Vitória fácil e obrigatória. Que bons ventos fluam no Morumbi

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, o São Paulo venceu o Red Bull Brasil, no Morumbi, com um time misto. Mas isso importa muito pouco. Claro que a vitória era obrigatória. Afinal, seria vergonhoso acabarmos em segundo lugar num grupo em que estavam São Caetano, Ponte Preta e Santo André, todos de série B e C. E olha que quando tomamos o gol imaginei que essa vergonha viria. Mas viramos e o time cumpriu com sua obrigação.

Interessante ouvir a entrevista de André Jardine deixando claro que algumas opções da escalação já tiveram o dedo de Diego Aguirre. Foi o uruguaio quem pediu para poupar Rodrigo Caio, colocar Diego Souza por trás do Trellez e Nenê um pouco mais atrás ainda, assim como a alteração do segundo tempo, empurrando Diego Souza para a frente e dando liberdade para Nenê armar o time.

Mesmo não tivesse sido pedido de Aguirre, tenho convicção que Jardine caminharia mais ou menos nessa direção. A entrada de Liziero, por exemplo, é a cara de Jardine. Dorival nunca pensou em trazer esse garoto da base para a Barra Funda e durante a Copa São Paulo, não foram poucos os jornalistas – dentre os quais me incluo -e torcedores que detectaram que o garoto já estava pronto para vir para o profissional.

A entrada de Liziero deu conteúdo ao meio de campo, deixou leve e técnico, possibilitou a Nenê jogar mais avançado, pois havia um volante com boa saída de bola. Assim o São Paulo cresceu, virou o jogo e agora espera a definição de datas para saber quando joga contra o São Caetano. É certo que o primeiro jogo será no final de semana e o de volta no meio da próxima semana.

Quero, agora, reforçar o que disse no Jornal Tricolornaweb de ontem a respeito das ideias de Raí. Respeito a opinião de todos, mas é impossível cobrar de algum profissional, por mais capacitado que seja, que reconstrua em quatro meses o que gestões fizeram em dez anos. Desde 2008 o São Paulo está derretendo pelos seus próprios erros, de presidentes que pensaram mais em si e em seus próprios orgulhos do que na instituição. E junto no mesmo caldeirão Juvenal Juvêncio, Carlos Miguel Aidar e Leco, além da imensa maioria dos que passaram pela direção e conselheiros.

Deixamos de ganhar tudo no momento em que Juvenal, sob o argumento de que tinha que mudar a máquina envelhecida para trilhar novos caminhos, acabou com a comissão técnica permanente, permitindo que treinadores trouxessem seus homens de confiança.

O que Raí quer, quando fala em devolver a identidade ao São Paulo, é formar essa comissão, trazer um técnico que devolva ao São Paulo aquela forma de jogar de maneira técnica, ofensiva e eficiente, e, consequentemente, jogadores que possam cumprir esse papel. Talvez esteja aí a explicação de um contrato de apenas nove meses com Diego Aguirre. Não é possível atravessar os bois na frente do carro. Cada coisa ao seu tempo.

Perguntam-me se com isso eu quero dizer que abriremos mão de ganhar qualquer coisa esse ano. Claro que não. Mas, convenhamos, temos que ser otimista ao extremo para achar que chegaremos como favoritos nos campeonatos que estamos disputando e teremos pela frente.

Por isso, por entender que ninguém constrói em quatro meses o que destruíram em dez anos é que hipoteco minha confiança em Raí. Erros irão acontecer. Críticas serão feitas. Mas, no todo, confio na honestidade e no trabalho desse grupo. É só Leco não meter o bedelho, que as coisas tendem a dar certo.

Nota: apenas para informação, não fui ao Morumbi hoje. Não iria participar do enterro simbólico do Leco, mas aderi ao movimento Morumbi Zero.

Derrota esperada atesta o óbvio: somos a quarta força do Estado

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, o que podemos falar de mais uma derrota em clássico do São Paulo, a não ser atestar que somos mesmo a quarta força do Estado? Já no comentário que escrevi no último domingo falava que dava com certa a derrota contra o Palmeiras, e que apenas o imponderável futebol clube poderia mudar a história. Mas como um dia a moeda caiu em pé e somos torcedores do time da fé, nada a se duvidar.

Pois o imponderável não prevaleceu, a moeda não caiu em pé e nós, como o previsto, perdemos. Aliás, tomamos um verdadeiro passeio no primeiro tempo. Por mais que o time tentasse marcar pressão a saída de bola do Palmeiras, o quadro era tão frágil que sequer incomodou a defesa verde, que saiu como quis para o jogo. Fez 2 a 0 e poderia ter feito mais, não fosse o goleiro Jean que apareceu muito bem em duas oportunidades.

Dorival ousou e trocou três no intervalo. Se pudesse trocar oito o faria, não tenho dúvida nenhuma. Talvez fosse difícil encontrar quem entrar, mas seria muito fácil escolher quem sair. No entanto, não posso tirar a culpa do treineiro pelo que vimos em campo.

Cueva ficou plantado do lado do campo. Claro, não jogou. Brenner ficou enfiado entre os beques. Claro, não recebeu bola. Marcos Guilherme ficou marcando as descidas de Vitor Luis. Claro, um a menos na frente. Valdivia, esse sim, se movimentou, mas não encontrou ninguém para jogar com ele. Na defesa, o circo dos horrores. Militão fez a pior partida de sua história; Rodrigo Caio perdeu todas, absolutamente todas, para Borja. Edimar, é aquilo que conhecemos. E Arboleda, que até tentou não comprometer no primeiro tempo, entrou na sintonia dos companheiros e foi uma verdadeira água no segundo.

As substituições de Dorival deixaram o São Paulo exposto. Mas ele segurou um pouco Shaylon, que fez papel de segundo volante, recuando Petros, e mandou o resto para a frente. Trellez até acertou o travessão. Mas isso foi tudo o que o São Paulo fez no jogo, pois por mais que tivesse melhorado no segundo tempo, não exigiu uma única defesa do goleiro do Palmeiras.

É impressionante o apequenamento do São Paulo. Assisto alguns jogos do Corinthians em Itaquera, do Palmeiras na Arena, e vejo os adversários dando um pouco mais de trabalho do que nós damos. O Mirassol perdeu na quarta-feira, mas o gol saiu na bacia das almas. O São Caetano ganhou dentro da Arena. E não me interessa se era time reserva ou não. Nós vamos com o titular e tomamos baile, seja em que Arena for.

Então esse ano foi assim: fomos em Itaquera, o Corinthians aproveitou da presença do público, fez pressão e ganhou do São Paulo. Jogamos na Arena Palestra, o Palmeiras aproveitou a presença do público, fez pressão e ganhou do São Paulo. Jogamos no Morumbi, prontos para aproveitar a presença de grande público e fazer pressão e perdemos do Santos. Repito: somos a quarta força do Estado. E só não estamos em pior situação porque a Portuguesa praticamente inexiste no mundo do futebol.

Estamos classificados para as quartas de final. Não por nossos méritos, mas porque nosso grupo é o mais fraco de todos. A Ponte foi mais incompetente ainda, empatou com o RBB e não pode mais nos alcançar. Mas podemos ficar em segundo. Para isso, basta não ganharmos domingo e o São Caetano vencer. Convenhamos, será uma vergonha.

Percebam que não ganhamos uma partida de times da série A este ano. Só estamos ganhando de times da série B para baixo. Por isso vitórias sobre o CSA, CRB, Linense e alguns outros. Já fico pensando o que nos reserva o Brasileiro.

Mas para Dorival está tudo bem. Afinal, perder clássicos não tem importância. Enquanto isso ele continua enganando a diretoria, Raí continua segurando o sujeito no cargo, Lugano e Leco se abraçam e apoiam e Ricardo Rocha fica uma voz solitária contra ele. Assim continuamos caminhando, de forma firme e sólida, rumo a mediocridade. Não com o sentido de “mediano”, mas o de grotesco e horroroso mesmo.

Vencemos no sufoco o lanterna. Mas vencemos.

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, foi um sufoco. Marcamos dois gols no apagar das luzes do primeiro e do segundo tempo. Mas vencemos e é o que interessa. Ou não é?

Bem, se formos pela exigência de Raí, quando assumiu a diretoria, de que o São Paulo teria que retomar sua identidade de jogar, a resposta é não. Se for pela teoria de “futebol é resultado”, então fomos bem, três pontos na tabela, nos afastamos bem daquela incômoda zona de rebaixamento do Paulista e encaminhamos a classificação para a próxima fase.

Ah, mas se jogar como hoje, vai tomar uma surra do Palmeiras na quinta-feira. Bem, será outro dia, outro jogo. Não me interessa pensar nisso agora.

Dorival manteve o time que colocou em campo contra o CRB e deu resultado. Um time mais leve, jogando com velocidade, com os laterais subindo várias vezes e passando para receber. Verdade que o jogo foi chato e o time jogou mal. Mas foi possível ver alguma coisa interessante. Até porque, numa dessas tentativas, Reinaldo tocou para Cueva, que devolveu com precisão e o lateral fez um golaço. O único senão fica para as costas de Reinaldo, pois hoje um atacante do Linense apareceu algumas vezes em condição de fazer a jogada pela linha de fundo. A cobertura, que deveria ser de um dos volantes, falhou.

No entanto teríamos que esperar um pouco mais de Cueva e o peruano teve uma atuação muito apagada. Foi decisivo no primeiro gol, fato -e ponto para ele -, mas tem que ser mais do que só uma jogada. Brenner, por exemplo, ficou perdido entre os zagueiros, não saiu para abrir espaço para alguém que viesse de trás penetrar, e as bolas que recebeu, por estar sozinho, eram perdidas. Marcos Guilherme fez o que faz sempre, corre muito, mas erra muitas jogadas.

Com esse quadro no segundo tempo inteiro, ficou claro que o gol só sairia se fosse de bola parada. Assim foi, no apagar das luzes, escanteio muito bem cobrado por Nenê e gol de Rodrigo Caio. Aliás, belíssima partida do zagueiro, que saiu várias vezes de trás com a bola dominada, chegou ao ataque, aparecendo como elemento surpresa. Ele tem técnica para isso e é uma jogada que pode ser bem explorada.

Outro jogador que quero destacar é Valdívia. Está retomando no São Paulo o futebol que jogava no Inter até se contundir. Assim como na partida contra o CRB, foi o melhor em campo e vai assegurando sua posição no time titular.

Agora é hora de virar a página e focar o clássico de quinta-feira. Dentro de todas as teorias possíveis e imagináveis, não há qualquer uma que indique, com um mínimo de lucidez, que iremos ganhar dentro da Arena. Mas como alguém já disse um dia, “futebol é uma caixinha de surpresas”. E… quem sabe essa surpresa não aparece e a moeda volta a cair em pé.

O time de Dorival ficou mais leve e ganhou

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, tenho sido nos últimos dias um crítico contundente do desempenho de Dorival Jr à frente do São Paulo. Time lento, sem conseguir um contra-ataque, sem marcação na saída de bola, com jogadas previsíveis. Isso tudo me fez pedir a demissão do técnico, depois da derrota para o Ituano, semana passada. Fiquei inconformado com a reunião de segunda-feira que culminou com sua permanência.

Mas vendo comentários no site, aqui e acolá, acordei para um detalhe: Dorival pediu jogadores de lado, de velocidade, pois só tinha Marcos Guilherme. Veio Valdívia, é verdade, mas vieram Nenê e Diego Souza, jogadores pesados e de meio.

Nem sei se Dorival foi forçado a escalar esses jogadores em todos esses jogos, mas o fato é que não era sua vontade. Agora, com a corda no pescoço, precisando ganhar ou ganhar do CRB para ter uma sobrevida no cargo, ele colocou os dois no banco e fez entrar Valdívia e Brenner, mantendo Marcos Guilherme e Cueva. O resultado foi óbvio: um time muito mais rápido, leve e jogadas fluindo.

Vamos combinar que tudo poderia ter sido muito mais fácil. O CRB, naturalmente, completamente fechado, e o São Paulo consegue um pênalti aos seis minutos. Mais uma vez Cueva desperdiça a cobrança, como houvera acontecido em Itu. O São Paulo ficou nitidamente incomodado e as jogadas não saíram. Eu já estava vendo a hora que as vaias dos pouco mais de oito mil torcedores começariam no Morumbi.

Mas foi nessa velocidade a que me referi que saiu o primeiro gol. Boa jogada de Brenner pelo lado do campo, a bola para o centro da área e o gol de Valdívia. Logo depois, um lançamento perfeito de Jean para Militão, ele arranca, toca para Cueva, o peruano dá dois toques na bola e coloca Militão na cara do goleiro para um golaço.

Isso pode maquiar a atuação ruim do São Paulo. Na realidade, houve mais velocidade, o time ficou mais leve, como já disse e repito, mas não significa que jogou bem. Fez os dois gols e se mantivesse o ritmo desses minutos dos gols, faria cinco, seis, chancelaria a classificação para a próxima fase. Teve até oportunidades para isso no segundo tempo, mas o excesso de preciosismo, do “toma, faz você”, fez com que a vitória fosse apenas por 2 a 0.

Partindo-se do princípio que a Copa do Brasil é o principal campeonato que temos nesses primeiros meses do ano, devo constatar que Diego Souza e Nenê viraram reservas. Não posso conceber que eles estivessem sendo poupados para jogar contra o Linense.

Ficou claro que o futebol flui mais com essa formação. Nenê vai ser muito útil ao São Paulo a partir de maio, quando Cueva for defender sua Seleção na Copa do Mundo. Diego Souza também pode fazer esse papel de meia. O que está mais do que claro é que ele não pode ser o 9 do time.

Aliás, ele ficou visivelmente irritado com a reserva, tanto que entrou no segundo tempo, mas com uma má vontade tão grande, que merecia ter sido sacado cinco minutos depois.

Ainda não me convenci que Dorival não é culpado pelo mau futebol do time. Ele é o treinador e, até onde eu sei, tem liberdade para escalar quem quiser. Pois que o faça direito e coloque esse time para jogar e ganhar os jogos.

Uma reunião para nada. Dorival continua. É bem a nossa cara

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, Dorival Junior continua à frente do São Paulo. Após treino nesta manhã e reunião com a diretoria, ficou estabelecido que ele permanece e que terá nova avaliação na quarta-feira, quando o Tricolor joga contra o CRB pela Copa do Brasil, no Morumbi.

Ontem à noite dei a informação da reunião e ponderei que, como percepção, tinha a quase certeza que sua demissão aconteceria no final desta manhã. Mas de repente o treino foi antecipado para as 9h, Dorival estava lá, à frente do elenco, e o clima parecia bem diferente. A percepção já dava conta de que tudo tinha mudado e que a reunião não serviria para absolutamente nada.

Diretoria presente, desde Leco até Lugano, passando por Raí e Ricardo Rocha. Alguma coisa teria que acontecer. Mas não aconteceu. Ou melhor, aconteceu sim: Dorival seguiu. E assim ficou mais uma vez estampada a inoperância desta diretoria. E agora também estou me referindo a Raí, Ricardo Rocha e até Lugano. Se não posso  – e não vou – culpá-los por tudo o que está acontecendo, já que estão a menos de três meses no cargo, não posso deixar de lamentar a falta de atitude em relação a um tema que, se não é unânime, é, no mínimo, vontade de 80% da torcida.

O consenso que temos é que Dorival está perdido, não tem o elenco nas mãos e não tem como continuar. Esperar para ver o que vai acontecer na quarta-feira é imprudência pura, pois um insucesso contra o CRB pode até causar a demissão de Dorival, mas vai, também, encerrar prematuramente nosso semestre e parte do nosso ano, pois nunca conseguimos levantar a Copa do Brasil e talvez fosse uma grande oportunidade.

Meus profundos sentimentos a Raí, Ricardo Rocha, Lugano e Leco. Acho que de vocês posso esperar muito pouco de agora em diante.

Mais um jogo sofrível, retrato do momento do São Paulo

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, lamentavelmente é mais um dia de jogo do São Paulo que não há o que comemorar. Ao contrário, é sofrer com a vergonha de um empate em 0 a 0 com a fraquíssima Ferroviária, dentro do Morumbi. Percebam que estamos percorrendo o mesmo caminho que trilhamos no Brasileiro do ano passado, perdendo aqui e acolá, empatando ou perdendo jogos fáceis dentro de casa, que nos fizeram sofrer muito para fugir do rebaixamento. Mas que almeja uma coisa, acaba conseguindo. E me parece ser esse o objetivo dos que continuam mandando no São Paulo.

Já na última quarta-feira fiz meu editorial pedindo o #ForaDorival. Não dá mais. Sou contra a demissão de técnico no meio do trabalho. Na coletiva deste domingo ele disse que não é possível entrosar um time em três meses. Mas ele já é técnico do São Paulo há sete meses e, mesmo quando teve Hernanes e Pratto, não conseguiu fazer o time jogar bem. Se ganhamos os jogos foi por pura inspiração de Hernanes, razão única de termos nos livrado da série B. Portanto, não foi a mão de Dorival.

O time continua não mostrando nada de interessante. Para piorar, as substituições que ele faz, que no mínimo deveriam melhorar o time, são erradas ou, quando não tão cruéis, são óbvias. Qual a razão de, no segundo tempo, continuar jogando com dois volantes e dois laterais que não atacam? A Ferroviária tinha um jogador que ficava adiantado e os outros 10 se defendendo.

Mas ele trocou um centro-avante por outro, um jogador de lado por outro e outro jogador de lado por outro. Tivesse tirado um dos volantes para colocar Nene, talvez não fosse possível a vitória, mas teríamos mais chance de alcançá-la. Então ele não muda o esquema durante o jogo, trocando seis por meia dúzia. Logo, chega de Dorival Jr.

E vou mais além: não acho o elenco do São Paulo tão ruim assim. O que não temos é um técnico que consiga trabalhar com esses jogadores e montar um bom time.

Pela informação que recebi por volta de 21h15, Dorival deverá ser demitido nesta segunda-feira, pela manhã. Uma reunião foi convocada por Raí com Ricardo Rocha e o próprio Dorival. Leco ainda não confirmou presença. Mas,  partindo-se do princípio que o trabalho dele seria avaliado neste jogo contra a Ferroviária, a resposta está dada.

Enquanto isso é mais uma segunda-feira que chega e nos é dada a pesada carga de ter encontrar explicações para algo que não tem explicação. Ou tem: acabou um ano, entrou outro, e nada, absolutamente nada mudou. Que o Brasileiro demore uma eternidade para chegar.

Mais uma derrota e a gota d’água: chega, Dorival. Não dá mais.

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, acho que a gota d’água caiu e transbordou o copo: não dá mais para Dorival Jr. Estou me contradizendo, pois não defendo demissão de técnico. Entendo que um time que quer ser campeão precisa começar o ano com um técnico que faça o planejamento, se entrose com a diretoria para analisar o elenco, as contratações e siga seu trabalho. Mas jó foram oito rodadas do Campeonato Paulista, duas da Copa do Brasil e o time tem sido um verdadeiro fiasco. Chegamos ao cúmulo de ocupar a décima posição no ranking geral do Campeonato Paulista, onde 16 times jogam.

O pior é que as desculpas que ouvimos de jogadores e comissão técnica são as mesmas do ano passado, quando perdíamos uma partida atrás da outra, vivíamos na zona de rebaixamento e só se ouvia “precisamos da torcida”, “não se pode perder jogo contra este time”, “as coisas vão mudar, “temos que trabalhar mais”, enfim, um monte de frases prontas que servem, no máximo, para cumprir o papel de não se sentir derrotado. Mas o São Paulo hoje é um clube derrotado.

O primeiro tempo foi, mais uma vez patético, pífio. Não jogamos absolutamente nada e só fomos para o intervalo perdendo por 1 a 0 porque o Ituano, também, é um time medíocre. Mas Nene, Diego Souza e Marcos Guilherme formaram um ataque de risos.

As mudanças de Dorival para o segundo tempo até foram razoáveis. Ao colocar Valdivia e Trellez no lugar de Diego e Nenê, o time ganhou mais velocidade e foi para cima. Encontrou o empate. Fez até por merecer a virada. Mas tomou o segundo gol. E de novo sentiu o golpe e não conseguiu reagir. A desorganização tática em campo predominou e vivemos na base do chutão para a área. E não fosse Cueva ter perdido o pênalti no último minuto de jogo, ainda sairíamos de Itu com um empate, no mínimo, injusto.

Aliás, Cueva precisa de um parágrafo só dele. Errou feio na jogada que originou o primeiro gol do Ituano, pois do seu passe errado nasceu o contra-ataque e saiu o gol. Fez um belo segundo tempo até marcar o gol de empate. No final, desperdiçou o pênalti que nos daria o empate. Foi do inferno ao céu e voltou ao inferno em 90 minutos.

Agora vamos falar de Dorival. Não dá mais. É hora de mudar já. Não me perguntem quem eu traria para o lugar, porque meu nome sempre foi o Cuca. Mas sei que ele não quer trabalhar antes da Copa, pois tem contrato assinado com uma emissora de TV e, também, que seu gênio e seu estado constantemente depressivo pode piorar ainda mais a situação do São Paulo. André Jardine carece de mais experiência. Mancini, já disse no Jornal Tricolornaweb algumas vezes, quero que passe muito longe do Morumbi. Outros nomes ainda são piores. Alguns aqui já falaram do Zé Ricardo. Viram o time dele lá na Bolívia? Conseguiu tomar de 4 e só se classificou graças ao goleiro, que pegou os pênaltis.

Infelizmente estamos num mato sem cachorro. Além do mais, podem trazer o Guardiolla, pois com esse elenco, onde o lateral direito é um volante/zagueiro improvisado, e assim por diante, ninguém vai fazer milagre algum.

A partir de agora, mesmo tendo sentido isso lá atrás mas não dando a necessária guarida ao fato, começo a ficar desesperado por ver chegando o Campeonato Brasileiro. Que Deus nos ajude, porque o presidente…esse não quer ajudar.

É um paradoxo: derrota no clássico foi injusta, mas a merecemos.

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, o São Paulo perdeu mais um clássico, dentro de casa. O resultado foi completamente injusto pelo que vimos em campo. Mas, por mais paradoxal que possa ser, merecemos a derrota, pois no futebol, como um dia alguém já disse, quem não faz, toma.

O primeiro tempo foi inteiramente dominado pelo São Paulo. O Santos não teve uma única chance, pois mesmo nos contra-ataques que apareceram ao time praiano, Arboleda e Bruno Alves, amparados por Jucilei, cortavam até com certa facilidade.

A bola do São Paulo, no entanto, continuou rolando de um lado para outro, sem profundidade. Algumas triangulações foram tentadas, mas desta vez não era contra a defesa do CSA ou do Bragantino. O buraco era mais embaixo. Mesmo assim, Wanderlei fez, no mínimo, duas defesas geniais, quase como dois gols para o Santos. Teve, acho – eu estava no estádio – um pênalti para o São Paulo. Provavelmente, houvesse árbitro de vídeo, teria dado. Mas isso não existe no Campeonato Paulista nem vai existir do Brasileiro, pois o presidente do meu clube “murou” e fugiu da reunião que decidiria o tema.

Comentei nas redes sociais, no intervalo do jogo, que a torcida teria que entender que o São Paulo só faria gol se tivesse uma jogada bem trabalhada, com perfeito entrosamento entre Nenê, Cueva, Diego Souza e Marcos Guilherme, porque pela própria característica de nossos jogadores de frente, contra-ataque não sairia. Em pelo menos duas oportunidades tivemos essa chance, mas a lentidão do time é escrachada e não será um Nene lançando para um Diego Souza que faremos gol à base da velocidade.

Veio o segundo tempo e eu esperava que o ritmo fosse igual. O gol sairia a qualquer momento, pois apesar dos pesares, o São Paulo não jogava mal, continuava dominando o jogo. Mas um contra-ataque do Santos fez a diferença. Sofremos o gol e o time entrou em verdadeiro parafuso. Me lembro o time de 2017, que até chegava a jogar bem, mas sofria um gol, sentia o abalo psicológico e não tinha poder de reação.

Para piorar as coisas, Dorival Jr entrou em ação: colocou Valdívia, o que era óbvio de se fazer, mas o fez errado. Ele ia entrar no lugar de Cueva. O detalhe é que Marcos Guilherme caiu e pediu substituição. Dorival então acenou para Valdivia mudando a substituição. Não contende, colocou Brenner no lugar de Cueva. Mas por que? O peruano era o mais lúcido dos jogadores de frente. Por que não tirar Petros, que além de ser um volante e estar sem ter a quem marcar, ainda fazia um segundo tempo medonho?

Completando a pataquada, colocou Trellez no lugar de Diego Souza quando, mais uma vez, o óbvio era tirar Petros. É fato que Diego Souza fez uma péssima partida, mas atuando do meio para a frente poderia crescer. Aliás, tivesse feito a coisa certa, colocando Brenner no lugar de Petros, colocaria Trellez  no lugar de Nene, esse sim visivelmente cansado, se arrastando no final da partida.

Tudo isso, no entanto, não quer dizer que se fizesse o certo o São Paulo viraria o placar. Brenner entrou muito mal, Trellez e limitadíssimo tecnicamente e Valdivia, cisca prá cá, cista prá lá, e não chuta, nem faz assistência, nem tem profundidade.

Somando-se tudo, o São Paulo se perdeu e saiu derrotado do clássico, merecidamente, por mais injusto que tenha sido o placar. E, de novo, peço desculpas pelo meu paradoxismo.

A torcida chamou Dorival de burro o segundo tempo todo. Confesso que eu também. Ele tem extrapolado no direito de substituir mal. Está insistindo com Diego Souza como centro-avante, quando o lógico, no esquema que ele implantou, é fazer o rodízio e jogar sem centro-avante. Mas parece que ele não consegue dar esse padrão ao time.

Então estamos numa sinuca de bico: ou ficamos com um técnico que não consegue fazer o time andar – e acho que temos um bom time no papel – ou demitimos e saímos atrás de um que…sei lá se vai saber fazer alguma coisa no time. Sinceramente hoje, no mercado brasileiro, só vejo um nome: André Jardine. Mas ele será “fritado” pela torcida toda no primeiro clássico que perder. Porque nós, são-paulinos, nos tornamos muito chatos. E acho que temos razão de ser assim, porque o saco de paciência estourou. Não aguento mais ter que engolir que somos a quarta força do Estado. Mas somos. E só não somos a quinta, porque a Portuguesa não existe mais.

Obrigado, meu presidente, por tudo isso que está acontecendo.

A vitória obrigatória veio, apesar de dois tempos opostos

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, a última coisa que passaria na cabeça de um torcedor, por mais pessimista que fosse, seria uma eliminação do São Paulo para o CSA, time que acaba de sair da Série C para disputar a Série B do Brasileiro. E o São Paulo fez valer seu favoritismo e venceu por 2 a 0. Mas foram dois tempos completamente opostos.

O primeiro tempo foi medonho. O time conseguiu passar 45 minutos dando um único chute a gol, com Militão, após boa assistência de Cueva, enquanto o CSA deu cinco chutes, obrigando, em um deles, a Sidão fazer boa defesa. Não houve triangulações, jogadas em profundidade, contra-ataques, a lentidão imperou, a sonolência também. Parecia que o time estava chegando de quatro noites de muito carnaval, todos absolutamente acabados em campo. Não se mostrou absolutamente nada e eu não consigo acreditar que Dorival Jr, por mais que possa ser criticado por alguns torcedores, não consiga dar um mínimo de padrão para esse time.

No segundo tempo tudo foi diferente. O São Paulo voltou aceso e logo a três minutos, numa belíssima triangulação entre Cueva, Marcos Guilherme e Nene, o primeiro gol. Isso abriu a defesa do CSA e obrigou o time alagoano a atacar.

As oportunidades começaram a surgir e, ainda que sem muito entrosamento entre os quatro da frente, algumas jogadas saíram. Ficou claro que Cueva é a mola propulsora do time, por mais que Nene tenha boa qualidade técnica.

Militão e Reinaldo mostraram que podemos vislumbrar um ano sem o abismo que estava a nossa frente em termos de laterais. Reinaldo vem provando que sua passagem por times de menor expressão lhe fez muito bem e as partidas que vem fazendo, de regular para boas, lhe darão a confiança necessária. Militão, que ainda tem uma grande deficiência ofensiva, vem melhorando jogo a jogo, arriscando algumas descidas e chegado bem à linha de fundo. Só precisa treinar mais o fundamento do chute, pois isso ainda lhe falta.

No meio Jucilei é um gigante e nesta noite teve Hudson como seu coadjuvante. Mas ele sobra em campo.

O importante é Dorival Junior conseguir dar entrosamento ao quarteto formado por Cueva, Nene, Marcos Guilherme e Diego Souza. Jogando em carrossel, sem posição fixa, com Diego Souza saindo da área para permitir as entradas de Cueva, Nene e até Marcos Guilherme, com os meias se revezando pelas beiradas do campo, entendo que começamos e desenhar um bom time. Lembrando que Valdivia também pode fazer parte dessa brincadeira.

Enfim, o time começa a se acertar. Mas será preciso vencer o clássico no domingo para a confiança da torcida começar a aumentar. É preciso lembrar que 2017 foi traumatizante e o torcedor são-paulino ainda sofre com essas recordações. Mas vamos em frente porque conseguimos a quarta vitória consecutiva.

Não vi só coisa ruim na vitória do São Paulo sobre o Braga

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, podem me chamar de louco, mas vi algo bastante interessante na vitória do São Paulo sobre o Bragantino nesta noite de quarta-feira, no Morumbi. Talvez pelo fato de estar no campo e ter uma visão melhor do que observando apenas pela TV, achei muito interessante a movimentação dos jogadores de ataque. Claro que estou falando do primeiro tempo, porque o segundo foi digno de raiva.

O gol tendo saído logo no início da partida deu tranquilidade ao time e possibilitou que fossem apresentadas algumas jogadas, certamente fruto de treinamentos. E aí dou méritos a Dorival Jr.

Jogando com dois meias – Cueva e Nenê – e apenas Marcos Guilherme aberto, com Diego Souza sendo o homem referência no meio de ataque, parecia que o time seria um quadrado. Mas não. Os quatro jogadores trocaram de posição o tempo todo. Muitas vezes o reforço vinha de trás com Reinaldo pela esquerda e Militão pela direita. Jucilei e Petros ficavam mais fixos, resguardando a defesa.

Marcos Guilherme caía pelos dois lados do campo, mas também entrou muitas vezes em diagonal, com lançamentos partindo de trás, principalmente feitos por Jucilei. Nenê, Diego Souza e Cueva não tinha lugar fixo. Faziam uma espécie de carrossel. Algumas vezes Cueva apareceu no lugar que seria, originalmente, de Diego Souza. Falta entrosamento, é verdade, mas ao menos consegui ver algo de interessante no time, o que não acontecia há muito tempo.

Já o segundo tempo foi o São Paulo que nos acostumamos a ver. O jogo não encaixou e fomos completamente dominados pelo Bragantino. Sidão fez duas defesas milagrosas, nos salvando da derrota. Marcos Guilherme começou a perder gols, pois o São Paulo viveu de contra-ataques e lançamentos de Jucilei. Então Dorival Jr começou a fazer bobagens.

Se ele tinha em mente tirar Nene, que não aguentaria o jogo todo, por que já não tirou quando colocou Brenner e manteve Cueva em campo? Se ele sabia que Nene não aguentaria o jogo todo, ainda que tivesse tirado o Cueva, por que não tirou Nene quando colocou Trellez e puxou Diego Souza para fazer a armação. Então completou o show de asneiras ao tirar Nene, que não aguentaria o jogo todo, para colocar Hudson.

Ficamos sem meia. Se a ideia era fechar o meio de campo com três volantes e ter dois jogadores rápidos pelas pontas para contra-ataques, era óbvio que não daria certo. Não tinha ninguém para fazer a ligação e Hudson não ajudou a fechar nada, porque o São Paulo tomou um verdadeiro sufoco do Bragantino até o último minuto.

Juro que meu limite de calma chegou ao fim e eu xinguei o Dorival. Eu, assim, como muitos torcedores que estavam presentes no Morumbi.

Valeu pela vitória e pelo primeiro tempo. O resto foi o nosso normal.