Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, para quem acha que dezembro é mês chato, com férias dos jogadores, falta de notícias, no caso específico do São Paulo demora na contratação do técnico e falta de transparência nas investigações contra Carlos Miguel Aidar, a quinta-feira foi um prato cheio: juntou tudo isso e mais um pouco.
Comecemos pelo novo técnico. Tudo o que sei de Edgardo Bauza é que é bicampeão da Libertadores da América, com o modestíssimo LDU e o não tão potente San Lorenzo, o time do Papa. Seria um currículo genial para uma pessoa dirigir um time de uma torcida apaixonada pelo torneio sul-americano. Mas seria muita pretensão minha falar que conheço seu trabalho, pois não acompanho o campeonato argentino e o muito que vi foi a participação do San Lorenzo na Libertadores que ganhou, sem me fixar no esquema tático montado.
Pelo que li, em vários sites e jornais, pelo que ouvi de vários analistas, ele seria o oposto de Juan Carlos Osorio. Enquanto o colombiano priorizava o ataque, com marcação alta, ou seja, na saída de bola do adversário, Bauza monta time com forte marcação, diminuindo o campo e fazendo com que a batalha pela posse de bola se trave no meio de campo, com saída rápida e com volume quando retomada a bola. Seria, digamos, um estilo Tite.
De qualquer maneira apoio integralmente sua contratação, pois sairemos da mesmice. Claro que meu nome seria Cuca. Mas em não sendo possível, nenhum nome no Brasil me agrada. E ele será uma novidade, assim como foi Osorio.
Mas a quinta-feira também foi dia de ouvirmos a gravação feita por Ataíde Gil Guerreiro da conversa com Carlos Miguel Aidar. Ficou claro a corrupção de Aidar e Douglas Schwartzmann, nas palavras do próprio ex-presidente. E não adianta vir com cartinha de apoio, desdizendo o que disse, pois isso é típico dos políticos que estão envolvidos em sujeira até o pescoço e buscam apoiar seus comparsas publicamente para não ver sua situação mais deteriorada.
Com esta divulgação pública, já, agora, de domínio de toda a coletividade Tricolor, com sua degravação e registro em cartório, a Comissão de Ética, presidida por Opice Blum, não tem mais como negar o óbvio e o presidente do Conselho Deliberativo tem obrigação de cobrar uma posição firme da Comissão de Ética e ser firme, também, nas punições. Na minha opinião, Carlos Miguel Aidar e Douglas Shwartzmann não tem mais a menor condição ética e moral de pertencerem ao quadro social do São Paulo. E ainda devem ser processados criminalmente.
Percebi, aqui mesmo no Tricolornaweb, críticas vorazes contra Ataide Gil Guerreiro, colocado como cúmplice de tudo ou, na melhor das hipóteses, omisso. Minha visão não é esta. Por mais que eu também esteja cético em relação a algumas coisas no departamento de futebol, não sou daqueles críticos que pedem a saída de Ataíde. Conversando com ele como o fiz ontem, pude perceber muita sinceridade em suas palavras. Ele poderia ter simplesmente saído do cargo ao não concordar com tudo o que estava acontecendo. Não poderia nunca provar a corrupção. Ao invés disso ficou, foi coletando provas, conseguiu a gravação e forçou a saída de Aidar. Garanto que para a instituição seria muito mais maléfica a saída de Ataide sem provar nada do que ter ficado e derrubado Aidar.
Acho que estamos começando a virar o jogo. A diretoria, taxada de lenta até por mim – com ressalvas -, deu a resposta e, a princípio, entendo que acertou. Agora é esperar para ver o ritmo das contratações, pois até onde sei ele vai pedir três ou quatro reforços, e torcer para que as coisas voltem para o seu devido lugar. É a esperança de um bom 2016.