Crise, soco e freguesia: a retrospectiva desde a última vitória tricolor

No dia 16 de novembro de 2014, São Paulo e Palmeiras fizeram o Choque-Rei para mais de 36 mil pessoas no Estádio do Morumbi, em clássico válido pela 34ª rodada do Campeonato Brasileiro. Naquela ocasião, o Tricolor brigava com o Cruzeiro pelo título que não viria, enquanto o Verdão estava desesperado na luta contra o rebaixamento que também não aconteceu. O resultado: 2 a 0 para os donos da casa naquela que seria a última vitória são-paulina sobre o rival deste domingo.

Desde então, o cenário modificou-se para ambos os clubes. O Palmeiras conseguiu um patrocinador máster com grande aporte financeiro (Crefisa), capaz de reformular o elenco com muitas contratações e fazer do Verdão um nome forte no mercado novamente.

Além disso, o novo Palestra Itália passou a ser uma fonte de receitas valiosa para o clube – arrecadou R$ 43 milhões com bilheterias só no ano passado -, que terminou 2015 tricampeão da Copa do Brasil.

O São Paulo, por sua vez, teve de andar por um caminho espinhoso até finalmente voltar a respirar ares tranquilos na atual temporada. No primeiro semestre do ano passado, o Tricolor fez campanhas apenas regulares no Campeonato Paulista (semifinais) e na Copa Libertadores da América (oitavas de final), resultados esses que não agradaram a diretoria à época. Muricy Ramalho foi demitido e para o lugar dele foi trazido o colombiano Juan Carlos Osorio.

O Profe, como o treinador é conhecido, montou um time ofensivo, mas que perdeu peças importantes – oito no total -, fato que não agradou o colombiano, que nunca escondeu sua insatisfação pela maneira com a qual a diretoria administrava o clube. Assim, deixou o São Paulo para assumir o comando da seleção mexicana.

Veio Doriva, credenciado pelo título carioca com o Vasco em 2015, e, no meio disso, a renúncia do ex-presidente Carlos Miguel Aidar, acusado de corrupção e que teria levado um soco do então vice-presidente de futebol Ataíde Gil Guerreiro.

Leco, assumiu o Tricolor em meio à crise política pela qual o clube passava (Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press)
Leco, assumiu o Tricolor em meio à crise política pela qual o clube passava (Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press)

Após tantos escândalos, Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, assumiu a cadeira de presidente do São Paulo. A mudança na diretoria, porém, não serviu para melhorar o desempenho do time dentro de campo. Instável no Brasileirão apesar de ter conquistado uma vaga na Libertadores de 2016, o Tricolor foi facilmente despachado pelo Santos nas semifinais da Copa do Brasil, com duas derrotas por 3 a 1. Doriva saiu e Milton Cruz fez as vezes de técnico até a chegada do argentino Edgardo Bauza no fim do ano passado.

Com pouco dinheiro para investimentos, o Patón passou por apuros na montagem do atual elenco. Recebeu Maicon, Calleri e Kelvin por empréstimo e trouxe o uruguaio Lugano, ídolo da torcida e que disputava o Campeonato Paraguaio pelo Cerro Porteño, na expectativa de brigar por títulos nestes primeiros seis meses.

O Campeonato Paulista, jogado para entrosar o time da Libertadores, foi deixado já na fase de quartas de final, quando o Tricolor foi goleado, por 4 a 1, pelo Grêmio Osasco Audax. No entanto, o time ganhou “identidade”, tão procurada e exaltada por Bauza, e, aos trancos e barrancos, conseguiu se colocar entre os quatro melhores do torneio continental, sendo o único brasileiro nesta condição.

Apesar de viver dias mais tranquilos, o Palmeiras também sofreu com a instabilidade. Após conquistar o tri da Copa do Brasil, o clube viveu a expectativa pelo bicampeonato da Libertadores e, por isso, abriu os cofres para trazer mais oito reforços – foram 25 só em 2015. Só que a equipe não engrenou sob o comando de Marcelo Oliveira e acabou eliminada na fase de grupos da competição internacional. Com Cuca na chefia, um Verdão desorganizado deu lugar a outro mais arrumado e competitivo apesar da eliminação nas semifinais do Paulista.

Robinho aproveitou erro de Rogério Ceni para encobri-lo pela segunda vez em 2015 (Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press)
Robinho aproveitou erro de Rogério Ceni para encobri-lo pela segunda vez em 2015 (Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press)

Nesse ínterim, os dois clubes se enfrentaram quatro vezes, com ampla vantagem palmeirense: três vitórias e um empate. Na primeira fase do Estadual do ano passado, o Alviverde bateu os são-paulinos por 3 a 0 naquele que foi o primeiro Choque-Rei do novo Palestra Itália, marcado pelo gol de cobertura feito quase do meio-campo por Robinho, emprestado atualmente ao Cruzeiro. No Brasileirão, O Verdão aplicou um sonoro 4 a 0 no primeiro turno, enquanto a volta terminou em igualdade por 1 a 1, com novo tento de cobertura de Robinho após aproveitar saída errada de Rogério Ceni. Por fim, no Paulistão deste ano, triunfo palmeirense por 2 a 0, com gols de Dudu e do carrasco Robinho.

As duas equipes voltam a se encontrar neste domingo, às 16 horas (de Brasília), no Morumbi, onde a quebra de dois tabus estará em jogo. O São Paulo buscar encerrar a escrita de não vencer clássicos estaduais há dez jogos, enquanto o Palmeiras não sabe o que é bater o Tricolor na casa são-paulina há 14 anos.

 

Fonte: Gazeta Esportiva

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