Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, os senhores puderam ler, nas matérias que produzi, o que foi a prestação de contas feita pela diretoria nesta terça-feira. Já me pronunciei no Jornal Tricolornaweb de ontem (15) – aliás, só abordei esse assunto – mas acho importante deixar consignado aqui, em editorial. E quero que entendam que não sou apaixonado por essa diretoria e há uma longa distância entre dar crédito a partir do que vi e ou vi e achar que é a melhor coisa do mundo. Aliás, preciso cumprimentar publicamente o novo diretor de Comunicação, Guilherme Palenzuela, pela realização do encontro, pois o São Paulo estava ficando muito escondido de sua torcida, com o muro gigantesco que levantado blindando diretores e jogadores.
É incontestável que a dívida vem sendo reduzida. O rombo estratosférico que Juvenal Juvêncio causo ao São Paulo, aprofundado, em parte, por Carlos Miguel Aidar, é o responsável direto pelos desmanches consecutivos no time e razão maior de não ganharmos nada há muitos anos.
O presidente Leco foi taxativo na reunião: “não vou empurrar com a barrida a dívida e passar para o meu sucessor. Já me falaram que prefeririam que eu deixasse uma dívida de R$ 1 bilhão, mas ganhasse um título. Mas eu vou no caminho exatamente contrário”.
Pela promessa de Elias Albarello, diretor Financeiro, até final de 2019 a dívida bancária estará zerada; o São Paulo, que ainda vai precisar vender jogadores este ano, não mais o fará ano que vem; o time que foi montado, se não é tido como favorito absoluto a qualquer título, no mínimo pode ser colocado no patamar de quem vai brigar por algo bom no Brasileiro. Logo, entendo que a opção foi correta, e quem esperou até agora para ter um time de altíssimo padrão, pode esperar mais um ano, contanto que o atual elenco não nos faça passar o desespero que passamos em 2017. Aliás, Leco disse que sofreu muito ao imaginar que poderia ser o primeiro presidente a cair com o time para a série B, mas depois disse não ver nenhum desdém se isso vier a ocorrer. Espera aí, cara pálida! Eu vejo, sim, todos os desdéns do mundo se formos rebaixados. Será vergonha histórica e uma mancha para sempre em nosso cartel.
Sobre as obras, não sou engenheiro nem tenho elementos técnicos para contestar a afirmação do diretor de Infraestrutura, Eduardo Monteiro, de que para cobrir o Morumbi é preciso refazer a fundação, algo impensável em termos de custo. E o que será feito – suporte para a usina solar, telões, televisões, prolongamento do andar térreo até a pista de atletismo e utilização do espaço do fosso para a colocação de banheiros químicos, troca da iluminação atual para lead – acho que vai modernizar bastante o nosso estádio. E lembro que 2/3 do Morumbi já são cobertos.
No futebol mantenho minha confiança em Raí, pois inegavelmente é um cara do meio e que conhece bastante. Cinco meses de trabalho dele como diretor de Futebol é muito pouco para uma avaliação derradeira. Nós, ultimamente, temos sido imediatistas e isso ajuda a colocar o time no padrão derrotista em que se encontra. Se perde três jogos seguidos já queremos a demissão do técnico, independentemente dele ter um mês ou um ano no cargo; um diretor assume e em cinco meses – depois de dez anos de erros sucessivos – já tem obrigação de apresentar um trabalho vitorioso, ganhando todos os títulos que disputou.
Estou contente com Diego Aguirre? Claro que não. Mas não vou aqui pregar a sua demissão, pois quanto mais se mexe, mais se estraga o trabalho. E dentro da diretoria – não vou citar nomes – há um consenso que André Jardine é o técnico do futuro. Quem sabe do início de 2019. Mas para ganhar esse status ele precisa se adaptar um pouco mais no trato e no controle de um grupo de jogadores profissionais, muitos deles tarimbados em seleções ou com carreiras internacionais.
O fato de dar crédito à diretoria não significa dizer que não vou cobrar. Ao contrário, anotei cada dado, cada promessa, e cada uma no seu tempo, do diretor responsável pelo setor e, obviamente, do presidente, será cobrada aqui no Tricolornaweb. Estamos atentos.