Greve geral deixa Buenos Aires vazia, lojas fechadas e turistas perdidos

Talvez nem mesmo em um feriado prolongado as ruas de Buenos Aires estariam tão vazias como nesta terça-feira. A greve de trabalhadores contra um novo imposto criado pelo governo federal mobilizou o setor de transportes e chegou até a bancos e empresas de telefonia, deixando os turistas que passam férias na cidade desnorteados e assustados.

Por volta das 9h, no saguão do hotel onde a reportagem do LANCE! está hospedada, os estrangeiros se concentraram em frente a uma televisão boquiabertos com as imagens de protestos em áreas mais afastadas e outras de regiões completamente esvaziadas. Na porta, duas mulheres e suas filhas saíam para caminhar, mas desistiram quando repararam que boa parte do comércio estava fechada e que policiais rondavam a rua.

Na última segunda-feira, a cidade parou devido ao trânsito intenso. Todos tentaram resolver problemas e tarefas antes da greve geral. Já nesta terça, eram poucos os carros particulares que circulam pela região central. Os táxis, que não aderiram à greve como imaginado inicialmente, se acumularam em pontos e praças desertas. Alguns aproveitavam para tirar um cochilo, outros aumentaram o volume de seus rádios e seguiram na busca por clientes.

Sem ônibus e metrô servindo os funcionários, grande parte das empresas e comércios da região central nem sequer abriu as portas. Agências de empresas de telefonia amanheceram com cartazes colados na fachada pedindo desculpas aos clientes. Nos bancos nacionais, somente faxineiras e um ou dois bancários podiam ser vistos pelas portas de vidro.

Esse cenário dos bancos aumentou a preocupação dos turistas, principalmente porque os recepcionistas argentinos do hotel disseram que não seria possível encontrar nenhuma agência aberta nesta terça. A reportagem, também em apuros, conseguiu encontrar um hotel de alto padrão que possuía um caixa eletrônico no saguão e foi orientada por uma funcionária que os bancos estrangeiros haviam deixado alguns terminais eletrônicos em funcionamento.

Os turistas começaram a se arriscar mais já depois das 10h e era possível ver o alívio no rosto daqueles que se deparavam com um caixa eletrônico disponível para saque. O movimento no centro aumentou, principalmente na Rua Flórida, onde a entrada de carros não é permitida. Ainda asism, agentes de viagem que oferecem passeios turísticos se reuniam para lamentar a falta de interessados.

Em uma das esquinas da Rua Flórida, a reportagem conversou com um proprietário de uma banca de jornal, chamado Carlos Schiavone. O senhor bebia mate com o zelador do prédio ao lado, Lorenzo Pereira, e lamentou as vendas baixas nesta terça-feira (neste intervalo, vendeu três exemplares do diário Olé). A dupla, no entanto, assegura que a greve geral feita em agosto do ano passado foi muito pior.

Schiavone contou que a região central é pouco afetada perto de outras áreas, já que tem comércios que não podem fechar as portas e trabalhadores e turistas que seguem consumindo. O maior problema, segundo ele, está nas zonas periféricas. Lá, o jornaleiro disse que acontecem conflitos de “ultra-esquerdistas dos sindicatos” com a polícia e “aqueles radicais da direita”.

Uma dessas regiões mais agitadas é justamente Bajo Flores, onde ficam o estádio Nuevo Gasómetro, do San Lorenzo, e a favela 1-11-14, uma das mais violentas da capital. Ao saber que o São Paulo treinará no local ás 19h30 desta terça, Schiavone logo perguntou se a reportagem iria e recomendou muito cuidado no trajeto, principalmente para retornar ao centro.

– Essa é uma região complicada, e falo isso mesmo sendo sócio e proprietário de cadeira cativa há tantos anos no estádio. Já é perigoso normalmente, mas com os piquetes e as brigas geradas pela greve isso fica pior. O melhor a fazer é contratar um carro para ir e voltar, até com táxi é complicado, chama atenção. E é preciso entrar rápido no carro, ignorar alguns semáforos… Tem que voltar logo! – alertou.

Fonte: Lance

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