Despedida, aposentadoria e cargo no São Paulo: Lugano fala sobre o futuro

Lugano está indeciso. A diretoria do São Paulo quer que o zagueiro uruguaio continue no clube em 2018, mas em outra função: fora de campo.

O convite foi feito, ainda sem atribuições definidas, mas o ídolo tricolor não sabe se continuará jogando no ano que vem, em outro time, ou se começará uma nova carreira.

– O que teve foi uma conversa com o Vinícius (Pinotti, diretor executivo de futebol). Ele perguntou quais eram os meus planos para o futuro próximo, se tenho a intenção de seguir no São Paulo. Só quero ficar se for um projeto sério, se for para aprender, para crescer como ser humano, algo que me desafie. Não adianta precisar apenas da minha figura, senão é mais fácil colocar uma foto e pronto – explicou Lugano, que tomará a decisão nas férias, quando voltar para o Uruguai com seus familiares.

Uma coisa, no entanto, é certa: se decidir continuar a carreira como jogador, Lugano não vestirá a camisa de outro time no Brasil. Nesse cenário, a ideia seria uma mudança de ares radical, para um outro centro cultural.

Ser ou não ser: Lugano ainda não decidiu futuro (Foto: Marcelo Hazan)

Ser ou não ser: Lugano ainda não decidiu futuro (Foto: Marcelo Hazan)

Em conversa com as reportagens da TV Globo e do GloboEsporte.com, o camisa 5 fez um balanço da sua segunda passagem pelo São Paulo. Mesmo tendo atuado pouco (foram apenas 36 jogos, 11 deles em 2017), ele teve papel fundamental nos bastidores para manter unida e dar forças a uma equipe que lutou contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro.

Mesmo sabendo de sua importância – ele foi campeão da Libertadores e do Mundial em 2005 –, o ídolo não quer saber de homenagens, como um jogo festivo de despedida.

Além do carinho incondicional da torcida do São Paulo, o que realmente lhe emociona são as atitudes e palavras espontâneas de quem trabalhou ao seu lado no dia a dia.

Calleri, por exemplo, escreveu no Twitter que foi “uma honra ter jogado com uma pessoa como você, capitão”. Alan Kardec, por sua vez, o apontou como exemplo de humildade, liderança e caráter. Homenagens como essas são as mais valiosas para Lugano.

Leia abaixo a entrevista completa com o zagueiro uruguaio:

GloboEsporte.com – No domingo, você se despede do São Paulo. Vai continuar no clube, trabalhando em outra função?
Lugano – 
O que tivemos até agora foi uma conversa pouco profunda sobre o assunto. Isso porque eu ainda não sei o que fazer. Estou indeciso. Quando voltei ao São Paulo, esperava jogar mais e acho que ainda tem um vazio para preencher antes de virar a página. Daqui a 20 dias, quando estiver com a minha família no Uruguai, posso decidir se chega, que posso parar.

Você chegou a falar com a diretoria de alguma função? Comenta-se que você poderia ser um coordenador técnico…
– Não se falou sobre isso. É muita coisa para pensar. Não é só ficar por ficar. Por outro lado, fiquei muito feliz com o convite feito. É um elogio que o São Paulo me veja como uma pessoa que seja capaz de ajudar. Isso me desafia bastante.

– Já estou fazendo essa função (risos). Sobre o futuro, temos que pensar, discutir.

O que pode convencê-lo a ficar no São Paulo?
– Quero ficar se puder ajudar, colaborar e crescer. Vai depender do projeto que o São Paulo oferecer. Para jogar um pouco mais, precisa ver se interessa. Teria que ser algo novo, uma cultura nova, experiência nova. Quero pensar da maneira mais tranquila possível.

Lugano ressalta a gratidão que tem pelo São Paulo (Foto: Marcelo Hazan)

Lugano ressalta a gratidão que tem pelo São Paulo (Foto: Marcelo Hazan)

Há seis meses, você teve que esperar até a última semana do seu contrato para saber o que aconteceria. Como se sentiu na ocasião?
– Desde que cheguei ao São Paulo, os resultados não eram bons, e o meu objetivo era unificar o grupo. Como líder e jogador, me sentia responsável pelo que acontecia. Tinha que entender a minha importância dentro do contexto e sempre procurar ajudar. Foi preciso muita força mental na época.

Para complicar, muitos jogadores foram negociados neste ano. Isso dificultou?
– Sou da época em que todo mundo queria jogar aqui. A pressão foi muito forte de todos os lados, da imprensa, da torcida. Não poderia deixar meus companheiros naquele momento difícil da instituição. Felizmente, o pensamento de todos mudou, e o time conquistou resultados necessários para evitar uma tragédia, que seria o rebaixamento. Hoje, vejo um grupo comprometido e uma diretoria preocupada.

Muito se fala que o Lugano não jogou, mas teve importância dentro do elenco. Queria que você falasse sobre isso..
– Eu nunca vou falar de mim mesmo. Se quiser saber algo a meu respeito, pergunte aos meus companheiros, e não a mim. Você pode mentir em um discurso, enganar por pouco tempo. Não vai conseguir sempre. Por isso sou autêntico.

Você ficou chateado por não ser utilizado como gostaria?
– Esse ano foi o maior desafio da minha carreira. O São Paulo estava em situação difícil, eu queria jogar para ajudar. Foi difícil desde a chegada do Bauza (técnico argentino, em dezembro de 2015). Você precisa trabalhar muito, escutar bastante e agir. Tive que entender a minha importância dentro do elenco em vez de pensar em mim mesmo. Todo jogador acha que tem jogar. Estou muito satisfeito como tudo aconteceu. Não fiquei sem sofrer, sem ficar puto, sem chegar em casa bravo. Mas eu sabia que o São Paulo e meus companheiros precisavam de mim e não podia falhar.

Como está sendo a semana para você? Não tem como ser uma semana comum….
– Obviamente que é uma semana especial, um jogo diferente, mas tem muita coisa envolvida. Estou procurando trabalhar da mesma maneira. É a última semana treinando e jogando com a camisa do São Paulo. Estou levando como tem que ser, com a mesma intensidade técnica, física e mental. É o melhor jeito de viver esse último momento.

O que tem acontecido de diferente?
– É impossível não ficar impressionado com tanto carinho que venho recebendo. Seja dos torcedores, dos companheiros, no Brasil, no Uruguai. Entendo, dentro do possível, que deva trabalhar da maneira mais natural possível, até porque não gosto desse clima mórbido, de despedida, de último jogo. Acho que a melhor maneira de curtir é fazer como fiz sempre: treinar, viver com os companheiros, pensar no jogo. Temos que terminar bem o segundo turno de um campeonato que não foi bom para o São Paulo. Eu prefiro ver assim e não ficar escutando ou fazendo parte de homenagens. Isso não é a minha cara.

Lugano não quer homenagens do clube (Foto: Marcelo Hazan)

Lugano não quer homenagens do clube (Foto: Marcelo Hazan)

Por que não quer homenagens?
– Porque sou muito mais simples que isso. Às vezes, fico pensando se sou merecedor de tanto carinho que recebo, seja do torcedor, seja das pessoas aqui no CT, dos jogadores, da diretoria. Não preciso de homenagens. No dia a dia do CT, em qualquer estádio que vou, em qualquer lugar que tem uma colônia são-paulina, recebo essas homenagens. Não preciso mais do que isso. Para que pedir mais do que isso? Sou espontâneo e prefiro deixar isso de lado. O que vivo no São Paulo é a coisa mais linda do mundo, me sinto muito feliz de receber tanto carinho.

– Acho que não porque todo mundo me pergunta isso… (risos) Isso me traz muita responsabilidade. Quando você é exemplo, referência para milhões de pessoas, torcedores, fanáticos ou não, tudo o que você faz vai muito mais além de chutar uma bola dentro de campo.

Não é amor porque amor acaba. É gratidão. Cheguei muito novo ao São Paulo, a torcida sempre teve paciência comigo. Sei que o futebol mexe com muita paixão e, por isso, nunca deixei de trabalhar. São 15 anos de relacionamento forte, de uma identificação. O que posso fazer pelo torcedor é sempre dar o máximo, sempre trabalhar forte. É a maneira de retribuir tanto carinho.

Você é capitão e costuma jogar duro. Mas, em algum momento, você se emociona, chora?

– Muito mais do que você imagina. Choro muitas vezes, mas quando estou sozinho. Perante o clube e os companheiros, tenho que ser forte porque sei que as pessoas precisam de mim. É importante ter uma inteligência emocional para isso. Quando a torcida e o clube precisam, tem que deixar o individual de lado para pensar no todo. Quando estou sozinho, sofro como qualquer um.

Como receber a chance de jogar no domingo?
– Faz um ano e meio que treino praticamente todos os dias, com a mesma intensidade, força e ambição de um garoto de 20 anos. Fisicamente, estou no mesmo nível do grupo. Não sou eu que estou falando, são os testes que mostram, você não consegue mentir. Estou preparado. Há algum tempo, tive uma pequena contratura que me afastou por cinco dias, perdi um jogo. Mais nada. Do primeiro ao último dia, a minha postura vai ser a mesma, de muita intensidade, responsabilidade.

 Isso é meio mórbido de falar. Saio com a sensação do dever cumprido, vou olhar para trás e ter a certeza de que em nenhum momento deixei de fazer o que era necessário. É o mesmo sentimento que tenho em relação à seleção do Uruguai. Vivi esse período no São Paulo com a maior intensidade possível. Quando você tem certeza do que fez, sobra tranquilidade. Sempre vou ter um carinho muito grande pelo São Paulo.

Fonte: Globo Esporte

2 comentários em “Despedida, aposentadoria e cargo no São Paulo: Lugano fala sobre o futuro

  1. UMA SÓ SUGESTÃO,COTIA ESTÁ ANGUSTIANTE,PÉSSIMO GERENCIAMENTO 2017,TÁ NA HORA DE DAR UMA “BEIRADA” PRO LUGANO,PELOS MENOS RAÇA A MOLECADA ABSOLVERÁ,HOJE SÓ TEM “PÓ DE ARROZ”,GANHOU NADA !!!!!

  2. É triste, os ídolos estão se aposentando e ngm está ocupando essas brechas. Os meninos Luis Araújo e David Neres tinham toda pinta de ídolos, mas a bosta do Leco vendeu por algumas jujubas.

    Ídolo mesmo com “i” maiúsculo o último foi o R. Ceni e antes dele o Raí, agora nem ídolos menores (se é que isso existe) temos mais, lugano, kaka, frança, todos passaram e não ficou 1 para ocupar essas vagas. Difícil ter identidade com um time sem ídolos, talvez por isso as pesquisas mostram que o brasileiro vem gostando cada vez menos de futebol. O futebol nos anos 80 e 90 era muito melhor, a diferença econômica dos times europeus está destruindo nosso futebol.

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