Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, o São Paulo venceu o Red Bull Brasil, no Morumbi, com um time misto. Mas isso importa muito pouco. Claro que a vitória era obrigatória. Afinal, seria vergonhoso acabarmos em segundo lugar num grupo em que estavam São Caetano, Ponte Preta e Santo André, todos de série B e C. E olha que quando tomamos o gol imaginei que essa vergonha viria. Mas viramos e o time cumpriu com sua obrigação.
Interessante ouvir a entrevista de André Jardine deixando claro que algumas opções da escalação já tiveram o dedo de Diego Aguirre. Foi o uruguaio quem pediu para poupar Rodrigo Caio, colocar Diego Souza por trás do Trellez e Nenê um pouco mais atrás ainda, assim como a alteração do segundo tempo, empurrando Diego Souza para a frente e dando liberdade para Nenê armar o time.
Mesmo não tivesse sido pedido de Aguirre, tenho convicção que Jardine caminharia mais ou menos nessa direção. A entrada de Liziero, por exemplo, é a cara de Jardine. Dorival nunca pensou em trazer esse garoto da base para a Barra Funda e durante a Copa São Paulo, não foram poucos os jornalistas – dentre os quais me incluo -e torcedores que detectaram que o garoto já estava pronto para vir para o profissional.
A entrada de Liziero deu conteúdo ao meio de campo, deixou leve e técnico, possibilitou a Nenê jogar mais avançado, pois havia um volante com boa saída de bola. Assim o São Paulo cresceu, virou o jogo e agora espera a definição de datas para saber quando joga contra o São Caetano. É certo que o primeiro jogo será no final de semana e o de volta no meio da próxima semana.
Quero, agora, reforçar o que disse no Jornal Tricolornaweb de ontem a respeito das ideias de Raí. Respeito a opinião de todos, mas é impossível cobrar de algum profissional, por mais capacitado que seja, que reconstrua em quatro meses o que gestões fizeram em dez anos. Desde 2008 o São Paulo está derretendo pelos seus próprios erros, de presidentes que pensaram mais em si e em seus próprios orgulhos do que na instituição. E junto no mesmo caldeirão Juvenal Juvêncio, Carlos Miguel Aidar e Leco, além da imensa maioria dos que passaram pela direção e conselheiros.
Deixamos de ganhar tudo no momento em que Juvenal, sob o argumento de que tinha que mudar a máquina envelhecida para trilhar novos caminhos, acabou com a comissão técnica permanente, permitindo que treinadores trouxessem seus homens de confiança.
O que Raí quer, quando fala em devolver a identidade ao São Paulo, é formar essa comissão, trazer um técnico que devolva ao São Paulo aquela forma de jogar de maneira técnica, ofensiva e eficiente, e, consequentemente, jogadores que possam cumprir esse papel. Talvez esteja aí a explicação de um contrato de apenas nove meses com Diego Aguirre. Não é possível atravessar os bois na frente do carro. Cada coisa ao seu tempo.
Perguntam-me se com isso eu quero dizer que abriremos mão de ganhar qualquer coisa esse ano. Claro que não. Mas, convenhamos, temos que ser otimista ao extremo para achar que chegaremos como favoritos nos campeonatos que estamos disputando e teremos pela frente.
Por isso, por entender que ninguém constrói em quatro meses o que destruíram em dez anos é que hipoteco minha confiança em Raí. Erros irão acontecer. Críticas serão feitas. Mas, no todo, confio na honestidade e no trabalho desse grupo. É só Leco não meter o bedelho, que as coisas tendem a dar certo.
Nota: apenas para informação, não fui ao Morumbi hoje. Não iria participar do enterro simbólico do Leco, mas aderi ao movimento Morumbi Zero.