Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, eu deveria ter acreditado: tudo acabou em pizza na terça-feira da semana passada, numa pizzaria do Morumbi. Assim terminou a reunião do Conselho Deliberativo, tão aguardada para a noite de ontem.
De novo – e interessante – a aprovação da terceira camisa do São Paulo, sendo obrigatória as presenças das cores do clube. Nada de jogar de roxo, cinza ou outras cores que não as nossas tradicionais. E a fala de Abílio Diniz, que até outro dia era um crítico voraz da atual diretoria, e hoje é carregado nos braços pelo presidente. E muito blá blá blá.
A explicação que se esperava não veio. Douglas Schwartzmann, que havia dito que explicaria na reunião do Conselho a sua imoral – apesar de legal – ligação com Jack Banafsheha, não veio. E, até onde fui informado, já que um grande painel foi colocado em frente à sala de vidros, nenhum telão foi disponibilizado e o som da reunião foi cortado, apenas o vice-presidente de futebol, Ataíde Gil Guerreiro, foi questionar Douglas sobre o assunto – e fora do microfone, em off -, pedindo explicações, e o vice de Marketing se calou. E nada foi feito. O mesmo Ataíde que fez críticas ao presidente do Conselho, Carlos Augusto Barros e Silva durante a reunião. E Leco, que demonstrou omissão aceitando excluir da pauta o assunto Far East, retirou-se do plenário antes do final da reunião. Talvez por não querer responder, se o assunto surgisse, o caso Jorginho Paulista, por exemplo, que está causando grande prejuízo ao clube.
O Conselho Deliberativo do São Paulo me lembrou o Congresso Nacional. Denúncias aparecem, CPIs são criadas, mas quem tem maioria faz com que nada se investigue, nada se explique e a sujeira é jogada para baixo do tapete. Pior: conselheiros ligados à diretoria – alguns – comemoram o fato com o discurso de que “o São Paulo está unido novamente”. Em que?
A Far East foi retirada de pauta, diga-se de passagem, por pedido do presidente Carlos Miguel Aidar, que oficiou o Conselho afirmando que não pagaria a comissão à empresa. Disse que o CEO vai levantar contratos feitos com o Habib´s e outros, na era Juvenal Juvêncio, e este da Far East.
É evidente que o Tricolornaweb se sente vitorioso nessa questão. Não fosse a matéria publicada semana passada, o rolo compressor da diretoria poderia ser passado no Conselho e a oposição não teria forças para barrar esse que, se investigado, pode se tornar num dos grandes escândalos do clube. Foi a partir da nossa publicação, com repercussões em outros vários órgãos sérios de imprensa, e que gerou repulsa do presidente, com ameaças infundadas e desmascaradas aqui, que ele sentiu-se coagido e pressionado a suspender esse pagamento.
Mas, por outro lado, não posso deixar de me indignar e questionar: que empresa é esta tal de Far East? Será que alguém, tipo Douglas Schuartzmann, poderia me apresentar ao Jack Banafsheha? Gostaria de saber se ele pode intermediar contratos de patrocínio para o Tricolornaweb. Prometo a ele, em contrato, uma comissão de 20 por cento. Três meses depois do negócio efetuado digo a ele que só pagarei 15 por cento e, alguns dias depois, digo que não vou pagar nada. Será que ele vai agir comigo como está agindo com o São Paulo? Toma um “calote” de R$ 18 milhões e fica quietinho? Não entra na Justiça para processar o clube por que?
Por tudo isso que não vamos parar. O Tricolornaweb continua investigando a Far East e espero, em breve, ter mais novidades. Estou acostumado em minha carreira, modéstia à parte, vitoriosa, a lidar com as maiores corrupções da história do País. Participei diretamente do impeachment de Fernando Collor de Mello. Então não me tratem como agitador ou coisa que o valha. Apenas, como jornalista, quando sinto faro de que algo está errado, vou a fundo até desvendar a última linha do novelo de lã.
E nem por isso deixou de me emocionar cada vez que ouço o Hino do nosso São Paulo, ou vejo nosso time em campo.Aliás, é por amar tanto este clube, sem interesses escusos, que estou nessa empreitada.