Hernanes não é titular há dois meses, mas ‘joga todas’ com Cuca

Hernanes não começa uma partida como titular do São Paulo desde 16 de março, quando foi bem até lesionar a coxa esquerda na derrota por 1 a 0 para o Palmeiras, ainda na primeira fase do Paulistão. Mas isso não significa que o meia de 33 anos esteja esquecido pelo técnico Cuca. Pelo contrário.

Desde que foi liberado pelos médicos para voltar a jogar, o Profeta foi utilizado pelo treinador em todas as partidas, sempre saindo do banco: ele entrou nos dois jogos da final estadual contra o Corinthians e nas quatro rodadas do Brasileirão. Domingo, contra o Fortaleza, melhorou o time e fez o gol da vitória por 1 a 0 no Castelão – foi, aliás, o quatro gol dele na temporada, o que o colocou como artilheiro do elenco ao lado de Pablo. Com Cuca, Hernanes só não jogou em uma partida, justamente a primeira do treinador, contra o Palmeiras, quando ainda estava no DM.

Cuca tem optado por começar os jogos com uma equipe mais leve. Contra o Fortaleza, por exemplo, o meio de campo titular teve Hudson, Tchê Tchê e Liziero, com Antony, Everton e Toró à frente. Quando Hernanes entra, o futebol do São Paulo teoricamente fica mais cadenciado. No Castelão, ele foi acionado no intervalo na vaga de Igor Vinícius, com Hudson deslocado para a lateral.

– Contra o Fortaleza, o time com mais vitalidade não teve isso, não teve troca de posições. A gente foi envolvido pelo Fortaleza. No segundo tempo fizemos um outro estilo de jogo e encaixou melhor. Não tem certo ou errado. Hoje em dia ninguém tem um 11 titular. Todas as equipes rodam, diminuem o índice de lesões, como a gente tem feito. O Hernanes entrou 55 minutos no outro jogo (contra o Flamengo), dessa vez entrou meio tempo e foi decisivo. Está gradativamente melhorando seu condicionamento físico, técnico, e naturalmente vem a auto-confiança – avaliou o treinador.

Antes da partida no Ceará, a reportagem do LANCE! perguntou a Cuca se a situação de Hernanes lembra a de Cleiton Xavier no Palmeiras campeão brasileiro em 2016. Repatriado sob muita expectativa naquela época, Cleiton sofreu para entrar em forma e, no Brasileirão, costumava ser titular em casa ao lado de Tchê Tchê e Moisés, em uma equipe mais ofensiva, e reserva como visitante, quando Thiago Santos jogava e formava um meio mais marcador. Mesmo assim, era quase sempre acionado. O técnico sorriu e preferiu não fazer comparação, mas tem, sim, a ideia de montar um São Paulo com Hernanes e outro sem.

– A gente tinha uma alternativa de jogar fora e outra em casa, lembra? Eu vejo que o Hernanes está evoluindo no quesito físico, e automaticamente vai evoluir na autoconfiança. O jogador quando está com força, quando está bem, fica com a autoestima elevada e as coisas saem bem. Ele é importante para nós, experiente, uma referência, um ídolo, com um baita de um caráter, e vai nos ajudar, sem dúvida.

Ciente de que ainda não atingiu o ápice físico, Hernanes tem encarado a reserva com imensa naturalidade.

– O mais importante é que nesse momento eu estou conseguindo trabalhar como gosto. Sou um escravo do trabalho, um escravo do treinamento e estou podendo fazer isso. O resultado vem como consequência, sempre como consequência – disse o ídolo, que também falou sobre o fato de ser um dos goleadores do elenco mesmo sem ser titular absoluto:

– É questão do que você sabe fazer. Não vou desaprender. Em momentos de lucidez, consigo fazer o que sei, acho que a cada cinco jogos faço um gol. Então, se eu estiver em campo, tem a chance de acontecer independentemente da minha condição física.

O São Paulo volta a campo no domingo, às 11h, contra o Bahia, no Morumbi. Resta saber se com Hernanes na reserva ou como titular.

A sequência de Hernanes desde que voltou de lesão:

São Paulo 0 x 0 Corinthians – entrou no intervalo
Corinthians 2 x 1 São Paulo – entrou no intervalo
São Paulo 2 x 0 Botafogo – entrou aos 19 do segundo tempo
Goiás 1 x 2 São Paulo – entrou aos 28 do segundo tempo
São Paulo 1 x 1 Flamengo – entrou aos 40 do primeiro tempo
Fortaleza 0 x 1 São Paulo – entrou no intervalo

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