Inimigos, Palmeiras e São Paulo tentam romper também com má fase

Hoje com a camisa tricolor, Alan Kardec poderia ser só mais um jogador em campo noPacaembu, mas é o pivô do ressurgimento de uma rivalidade histórica. Por conta do atacante, o quase centenário Palmeiras reativou a inimizade com a diretoria do São Paulo e, às 16 horas (de Brasília) deste domingo, os times tentam se desfazer em campo do que, por enquanto, ainda os une: a má fase.

Se o São Paulo acumula frustrações e vem de vexatória eliminação para o Bragantino na Copado Brasil, o Palmeiras não vence há oito rodadas no Brasileiro e está a um ponto da zona de rebaixamento. Mas a provável presença da bandeira celebrando a Arrancada Heroica nas arquibancadas verdes do Pacaembu e os gritos contra Alan Kardec vindos de quase todos os setores marcarão o Choque-Rei.

Em 1942, o Palmeiras deixava de ser Palestra em meio à perseguição a italianos durante a Segunda Guerra Mundial, reclamava por ser alvo de pressão são-paulina e foi campeão paulista em seu primeiro jogo com o novo nome diante dos tricolores, no episódio conhecido como Arrancada Heroica. Após 72 anos, Paulo Nobre, presidente do Verdão, reativou a rispidez no trato com os rivais ao trocar ofensas publicamente com Carlos Miguel Aidar, mandatário do Morumbi, por conta de Alan Kardec.

Será o primeiro clássico entre ambos desde o episódio, e o Palmeiras tem que pensar mais no presente para não passar vergonha em futuro próximo. Em cinco rodadas no Brasileiro, Ricardo Gareca só somou um ponto, exatamente a distância para a zona de rebaixamento, e já está sob pressão, mesmo tendo estreado há pouco mais de um mês.

“Tenho esperanças de que o Palmeiras vai melhorar e conseguir coisas importantes no futuro, mas não tem como pensar em título, Libertadores ou qualquer outra coisa. Temos que pensar em ganhar já”, falou, sincero e, ao mesmo tempo, esperançoso para o seu terceiro clássico no clube – já perdeu para Santos e Corinthians, mas ambos na condição de visitante.

Divulgação

Após viajar por Emirados Árabes Unidos e Disney, Valdivia volta a jogar (Cesar Greco/Ag Palmeiras)

“O que me anima é que o Palmeiras sempre deixa coisas boas e tenho fé de que vai melhorar. Temos todas as possibilidades de conseguir um bom resultado neste domingo. Queremos dar alegria à torcida e seria bom começar em um clássico. O time tem potencial para pensar assim”, apostou.

 

Para comprovar o potencial que vê no elenco, o técnico mexe no time. Promove a volta de Wendel, que estava suspenso, e saca os criticados Wesley e Leandro para escalar Marcelo Oliveira e Mouche e, principalmente, colocará Valdivia, que retorna após passar quase um mês viajando para Emirados Árabes Unidos e Disney imaginando que estaria fora do clube.

A confiança de Gareca se baseia só no Verdão, sem empolgação com o recente vexame tricolor. “O São Paulo é um grande time. A eliminação não tem nada a ver, a segunda divisão é tão difícil quanto a primeira e, na Argentina, times de segunda também eliminam os de primeira. Por isso, não me surpreendi. Vai ser muito difícil jogar contra o São Paulo no domingo, do mesmo jeito”, garantiu.

Quinto colocado (três pontos abaixo do G-4), mas não menos cobrado – principalmente após a queda para o Bragantino na Copa do Brasil -, o São Paulo tem desafiado a paciência da torcida e da própria diretoria. O presidente Carlos Miguel Aidar criticou publicamente o desempenho do “elenco valioso” que o técnico Muricy Ramalho tem à disposição, mas prometeu dar mais tempo ao time para se estabilizar. Prometeu também comparecer ao Pacaembu, apesar da desavença com Paulo Nobre por conta de Kardec.

“Eu até já me penitenciei (por aquilo que foi falado), não tenho nada contra o Paulo Nobre. Torço pelo sucesso dele. Se ele for candidato à reeleição (presidencial do Palmeiras), se eu pudesse votar nele, votaria. Mas não sou conselheiro nem sócio do Palmeiras, então não vou fazer isso”, disse, sorrindo, na quinta-feira, quando tirou sarro do “lugarzinho pequenininho” que é reservado ao visitante no estádio municipal.

Djalma Vassão/Gazeta Press

Kaká foi poupado na vexatória eliminação contra o Bragantino e volta ao time para o Choque-Rei no Pacaembu

Pivô da polêmica, Kardec, recuperado de entorse no tornozelo esquerdo, é a principal esperança de gol do São Paulo, mas não a única. Além dele, Alexandre Pato vinha em alta até a derrota para o Bragantino, no meio de semana, ocasião em que todo o time foi mal, mas não tinha algumas peças. Kaká foi um dos jogadores poupados para o jogo deste domingo. Será o primeiro clássico do meia em seu retorno ao clube depois de 11 anos no futebol europeu.

 

Mas há também desfalques, principalmente na defesa. Não bastasse a lesão de Rodrigo Caio, que operou o joelho esquerdo e só voltará a atuar na próxima temporada, Antônio Carlos também voltou a sentir dores na panturrilha. O zagueiro, no entanto, já seria baixa por ter recebido o terceiro cartão amarelo no triunfo sobre o Vitória, na rodada passada, mesmo motivo pelo qual Douglas e Osvaldo também nem relacionados serão. O lateral direito tem também umedema na coxa esquerda, mas o atacante teria condições de ir, ao menos, para o banco se não estivesse suspenso.

Como em todo clássico, pouco importam as fases dos rivais. Importa apenas a vitória. “É sempre a mesma coisa. Se ganha, é muito bom. Se perde, é muito ruim. Clássico é importante em qualquer época, não depende do momento de ninguém”, reconhece Muricy, com crédito ainda suficiente para não perder a confiança da torcida, algo que Gareca tenta conquistar. O jogo deste domingo é uma boa chance para ambos.

Arte GE.Net

FICHA TÉCNICA
PALMEIRAS X SÃO PAULO

 

Local: Estádio do Pacaembu, em São Paulo (SP)
Data: 17 de agosto de 2014, domingo
Horário: 16 horas (de Brasília)
Árbitro: Péricles Bassols (Fifa-RJ)
Assistentes: Rodrigo Henrique Correa e Silbert Faria Sisquim (ambos do RJ)
Assistentes adicionais: Luiz Flavio de Oliveira e Flavio Rodrigues de Souza (ambos de SP)

PALMEIRAS: Fábio; Wendel, Lúcio, Tobio e Victor Luis; Renato, Marcelo Oliveira, Allione e Valdivia; Mouche e Henrique
Técnico: Ricardo Gareca

SÃO PAULO: Rogério Ceni; Luis Ricardo, Rafael Toloi, Paulo Miranda e Álvaro Pereira; Souza, Denilson, Ganso e Kaká; Alexandre Pato e Alan Kardec
Técnico: Muricy Ramalho

 

Fonte: Gazeta Esportiva

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