Cenário de fritura de Muricy é inédito. Ele não se demitiu, mas pode sair

A crônica de uma demissão de treinador no futebol brasileiro é quase sempre a mesma: diretorias negam nos microfones, calam-se fora deles, por vezes afirmam que o treinador está “prestigiado” e, numa derrota mais marcante, o treinador cai. Foi assim no São Paulo com Paulo Autuori, Ney Franco, Emerson Leão e tantos outros. Foi assim com Muricy Ramalho, em 2009. Agora, em 2015, é tudo absolutamente diferente. Muricy Ramalho sofre atualmente um processo de fritura inédito no Morumbi.

Neste domingo o São Paulo perdeu por 2 a 0 para o Botafogo, em Ribeirão Preto, pelo Paulistão. Depois do jogo, Muricy citou os problemas de saúde que enfrenta, disse que “não aguenta mais” e, mais tarde, em contato com o UOL Esporte, negou que tivesse entregado o cargo à diretoria. Muricy não pediu demissão, mas pode deixar o comando do time contra a própria vontade, se assim decidir a diretoria.

O processo de fritura, que leva a tal situação, no entanto, é inédito. No São Paulo, fala-se abertamente há uma semana sobre o sucessor do treinador. Até o vice-presidente de futebol Ataíde Gil Guerreiro, único defensor ferrenho de Muricy Ramalho na alta cúpula são-paulina, segundo fontes da alta cúpula são-paulina, tem falado sobre o próximo treinador do time. Nos últimos dias, disse à Rádio Bandeirantes que o treinador virá da Europa, e que seria mais fácil contratar neste perfil no meio do ano. Mas Muricy tem contrato até 31 de dezembro de 2015.

É óbvio, Ataíde Gil Guerreiro não quer Muricy fora do São Paulo. Pelo contrário. O vice de futebol é quem segura, quem demoveu o treinador da ideia de deixar o comando após a derrota por 3 a 0 para o rival Palmeiras. Seu discurso sobre o sucessor de Muricy apenas reflete o que acontece internamente hoje no São Paulo: uma discussão diária entre dirigentes sobre a saída de Muricy.

Ataíde Gil Guerreiro está praticamente sozinho. Outros dirigentes importantes do São Paulo são contra a continuidade de Muricy. Há fritura. Diferentemente da crônica da demissão tradicional, com poucas informações, a crônica de Muricy se escreve à base de diversas críticas internas. O presidente Carlos Miguel Aidar, no entanto, reiterava nos microfones até a última quinta-feira que Muricy será mantido até o fim de seu contrato – ele foi procurado, mas não atendeu a reportagem após o jogo de domingo.

Mas não é difícil explicar por que esta crônica foge ao script comum: Muricy é imenso no São Paulo. Foi jogador do clube, é o discípulo de Telê Santana, encantou com o Expressinho, reassumiu a equipe após o Mundial de 2005 e foi tricampeão brasileiro. Fez juras de amor ao São Paulo, tornou-se um dos maiores ídolos da história. Teve seu nome cantado no Morumbi entre 2009 e 2013, enquanto treinou Palmeiras, Fluminense e Santos – dois deles rivais, outro carrasco na Libertadores. No fim de 2013, voltou ao São Paulo e salvou o time do rebaixamento, com excelente campanha de recuperação. Foi vice-campeão brasileiro no ano seguinte. Muricy é imenso no São Paulo. Fosse outro treinador, sem a mesma história, a crônica seria comum. Mas como já disse o próprio treinador, “tem que ser fera para me derrubar”.

Sua saúde incomoda. A ele, à família e aos amigos. Como contou sua própria esposa, precisa realizar uma cirurgia para retirada de pedra na vesícula, que o tirará do trabalho por cerca de duas semanas. Além disso, trata uma diverticulite e há seis meses foi internado com um quadro de arritmia cardíaca. Muricy viu de perto seu mestre, Telê Santana, ser impedido de exercer a profissão após sofrer uma isquemia cerebral, em 1996.

E assim como o mestre, Muricy anunciou: “Vou morrer atirando”, disse, na última semana, no CT da Barra Funda. Ele quis dizer que não pedirá demissão, que agora irá até o fim do contrato ou até o fim das próprias forças. Ele conseguiria combater todas as críticas internas se o time estivesse jogando bem, mas ele mesmo concorda que seu trabalho até agora não surtiu efeito em 2015. O São Paulo tem um dos melhores elencos do Brasil, senão o melhor, e não conseguiu jogar bem em nenhuma partida da temporada até aqui.

Parte da diretoria espera que a ruptura entre São Paulo e Muricy se encerre de forma antecipada. E a maioria nem defende que isso aconteça agora. A opção que mais agrada à maioria seria a saída de Muricy só após um eventual fracasso na Copa Libertadores. O argumento é que, se demitir agora, o São Paulo terá de recorrer a um técnico de nível baixo, disponível no mercado. Mais próximo do meio do ano poderia encontrar opção de alto nível, vinda da Europa, como já disse Ataíde.

A versão oficial do São Paulo diz o contrário, mas dificilmente Muricy chegará até o fim de seu contrato.

Em setembro de 2013, quando Muricy Ramalho iniciou a arrancada que faria o São Paulo evitar o rebaixamento no Brasileirão, Rogério Ceni falou: “Autuori e Muricy não são para ficar dois meses no São Paulo. Um só colocou uma estrela a mais no peito, e o outro é tricampeão brasileiro. O Telê morreu, nós matamos o Autuori. Restou o Muricy e espero que possamos preservá-lo melhor. São pessoas que temos de ter carinho muito grande”. Muricy fez excelente trabalho em 2013, bom trabalho em 2014 e vai mal em 2015, mas está longe de ser preservado no São Paulo.

 

Fonte: Uol

8 comentários em “Cenário de fritura de Muricy é inédito. Ele não se demitiu, mas pode sair

  1. Se esse técnico tivesse vergonha na cara, já teria saído. Está queimando sua imagem até entre as Muricetes, defensoras incondicionais do Treineiro. Até elas já viram que o cara não vai fazer esse time jogar, mesmo assim ele fica para receber a multa pela demissão.
    O pior é que temos um presidente banana, frouxo que tem medo desse ameba do Ataíde, que deveria ir embora junto com toda essa.comissão técnica.
    Afinal, foi esse bossal que barrou jogadores de raça como Lugano, para deixar mocinhas e preguiçosos no elenco.

      • Sou são paulino e torço para esse clube, diferente de VC que torc.pra esse treineiro entregador de coletes, e está caçando e andando para o time, está preocupado em ver seu amado.

    • Alexandre, não creio que essa seja a melhor saída, entendo seu ponto de vista e não vou discutir o que você acha desse “cara”, esse “cara” foi quem nos deu 3 titulos brasileiros, esse “cara” foi quem nos tirou da segunda divisão, esse “cara” merece respeito por tudo que ele fez pela instituição São Paulo Futebol Clube, agora esse “cara” não merece o que eles fdp desses jogadores estão fazendo com o clube. Quem no mercado hoje é melhor que o Muricy ? Esse nome não existe hoje… é por isso entre outros motivos que não frequento mais o Morumbi, alguns torcedores ficam de modinha, e falando besteira no embalo, não conhecem a história de quem vive o futebol.

      • Qualquer técnico eh melhor que o treineiro que tem mais sorte do que competência. Eu acompanhei o tricampeonato, ele pegou um time que jogava sozinho,.com esquema tático definido mesmo assim foi eliminado de todos os mata mata, se.lembra?
        Ganhava pontos corridos porque o cachaça escalava o time pra ele, pois só fazia merda no.primeiro semestre, como está fazendo agora. Acontece que hj não tem mais o “parceiro” Juvenal pra fazer isso pra ele.
        Vcs que o idolatram só lembram desses três campeonatos que até o Adilson Batista ganharia,.porque não lembram das eliminações vizinhas de libertadores,.como em 2007 sem que o time desse um chute ao gol, e as vergonhosas eliminações recentes perante Penapolense, Bragantino e Ponte Preta em casa?

        • Perfeito, Alexandre! Resumiu a verdade sobre nosso treinador. Estou até hoje procurando o grande trabalho de 2013, já que a única oportunidade que tínhamos na época era sermos bi da sul-americana, e ele conseguiu tomar um nó tático do adversário e tomamos de 3, da PP, dentro do Morumbi. E muitos aqui ficam lembrando que ele “tirou” o time da segundona (???) como fosse o décimo terceiro trabalho de Hércules…

  2. Essa fritura ja não é de hoje, e o muricy que foi bobo, quando ele apresentou problemas de saude ja devia ter saido, ou pelo menos ter pedido uma licença por um periodo bem grande e deixado essa batata quente para outro, ja tinha feito a sua parte, salvou o time do rebaixamento em 2013 e levou esse mesmo time ao vice campeonato brasileiro, ja deveria ter dado adeus e teria saido por cima, mas nao quer sugar o maximo, sei que ele ama o sao paulo de coracao, mas estava evidente o seu desgaste e fritura de alguns jogadores.

  3. A culpa da atual situação do SPFC e toda do nosso querido presidente que com suas declarações inúteis acabou tumultuando o ambiente tricolor, claro que o Muricy tem sua parcela de culpa, quando buscou as avenidas fluminense e perdeu o único jogador de garra que tínhamos Alvoro Pereira. Mas pela historia que o Muricy tem no SPFC ele não precisa passar por isso, essa cambada de jogadores inúteis poderia fazer alguma coisa pelo Muricy, depende muito mais deles do que do próprio treinador.

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