Pato Branco: a nova capital do duelo entre Corinthians e São Paulo

Poderia ser Rogério Pato, mas no início ele preferiu ser apenas Rogério. Depois, ao longo da carreira e, principalmente com o título em Yokohama (JAP), em 2005, o goleiro acabou sendo conhecido mundialmente também por seu sobrenome: Ceni. Sim, Alexandre Pato não é único jogador de destaque no futebol que a cidade de Pato Branco, a 433 quilômetros de Curitiba (PR), formou. E nem o único campeão mundial de clubes.

O goleiro do São Paulo nasceu no mesmo município, às 22h30 do dia 22 de janeiro de 1973. Filho caçula do casal Eurydes e Hertha, mudou-se para a capital em 1984, aos 11 anos. Antes, aos oito, iniciou sua trajetória no futebol. Cheio de qualidades desde criança, era a aposta do ex-jogador Pernambuco, famoso na cidade por ter atuado no clube municipal, para ser um grande pivô de fustal. Foi quase isso…

– Ele era bom de bola. Eu formava times por idade no Grêmio Industrial e ele era um dos que se destacavam muito – garante o ex-zagueiro Luiz Francisco Silva, conhecido pelo nome do estado em que nasceu.

A história depois disso, todo mundo sabe. Aos 12, Rogério se mudou para o interior do Mato Grosso, na cidade de Sinop, a 500 quilômetros da capital Cuiabá. Por lá, foi jogador de vôlei e, depois, virou terceiro goleiro do clube da capital – já em 1990, aos 17 anos. Titular e reserva se machucaram, ele entrou, defendeu pênalti em sua estreia e, no fim daquele ano, terminaria como campeão estadual. Um teste no São Paulo mudaria sua vida, tricolor até hoje.

Assim como Alexandre Pato, foi também no Grêmio Industrial Pato-branquense que o jogador teve suas primeiras experiências com a bola. O pai, torcedor do Internacional de Porto Alegre, sonhava com que o filho se tornasse um jogador e, no futuro, defendesse as cores coloradas. Fato que nunca aconteceu. Maior ídolo do clube paulista, o goleiro nunca deixou o Tricolor, onde deve se aposentar em dezembro de 2013.

Curiosamente foi Pato quem traçou o caminho sonhado pelo pai de Ceni, ao jogar pelo Internacional e ser campeão do mundo, em 2006.

– Eu atribuo a forma de Rogério sair jogando, o seu estilo de sair bem com pé, ao futebol de salão. Não que eu tenha feito ele fazer isso, mas a qualidade veio dali. Ele jogava na frente, era pivô. Esse estilo de hoje é o mesmo dele quando criança. Ele só foi crescendo – afirma o antigo professor, sobre o jogador de 39 anos.

Se tudo começou ali, os são-paulinos são gratos a Pato Branco.

Boato de visita de Ceni gera expectativa

– Rogério Ceni chega em Pato Branco na manhã do dia 30.

No fim da tarde de sábado, um funcionário do aeroporto da cidade, que não opera voos comerciais, comentou com amigos que o goleiro chegaria a bordo de um jatinho para passar a virada do ano em uma chácara com seus parentes. Com o pai natural de Chopinzinho, cidade próxima dali, Ceni ainda tem alguns familiares na região.

A reportagem do LANCE!Net, por estar na cidade, entrou em contato com o seu assessor pessoal, que negou a informação. Ceni passará o Réveillon nos Estados Unidos com esposa e filhas, como faz costumeiramente. Antes, questionado se tinha informação sobre essa possibilidade, Pernambuco vibrou com a chance de vê-lo novamente, em sua cidade. Ontem, lamentou a o engano.

LANCE!Net: Você foi o primeiro técnico de Ceni? É a você que o são-paulino deve agradecer pelo início de tudo?
Luiz Francisco Silva: (Risos) Não me considero o primeiro técnico. Parei de jogar e formei a escolinha, apenas isso. Depois o Grêmio Industrial Pato-branquense (GIP) cresceu muito. E surgiram Pato e outros também, como Lavardinha, que mora aqui e já foi convocado para a Seleção de futsal. Todos de Pato Branco.

L!Net: É verdade que algumas pessoas da cidade têm mágoa de Rogério por muito se falar de Sinop sobre o seu início e pouco de Pato Branco?
LFS: Não, vamos esclarecer. Algumas pessoas não simpatizam porque ele não fala muito que é de Pato Branco, só de Mato Grosso. Ele peca um pouquinho quando não diz que nasceu aqui, mas tem documentos que provam que ele é daqui. E ele não nega.

L!Net: As pessoas gostam de Alexandre usar o nome da cidade…
LFS: Gostam muito. Ele é o único cara famoso que usa o nome da cidade, foi um apelido que deram lá no Internacional. Mais ninguém é conhecido por Pato, que eu saiba…

L!Net: Ceni costuma vir a Pato Branco?
LFS: Quando morreu a mãe, ele veio em Chopinzinho (PR), a uns 40km. Estava fora do país, mas veio.
Nota da redação: a mãe de Ceni, Hertha, morreu em agosto de 1993. Ele disputava o Torneio Tereza Herrera, na Espanha, com o São Paulo.

L!Net: Você diz que Ceni era um bom pivô na infância. Como o vê hoje?
LFS: Eu apostava que ia ser bom jogador, mas não sabia que ia mudar de posição e se destacar assim. Tem goleiro que não tem habilidade com o pé, mas vejo os lançamentos que ele dá, a bola parada, é difícil ele errar um passe… Isso vem do talento de criança.
Fonte: Lance

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