Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, o São Paulo empato com o Bahia de forma bisonha neste domingo, perdendo dois pontos “imperdíveis” para quem almeja disputar o título, ainda que seja algo utópico, brigar pelo G4 ou, ainda, fugir totalmente do Z4. CAlleri ficou quase cinco minutos dos acréscimos do segundo tempo com a bola perto da bandeira de escanteio. Ganhou faltas, tomou “ombrada” no queixo, caiu, arrumou confusão. Para em 40 segundos o Bahia ganhar um tiro de meta e marcar o gol.
O São Paulo esteve melhor em boa parte do jogo. Marcou o gol, tirou os espaços do Bahia e, mesmo recuado, teve três contra ataques que poderiam ter matado o jogo com uma bela goleada. Mas não temos jogadores de velocidade (só o Arthur) nem lançadores (só o Arthur). Não dá para assobiar e chupar cana ao mesmo tempo. Não existe jogador que bata escanteio e vá na área cabecear.
Quando o Bahia empatou, até ameaçou virar. Mas Calleri acertou uma assistência perfeita para Ferreira marcar e aí tudo parecia ter acabado.
Mas vamos voltar um pouquinho no jogo. Roger não fez nenhuma alteração no intervalo, porque não deveria mesmo. O time estava bem. Aí com cinco minutos do segundo tempo perde Lucas Ramon contundido. Queima a primeira colocando Cedric.
Qualquer torcedor menos entendido de futebol sabe que Lucas só estava no banco para sentir de novo o clima no estádio e que se entrasse, só seria com o jogo ganho, para jogar 15 minutos. Mas Roger queima a segunda substituição colocando Lucas com 15 minutos. Para piorar, queima as outras três – claro, só tinha mais uma parada – com 27 minutos. E Lucas se machuca logo em seguida e ficamos com dez em campo.
Ah, dirão alguns, mas quem poderia imaginar que o Lucas iria se machucar? Em primeiro lugar, técnico tem que ser precavido e inteligente na hora de mudar. Roger só colocou Lucas por questões de pressão e de politica. Na cabeça dele (e de Rui Costa) passou o filme de Lucas entrando, voltando dois meses antes do previsto, todos os méritos para o novo Departamento de Excrecência Médica -, faz um gol, a torcida vai ao delírio e todos viram heróis. Só que o filme não contava que, ao invés de uma epopeia, traria conteúdos shakespeariano no fim. Mostrou, sim, absoluta incompetência do treineiro. Nunca, eu disse NUNCA se coloca um jogador que está voltando de uma lesão grave em campo quando você já fez uma alteração por contusão e vai ficar com apenas mais uma parada.
Aí, para completar o quadro de Shakespeare, tiro de meta batido (depois de Calleri segurar a bola quase cinco minutos na bandeira de escanteio), um lateral recebe, vira para o outro, a bola é cruzada na área, Sabino desvia para cima e nosso goleiro, ao invés de fazer o óbvio, que é espalmar para fora (junto ao travessão), tenta agarrar e cai dentro do gol. Ou seja: ele recolocou uma bola que estava quase fora em jogo e deu o gol ao Bahia.
Time mal montado, jogando com dez, ganhando o jogo e consegue a peripécia de tomar um contra-ataque aos 56 minutos do segundo tempo.
Realmente é o retrato do São Paulo. Que passa por toda a corja que o administrou por cinco anos (80 por centro dela continua lá) e desagua no campo, com plena incompetência de muitos que vestem nossa camisa.