Sem dor, Rodrigo Caio vence etapas e já pensa na volta aos gramados

O ano de 2014 tinha tudo para ser o melhor da carreira de Rodrigo Caio. Titular do São Paulo, destaque da seleção brasileira de base, alvo de equipes da Europa. Mas tudo foi por água abaixo com a lesão sofrida no dia 2 de agosto, na partida contra o Criciúma, pelo Campeonato Brasileiro.

Em lance com o atacante Lucca, ele torceu o joelho esquerdo. Exames revelaram a ruptura do ligamento cruzado e uma lesão no menisco, com tempo de recuperação estimado em seis meses. Era fim de temporada para o camisa 7.

Com pouco mais de quatro meses, ele já sonha com o dia da volta. Não sente mais dor e vai vencendo etapa por etapa. Primeiro, fez a fisioterapia. Na sequência, passou para os exercícios dentro da piscina, sem impacto. Liberado, passou a fazer musculação, com aumento gradativo de repetições e pesos. Depois, esteira ergométrica. Na última segunda-feira, foi liberado para campo. Contato com a bola, no entanto, segue proibido.

Neste final de ano, o defensor estará em Dracena, sua cidade natal, onde continuará toda sua recuperação. Quer ficar à disposição de Muricy Ramalho o mais rápido. Principalmente por ser ano de Libertadores e pelo time estar embalado pelo bom papel mostrado no segundo semestre. E jogando como zagueiro.

Mosaico Rodrigo Caio São Paulo (Foto: Fotos: Site oficial do SPFC)Rodrigo Caio esperar estar à disposição do técnico Muricy Ramalho no mês de março (Foto: Site oficial do SPFC)

Antes de viajar, Rodrigo Caio concedeu entrevista:

GloboEsporte.com: Com quatro meses de recuperação, como se sente?
Rodrigo Caio:
Está tudo indo muito bem. Os fisioterapeutas estão muito satisfeitos. Eu também. Não sinto dor nenhuma, já comecei a treinar mais forte. Comecei a correr no campo nessa semana. Acredito que o quanto antes estarei bem e pronto para ajudar o São Paulo.

Como foi lidar com a notícia de que ficaria tanto tempo parado?
A cabeça pira no início. Quando o fisioterapeuta me chamou no CT e avisou da ruptura do ligamento cruzado, o mundo desabou. O primeiro momento é de tristeza grande, você se pergunta a razão de isso ter acontecido de novo. Mas logo você tem de sacudir, passar a pensar na recuperação e, principalmente, saber que será um período longo pela frente. O carinho dos amigos, familiares, fãs pelas redes sociais, ajudou muito. O Muricy e meus companheiros sempre passavam pelo Reffis para perguntar como estava. Isso motiva.

Como foi o início da recuperação?
No início, você é dependente para tudo. Meus pais vieram para São Paulo e ficaram comigo enquanto usei muletas. Comida de mãe ajuda, né? Ela e meu pai me levavam para o box, minha mãe me dava banho. Quando machuquei, a tristeza maior foi deles. Apesar de ter machucado, eu é que cuidei deles nesse aspecto, principalmente porque não havia sido a primeira lesão. (em 2007, ele sofreu fratura da patela do joelho direito e ficou 10 meses parado).

A lesão veio no melhor momento da sua carreira?
É o que mais me deixa triste. Vinha jogando bem no São Paulo, tinha acabado de voltar do torneio de Toulon com a seleção brasileira e havia sido eleito o melhor jogador. A lesão surgiu em uma jogada que estou cansado de fazer e nunca tive problema. O elenco do São Paulo é muito qualificado e, quando voltar, terei de lutar muito para recuperar meu espaço. Mas vou me preparar para isso.

Você lutou para ajudar o time a crescer e, na hora do embalo, no segundo semestre, ficou fora. Como foi lidar com isso?
Não é legal, né? Você fica triste de não poder jogar quando a equipe cresceu. Mas, por outro lado, fica feliz de ver o São Paulo tendo evoluído e voltado a brigar.

O que representou para você jogar ao lado do Kaká?
Infelizmente, só pude atuar na estreia dele, contra o Goiás. Depois me machuquei. Mas ele é um cara fantástico, acrescentou demais ao time. Fiquei triste por ter tido tão pouco tempo de convivência em campo. Sempre foi um dos meus ídolos. Importante que aprendi demais.

Em que posição vai jogar no ano que vem? Zagueiro ou volante?
Quero estar à disposição para jogar sempre. Falo sempre que gosto de jogar como zagueiro, posição na qual jogava na base. Muitos falam que sou melhor como volante, mas é na zaga onde me sinto confortável. Posso jogar nos dois lados ou de líbero, já atuei nessas posições na base. Estarei de volta em fevereiro ou março e vou voltar para buscar meu espaço.

Nesse momento em que as etapas são vencidas, a ansiedade atrapalha?
Demais. O fisioterapeuta avisou que, quando chega quatro ou cinco meses de recuperação e a dor some, você quer voltar. É normal estar bem e não ter dores. Mas é preciso ter consciência, saber que o joelho ainda não está pronto. Às vezes, é melhor esperar um mês a mais para ter uma carreira mais longa. Não vale à pena pular etapas. Independente de ser fevereiro, março ou abril, só volto quando estiver 100%. A vontade de chutar uma bola é enorme, mas ainda não posso. Tenho de me segurar.

O que esperar do São Paulo em 2015?
Acredito muito no sucesso da nossa equipe. O ano de 2013 foi muito conturbado, em 2014 muita coisa mudou e o time cresceu de rendimento, se firmou. Temos um elenco muito qualificado e não tenho dúvidas de que vamos brigar por títulos em 2015. Espero ter muitas alegrias.

Fonte: Globo Esporte

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