Com Ney, Tricolor troca coletivos e cambalhotas por foco na marcação

Sumiram a voz marcante de Emerson Leão, as cambalhotas, os polichinelos e a insistência para que o time atacasse. Agora, no São Paulo, reinam a “mineirice” de Ney Franco, um auxiliar que rouba a cena em muitos treinos e atividades em campo reduzido, cujo principal intuito é a marcação.

Nos resultados, o novo técnico ainda não conseguiu dar à equipe a regularidade esperada. São três vitórias, um empate e duas derrotas. Mas, nos treinos e no dia-a-dia no CT da Barra Funda, as diferenças para o antecessor são marcantes. Se Leão era a grande estrela em campo, com apito na boca, gritos e seus exercícios por vezes inusitados, as atuais atividades surpreendem quem as assiste pela primeira vez. Eder Paixão, auxiliar e amigo de Ney há 14 anos, chega a ser até mais visto e ouvido.

Na atual metodologia, os setores físico, técnico e tático são bem divididos, algo que não ocorria na Era Leão. Emerson e seu sobrinho, Fernando, centralizavam praticamente tudo. Até mesmo os goleiros, que tradicionalmente trabalham em outro campo, eram supervisionados de perto, o que fez outros profissionais da comissão técnica perderem espaço.

– Divido bem o trabalho. A parte física fica com o Alexandre Lopes e seus auxiliares (Zé Mário Campeiz e Sérgio Rocha). O Eder Paixão trabalha mais a parte técnica, de fundamentos, posse de bola, finalização. E eu fico com a parte tática, de ajustar a equipe em campo, definir como vão jogar, atacar, se defender – explica Ney Franco.

Em seus clubes anteriores, o treinador tinha até um auxiliar a mais. Moacir Pereira só não foi para o São Paulo porque agora é o principal comandante do Daegu, da Coreia do Sul. Assim, mais trabalho para Eder. Nas partidas, ele passou a ficar ao lado do parceiro no banco de reservas e foi quem programou o que deveria ser dito no vestiário, no intervalo do jogo contra o Flamengo, no último domingo. Nos treinos, ele brinca e tenta estimular os jogadores, principalmente quem não tem sido escalado.

– Precisamos ter mais atenção com eles porque o ritmo é menor, então a intensidade dada nos treinos é de um nível diferente. Conversamos muito com a preparação física, temos uma sintonia muito fina e os atletas são inteligentes, já entenderam a proposta – acredita Eder Paixão.

Outra diferença notável é a diminuição dos chamados coletivos, treinos em que titulares e reservas se enfrentam, como uma simulação de um jogo. Com Leão, eles eram frequentes e alvos de críticas veladas. Jogadores e dirigentes reclamavam da sobrecarga a que era submetida a equipe. Nos dois dias que antecederam a semifinal da Copa do Brasil, contra o Coritiba, por exemplo, foram dois coletivos longos.

Ney Franco também abusou da atividade, mas apenas em seus primeiros dias. Ele garante que ela vai reaparecer no semestre, mas só quando houver uma semana inteira entre uma partida e outra.

– Não sou radical. Em alguns momentos vamos usar o coletivo para ajustar, mas depois de 35, 40 minutos, a intensidade cai. Temos que encaixa-lo nas etapas do treinamento –  explicou.

Depois da derrota para o Vasco, no Morumbi, em sua segunda partida à frente do São Paulo, Ney admitiu que a marcação frouxa era o maior problema e passou a intensificar o trabalho para corrigir. Pediu a contratação do volante Paulo Assunção e exigiu que a equipe passasse a apertar a saída de bola no campo de defesa do adversário.

Em sua visão, houve melhora nas vitórias sobre Figueirense, Flamengo e Bahia, e até mesmo na derrota para o Atlético-GO, em que o time sofreu quatro gols no primeiro tempo. Os treinos em campo reduzido, chamados por Eder de “pequenos jogos inteligentes” são bastante usados para evitar que as jogadas estourem nos zagueiros, muito criticados ao longo do ano.

– Taticamente, os atletas estão entendendo melhor. Temos que tentar roubar a bola mais próximos do gol do adversário e já percebemos uma evolução muito grande – enalteceu o novo técnico.

Fonte: Globo Esporte

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