Após “condenar” Luis Fabiano, São Paulo tenta absolvê-lo na Conmebol

A diretoria do São Paulo não fez questão nenhuma de esconder o descontentamento com a expulsão de Luis Fabiano diante do Huachipato (CHI) na última terça-feira: além de críticas públicas ao comportamento, multou o atacante em 30% dos salários. Agora, vai defendê-lo no Comitê Disciplinar da Conmebol.

O camisa 9 foi denunciado e será julgado nesta sexta-feira. “Já recebemos a notificação, e faremos a defesa dele normalmente nesta sexta-feira”, explica o diretor jurídico do São Paulo, Leonardo Serafim.

Se o próprio clube aplicou uma punição severa ao jogador, não seria contraditório buscar sua absolvição junto à confederação sul-americana? O dirigente considera que não. A multa aplicada ao jogador não foi só pela expulsão de terça, mas levou em conta o histórico de indisciplina com a camisa tricolor. Isoladamente, o lance contra o Huachipato não é considerado tão grave.

“A conduta dele, empregado, com o empregador, São Paulo, é reiterada. Foram vários cartões amarelos, 14 expulsões, ele foi advertido diversas vezes. É algo diferente, entre empregador e empregado. Na Conmebol, defenderemos que o cartão vermelho foi suficiente para a conduta que ele teve. A discussão é sempre essa, se a expulsão e a suspensão automática são suficientes para a conduta, ou se mais é necessário”, diz Serafim.

O Comitê Disciplinar da Conmebol funciona de forma diferente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva. Os jogadores não são enquadrados em um ou outro artigo, e sim julgados pela conduta em campo. Também não existem as defesas orais que caracterizam o tribunal brasileiro.

“Na Conmebol não é como no STJD, o atleta não é denunciado por agressão ou conduta antidesportiva, é pela expulsão. A defesa é feita por escrito, os julgadores são de países diferentes”, explica Serafim.

O Código da Conmebol, ao contrário da legislação desportiva brasileira, não liga as punições à condutas específicas – não diz, por exemplo, qual seria a punição justa para uma agressão. Delimita, apenas, que o jogador poderá ser suspenso por no máximo 24 jogos ou 24 meses, com a possibilidade de multa entre 100 e 300 mil dólares. O resto, a dosagem da pena, fica a cargo dos julgadores.

Luis Fabiano tem histórico conturbado em competições organizadas pela Conmebol. Em 2012, pela Sul-Americana, foi expulso diante do Tigre, por revidar provocações. No ano passado, na Libertadores, diante do Arsenal, recebeu o vermelho por discutir de forma ríspida com o árbitro Wilmar Roldan.

Nesta quarta, o presidente do Comitê Disciplinar da Conmebol, Caio César Vieira Rocha, disse ao UOL Esporte que a multa aplicada pelo São Paulo poderiaprejudicar a defesa do jogador. Caio não participa do julgamento por ser brasileiro. A decisão deve ser divulgada ainda nesta sexta.

O atacante não considerou a expulsão exagerada, e saiu de campo garantindo que não tinha agredido o jogador adversário. A decisão pela punição interna surpreendeu pessoas próximas a ele e de dentro do próprio São Paulo.

Suspenso com o terceiro cartão amarelo, o atacante está fora da partida deste sábado, diante do Grêmio, pelo Brasileirão. Por causa do vermelho de terça, também é desfalque, no mínimo, para o jogo de volta diante do Huachipato pela Sul-Americana.

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