Processo movido contra o Tricolor na Web abre mais dúvidas sobre Cotia

O editor do Tricolor na Web, jornalista Paulo Pontes (MTB 16.441) está sendo alvo de processo movido no Fórum de Cotia,  por José Geraldo de Oliveira, gerente do CT de Cotia, e Antonio Carlos da Silva, empresário que convive em Cotia, por conta da coluna “Alguém me disse” publicada em maio deste ano, falando sobre o que andava acontecendo no CFA Laudo Natel.

A audiência de conciliação foi realizada nesta quarta-feira, mas Paulo Pontes deixou claro que não haverá retratação e que não recua um milímetro de tudo o que foi publicado. Por isso a juíza que preside o inquérito, Simone Rodrigues Valle, encerrou a sessão e comunicou ao advogado dos impetrantes da ação que ela será enviada ao Jecrim, que é o Juizado Especial Criminal, que julga pequenas causas.

Até agora não divulgamos nada sobre esta ação, pois era necessário esperarmos a primeira audiência. Já realizada, o processo se torna público e, então, podemos falar sobre ele.

Na acusação que foi feita por José Geraldo de Oliveira e Antonio Carlos da Silva, eles alegam que Paulo Pontes cometeu crimes de calúnia e difamação ao afirmar que o clima no CT de Cotia era muito ruim e que Renê Simões não ficaria até o final do ano, pois, profissional sério, não compactua com o que ali é feito e teria problemas com Geraldo. Como todos sabem, Renê Simões saiu do São Paulo exatamente por bater Geraldo e não aceitar as coisas como elas são.

Diversos órgãos de imprensa (Uol, Globo Esporte, Folha de São Paulo, Terra, blogs) trouxeram o assunto à tona e cobraram explicações da diretoria.

O conselheiro Tércio Molica apresentou um requerimento na reunião do Conselho Deliberativo do São Paulo FC pedindo que fossem abertas as investigações, haja visto que “essas denúncis, em especial sobre o funcionário do CT de Cotia, já são nossas conhecidas, pelo menos da grande maioria dos conselheiros, porém, delas só se falava, ninguém ainda havia escrito. Agora estão escritas e para nossa vergonha publicadas. Elas têm nomes e endereço. Não podem mais serem ignoradas.”

Este requerimento foi indeferido pelo presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo, José Carlos Ferreira Alves, que é desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo. Alves alegou que havia uma ação judicial movida contra o editor do Tricolor na Web e que então o lógico seria esperar o assunto correr na esfera judicial para saber o resultado.

Estranho, não acham? Se os conselheiros sabiam o que se passava lá antes mesmo do Tricolor na Web ter publicado, por que nada foi feito? Pior, a partir da publicação e do requerimento do conselheiro Molica, por que nada continuou sendo feito? E tudo o que estamos falando está baseada na documentação apresentada pelos acusadores, na peça processual.

Depois das denúncias do Tricolor na Web, o portal Terra trouxe uma matéria que mostra a contratação de 14 garotos para a base. Um deles, Evangelista, tratado como o novo Lucas, jogou no próprio São Paulo até a categoria Sub-15, saiu, foi para Desportivo Brasil, e agora voltou à base são-paulina por empréstimo até 2014, com preço do passe fixado. Ou seja, demos de graça e pagamos para voltar. Foi isso mesmo o que entendemos da matéria?

CONTRATO ESTRANHO

Quanto à participação de Antonio Carlos Silva, que seria um empresário trabalhando em Cotia, os processantes juntaram um contrato que seria o que legalizaria sua atuação no CT como olheiro do Tricolor.

O problema é que o contrato foi feito com a empresa Silva Nishimori Promoção e Eventos Esportivos S/C Ltda. com sede em Cotia, na rua Iraque, 66, Jardim da Glóbira, representada pela sócia Sonia Emiko Nishimori Silva, comerciante. Em nenhum momento aparece o nome de Antonio Carlos Silva, ou o CNPJ da empresa, mas sim o CPF da “sócia”. Ora, se um contrato é feito com uma empresa, o que vale é o CNPJ e não o CPF. Certo?

O objetivo do contrato é a consultoria e assessoria esportiva pela contratada para os jovens atletas de futebol no CFA de Cotia. Mas uma comerciante pode prestar esse tipo de consultoria? Aliás, o que é consultoria esportiva? É ajudar a escolher a chuteira? É apresentar todos os tipos de esportes com bola ou não?

Para essa assessoria, o São Paulo FC paga R$ 20 mil mensais. Mas através de que tipo de nota é feito o pagamento, pois o contrato foi feito com CPF, e não CNPJ?

Nós fizemos um levantamento na Junta Comercial do Estado de São Paulo, no cartório adequado de Cotia, na Prefeitura de Cotia e, pasmem! Essa empresa SILVA NISHIMORI PROMOÇÃO E EVENTOS ESPORTIVO S/C LTDA não existe. Temos um documento da Prefeitura de Cotia  dizendo que a única empresa que existe similar a este nome é Silva Nishimori Promoção e Eventos Esportivos SS Ltda. Portanto não existe a SC, mas sim a SS. Como pode constar no contrato um nome e na Prefeitura outro nome? A quem está sendo pago este valor de R$ 20 mil mensalmente?

O contrato está assinado sem o reconhecimento de firmas dos responsáveis pelo São Paulo. E assinaram o contrato o presidente Juvenal Juvêncio, o diretor Financeiro, Osvaldo Vieira de Abreu, o diretor Jurídico Kalil Rocha Abdalla, o vice-presidente Ricardo Haddad e o diretor de Futebol da Base, Marcos Tadeu Novaes dos Santos. A única assinatura que está reconhecida é de Sôjnia Emiko Nishimura Silva. E não há testemunhas no referido contrato. Pode isso?

Outro detalhe. O contrato está em vigor há mais de um ano. Então sobram perguntas da nossa parte:

Será que foi feito registro em algum Cartório de Notas, para dar publicidade a todos os são-paulinos do que está sendo feito em Cotia?

Foi feita alguma pesquisa para saber a qualificação da comerciante que assina o contrato e qual seu conhecimento para prestar assessoria esportiva ao São Paulo?

Quais os trabalhos efetuados por esta empresa até o momento?

A diretoria sabia que estava assinando um contrato com uma SC que, na realidade, é SS?

A empresa apresentou o contrato social para formulação do compromisso com o São Paulo?

Quais os trabalhos que esta empresa executou até agora e que retorno trouxe para o São Paulo.

Talvez se a diretoria do São Paulo der estas respostas nós possamos passar a entender a real função de Antonio Carlos da Silva e o porquê de sua circulação pelo CT de Cotia, de forma livre e solta, apesar de seu nomem nenhum momento aparecer neste contrato.

Então, amigos são-paulinos, leitores do Tricolor na Web, isso tudo é só um pouco do que temos do CT de Cotia. Na realidade nem é nada novo, a não ser este contrato. Mas foi anexado aos autos do processo e, portanto, nos causou um certo espanto e dúvida. Por isso todas as perguntas.

Nós continuaremos informando o andamento deste processo contra  nosso editor, Paulo Pontes. E, claro, se novidades surgirem, não deixaremos de trazê-las a público. Afinal, a nós, o que mais interessa é o São Paulo FC, que está acima, e muito acima, de quem o dirige.

11 comentários em “Processo movido contra o Tricolor na Web abre mais dúvidas sobre Cotia

  1. É estranho alguém que conhece o São Paulo chamar o Sr. Antonio Carlos da Silva de empresário, ele foi jogador do São Paulo nos anos 70 e é colaborador do São Paulo à muito tempo, revelou muitos jogadores para o São Paulo, como o expressinho todo, trabalhou no futebol japonês, disputou diversas Taças São Paulo como Tec. do São Paulo… e muito mais, é preciso conhecer a história para emitir uma opinião.
    Na categoria de base ele é uma das pessoas que tem o nome mais forte, se você perguntar que é o Silva do São paulo, todo mundo conhece, então, é preciso ter respeito.
    Tudo vai ser esclarecido na hora certa.

    • O Tricolor na Web, como um site responsável e tendo seu editor devidamente identificado, é um site democrático. Repito: aqui sim há democracia. Seja bem vindo ao debate. E tenha certeza que nós, mais do que ninguém, queremos tudo devidamente esclarecido.

  2. Sou torcedora apaixonada e vivo no interior, infelizmente, aqui ficamos um tanto afastados dessas questoes, ouvimos, lemos, mas nao sabemos como podemos protestar e ajudar a fiscalizar isso…entao fico grata e apoio quem o faz pelo bem do Tricolor q tanto amamos e da nossa categoria de base q é nosso grande orgulho. Espero q continuem nessa luta pelo bem do clube, q sabemos é complicada e nos mantenham informados por gentileza!

  3. caro amigo , e bom saber que alguem esta desmoranando o paredao , fui amador e profissional do Sao paulo nas decadas de 70 e 80 ,fui um dos muitos atletas que estava no dia da inauguracao da escola de futebol Laudo Natel , voltei atrabalhar em 98 como treinador de goleiro , sou SAO PAULINO , tudo que tenho devo a formacao que tive no SAO PAULO FUTEBOL CLUBE, hoje em dia me vejo constrangido de ir ao ct de cotia , tenho medo de ser barrado na portaria do clube que mais amo ,

  4. Paulo, leio o Tricolor na Web todos os dias e também quero aclaradas todas estas questões que envolvem Cotia. Mas, como advogado, e, pelo o que vc colocou na notícia acima, posso te dizer que “SC”, de “Sociedade Civil” é um tipo societário que não existe mais após o Código Civil de 2002, passando a se chamar “Sociedade Simples”, cuja abreviação que deve constar na razão social é “SS”. Aliás, hoje já não deveriam existir mais “SCs” por aí, tendo em vista que se trata de uma atualização necessária por força de lei. Neste ponto (específico), portanto, acredito que sua colocação seja equivocada.

    Abraço, Elias

    • Elias, agradeço seu esclarecimento sobre SC e SS. Mas o fato é que o contrato tem um ano e está com SC. Essa resposta, que você nos deu, deveria ter sido dada pela diretoria, pois são questões que estou levantando. Respondida esta, faltam outras muitas ainda. Continuarei aguardando porque “Quem pergunta quer resposta”.

  5. PP, a torcida tricolor está ao seu lado. A ideia do Marcus é ótima. Vamos divulgar em todas as redes sociais para mostrar o que este velho asqueroso está fazendo com o CT de Cotia e com todo o São Paulo. Nós que amamos o São Paulo não podemos ficar quietos e temos que iniciar o verdadeiro movimento de dignidade já no Tricolor.

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