Aulas de boxe em 2013 já começaram no São Paulo

As aulas de boxe no São Paulo já tiveram início este ano. As matrículas ainda estão abertas e você, associado, pode fazer uma aula experimental com o professor Jorge Quintela.

As aulas são ministradas todas as terças e quintas-feiras, entre 7h e 10h e entre 20h30 e 22h.

Por enquanto as aulas estão sendo dadas onde ficava o Judô, em função da reforma do piso do Ginásio 5.

Boxe já desperta interesse dos associados

A aula inaugural de Boxe que aconteceu no último dia 25 de setembro teve grande procura e despertou o interesse do associado do tricolor. Durante a demonstração, os alunos tiveram a oportunidade de tirar as suas dúvidas sobre a modalidade diretamente com o professor que ministrou a aula.

Quem estiver interessado em participar das aulas de Boxe, as inscrições estão abertas na Central de Atendimento Único!

 

Fonte: Site Oficial

Aulas de boxe no São Paulo

O São Paulo FC deu início as inscrições para as aulas de boxe que acontecerão no ginásio 5 do clube, nos seguintes horários:

 

Terças e Quintas feiras – das 7h às 8h e das 8h às 9h (manhã)

 

– das 20h às 21h e das 21h às 22h (noite)

 

Quartas e Sextas- feiras – das 7h às 8h e das 8h às 9h (manhã)

 

– das 20h às 21h e das 21h às 22h (noite)

 

Pra confirmar seu interesse basta mandar um e-mail para [email protected] ou ligar para 3749-8171/ 8174, informando também o horário.

 

Assim que as turmas estiverem montadas, haverá uma aula inaugural, onde os instrutores serão apresentados e para que todas as dúvidas com relação a prática do boxe sejam sanadas.

Aulas de boxe no São Paulo

O São Paulo FC deu início as inscrições para as aulas de boxe que acontecerão no ginásio 5 do clube, nos seguintes horários:

Terças e Quintas feiras – das 7h às 8h e das 8h às 9h (manhã)

– das 20h às 21h e das 21h às 22h (noite)

Quartas e Sextas- feiras – das 7h às 8h e das 8h às 9h (manhã)

– das 20h às 21h e das 21h às 22h (noite)

Pra confirmar seu interesse basta mandar um e-mail para [email protected] ou ligar para 3749-8171/ 8174, informando também o horário.

Assim que as turmas estiverem montadas, haverá uma aula inaugural, onde os instrutores serão apresentados e para que todas as dúvidas com relação a prática do boxe sejam sanadas.

 

Fonte: Site Oficial

Emocionado, Eder Jofre ganha homenagem do São Paulo e pede: “não entrega”

O ex-boxeador Eder Jofre foi homenageado nesta quinta-feira pelo São Paulo pelos 50 anos da conquista do título mundial. Na cerimônia, o futebol deu a tônica, pois ele pediu para o time tricolor não ‘entregar’ a vitória nos próximos jogos.

“Que entregar o que…Se entregasse [o jogo] eu não seria mais são-paulino”, chegou a ameaçar o maior boxeador da história do Brasil.

Desta forma, Jofre caminha contra a tendência de uma parte da torcida do São Paulo, que quer que o time perca a partida do próximo domingo contra o Fluminense para prejudicar o arquirrival Corinthians.

Na homenagem, o ex-boxeador recebeu um quadro com a sua imagem autografado pelo presidente do São Paulo Juvenal Juvêncio e um par de luvas de boxe autografado pelo time inteiro. Nem o mandatário são-paulino e nenhum dos jogadores compareceu ao evento.

Eder aproveitou a oportunidade para criticar o excesso de exposição do futebol em detrimento de outras modalidades esportivas no país: “Sempre faltou apoio ao boxe. O Brasil é futebol no café, almoço, jantar. Felizmente representamos bem o Brasil no futebol, mas e os outros esportes?”

O ex-pugilista seguiu o discurso daqueles que pedem mais cuidado com o boxe no Brasil. “Falta patrocínio, sempre faltou. O boxe não evoluiu o que poderia, infelizmente…peço para as autoridades que se lembrem de quando conquistei o cinturão. Temos condições de ter novos campeões, então é preciso dar oportunidade”.

Para a instituição São Paulo, não faltou elogios: “Não teria outras palavras para dizer ao São Paulo, a não ser muito obrigado. Agradeço ao presidente, aos diretores e aos torcedores que sempre me apoiaram”, declarou Jofre. “Ser homenageado pelo São Paulo é o auge que poderia acontecer para mim”.

No discurso, Éder Jofre expôs a lembrança que tem do momento que foi o seu auge na carreira. “Minha maior lembrança foi quando o juiz pegou meu braço e levantou. Olhei para meu pai no corner e minha mãe torcendo, não tinha nada melhor ”, relembrou.

“Imagine você sozinho no ringue e milhões te ouvindo no radio. Eu batia ou morria, mas o cara ia para o chão”.

Título mundial de Eder Jofre faz 50 anos e sobrevive na memória do ‘irmão’ que o ajudou

Naquela aventura em Los Angeles (EUA), em 1960, o pugilista brasileiro contou com a ajuda de um “anjo da guarda”, Manoel Pineda.

Hoje, ele vive na Argentina, e, vítima de Alzheimer, lembra-se somente de um amigo: Eder Jofre.

Ao chegar no aeroporto de Los Angeles para a luta contra o mexicano Eloy Sanchez pelo título, Eder foi recebido por um rapaz que pegou suas malas, as colocou no carro e, ao notar o ar atônito do futuro campeão, disse: “Meu nome é Manoel Pineda, brasileiro, e a partir deste momento sou seu irmão”.

A partir daí, ajudou Eder e seu estafe de todas as maneiras possíveis. Levou o brasileiro em seu carro ao ginásio no dia da luta, fez passeios com a equipe e ficou com a tarefa de tirar da cama o “Galo de Ouro” bem cedinho para as suas corridas diárias.
À época, a pontualidade de Pineda foi apontada por Eder, de forma bem-humorada, como o único “defeito” do amigo, definido como “grande praça” pelo lutador.

A amizade prosseguiu. Quando vinha ao país, Pineda se encontrava com Eder e o recebeu em casa quando o boxeador voltou aos EUA.

HOJE

Num álbum de fotografias em branco e preto, Manoel, agora com 82 anos, aparece ao lado de Pelé, do cantor Roberto Carlos e de estrelas de Hollywood. Mas sua memória só desperta ao ver as imagens que compartilha com o único amigo de quem ainda sabe o nome, Eder Jofre.

Há oito anos, Pineda luta contra o mal de Alzheimer recluso em um apartamento no centro de Buenos Aires, onde recebeu a Folha para uma conversa de poucas frases, às vezes incompletas.

Curvado pela idade, mede 1,63 m, e não pesa mais de 50 kg. Passa os dias em casa, vendo TV com a ajuda de um aparelho auditivo, à procura de um canal que passe lutas de boxe. “Nem sei quanto peso, tô magrinho, mas tô contente. Ah, se eu pudesse… o senhor vai falar com o Eder?”

É o único assunto que interessa a Pineda, que recorda detalhes das principais lutas do amigo. Depois de um longo silêncio, emocionou-se ao relatar contato recente com Eder por telefone.

“Eu falei com o Eder. Esse garoto derrubou todo mundo. Tantos anos”, disse com a cabeça baixa e chorando.

Há mais de 40 anos, Pineda deixou os EUA, onde morou nas décadas de 50 e 60, para se instalar na capital argentina. Trabalhou nos consulados brasileiros de Los Angeles e de Buenos Aires, como técnico do Itamaraty, depois de ter sido fotógrafo.

“Quando estava bem, ele tinha obsessão pelo Eder. Todos os meus namorados precisaram ouvir as histórias dele e olhar as fotos dos dois”, diz a filha Flávia sobre Mané, como ele era chamado afetuosamente por Eder.

Pineda teve a vida transformada pelo “corralito” argentino, que congelou todas as suas economias em 2002.

Ao ver que estava financeiramente quebrado, sofreu um surto psicótico e tentou suicídio. Trancou-se em casa, com pânico e mania de perseguição. O desequilíbrio acionou o Alzheimer, e ele nunca mais voltou à lucidez.

Ao saber da situação do amigo, Eder ficou triste, mas achou ao menos um motivo para sorrir. “É bacana você ter um amigo que, mesmo com Alzheimer, lembra-se de você. Quer dizer que você marcou muito a vida dele.”

Do Uol

‘Se eu fosse os outros, nunca iria querer enfrentar o Eder Jofre’

Melhor peso galo da história, integrante do Hall da fama e considerado o 36º melhor pugilista de todos os tempos. Eder Jofre teve uma carreira irrepreensível, que só teve solavancos em duas derrotas, para o mesmo oponente, o japonês Fighting Harada. Mas não é só. A história do paulistano criado no Parque Peruche é ímpar. Confira a entrevista com o Galo de Ouro, que comentou suas derrotas, a vida de vegetariano, a carreira de vereador e fez tributo a Kid Jofre, seu pai e técnico.

Desde a infância você foi envolvido pelo mundo do boxe, devido à sua família, formada não só pelos Jofre, mas também pelos Zumbano. Como foi aquela época?
Moramos em dois ou três lugares, inclusive em Santos, porque meu pai era técnico (Aristides “Kid” Jofre dava aulas de boxe). Mas morei mais tempo no Parque Peruche, na Zona Norte de São Paulo. E esse bairro era a coisa mais maravilhosa que tinha para criança. Brincava de carrinho de rolimã – que a gente mesmo fazia -, de esconde-esconde, pulava corda… Coisas que a molecada de hoje nem sabe o que é. Foi um tempo muito bom. E, felizmente, Deus olhou por mim e me deu essa vontade de treinar e lutar boxe. Desde molequinho eu colocava a luva com meus tios, os Zumbanos – minha mãe era Zumbano – e brincava com um ou outro no bairro. Sempre me saí bem e batia nos caras, porque meu pai, Kid Jofre, foi quem me ensinou a lutar, a ter a guarda correta, soltar os golpes corretamente. Não como hoje, que os caras dão golpe com o cotovelo aberto, a mão aberta. Nem sei como assisto a essas lutas.

Mas antes de entrar de vez no boxe, você tentou o futebol. Foi uma decepção para o seu pai…
Foi. E olha que era artilheiro do time [risos]! Hoje vejo os ponta-esquerdas… [mais risos e cara de decepção]. Eu queria ser jogador de futebol porque não ia apanhar na cara, porque você leva só uma ou outra “botinada”. Para mim, jogar futebol era uma diversão. Mas para o meu pai era um desgosto. Teve uma época que não ia à academia e falei para ele que achava que ia ser jogador de futebol. Ele ficou magoado, falava ‘Eder, você leva jeito para o boxe. Você é bom, se não fosse não colocaria meu filho para lutar’. Ele me incentivou neste sentido e acabei voltando a treinar, pra valer. Fui campeão do Sesi, da Gazeta, paulista, brasileiro…

Além do seu pai técnico, você teve a influência de tios e primos, os Zumbano. Uma frase famosa diz que “sempre haverá um Zumbano no ringue”. Você acredita nisso?
Só teve um Zumbano que não lutou na minha época. Entre os que foram pugilistas, Tonico, o peso pesado, pegava como um touro. E hoje tem o Raphael (Zumbano, seu primo), também pesado. E o cara é bom, valente, puxou a família. Acho que sempre haverá, temos poucos Zumbanos hoje, só o Raphael está treinando. Mas ele tem que cuidar dele mesmo agora, e não pensar nisso.

Qual dos parentes foi sua maior inspiração?
Foi o Ralf. Eu associava a técnica do Ralf Zumbano com a pancada do Zumbanão (Tonico). Pensava, ‘poxa, se eu pegasse como o Zumbanão’… É aquela coisa que você tem quando é moleque, eu os admirava, assisti a quase todos eles lutarem e me entusiasmei pra caramba.

Houve pressão quando você era jovem, para ser tão bom ou até melhor que eles?
Quando o público via que no primeiro round eu já estava com a guarda correta, já se entusiasmava. Aí viam que eu batia e apoiavam mais. E eu batia mesmo, tinha moleque que virava as costas porque sabia que ia para o chão. Mas sempre alguém comentava: ‘tem a família aí, não vai fazer feio’. Tinha gente da própria família que vinha perguntar se estava bem treinadinho. O mais importante é o treino: você se dedicar, treinar com a guarda do lado do queixo, a esquerda na frente, cabeça encolhida e conseguir abrir espaço para nocautear.

Porque você acha que os seus parentes não chegaram ao título?
Nós ainda não tínhamos contato com empresários que fizessem as lutas. Só depois de um bom tempo e, modéstia à parte, depois que passei a profissional, que conseguimos. Alguns viram que não ganhavam dinheiro e acabaram deixando de lado o boxe.

Sua carreira parece ter sido muito bem construída para você ser um campeão. E numa época em que os lutadores iam muito para o ringue.
Sim, é verdade. Na época em que passei a profissional havia empresários, como o Jacob Nahun, que pegava os amadores e passava adiante quem tinha competência. E aí se ganhava um dinheiro bom. Hoje em dia cadê os profissionais? Está difícil, principalmente para um peso pesado como o Raphael (Zumbano)…

Falando sobre sua trajetória, como foi a luta contra Joe Medel, prévia do combate pelo seu 1º título, em agosto de 1960, em Los Angeles?
Esta foi uma parada, foi o cara mais difícil que peguei. Passei muito dificuldade, mas ainda me recuperei para ganhar por nocaute. Um monte de gente me recebeu no aeroporto.

E a do cinturão dos galos, também em Los Angeles, contra Eloy Sanchez?
A do título foi moleza. Depois de pegar um Joe Medel, um Danny Kid – valente pra caramba – foi fácil. Eu levei a luta como queria e derrubei o cara logo. Depois da luta foi aquela satisfação, aquela alegria.

Como era o clima, já que havia muitos mexicanos na torcida por Sanchez?
Os mexicanos torciam e quando estava passando no corredor, na saída do camarim até chegar no ringue, o que eu ouvi… “Jofre, o Sanchez vai te matar, vai te nocautear”, “vai te ‘tumbar’ (derrubar)”. Eu só falei “lá dentro a gente vê”. Meus principais rivais foram sempre os mexicanos. Eles são fortes e valentes pra caramba. Mas se fosse um deles, nunca ia querer lutar com Eder Jofre (risos).

Depois da unificação você começou uma fase de baixa, que culminou numa parada do boxe. Quais eram as dificuldades?
Eu comecei a pegar mais peso. É normal, no boxe existem muitas categorias e isso é bom porque existe uma igualdade. Muita gente pergunta, o boxe não é violento? É claro que é violento, apanhar na cara não é violência? Mas tem regras, existe uma igualdade. Era um sacrifício danado, porque eu não era muito mais pesado que o peso galo, que é 53,5 kg. E chegava a 55kg, 54 kg, sem treino. Quantas e quantas vezes eu não passei com fome. E lutava com fome… Nocauteava rápido para ir para casa comer (risos)!

Uma curiosidade é o fato de você ser vegetariano desde essa época. Nunca teve algum prejuízo na preparação?
Eu como macarronada, como arroz e feijão, batata cozida ou frita e muito esporadicamente ovo. Tomo leite, iogurte, coalhada, mel… E nunca fez falta comer carne. Hoje até tenho nojo quando vejo gente comendo carne. É um contrassenso no esporte, mas eu sempre estive bem fisicamente.

As suas únicas derrotas foram para o japonês Fighting Harada. Qual o sentimento daqueles únicos tropeços?
Foi um momento de muita tristeza. Mas na minha concepção eu não havia perdido a luta. Porque se o juiz atuasse como um juiz de ringue, ele teria sido desclassificado. Ele deu cotovelada, deu cabeçada, me segurou. No boxe não pode fazer isso. Ele era bom, tinha um preparo físico que eu nunca vi igual em um lutador. Parecia que davam corda nele entre os assaltos.

Depois, você parou no boxe e fez uma série de exibições pelo Brasil. Isso encorajou sua volta?
Foi gostoso, a gente ia para o interior e enchia os ginásios. Eu tinha sido campeão mundial e depois de alguns meses das derrotas fui fazer essas exibições. E isso acabou ajudando para que eu voltasse ao boxe, eu vi que o povo estava do meu lado. Passei a peso pena, com alguns quilos a mais, e fiquei mais forte.

Mas seu filho também ajudou para essa volta, não é?
Foi mesmo. Ele falou: ‘Pai, o que você trabalha? Você não faz nada?’. Eu falei, ‘como não faço nada? Treino pra caramba’. Mas ele, molecão, ainda não sabia muito bem das coisas e decidi mostrar a ele o que eu fazia. Voltei e fui campeão de novo. Peguei paradas duras e nunca sofri uma derrota como peso pena.

Quais foram as diferenças entre os títulos?
Do pena foi mais fácil. Apesar de todas as lutas serem difíceis, eu ganhei todas. Fiquei entusiasmado, podia comer bem. Isso que era gostoso, fazer um treino puxado e poder me alimentar. Não tinha nada igual.

O fim de sua carreira foi complicado pela morte do Kid Jofre, seu pai e seu técnico desde o início, e de seu irmão, Dogalberto. A decisão de parar foi óbvia, por conta disso?
Era um momento de refletir bastante, pensar bem. Agora não sei falar o que passou na minha cabeça naquele momento, mas foi difícil… Tem mil palavras para enaltecer meu pai. Ele me passou a competência dele, os ensinamentos, e felizmente, como filho, pude assimilar tudo e ser bicampeão mundial. Infelizmente ele pegou câncer de tanto fumar. Depois que meu pai faleceu, meu irmão me ajudou, foi ele quem cuidou da academia. Modéstia à parte, eu sabia mais que ele, mas ter o incentivo do meu irmão fazia a diferença. Minha família felizmente sempre foi unida.

Fora do esporte você foi para a política, sendo eleito vereador em São Paulo. Porque não seguiu carreira até hoje?
Meu Deus do céu, haja paciência! E sabe por quê? Você sai na rua e todo mundo vem pedir uma casa, uma ajuda, uma graninha. É demais. Deu certo, mas em uma das eleições um cara colocou no jornal que eu não tinha feito nada. Fiz um montão de projetos, mais de 30. Aquela lei dos assentos para idosos nos ônibus e a do passe gratuito para eles é minha. Só que quando não fui eleito novamente decidi parar. Se o povo não quer, eu não vou.

Há muitas diferenças do boxe de seu tempo com o que começou nos anos 80 e deu nova vida ao esporte. Como você vê isso?
Infelizmente Kid Jofre já morreu. Ele sabia ensinar o boxe. É preciso ter técnica. Pra saber jogar futebol, o cara precisa saber driblar. Nós devemos aplaudir o Mike Tyson, ele não foi um garoto como eu, que desde moleque lutava. Só depois de muitos problemas ele se dedicou e foi o campeão que foi, um fenômeno para o boxe que fez muita gente voltar a lutar, levou o público aos ginásios. São essas coisas que fazem o boxe acontecer. Me mostra aqui no Brasil quem pode fazer isso… Nós temos bons lutadores, mas que não aparecem porque não têm chance de se dedicar aos treinos pela falta de apoio.

Do que você tem saudades?
Tenho saudade do tempo que eu lutava. Dá saudade, sim. Porque é gostoso, se você está fisicamente e tecnicamente bem, entra no ringue e não está nem aí com o Zé Mané que vai entrar do outro lado.

E resta algum sonho?
Eu sonho ver o Raphael como campeão, enaltecendo ainda mais o nome da família. Não é fácil, mas com muito treinamento e dedicação ele pode chegar lá.

Do Uol

Vítima de Eder pelo cinturão, mexicano se rende em elogios: ‘perfeito’

Perder nunca é bom. No boxe, pior ainda. Existe cena mais humilhante que terminar uma luta “dormindo” sobre a lona? Que o diga Eloy Sanchez, que perdeu a chance de ser campeão mundial ao enfrentar um dos melhores pesos galos da história: Eder Jofre. “Foi moleza”, diz o brasileiro, que nocauteou o rival no sexto assalto. Apesar disso, o que resta na memória do mexicano de 75 anos está longe de ser uma mancha negativa.

“Ele foi um grande campeão. Muito forte, muito duro. A sua técnica era perfeita e ele era um pugilista consistente, com uma mão pesada. Era um grande pegador”, elogiou Sanchez em conversa com o UOL Esporte, 50 anos depois da luta no Olympic Auditorium, em Los Angeles, Estados Unidos.

Eder e Eloy se enfrentaram pelo título vago dos galos, depois de Joe Becerra se aposentar precocemente. Foi Sanchez quem acabou com a carreira do grande campeão mexicano, com um nocaute no oitavo assalto. Um desconhecido, ele bateu Becerra em luta que não valia o cinturão do compatriota, que desgostoso pendurou as luvas.

A expectativa de Eder era enfrentar Becerra. Seu rival anterior, Joe Medel, serviu como um degrau para lutar pelo título, em luta eliminatória. Em vez disso, a National Boxing Association, dos EUA, colocou Sanchez em seu ranking e validou a luta contra o brasileiro – já a União Européia de Boxe realizou uma luta entre europeus, mas posteriormente Eder unificou os cinturões. Naquela ocasião, o paulista de 24 anos tinha 34 vitórias e três empates, enquanto o rival possuía cartel muito inferior, com 25 triunfos e 12 reveses.

A vantagem de Sanchez era a torcida em massa a seu favor, fruto da grande imigração de mexicanos para os Estados Unidos. A pressão – com direito a xingamentos e ameaças – não teve efeito no Galo de Ouro, que conquistou o primeiro cinturão mundial para o Brasil.

“É sempre triste, mas perdi em boas mãos, o Eder era um tremendo lutador. Tenho muito carinho por ele”, diz Eloy, que é só elogios. “Com certeza foi o oponente mais duro da minha carreira, na forma de golpear e de aguentar os golpes. Ele atirava socos tremendos e acabou me derrubando.”

Uma diferença entre Sanchez e Jofre é o reconhecimento, que fica imortalizado entre os mexicanos, amantes de boxe e donos de inúmeros títulos mundiais durante a história. Esta história, por sinal, que é relembrada pela união dos próprios pugilistas.

“No México há um restaurante muito charmoso em que os pugilistas se reúnem no segundo domingo de cada mês. É um jeito de conversarmos, nos conhecermos e não deixar nossa história morrer”, explica ele, que se aposentou em 1965, com 37 vitórias e 22 derrotas. Seu grande feito, como ele mesmo mostra reconhecer, foi ter escrito seu nome na história ao perder para um ilustre “galinho dourado”.

Do Uol

Eder Jofre celebra ‘redescobrimento’ nos 50 anos do 1º título mundial do Brasil

18 de novembro é um dia de festa para um senhor de 74 anos. Usar o termo “senhor”, porém, é uma heresia para Eder Jofre, um homem que, apesar de cabelos brancos e rugas, não parece aparenta as mais de sete décadas que viveu. Físico impecável e jeito vivaz, alegre, sempre com uma piada na ponta da língua para descontrair o clima. A memória já não é a mesma, mas, quando Eder desata a falar sobre essa data, não faltam histórias. Essas mesmas histórias, aliás, foram sucesso nos anos 1960 e 1970, mas acabaram ficando esquecidas, guardadas de canto. Até agora.

Nesta quinta-feira, o Brasil – ao lado de Eder, claro – comemora 50 anos de seu primeiro título mundial de boxe. Com apenas 1,64 m de altura e pouco mais de 50 kg, o Galo de Ouro comprovou ser um gigante dos ringues ao derrotar o mexicano Eloy Sanchez no sexto assalto, em Los Angeles, nos Estados Unidos. No centro de uma torcida hostil, usou os notáveis punhos para derrubar o rival em menos de 20 minutos de ação, no sexto assalto. “Essa luta foi molezinha”, gosta de se vangloriar. Era o primeiro de oito títulos do Brasil, dois de Eder (este como peso galo e um como peso pena), quatro de Popó, um de Miguel de Oliveira e um de Sertão.

Um feito. Não à toa, 20 mil brasileiros o receberam no aeroporto após a conquista. Festa São Paulo a dentro, até sua casa, no Parque Peruche. No século 21, porém, são poucos os que sabem realmente quem foi Eder Jofre, um dos grandes esportistas das antigas no Brasil, ao lado dos também lendários Emerson Fittipaldi, Maria Esther Bueno e Adhemar Ferreira da Silva.

Para muitos indiscutivelmente o melhor pugilista do país na história, nunca foi visto pela maioria da nova geração de fãs do esporte. Diferentemente dos gols de Pelé, os vídeos de seus feitos não atravessaram o tempo e poucas vezes foram mostrados na TV. Em 1960, o mais comum era ouvir os feitos do herói pelo rádio – ou aguardar pelas exibições no cinema.

“Hoje, quando eu saio na rua, de 500 pessoas umas duas ou três me reconhecem. Mas já fui muito assediado”, conta Eder, que deixava restaurantes pelos fundos para evitar os populares e era presença certa nos jornais da época a cada passo que dava, dos treinos ao casamento com a esposa Cidinha, com quem vive até hoje em São Paulo, em apartamento próximo à avenida Paulista.

“Mas fui muito recompensado, até hoje me conhecem. É pouca gente, mas às vezes ouço: ‘ô campeão!’. Ainda tem gente que vem tirar foto”. Antes mesmo do título mundial Eder já era festejado. Cria da família mais tradicional do boxe brasileiro, era o “novo Zumbano”, filho do técnico Aristides “Kid” Jofre e Angelina Zumbano. Seus passos foram acompanhados desde as primeiras lutas. Em muitas delas, saiu carregado do ginásio com seus nocautes avassaladores.

Eder Jofre admite que os tempos de lutas fazem falta. Ele vive de renda, do aluguel de alguns imóveis. “Do que tenho saudade? Ah, dos tempos em que eu lutava. Dá saudade, sim. É gostoso, envaidece. Se você está fisicamente e tecnicamente bem, é muito bom lutar. Você entra no ringue e não está nem aí com o Zé Mané que vai entrar do outro lado”, conta ele, que derrotou “Zé Manés” 72 vezes na carreira, com quatro empates e apenas duas derrotas, para o japonês Fighting Harada.

É por conta dessas saudades e também para manter a saúde em dia que Eder Jofre não se esquece do pugilismo. Três vezes por semana vai a uma academia próxima de seu prédio. Bate corda, faz alongamento, salta, bate no saco de areia, treina no punching ball… Tudo o que o pai e técnico Kid Jofre ensinou em quase quatro décadas de parceria nos ringues, encerrada só com a morte do pai, de câncer.

“Teria mil palavras para enaltecer meu pai. Ele me passou a competência dele, os ensinamentos e como seu filho eu pude felizmente assimilar tudo e ser bicampeão mundial. Infelizmente ele pegou câncer de tanto fumar”, lembra, emocionado, o Galo de Ouro.

Jofre pode estar “velhinho”, mas manteve a coragem e a ousadia dos tempos de garoto. Recentemente, foi desafiado por um grandalhão de 1,80 m. Resolveu levar o duelo para a academia.

“Eu vim treinar e um cara veio pedir para fazer luva comigo, desafiando. Eu não estava a fim, mas ele veio: ‘pô meu, vamos fazer aí’. Só faltou ele dizer que ia bater devagar”, conta, com cara de desdém “Então eu falei, ‘vamo lá’. O cara era maior que eu, mais pesado… Mas não sabia mais que eu (risos). No segundo round ele desistiu, eu quebrei ele. Dei umas pancadas no fígado, umas bordoadas na cara, um upper no nariz (risos). Bater em mim? Eu sou bicampeão mundial de boxe!”.

O reconhecimento ainda é um problema no Brasil, mas Eder não lamenta. Usa o aniversário do título para relembrar as histórias, reavivar a memória dos brasileiros que o conheceram e levar suas conquistas aos novos fãs do esporte.

“As pessoas que não conhecem vão ficar conhecendo por causa de vocês. Porque hoje me deram oportunidade de falar, contar minha história. Agradeço por poder falar quem eu fui, o que eu fiz”, diz, com simplicidade digna de poucos campeões. “É gratificante. Valeu a pena todo o sacrifício, toda pancada que levamos, todo supercílio que ficou aberto.”

Fittipaldi foi testemunha; Popó só ouviu falar
Quem falou sobre o tema nos últimos dias, ilustrando bem a situação dos ídolos nacionais que acabam desconhecidos do novo público foi Emerson Fittipaldi. Durante uma entrevista coletiva do evento em que pilotou sua antiga Lotus, ele lembrou do pugilista.

“Há dois anos fui ao aniversário do Michael Jackson e, conversando com Mike Tyson, ele me contou ter todos os vídeos do nosso maior pugilista. Quando pensei que ele se referia a Popó, ele disse: Eder Jofre”, contou Emerson.

Já Popó, tetracampeão mundial como peso superpena e também na categoria leve, é só elogios ao ídolo, mesmo nunca tendo visto suas lutas.

“Não fui do tempo dele, mas pelas histórias que sempre ouvi sei que foi um grande lutador, um grande campeão. Tenho uma luva autografada até hoje e para mim foi uma emoção muito grande estar ao lado do maior ídolo do boxe brasileiro”, disse o baiano.

A luta do título
Eder Jofre fez sua mais importante luta em frente de um mar de mexicanos. “Sanchez vai te derrubar. Ele vai te nocautear”, gritava a torcida no Olympic Auditorium, em Los Angeles, nos Estados Unidos, naquele 18 de novembro de 1960.

Após vencer Joe Medel em uma eliminatória para o título, Eder enfrentaria o campeão Joe Becerra, lutador de qualidades notáveis. A luta, porém, nunca saiu do papel. Eloy Sanchez nocauteou o então campeão em uma luta que nem valia título, no oitavo assalto. Foi humilhante demais para o campeão, que se aposentou e deu a chance ao rival de lutar pelo cinturão.

A National Boxing Association – entidade dos EUA -, resolveu colocar Eder e Sanchez para se enfrentarem pelo título. O brasileiro chegou com cartel muito superior: 34 vitórias e três empates, contra 25 triunfos e 12 reveses do mexicano.

A superioridade de Jofre foi maior do que a lavada no público: 500 brasileiros contra dez mil mexicanos. Henrique Matteucci, na biografia “O Galo de Ouro”, descreve o sexto e definitivo assalto, depois de Eder ter levado alguns bons golpes do rival:

“Foi quando Eder inclinou ligeiramente o corpo e atirou um gancho de esquerda no fígado, seguido por um cruzado de direita na mandíbula. Eloy caiu de bruços, definitivamente batido, e Eder afastou-se para esperar a contagem.”

O público contou em coro com o árbitro até dez: era a coroação de uma carreira construída com louvor por Kid Jofre, pai e técnico de Eder, que soube aliar seu talento para ensinar com a vocação do filho para bater.

Pai, mãe e a noiva Cidinha sofreram para parabenizar o novo astro dentro do ringue, já invadido por uma multidão, que o carregava. Mesmo os mexicanos se renderam ao brasileiro. Até hoje ele é considerado por muitos o melhor peso galo da história.

De volta ao Brasil, dois dias depois, Eder foi recebido por 20 mil pessoas no aeroporto. No total, cerca de 100 mil o parabenizaram nas ruas, no caminho de seis quilômetros até sua casa, distância percorrida em carro do Corpo de Bombeiros. A recepção só foi inferior à da seleção brasileira de futebol, campeã da Copa de 1958.

Neste caminho, muitos se surpreenderam, questionando se era possível um campeão mundial de boxe ser tão pequenino, com 1,64 m, e podendo pesar apenas 53,525 kg. Mas ficaria comprovado mais uma vez, com a unificação dos títulos dos galos e mais um título mundial, como peso pena, que naquele corpo diminuto havia um enorme campeão verde-amarelo.

Do Uol

Fora do ringue, Eder tentou o futebol, mostrou talento na arte e foi vereador

Eder Jofre fez uma carreira irreparável no boxe, com seus dois títulos mundiais e o reconhecimento de ser um dos melhores pugilistas da história. Mas a modalidade tradicional entre a sua família, os Jofres e os Zumbanos – união nascida do casamento de seus pais -, não foi a única profissão que surgiu pela vida do paulistano.

O boxe foi herança de família. Aos 3 anos o pai Aristides “Kid” Jofre dava as luvas para o pequeno garoto lutar. Para não ficar na rua, Eder treinava. Sua primeira luta foi contra a própria irmã, Lucrécia, em uma exibição

Mas não era só no que ele pensava. O Brasil mostrava talento no futebol com o surgimento de craques como Leônidas da Silva. Então, por que não tentar um futuro trocando as mãos pelos pés? Eder começou a jogar bola e logo se destacou nas partidas como um ponta esquerdo talentoso. Pequenino e magro, mas veloz, era descrito como tendo uma boa corrida, um bom drible, além de ter facilidade de chutar com os dois pés.

Desgostoso, o técnico Kid Jofre só voltou a sorrir quando um cronista esportivo conversou com Eder e o convenceu de seu talento no boxe. Mais tarde, ele defenderia as cores do São Paulo como pugilista, seu clube de coração.

Então, o adolescente voltou a conciliar seu tempo entre os treinos na academia localizada na rua Santa Ifigênia, no centro de São Paulo, e o trabalho de serralheiro no Chaveiros Zumbano.

Antes ou depois do boxe, um hobby não esquecido por Eder foi a arte. Apesar da mão pesada com as luvas, sempre gostou de desenhar. Seu trabalho foi ao grande público com as ilustrações de sua própria biografia, “O Galo de Ouro”, de Henrique Matteucci.

Já longe dos ringues, aposentado após uma longa e vitoriosa carreira, Eder passou por mais uma prova em relação aos seus torcedores e o público brasileiro. Ele resolveu se candidatar às eleições em uma época em que esportistas candidatos eram raros. Eder conseguiu os votos necessários e se elegeu como vereador na câmara de São Paulo.

Eder foi eleito em 1986 e por 16 anos conseguiu manter a cadeira. “Aquela lei dos assentos para idosos nos ônibus e a do passe gratuito para eles é minha”, reinvindica, e reclama do cargo. “Você sai na rua e todo mundo vem pedir uma casa, uma ajuda, uma graninha. É demais. Em um momento começaram a falar mal de mim e eu não consegui ser eleito novamente. Decidi parar. Se o povo não quer, eu não vou.”

Hoje, Eder vive apenas de sua renda, com apartamento próprio próximo à avenida Paulista, moradias de aluguel e carro importado na garagem. Mas sem soberba e com um aviso: “Você que já tá pensando em dar um aperta nesse senhor, pode pensar duas vezes. Eu ainda consigo pegar muito marmanjo!”, avisa o bicampeão.

Do Uol