Sete anos do tri: Amoroso relembra título mundial e saída do São Paulo

Uma vitória por 1 a 0 contra um time inglês, com partida marcante de seu goleiro, que sacramentou o título mundial e libertou o grito após 12 anos sem conquistar o planeta. A sensação que os corintianos sentem nesta semana já foi vivida recentemente por outro grande clube da capital. Substitua Chelsea por Liverpool, Cássio por Rogério Ceni e 2012 por 2005 que o resultado final da equação será o São Paulo. Sete anos depois de levantar a taça no Japão, um personagem daquela campanha não esquece o feito.

Amoroso coloca faixa japonesa na cabeça ao lembrar do Mundial de Clubes de 2005 (Foto: Murilo Borges / Globoesporte.com)Amoroso coloca faixa japonesa na cabeça ao lembrar do Mundial (Foto: Murilo Borges / Globoesporte.com)

Atacante tricolor no Mundial de Clubes em 2005, Amoroso lembra com carinho do título mais importante de sua carreira. No bate-papo com o GLOBOESPORTE.COM, o ex-jogador de 38 anos – que viveu poucos, mas intensos meses com a camisa do São Paulo – usa uma conversa entre os jogadores naquela ocasião para demonstrar a importância da conquista.

– Foi algo inesquecível, porque o são-paulino quase não acreditava naquele título. Lembro que o grupo se reuniu e os jogadores falaram: essa pode ser a última chance de todos aqui. E quase foi. Tanto que, daquele time, os únicos que voltaram a disputar o título foram o Danilo e o Fábio Santos (reserva de Júnior em 2005), agora pelo Corinthians – afirma o ex-atacante.

Gerrard Liverpool Mundial 2005 (Foto: Getty Images)Gerrard: dono das bolas paradas e preocupação
tricolor antes do Mundial (Foto: Getty Images)

Tudo para parar os ingleses

A preparação são-paulina para o Mundial começou bem antes do encontro. Logo após a conquista da Libertadores da América, em julho, o time titular voltou a disputar o Campeonato Brasileiro com força máxima. Demorou a readquirir o bom futebol e até entrou algumas rodadas na zona de rebaixamento, mas aos poucos se reequilibrou e evitou o trauma.

A cabeça, porém, estava no Liverpool. Tanto que a rotina de treinos foi modificada para que o time não tivesse surpresas no provável encontro – já que ambos ainda teriam que passar pela semifinal.

– A preocupação era em não fazer falta perto da área. A bola parada do Liverpool era muito boa. Fizemos dois, três meses de treinamento só para parar com essa jogada. O (Paulo) Autuori deu folga para o elenco, para que todos retornassem com a cabeça já no Mundial. Nem tinha como pensar em Campeonato Brasileiro – lembra Amoroso.

Confusão antes e consagração depois

Já em terras japonesas, o clima de tranquilidade no São Paulo deu lugar a um princípio de encrenca. Os jogadores não teriam gostado da premiação estipulada pela diretoria e queriam mais. Os jornalistas noticiaram a possível crise, que não foi bem recebida pelo elenco. Tanto que, após a vitória por 3 a 2 sobre o Al Ittihad, pela semifinal, os jogadores se negaram a falar com a imprensa.

– Os membros da “imprensa corintiana” só queriam conturbar o ambiente. Não teve nada, nenhum momento, nenhuma briga. O Rogério era o capitão e negociava o prêmio com a diretoria. A gente só achava que outros deveriam representar o time também. Mas para mim não era dinheiro. Nada comprava aquele momento. O que me interessava era o título.

A discussão, se verdadeira ou não, fortaleceu o time naquela noite de 18 de dezembro. Para enfrentar um time que estava há meses sem sofrer gols, o São Paulo sabia que não poderia desperdiçar nenhuma chance. Os primeiros minutos foram para pegar confiança. Nisso, Amoroso foi fundamental. Foi dele o drible mais desconcertante da partida, na meia-lua, ao entortar o zagueiro finlandês Hyypia e chutar com perigo (reveja os melhores momentos daquela partida no box de vídeo ao lado).

Esse foi também o melhor momento de Amoroso na decisão. Bem marcado, o atacante assistiu a jogada do gol da vitória bem de perto. Fabão lançou para Aloísio, que dominou e emendou um passe longo para Mineiro. Nas costas da zaga, o volante só deslocou Reina com um chute rasteiro.

Vitória parcial, mas não garantida. Para que o título voltasse para a sala de troféus do Morumbi, um personagem teria que trabalhar muito. Com pelo menos quatro grandes defesas, Rogério Ceni confirmou o triunfo por 1 a 0, naquela que muitos apontam como a maior atuação do goleiro em sua carreira. Amoroso concorda.

– Foi o jogo da vida do Rogério, a maior atuação que eu vi ele ter. A maior de todas, sem dúvida. Aquela cabeçada do Luís Garcia, ainda no primeiro tempo, foi a defesa que mais me impressionou. Depois, a falta do Gerrard, que ficou marcada como a imagem do campeonato.

Rogério Ceni 2005 (Foto: Reuters)Ceni com a taça: goleiro foi eleito o melhor jogador do Mundial, tal qual Cássio em 2012 (Foto: Reuters)

O impasse que antecipou a despedida

O título mundial encerrou a passagem relâmpago do atacante pelo Morumbi. Não que essa fosse a vontade dele. Amoroso disse que procurou diversas vezes a diretoria para estender o seu vínculo por três anos, para que ele encerrasse a carreira pelo clube. Não foi atendido. Por isso, decidiu aceitar a oferta do Milan. Ele acredita que questões acima do futebol atrapalharam sua permanência.

– Meu foco era renovar. Não queria sair de jeito nenhum. Cheguei em junho, assinei um contrato curto e sem luvas. Só pedi para renovarem. Gostaria de ter ficado, mas não foi um problema financeiro, foi uma questão mais política. Algumas pessoas se incomodaram porque, em menos de seis meses, eu atingi um nível de idolatria da torcida parecido com o que o Rogério tinha. E alguns não gostaram.

A marca foi tão grande que Amoroso ficou sete anos sem vestir a camisa do São Paulo. Só a colocou durante a sessão de fotos para a reportagem. Ao vestir-se, lembrou até a promessa do tetra que havia feito na chegada ao Brasil. Tetra este que o torcedor tricolor espera ansiosamente até hoje.

 

Fonte: Globo Esporte

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