queria. Não por se julgar impotente, mas por não querer sair da zona de conforto.
No balanço que faço de seus 22 anos, entendo que ele tem mais méritos do que deméritos. Foi responsável pela indicação de ótimos jogadores. Mas ultimamente vinha se perdendo na mediocridade que se encontra todo o clube.
Para o seu lugar está sendo cogitado o nome de Pintado. Mas ele não viria para ocupar a função de Milton Cruz nos dias de hoje, mas para gerenciar o futebol. Acho que será um passo para demitir Gustavo Oliveira. É uma boa reformulação que começa a ser feito no futebol do São Paulo. Pintado tem liderança, identificação com o clube, respeito da torcida e certamente poderá fazer um bom trabalho de choque no elenco.
Ainda sobre Milton Cruz, a política falou mas alto, mas com essa demissão, Luis Cunha ganha força e mostra que vai tentar mudar alguma coisa. Mas não pensem que, como alguns disseram, foi sem o consentimento do Leco. No São Paulo, o regime é presidencialista e ninguém faz nada sem que ele autorize. Portanto, creditem a Leco o mérito ou o erro desta demissão.
A vida segue e o São Paulo não depende de Milton Cruz. Eu agradeço seus ótimos serviços prestados e espero que ele tenha muita sorte por onde passar, mas seu ciclo no São Paulo, realmente, já havia terminado.