Amuleto de Ceni, Haroldo dá raquetadas em treinos, e vê Sidão e Denis iguais

Uma raquete, grama e inúmeras bolinhas verdes: Haroldo Lamounier saca forte em direção a Renan Ribeiro. Apesar da semelhança, a descrição não se refere a uma quadra de tênis, mas sim a um dos campos do CCT da Barra Funda, onde o sereno mineiro de Passos utiliza um dos fundamentos do tênis para aperfeiçoar os reflexos dos goleiros do São Paulo.

“Serve para dar tempo de reação e reflexo. Ajuda o goleiro a defender as bolas mais rápidas no jogo”, afirmou Haroldo à Gazeta Esportiva. Formado em Educação Física pela Universidade de Mogi das Cruzes, chegou ao Tricolor em 1999 para preparar os arqueiros da base. Quatro anos depois, subiu ao profissional para preencher a lacuna deixada pelo chileno Roberto Rojas, que havia sido promovido ao cargo de técnico do time do Morumbi.

A partir de então, Haroldo treinou Rogério Ceni por 12 anos seguidos, construindo uma forte relação com o maior ídolo do clube. Tanto que seu retorno à comissão técnica do São Paulo, após passar 2016 em Cotia, foi uma das primeiras exigências feitas por Ceni ao assumir o novo cargo.

Alinhado com as metodologias do agora técnico, Haroldo trata de inovar nos treinos para não entediar seus comandados. “Procuramos trabalhar intensidade e menos repetição. Assim os goleiros se condicionam melhor para os jogos”, disse o preparador de 56 anos.

Na entrevista, o ex-goleiro ainda analisa a disputa entre Sidão e Denis pela titularidade na equipe tricolor. “Está em aberto. Aquele que for escolhido, vai representar bem o São Paulo”.

Gazeta Esportiva – Sendo o preparador de goleiros do Rogério Ceni de 2003 a 2015, você imaginava que ele viria a se tornar técnico de futebol?

Haroldo – Não foi surpresa para mim. Pelo nosso contato no dia a dia, eu já sabia que ele tinha total condição para ter uma carreira de treinador, pela visão de jogo e pela liderança dentro do grupo também. Quando eu vi que o Rogério estava fazendo cursos lá fora, tendo contato com treinadores de ponta na Europa, percebi que ele estava mesmo interessado em ser treinador. Torci para que isso acontecesse porque eu via que ele tinha um potencial muito grande.

Gazeta Esportiva – Por que você acha que o Ceni optou por seu retorno ao profissional, em detrimento da manutenção do Carlos Gallo (preparador de 2016)?

Haroldo – O Rogério montou a comissão dele. Trouxe o Charles (Hembert) e o Michael (Beale), que já tinham contato com ele dos cursos lá de fora. Pegou as pessoas de confiança dele. Treinador tem que começar nesse padrão de pessoas de confiança para trabalhar junto. Como eu havia trabalhado com o Rogério durante quase 13 anos, ele se sentiu tranquilo para eu fazer parte da comissão dele.

Nós tivemos um convívio de quase 14 anos, então a gente se apega no dia a dia, pelo profissionalismo, por pensar igual na parte de futebol, então eu o considero uma peça importante da minha vida, como também posso ter sido essa peça importante de ter trabalhado com ele tanto tempo e tê-lo ajudado bastante a ter uma alta performance durante esse tempo todo. As duas peças se encaixam.

Gazeta Esportiva – Como é a sua relação com o Carlos Gallo? Vocês conversaram após a troca?

Haroldo – Não, a gente passou a ter bastante contato depois que começamos a trabalhar com as metodologias que passávamos no profissional. Depois, procuramos passar esses métodos para a base. Com a minha ida para Cotia, esse trabalho foi desenvolvido da melhor maneira possível. Tivemos vários goleiros convocados para as Seleções de base. O resultado foi feito através do trabalho da equipe que estava lá.

Gazeta Esportiva – Na última quarta-feira, você treinou o Renan Ribeiro (em recuperação de lesão) sacando com bolinhas de tênis. Qual foi a sua inspiração para aplicar esse exercício? E para o que ele serve?

Haroldo – Há vários treinadores na Europa que usam esse treinamento dentro de sua programação. A gente procurou algumas informações, vimos que o trabalho dá resultado. Ele serve para dar tempo de reação e reflexo em uma situação que não é a real do jogo, mas que dentro dele ela se torna real. São bolas mais rápidas do que as de futebol. Então seria aguçar esse reflexo para a bola de futebol ficar mais acessível para os goleiros defenderem no jogo.

Haroldo Lamounier saca contra o gol defendido por Renan Ribeiro durante treino da última quarta-feira (Foto: José Victor Ligero/Gazeta Press)
Haroldo Lamounier saca contra o gol defendido por Renan Ribeiro durante treino da última quarta-feira (Foto: José Victor Ligero/Gazeta Press)

Gazeta Esportiva – O Rogério é um amante do tênis. Vocês jogam juntos quando há tempo?

Haroldo – Eu brinco um pouquinho só. O Rogério joga bastante, tem uma noção maior, só falta ser profissional, porque ele já jogou com vários jogadores do circuito.

Gazeta Esportiva – Além do tênis, você aplica algum outro exercício mais alternativo?

Haroldo – Dentro da preparação, eu procuro reproduzir o que o goleiro vai fazer dentro do jogo: bolas rápidas, de média e longa distância, cruzamentos rápidos, lentos. Eu procuro programar meus treinamentos dentro do que o goleiro vai fazer no jogo. Nesse planejamento, procuramos trabalhar intensidade, menos repetição, assim ganhamos no volume e os goleiros se condicionam bem para os jogos.

Gazeta Esportiva – Um dos mistérios do time que vai começar o Campeonato Paulista se refere à titularidade no gol. Entre Sidão e Denis, quem está mais preparado?

Haroldo – Está em aberto. Os dois estão muito bem. O Renan (Ribeiro) machucou, teve essa lesão na coxa, ficou um pouco atrás. O Sidão está muito bem preparado, fez uma boa pré-temporada nos Estados Unidos. O Denis, a mesma coisa. Os dois estão muito bem preparados. Aquele que o Rogério escolher vai representar bem o São Paulo.

Gazeta Esportiva – Uma das exigências do Ceni é o trabalho do goleiro com os pés.

Haroldo – O futebol evoluiu para que isso seja feito. Trabalho bastante com os pés para que o goleiro tenha facilidade para colocar em prática as partes táticas do jogo. Nós estamos trabalhando bem isso. O Denis já tinha essa facilidade. O Sidão já veio com ela, então é só aprimorar e colocar dentro do esquema tático do Rogério.

Gazeta Esportiva – Quais são suas primeiras impressões do Rogério técnico em relação a treinos e convívio com o elenco?

Haroldo – O Rogério está fazendo aquilo que sempre fez no futebol: intenso, cobrando, dedicado. Eu sabia que não iria ser diferente. Agora trouxe também o Michael, que é um cara estudioso, o Charles, que também estuda. Ele está juntando as peças. Vocês estão vendo esses treinos intensos, diferenciados, onde estão sendo colocadas todas as virtudes desses profissionais.

 

Fonte: Gazeta Esportiva

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