Perder nunca é bom. No boxe, pior ainda. Existe cena mais humilhante que terminar uma luta “dormindo” sobre a lona? Que o diga Eloy Sanchez, que perdeu a chance de ser campeão mundial ao enfrentar um dos melhores pesos galos da história: Eder Jofre. “Foi moleza”, diz o brasileiro, que nocauteou o rival no sexto assalto. Apesar disso, o que resta na memória do mexicano de 75 anos está longe de ser uma mancha negativa.
“Ele foi um grande campeão. Muito forte, muito duro. A sua técnica era perfeita e ele era um pugilista consistente, com uma mão pesada. Era um grande pegador”, elogiou Sanchez em conversa com o UOL Esporte, 50 anos depois da luta no Olympic Auditorium, em Los Angeles, Estados Unidos.
Eder e Eloy se enfrentaram pelo título vago dos galos, depois de Joe Becerra se aposentar precocemente. Foi Sanchez quem acabou com a carreira do grande campeão mexicano, com um nocaute no oitavo assalto. Um desconhecido, ele bateu Becerra em luta que não valia o cinturão do compatriota, que desgostoso pendurou as luvas.
A expectativa de Eder era enfrentar Becerra. Seu rival anterior, Joe Medel, serviu como um degrau para lutar pelo título, em luta eliminatória. Em vez disso, a National Boxing Association, dos EUA, colocou Sanchez em seu ranking e validou a luta contra o brasileiro – já a União Européia de Boxe realizou uma luta entre europeus, mas posteriormente Eder unificou os cinturões. Naquela ocasião, o paulista de 24 anos tinha 34 vitórias e três empates, enquanto o rival possuía cartel muito inferior, com 25 triunfos e 12 reveses.
A vantagem de Sanchez era a torcida em massa a seu favor, fruto da grande imigração de mexicanos para os Estados Unidos. A pressão – com direito a xingamentos e ameaças – não teve efeito no Galo de Ouro, que conquistou o primeiro cinturão mundial para o Brasil.
“É sempre triste, mas perdi em boas mãos, o Eder era um tremendo lutador. Tenho muito carinho por ele”, diz Eloy, que é só elogios. “Com certeza foi o oponente mais duro da minha carreira, na forma de golpear e de aguentar os golpes. Ele atirava socos tremendos e acabou me derrubando.”
Uma diferença entre Sanchez e Jofre é o reconhecimento, que fica imortalizado entre os mexicanos, amantes de boxe e donos de inúmeros títulos mundiais durante a história. Esta história, por sinal, que é relembrada pela união dos próprios pugilistas.
“No México há um restaurante muito charmoso em que os pugilistas se reúnem no segundo domingo de cada mês. É um jeito de conversarmos, nos conhecermos e não deixar nossa história morrer”, explica ele, que se aposentou em 1965, com 37 vitórias e 22 derrotas. Seu grande feito, como ele mesmo mostra reconhecer, foi ter escrito seu nome na história ao perder para um ilustre “galinho dourado”.
Do Uol
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