Estudo, DNA ofensivo e garotada: por que Jardine é plano A no São Paulo

André Jardine iniciou na última quinta-feira, no empate por 1 a 1 com o Grêmio, um trabalho que pode ir além das rodadas finais do Campeonato Brasileiro. Garantido como treinador interino do São Paulo até dezembro, o auxiliar da comissão técnica é o plano A da diretoria para dirigir a equipe em 2019.

Conselheiros ouviram do presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, em reunião no início da semana, que a ideia é efetivar o gaúcho de 39 anos. Isso não significa, porém, que a decisão já esteja tomada. Há quem defenda a contratação de um treinador mais experiente, com currículo vencedor, visão que deve ganhar força se o time derrapar nos jogos finais da temporada.

Mas a ideia de transformar Jardine em treinador da equipe principal já existe há algum tempo. Ele foi alçado ao cargo de auxiliar do profissional, em março, já com este propósito. Seu trabalho nos cerca de três anos à frente da equipe sub-20, com títulos como o da Libertadores de 2016 e diversos atletas revelados, como David Neres e Éder Militão, encantou a diretoria.

No mês passado, o São Paulo proporcionou a ele uma viagem à Europa para conhecer a fundo o trabalho de algumas equipes, como o Barcelona, e assistir à partidas de Liga dos Campeões, Liga Europa, Premier League e Campeonato Espanhol. Em dezembro deste ano, também subsidiado pelo Tricolor, Jardine fará o curso para tirar a Licença Pro da CBF. São pouco mais de R$ 19 mil para 370 horas de aprendizado.

– Eu sou extremamente agradecido a tudo o que o São Paulo tem feito por mim. A direção tem investido em mim, o clube acredita em mim. Sempre deixei claro que não tenho pressa (para ser efetivado). Confio muito no sentimento deles para me lançarem como treinador no momento que acharem propício. Ao mesmo tempo não escondo que me sinto preparado. Vou respeitar qualquer decisão. Se tiver que ser auxiliar, vou continuar aprendendo. Agora, estando como auxiliar, obviamente o clube sabe que pode me perder porque faz parte do mercado, mas não é tão simples eu sair do São Paulo. Não imagino um clube me tirando daqui sem apresentar um grande projeto – declarou Jardine, na última quinta.

Jardine montou equipes muito fortes no sub-20 do São Paulo, sempre com a mesma característica: o futebol ofensivo. O fato de sempre ter lidado bem com frequentes mudanças de elenco, já que os destaques fatalmente são promovidos ao grupo principal, também é apontado como um ponto a favor dele.

– Nunca escondi que minhas equipes, especialmente aqui no São Paulo, sempre defenderam um jogo propositivo, agressivo. Um jogo que eu vejo as grandes equipes no mundo fazendo, as que mais conquistam vão por esse caminho. Também admiro treinadores que não jogam assim, mas eu gosto de ver meu time ser o protagonista do jogo, ser mais agressivo que o adversário. Vou buscar isso no pouco tempo que tenho – disse o interino.

O fato de o São Paulo ter tomado a iniciativa de buscar o gol durante quase todo o jogo contra o Grêmio foi visto internamente como o primeiro sinal de mudança nas mãos de Jardine. Também agradou o espaço dado aos garotos: Helinho fez sua primeira partida como titular, Antony estreou, Shaylon voltou a ser utilizado após mais de dois meses esquecido e Liziero também entrou.

O Tricolor pretende investir em reforços, mas sabe que não conseguirá competir em pé de igualdade com clubes em melhor condição financeira. Por isso, utilizar e fazer os jovens evoluírem será praticamente uma obrigação de quem treinar o time em 2019.

– Nesse momento, o que me foi prometido é ser técnico até o fim do campeonato. Interino ou não. Alguns treinadores têm dito que interino todo mundo é, porque no Brasil se troca muito rápido. Tenho a palavra da direção de que é até o fim do ano. Me sinto preparado, porque tenho 15 anos como treinador, de diferentes categorias, mas sempre gerindo pessoas. Nunca tive nenhum tipo de problema, sou um cara transparente, sincero, e acredito que o jogador respeita seu líder quando percebe competência, e eu sempre demonstrei competência, sempre obtive resultados nesses 15 anos. Se receber a oportunidade do São Paulo, tenho certeza que a gestão vai ser muito fácil porque o São Paulo tem um grupo de jogadores com caráter acima da média. Isso foi muito elogiado durante o campeonato, a amizade, a parceria, o respeito, e isso tudo é verdade – emendou Jardine.

 

Fonte: Lance

2 comentários em “Estudo, DNA ofensivo e garotada: por que Jardine é plano A no São Paulo

  1. Não vai dar certo.
    Tinha que ter atuado em campeonato profissional com o time de base.
    Exemplo claro disso é Muricy no Expressinho e Guardiola no time b do freguês Barcelona.
    Essa história de transição direta, sem tempo e querendo resultados, com uma torcida impaciente e querendo título, só com milagre.
    Ou experiência em campeonato profissional direto.
    No primeiro empate na fase eliminatória da Libertadores, tipo tolima, vai ser uma avalanche de críticas, aí vamos ver quem vai segurar essa pressão.

  2. Desejo sucesso se for efetivado, porém não acredito que dará certo.
    Juvenil para o profissional é diferente como ping pong para tênis.
    Os mesmos com caráter acima da média que queimaram o Aguirre podem te queimar no futuro Jardine, abra o olho.
    Nada contra a pessoa e a suposta competência do Jardine, mas acho errado mais uma vez “experimentar” um técnico que nunca treinou um time profissional para comandar o SPFC.

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