Boleiro x estudioso: as diferenças de filosofia entre Muricy e Tite

Juntos, eles somam cinco títulos brasileiros, duas Libertadores, um Mundial e dez estaduais. Tite e Muricy estão entre os treinadores mais vencedores da história do futebol brasileiro. No clássico entre Corinthians e São Paulo desta quarta-feira, os comandantes levarão a campo, além do impressionante histórico, duas formas bem diferentes de encarar o futebol.

A fala de Muricy é simples, direta, sem rodeios; o técnico são-paulino fala de futebol como de um velho amigo, conhecido há mais de 40 anos, do qual sabe os segredos e meandros. As palavras de Tite são mais complexas; o comandante corintiano parece encarar o esporte como uma arte, a ser minuciosamente estudada e analisada.

Tite começou a mostrar sua nova roupagem antes mesmo de voltar ao clube. Enquanto estava desempregado deu entrevistas falando de seu período sabático. Contou que foi a treinos do Real Madrid e que conversou sobre tática com o técnico Carlo Ancelotti. A cada oportunidade na imprensa, ele mostrava estar antenado com os mais modernos sistemas de jogo.

“É um momento importante meu como profissional de buscar conhecimentos. Ficar com o olho fora do furacão e estar olhando tudo o que está acontecendo fora. E ter uma convicção agora. Técnico é muito apaixonado, tem que estar muito informado.”, disse, antes de assumir o alvinegro.

Muricy tem um olhar menos admirado ao que acontece fora do Brasil. Em diversas ocasiões, deixou claro que não enxerga nenhuma superioridade tática no futebol europeu: atribuiu o alto nível técnico da Copa do Mundo à intensidade e à qualidade dos jogadores.

“A Copa não surpreendeu em termos tático. Voltou a moda antiga, com três zagueiros. A única coisa que surpreendeu foi a parte física, porque a correria foi muito grande. É uma Copa de pura marcação atrás da bola e velocidade no contra-ataque” analisou, na época.

As formas de enxergar o futebol dos dois treinadores também refletem no relacionamento com os jogadores. Com a experiência de ter sido um grande meio campista pelo São Paulo, Muricy não tem paciência para conversas individuais – não explica para os jogadores o motivo de coloca-los ou tirá-los do time, e não policia seu comportamento fora dos gramados. “Não sou babá de jogador, filhos eu já tenho em casa”, disse, na última sexta-feira.

Tite, por outro lado, adota mais o estilo paizão, mantendo conversas mais particulares com seus jogadores. Ao Conselho Deliberativo do Corinthians no ano passado, o então presidente Mario Gobbi disse que um dos motivos que o levaram a demitir Tite era a preocupação de que a relação com os atletas tinha deixado de ser “profissional”, e se tornado algo similar a “pai e filho”.

Apesar das diferenças, os dois tem algo em um: mudaram seus estilos nos últimos anos. Depois de conquistar o tricampeonato brasileiro utilizando o 3-5-2, e montando uma das defesas mais impenetráveis da história do futebol do país, Muricy recebeu um elenco ofensivo para trabalhar. Hoje, utiliza o 4-4-2 e o 4-2-3-1, e fala abertamente que sua preocupação é fazer mais gols do que os que sabe que irá sofrer.

Na maneira de jogar de seu time, Tite também mostrou mudanças. O tão criticado “empatite” parece ter ficado no passado. As vitórias pela contagem mínima também. Os três primeiros jogos oficiais na temporada foram com vitórias. Oito gols a favor e nenhum contra. O único triunfo por 1 a 0 foi sobre o Palmeiras. O primeiro empate veio só contra o Once Caldas, na Colômbia, por 1 a 1. Apesar da igualdade assegurar a vaga na fase de grupos da Libertadores, o técnico pediu insistentemente que seus comandados avançassem em campo. Bem diferente do treinador que a Fiel se acostumou a ver em 2013, pra lá de satisfeito com os empates fora de casa

 

Fonte: Uol

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