Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, acabo de descobrir que fomos vítimas de uma grande ilusão de ótica e que não ocorreu crime algum na gestão Carlos Miguel Aidar na presidência do São Paulo.
A juiza Marcia Mayumi Okoda Oshiro absolveu Carlos Miguel Aidar, Leonardo Serafim, Cinira Maturana, Douglas Schwartzmann e José Roberto Cortez sumariamente por falta de provas (na visão dela). Bem, como ela disse que não existem provas, só posso concluir que tivemos uma grande ilusão de ótica, senão vejamos:
- Não houve contrato com a Far East, assinado por Carlos Miguel Aidar, Júlio Casares, Douglas Schwartzmann, Leonardo Serafim e Osvaldo Abreu, que previa uma comissão de R$ 18 milhões para Jack Banashfeha por intermediar o acordo com a Under Armour. Tudo não passou de ilusão de ótica;
- Nunca houve qualquer negócio em contratação de jogadores envolvendo o escritório de José Roberto Cortez. O que foi visto no processo foi mera ilusão de ótica;
- Iago Maidana não custou R$ 200 mil ao Monte Cristo em um dia, junto ao Criciuma não custou R$ 2 milhões ao São Paulo, no dia seguinte;
- Não houve cheque algum de R$ 30 mil nem de R$ 50 mil na conta de Leonardo Serafim, depositado pela namorada de Carlos Miguel Aidar;
- Nunca houve a discussão, com vias de fato, entre Atayde Gil Guerreiro e Carlos Miguel Aidar por conta de dinheiro sujo. Também foi ilusão de ótica.
Porém, como estou com muita ilusão de ótica, acho que também não houve a renúncia de Carlos Miguel Aidar à presidência do São Paulo por conta das denúncias de corrupção. Também entendo que foi ilusão de ótica o Conselho Deliberativo ter vetado o pagamento dos R$ 18 milhões para a Far East. Da mesma forma foi ilusão de ótica a decisão do Conselho Deliberativo ao ler o recomendado pela Comissão de Ética e ter expulso Carlos Miguel Aidar.
No entanto, vou analisar algo aqui e pediria o apoio de vocês, se é que também não estão com ilusão de ótica. Num trecho da matéria sobre o assunto , a juiza em questão diz que “além disso, afirma que o São Paulo se manifestou no processo “reconhecendo o direito do escritório contratado em receber os honorários e informando que os pagou, conforme a decisão judicial. Informou, por fim, não ter ocorrido qualquer furto”.
O fato é que o responsável por essas informações no processo foi…foi…Leonardo Serafim, coincidentemente investigado pelo Ministério Público no assunto. Aliás, as informações pedidas pela Justiça ao São Paulo foram dadas por uma diretoria que tem Júlio Casares, Douglas Schwarzmann e Leonardo Seafim. No mínimo, tudo está “viciado”, no termo jurídico. Terá sido mais uma ilusão de ótica?
Ah, apenas para constar, Leonardo Serafim continua dando as cartas, ainda que subliminarmente, no departamento Jurídico do São Paulo.
Algumas coisas que me vem à cabeça: sou muito grato a meu avô e meu pai por me terem feito são-paulino. Repito: sou muito grato (se bem que algumas vezes, como hoje especificamente, sinto vergonha disso). Aliás, eu tenho que sentir vergonha da Justiça, porque o São Paulo já me fez passar muita raiva e muita vergonha.
Cheguei a meditar, antes de escrever esse editorial, em me despedir e encerrar o Tricolornaweb e a Web Rádio São Paulo. Mas aí percebi que tudo isso também pode ser uma ilusão de ótica. A atual diretoria ter aumentado a dívida em um ano em R$ 120 milhões é uma ilusão de ótica; o São Paulo estar muito bem, em todos os sentidos, é uma ilusão de ótica.
O que espero, por fim, é que o Ministério Público recorra desta esdrúxula decisão. Para que o São Paulo não passa a ser, para mim e tantos outros que lutam para vê-lo sempre bem, melhor e melhor, uma mera ilusão de ótica.