São Paulo dá trégua na base até fim do ano, mas pede ‘solução legal’

O São Paulo se comprometeu a apenas observar a movimentação nas categorias de base até o fim deste ano. Em carta enviada à Federação Paulista de Futebol para depois ser repassada aos clubes, o presidente Juvenal Juvêncio adotou postura mais conciliadora após as acusações de muitos dirigentes de que o Tricolor assediava e tirava garotos ainda sem contrato de outras equipes.

Porém, o documento não representa exatamente um recuo. Pessoas do São Paulo, inclusive, se irritaram ao lerem que o clube havia se comprometido a não adotar mais esse procedimento. Em reunião realizada em outubro, na sede da FPF, por conta da ameaça de outros clubes de boicotarem a Copa São Paulo de Juniores, o Tricolor se manifestou. Disse que estava aberto a conversas para encontrarem uma solução legal para as negociações nas categorias de base.

Na visão do São Paulo, o documento assinado pelos outros dirigentes sob orientação da Abex (Associação Brasileira dos Executivos de Futebol), que estabelece regras a serem seguidas nas relações de base, não tem legitimidade. O time do Morumbi, por sinal, não assinou.
– É uma associação de executivos, que inclusive pode ter divergências com os clubes. O São Paulo demonstrou boa vontade de conversar e tentar encontrar uma saída legal, se ela existir. Mas criar uma associação que proíba jogadores de mudarem de clube é ilegal, pode gerar consequências no âmbito penal, e não vamos aceitar – disse o advogado Carlos Eduardo Ambiel, que representou o clube na reunião da FPF.

Antes, o Tricolor havia assinado um código de conduta. Porém, quem representou o clube nesse documento foi o ex-coordenador René Simões, que após ser demitido do São Paulo, passou a ser acusado pela diretoria de arquitetar a revolta de outros dirigentes e estimular o boicote ao antigo empregador.

Segundo Ambiel, esse código também não estabelece regras. Trata de temas genéricos, como o aumento da idade limite da Copa São Paulo de 18 para 20 anos, e a necessidade de férias no meio do ano para os garotos.

Outro ponto que o São Paulo pretende observar é o compromisso de alguns dirigentes em conseguirem, até o fim do ano, o Certificado de Clube Formador, concedido pela CBF. O documento atesta que os clubes têm condições ideais para formarem um atleta em suas categorias de base. Os grandes do Rio de Janeiro, por exemplo, ainda não possuem. Em São Paulo, os principais clubes têm.
O Certificado é concedido pelas federações locais, que devem observar uma cartilha elaborada pela CBF. Ele garante, por exemplo, que se jogadores até 16 anos saírem de um clube após o período de um ano, ele deve ser indenizado, inclusive em transferências futuras. Mas o documento também não protege totalmente uma equipe de ver seus atletas migrarem.

– Se no décimo mês de clube o jogador resolver ir embora, se eu não tive competência para fazê-lo querer ficar, ele vai. O Lucas Evangelista se formou no São Paulo, foi para o Desportivo Brasil, e tivemos de comprá-lo para ele voltar – afirmou Ambiel.

A polêmica mais recente que envolve o São Paulo diz respeito a Lucão, goleiro de 15 anos que era da Ponte Preta e se mudou para o Morumbi. O time de Campinas se irritou muito, e se juntou a outros combatentes como Vitória e Atlético-MG. Ninguém acusa a transferência de ser ilegal, mas reclamam falta de ética do Tricolor, que rebate.

– Não reconhecemos irregularidade alguma no que fizemos. No ano passado o São Paulo contratou 14 jogadores e pagou. Inclusive um que havia saído do clube, e não ficamos chiando. Não estamos nos comprometendo a não fazer mais nada, queremos é conversar e achar uma saída.

 

Fonte: Globo Esporte

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