Em Rosário, time honrou a camisa que entorta varal

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, o São Paulo mostrou em Rosário que sua camisa entorta varal. Segurou a pressão, uma arbitragem caseira – no primeiro tempo -, jogou com um a menos desde os 36 minutos do primeiro tempo, e saiu com um empate. Não seria nada injusto se conseguisse a vitória, pois não se acovardou em nenhum momento e teve chances de gol.

Quando, no começo da semana, vieram as notícias que Diego Aguirre escalaria três zagueiros e três volantes, fiquei um tanto decepcionado, pois odeio esquemas defensivos. Mas entendi que nosso momento, que já vem de dez anos, é tão cruel e difícil, que precisamos urgentemente de um título, por menor expressão que tenha, para voltar a nos dar força e moral. Então aceitei a tese, jogando por um empate em Rosário para decidir aqui no Morumbi.

Aguirre posicionou bem o time, com tudo muito definido. Arboleda era o líbero, ficava lá atrás, enquanto Militão e Rodrigo Caio arriscavam algumas descidas. Regis e Reinaldo abertos e avançados, com Jucilei sendo o leão de chácara da defesa, tendo Petros ao seu lado e Liziero liberado para ir à frente. Essa postura permitiu que o São Paulo segurasse a pressão natural do dono da casa, que vai para o abafa nos primeiros 15 ou 20 minutos.

Então os problemas começaram a acontecer. A contusão de Reinaldo logo a 16 minutos quebrou o sistema que Aguirre havia desenhado para o time. Ele, então, passou Liziero para fazer a ala esquerda e Lucas Fernandes entrou no lugar de Reinaldo. Li algumas críticas à substituição no momento que ela foi feita. Alguns torcedores entenderam que Cueva deveria ter entrado. Errado. Cueva não marca ninguém e ali precisávamos de alguém que pudesse fazer a função que vinha sendo desenvolvida por Liziero.

Após a expulsão absolutamente injusta de Rodrigo Caio, Aguirre formou duas linhas de quatro, mantendo apenas Trellez mais adiantado. A pressão aumentou e aí começaram a se destacar Arboleda, que foi um monstro; Militão, que fez a melhor partida com a camisa do São Paulo; Nenê, pela experiência e técnica, além de Liziero, Petros, Jucilei, Régis, enfim, o time todo jogou para suprir a ausência do zagueiro que foi expulso.

No segundo tempo o São Paulo começou a administrar a partida e arriscar o ataque. Durante todo o tempo não deu para perceber que o time tinha um jogador a menos, pois jogava de igual para igual com o Rosário. A entrada de Bruno Alves foi precisa, para aumentar a altura na área defensiva, já que essa era a única jogada dos argentinos. Então Militão, que foi cobrir a lateral direita com a saída de Regis, era muitas vezes o terceiro zagueiro, enquanto Petros cobria esse lado do campo.

A entrada de Valdivia no lugar de Trellez seria para explorar a velocidade dele e de Lucas Fernandes, com Nenê mais centralizado. Seriam contra-ataques rápidos. O Rosário não deu chance para isso, mas acabou sucumbindo ante a forte marcação do São Paulo, que ainda teve uma bola na trave num chute de Nenê de fora da área.

A lamentar as cenas proporcionadas pelos torcedores argentinos, de puro racismo. O mínimo que espero é que o presidente Leco faça uma representação na Conmebol exigindo punião ao Rosário Central. Mas esperar isso de Leco é demais. Fomos prejudicados no primeiro tempo por um árbitro caseiro. Não temos força alguma na Conmebol. Aliás, não temos força alguma em qualquer federação. Nosso presidente, quando vai às reuniões, vai embora mais cedo por compromissos assumidos. Então temos que depender unica e exclusivamente a força do grupo, e da torcida, para revertermos situações adversas. Felizmente, desta vez, o quadro não está tão feio assim e ganharemos aqui o jogo da volta, tenho certeza.

Retranca nem sempre ganha jogo

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, parece que retrancas nem sempre são suficientes para evitar um mau resultado. O São Paulo de Aguirre, a cada jogo que passa, vem demonstrando mais e mais que vai ser um time fechado, explorando contra-ataques, jogando por uma bola. Só um time conseguiu fazer isso até hoje com pleno sucesso: o time treinado por Tite, cujo trabalho teve sequência com o atual técnico.

E olhem que o São Paulo nem jogou tão mal. No primeiro tempo, até sofrer o gol, fez muita marcação na frente, na saída de bola do Atlético, e parecia que dominaria  a partida. Mas bastou tomar o gol, numa pixotada de Rodrigo Caio, para o time se desestabilizar e se fechar por inteiro para não sofrer o segundo. Trellez ficava sozinho lá na frente, Nene e Marcos Guilherme voltavam para fechar as laterais e, com isso, tome sufoco para cima do São Paulo. Acabamos o primeiro tempo perdendo só por 1 a 0 e ficamos no lucro.

No segundo tempo, nada muito diferente. O São Paulo até encenou marcação avançada, mas voltou a recuar. Então começaram as bobagens de Diego Aguirre. De uma vez só colocou Regis e Cueva em campo, tirando Petros e Marcos Guilherme. Oras, se estamos perdendo a partida, por que tirar um atacante?

Mas vá lá. Imaginei: ele vai formar o 3-5-2, colocando Militão para formar o trio de zaga, liberando Regis e Reinaldo como alas, avançando Liziero, Cueva, Nenê e Trellez lá na frente. Nada disso. Ele deixou Regis, que é um lateral, jogando na função do Marcos Guilherme e Militão seguiu na lateral. Então tomou o segundo gol. Sinceramente, vi a viola em cacos. Pensei: definitivamente, Arena da Baixada e Copa do Brasil não combinam com o São Paulo.

Por sorte, poucos minutos depois, em bela assistência pela esquerda, Reinaldo serviu Trellez que marcou o gol do São Paulo. Isso seria suficiente para o São Paulo ir para a pressão. Até avançou um pouco, mas timidamente. E Aguirre fez mais uma: tirou Liziero, um segundo volante quase meia, para colocar Hudson, um primeiro volante brucutu. Passou, então, a segurar o 1 a 2. Ali seria óbvio que Lucas Fernandes deveria entrar, ou mesmo Brenner, passando Militão para volante e Regis ficando como lateral direito.

Mas Aguirre, definitivamente, tem a filosofia defensiva e tudo fará nesse sentido. Se pudermos empatar com um gol de volante, ótimo. Se não for possível, ao menos não vamos tomar outro gol.

Não concordo com essa filosofia. Se o São Paulo estivesse sendo sufocado, posso até admitir. Mas o Atlético marcou o segundo, tomou o gol e se preocupou em garantir o resultado. O São Paulo até foi à frente, mas com total carência de qualidade.

Esse é o resultado da filosofia defensiva desse treinador.

É possível reverter no Morumbi? Claro que é. Mas vamos precisar de mais ousadia, porque se o futebol for covarde, seremos eliminados mais uma vez da Copa do Brasil.

A derrota foi doída, mas vimos um time com atitude, sem amarelões.

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, é doído ser eliminado mais uma vez do Campeonato Paulista, não conseguindo chegar à final? Sim. É doído ser eliminado pelo Corinthians? Muito. É doído ser eliminado com um gol de cabeça de um “anão”, aos 3 minutos de um acréscimo inexplicável de cinco minutos? Muito, muito e muito. É doído ser eliminado, depois de tudo isso, nas cobranças de pênaltis, quando estávamos a dois minutos da classificação? Muito, muito, muito, muito, muito e muito.

Isso resume meu sentimento em relação ao final da partida, ao resultado que mais uma vez nos fez perder em Itaquera e nos manter como único time a não conseguir eliminar o Corinthians no Eliminates Stadium. Pior: nunca conseguimos uma vitória lá.

Inegável, no entanto, agora sim analisando o todo da partida, que vimos um São Paulo muito diferente do que nos acostumamos a ver nos últimos anos. Um time com atitude, encurtando a marcação, dividindo todas as bolas, não amarelando, tendo consciência e postura tática. Errada ou não, o fato é que o desenho era perceptível em campo.

Os quatro zagueiros bem distribuídos, Jucilei se fixando quase como um zagueiro na frente da dupla de área, Petros e Liziero completando esse triângulo, ficando Nenê com a responsabilidade de criar as jogadas para Marcos Guilherme e Trellez.

O primeiro tempo do São Paulo foi tão perfeito, no propósito que colocou em campo, que mesmo o Corinthians tendo maior posse de bola, conseguiu ter duas chances, com Emerson Sheik, ambas as bolas indo para fora. O São Paulo teve chances com Nenê, quase marcando um gol olímpico, com Militão e com Trellez, todos parando nas mãos de Cássio. O de Trellez o mais absurdo, pois um centro-avante não pode perder esse tipo de gol. Cássio estava fora da área. Se ele tocasse por cima, ou a bola passaria, ou Cássio cometeria a falta e poderia ser expulso. Ele fez tudo errado.

No segundo tempo o time recuou demais. Era lógico que o Corinthians iria aumentar a pressão. Precisava do gol. Mas continuou parando no bom posicionamento do time, que não dava espaço para jogadas. Nosso adversário passou a viver de cruzamentos, por cima e por baixo, sempre interceptados por Arboleda e  Bruno Alves, que faziam uma partida perfeita, de gigantes.

A saída de Nenê complicou tudo. Ouvi algumas críticas à substituição feita pelo Aguirre, mas o Nenê pediu para sair. Estava se arrastando em campo. Só que ele era o cara que segurava a bola, tinha a saída para o ataque, puxava dois ou até três jogadores corinthianos em sua marcação. O  São Paulo começou a cair a partir deste ponto, pois Lucas Fernandes não teve qualidade para suprir a ausência de Nenê, Diego Souza já entrou cansado e Caíque não viu a cor da bola.

O gol do Corinthians talvez tenha feito justiça ao time que mais atacou, mas penalizou, principalmente, Bruno Alves. Naquele espaço da área, a marcação sobre o Rodriguinho seria dele. Ele não estava ali. Estava atrás. É um erro primário de fundamento do zagueiro.

Nos pênaltis, pura loteria, a sorte pendeu para o lado deles. Aliás, aqui vou deixar a sorte de lado. Se Cássio teve muita sorte na defesa que fez do pênalti cobrado por Liziero, já que a bola bate no travessão e sai, não se pode dizer em relação à defesa consciente e fácil que fez na cobrança de Diego  Souza. E aqui puxo um espaço somente para falar desse jogador.

Diego Souza só aceitou sair do Sport e vir para o São Paulo para estar numa vitrine melhor e ir para a Copa do Mundo. Chegou dizendo que seria centro-avante, pois essa seria  posição carente para Tite. Nunca fez nada que pudesse garanti-lo no time titular. Foi para o banco e a partir daí, todas as vezes que entrou durante o jogo, fosse com Dorival Jr, com Jardine ou com Aguirre, sempre demonstrou extrema má vontade. Hoje não foi diferente e a cobrança de pênalti que executou comprova que ele não tem o menor comprometimento, o menor respeito pela camisa que veste. Por isso estou abrindo a campanha de “Fora Diego Souza”. Não quero ver mais essa mercenário vestindo a camisa do São Paulo.

Para encerrar, deixo claro que vou dormir puto, sim, mas pela derrota e não pela atitude do time. Acredito que esta semana parado, treinando para enfrentar o Atlético-PR em Curitiba na próxima quarta-feira, pela Copa do Brasil, será muito produtivo para Aguirre conhecer um pouco mais o elenco. E tenho convicção, pela amostra dada, que com dois ou três bons reforços, além de ficarmos longe da briga contra o rebaixamento no Brasileiro, vamos brigar por algo muito bom lá na frente. Quem sabe, o título.

 

Vitória de um time consciente em campo

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, é inegável que vitória conquistada sobre o Corinthians neste domingo, no Morumbi, nos lavou a alma. Há tempos não vencíamos um clássico, principalmente em momento decisivo. Ele vai nos cegar para os problemas que o elenco apresentou até agora?Claro que não. Mas também é incontestável que vimos um time em campo, o que há muito não acontecia: consciente, com desenho tático definido e sabendo o que deveria fazer.

Desde o começo do jogo deu para perceber quem queria e quem não queria jogar. O São Paulo estava dividindo todas e ganhando a maioria. Os jogadores entraram em campo disputando uma verdadeira decisão e esse pode ter sido o fator primordial para a vitória, pois isso sempre é fator positivo do Corinthians e nós é quem entramos com o pé mole. Eles foram surpreendidos pela volúpia e vontade de vencer.

Na hora em que vi a escalação, fiquei preocupado, pois jogarmos com três volantes dentro do Morumbi não era bom sinal. Mas logo deu para perceber que Aguirre deixou Jucilei fixo à frente da zaga, formou uma linha de quatro com Petros, Liziero, Nenê e Marcos Guilherme, com Trellez mais avançado.

Muitas vezes Trellez saiu da área abrindo espaço para entradas de Nenê. Liziero, em algumas oportunidades, foi ponta; ou mesmo meia, chegando bem á frente, enquanto Marcos  Guilherme ficava aberto pela direita. Então o desenho tático, que colocava quatro jogadores à frente de Jucilei quando o Corinthians tinha a bola, viravam cinco atacantes  e dois laterais vindo de trás, pressionando o adversário.

Esse esquema foi responsável pelo pelo domínio do São Paulo no primeiro tempo e o gol que, curiosamente, saiu num contra-ataque. Coisa, vamos reconhecer, raríssima de acontecer com o Corinthians, que é quem, geralmente, marca seus gols em cima dos erros do adversário e em contra-ataques. Ele provou do próprio veneno.

No segundo tempo foi nítido o recuo do time, fechando os espaços e esperando para contra-atacar. Isso ficou mais claro quando Liziero sentiu e pediu para sair. Ao invés de colocar Shaylon, por exemplo, ou mesmo Morato, ele optou por Araruna, fechando de vez o meio.

Deixamos de ter oportunidade de ampliar o placar, é fato, mas esse recuo não permitiu que sofrêssemos qualquer tipo de  pressão. Levando-se  em conta que nosso adversário de hoje ganhou um Campeonato Brasileiro jogando todas as partidas por um gol, acho que estamos no caminho certo.

Não é o futebol dos meus sonhos, nem resgata, como disse lá atrás Raí, a identidade do São Paulo. Mas é o que temos para hoje. E para isso, pelo resultado que alcançamos, não podem haver críticas.

Conseguimos nossa classificação. Nada além do lógico.

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, o São Paulo está na semifinal do Campeonato Paulista. Absolutamente nada a mais do que a obrigação. Ganhamos do São Caetano, no Morumbi, temos que  comemorar, coisa e tal, mas lembrarmos que seria uma grande vergonha se não tivéssemos alcançado a classificação, até porque jogamos contra um time da série D do Campeonato Brasileiro.

Gostei da movimentação do São Paulo. Digo isso em termos de luta, de vontade, porque tecnicamente o primeiro tempo, por exemplo, não mostrou nada. O time dominou mas criou apenas duas oportunidades. Faltaram triangulações e o que eu pude perceber é que o esquema Aguirre é chuveirinho na área. Voltaremos ao Muricybol. Só que naquela época havia um Jorge Wagner que colocava a bola onde queria e jogadores altos, bom cabeceadores, para concluir em gol.

Gostei muito da entrada de Lucas Fernandes, para mim o principal jogador do segundo tempo e responsável, não só pela assistência do segundo gol, mas por grandes jogadas.

Agora o time vai parar uma semana, tempo suficiente para Aguirre conhecer um pouco mais a fundo o elenco e expor seu plano tático. Então veremos o que ele tem em mente e o que poderá apresentar para nos impormos contra o Palmeiras.

No jogo de São Caetano, parece que voltamos dez dias no tempo

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, é impressionante como o time do São Paulo vive uma gangorra, mais na parte de baixo do que na de cima. Não consegue se acertar. Quando você pensa que vai engrenar, tenta se enganar com duas vitórias boas sobre times sofríveis, vem o balde de água fria e o time faz uma apresentação medonha como a deste sábado, em São Caetano.

Aguirre, que, reconheçamos, teve um dia para conhecer e treinar o time, não teve tempo nenhum para impor sequer uma jogada tática, ou um plano de trabalho. Então deveria ter a humildade de ouvir André Jardine, que já vinha acompanhando o elenco e comandou o time nas duas vitórias, para não repetir os erros de Dorival Junior, e que culminaram com sua demissão.

Eu tinha a mais absoluta certeza que o time que entraria em campo seria o que venceu o CRB em Maceió, apenas com as entradas de Arboleda no lugar de Rodrigo Caio e Diego Souza no de Trellez. Quando vi que ele sacou Marcos Guilherme para colocar Nenê, e não compensou a lentidão que isso iria gerar com a entrada de Brenner, preferindo Diego Souza, senti que o filme de tudo o que aconteceu até dez dias atrás voltaria. E voltou.

O time foi medonho, sem ultrapassagens, sem velocidade. Nenê era o ponta direita sem conseguir dar um pique; Cueva era o meia, mas não conseguia ter velocidade dos lados do campo para tentar uma jogada; Valdivia era obrigado a jogar com ele mesmo, porque Junior Tavares estava num dia daqueles, “tipo horrível”; para piorar, Jucilei e Petros fizeram juntos, talvez, a pior partida da dupla pelo São Paulo. Enquanto isso Diego Souza ficava brigando entre os zagueiros, mais parecendo uma disputa de várzea do que quartas-de-final do Campeonato Paulista.

Se Aguirre tivesse a humildade de escutar Jardine, não teria feito essa bobagem. Manteria o time que venceu os últimos dois jogos e depois teria uma semana para treinar a rapaziada e começar a conhecer o elenco, já que no próximo final de semana não haverá jogos do Paulista, por causa da Seleção Brasileira.

No intervalo falei pelas redes sociais, e também aqui no “Opinião de são-paulino durante o jogo”: não dá para trocar o Aguirre pelo Jardine? Essa seria a melhor substituição a se fazer.

Veio o segundo tempo e, então, tomamos o gol. Aí bateu o desespero. Ele colocou o Marcos Guilherme tirando Cueva, que não estava jogando nada. O time ganhou em velocidade. Mas então ressuscitou Bruno e a coisa degringolou. O time não se encontrou em nenhum momento, fazendo alguma pressão no final do jogo mais pelo recuo excessivo do São Caetano do que por mérito próprio. Mas não levou perigo algum. Não posso deixar de citar a falha bizarra de Jean no gol. Saiu socando o ar. Ali não dá para culpar zagueiro. A bola era dele.

Temo que, se essa mentalidade de Aguirre não mudar para terça-feira, poderemos ser vergonhosamente eliminados por um time da série D do Brasileiro. Isso pode ser um indicativo futuro.

Vitória fácil, com o time respirando ares diferentes

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, o São Paulo fez algo que há muito tempo não fazia: ganhou fácil, goleando no campo do adversário e jogando bem. Foi um time leve e solto o que vimos em campo. Postura tática bastante diferente, com algumas mudanças de posicionamento e o jogo fluiu.

É fato que o adversário era bem fraco. Mas contra esse mesmo CRB nós ganhamos de 2 a 0 no Morumbi e o futebol apresentado foi de lascar. Além do mais, empatamos com a “forte” Ferroviária dentro do Morumbi em 0 a 0, mesmo resultado, também no Morumbi, com o Novorizontino. Portanto, na fase que nós estamos, onde não confiamos nem em ganhar de times de série B, vamos comemorar como uma vitória de gala.

Falando sério, esse tipo de resultado, ainda que jogando contra ninguém, dá moral para o time. O paspalhão do técnico deles havia dito aqui no Morumbi que 2 a 0 tinha sido pouco e que a condição era plena de fazer 3 a 0 lá. Ele só não disse para quem. Portanto, creio que anteviu o resultado.

Quando eu falei em mudança tática é porque vi Cueva jogando onde tem que jogar, flutuando pelo meio e não largado numa lateral do campo como se fosse um ponta. Ele é o cara mais criativo do time, não pode ficar, como Dorival queria que ficasse, jogando pelas laterais. Valdivia, sim, é um atacante pelos lados, mas também tem talento para voltar e armar o jogo. Foi assim que fez domingo, contra o RBB e repetiu nessa noite. Aliás, jogo após jogo ele vem se transformando no melhor jogador do time.

A volta de Jucilei também fundamental para retomar a segurança defensiva. Tanto que Rodrigo Caio pode aparecer na frente, surgindo como homem surpresa e até marcando gol. Isso é fundamental para o equilíbrio do time.

Ainda estamos padecendo de um centro-avante em condição de ser titular. Pelas partidas que fez, parece que Trellez não é esse nome. Diego Souza também não correspondeu. Brenner ainda é o melhor deles, mas não sei se tem estrutura física e técnica para jogar entre os zagueiros adversários. Talvez falte ainda um centro-avante goleador para entrar no time.

De resto, o time começa a me dar esperanças de que pode render. Não estou achando que seremos campeões de tudo só porque ganhamos do CRB. Mas aquele marasmo técnico e tático acabou e o time começou a render.

Oxalá assim se mantenha.

Vitória fácil e obrigatória. Que bons ventos fluam no Morumbi

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, o São Paulo venceu o Red Bull Brasil, no Morumbi, com um time misto. Mas isso importa muito pouco. Claro que a vitória era obrigatória. Afinal, seria vergonhoso acabarmos em segundo lugar num grupo em que estavam São Caetano, Ponte Preta e Santo André, todos de série B e C. E olha que quando tomamos o gol imaginei que essa vergonha viria. Mas viramos e o time cumpriu com sua obrigação.

Interessante ouvir a entrevista de André Jardine deixando claro que algumas opções da escalação já tiveram o dedo de Diego Aguirre. Foi o uruguaio quem pediu para poupar Rodrigo Caio, colocar Diego Souza por trás do Trellez e Nenê um pouco mais atrás ainda, assim como a alteração do segundo tempo, empurrando Diego Souza para a frente e dando liberdade para Nenê armar o time.

Mesmo não tivesse sido pedido de Aguirre, tenho convicção que Jardine caminharia mais ou menos nessa direção. A entrada de Liziero, por exemplo, é a cara de Jardine. Dorival nunca pensou em trazer esse garoto da base para a Barra Funda e durante a Copa São Paulo, não foram poucos os jornalistas – dentre os quais me incluo -e torcedores que detectaram que o garoto já estava pronto para vir para o profissional.

A entrada de Liziero deu conteúdo ao meio de campo, deixou leve e técnico, possibilitou a Nenê jogar mais avançado, pois havia um volante com boa saída de bola. Assim o São Paulo cresceu, virou o jogo e agora espera a definição de datas para saber quando joga contra o São Caetano. É certo que o primeiro jogo será no final de semana e o de volta no meio da próxima semana.

Quero, agora, reforçar o que disse no Jornal Tricolornaweb de ontem a respeito das ideias de Raí. Respeito a opinião de todos, mas é impossível cobrar de algum profissional, por mais capacitado que seja, que reconstrua em quatro meses o que gestões fizeram em dez anos. Desde 2008 o São Paulo está derretendo pelos seus próprios erros, de presidentes que pensaram mais em si e em seus próprios orgulhos do que na instituição. E junto no mesmo caldeirão Juvenal Juvêncio, Carlos Miguel Aidar e Leco, além da imensa maioria dos que passaram pela direção e conselheiros.

Deixamos de ganhar tudo no momento em que Juvenal, sob o argumento de que tinha que mudar a máquina envelhecida para trilhar novos caminhos, acabou com a comissão técnica permanente, permitindo que treinadores trouxessem seus homens de confiança.

O que Raí quer, quando fala em devolver a identidade ao São Paulo, é formar essa comissão, trazer um técnico que devolva ao São Paulo aquela forma de jogar de maneira técnica, ofensiva e eficiente, e, consequentemente, jogadores que possam cumprir esse papel. Talvez esteja aí a explicação de um contrato de apenas nove meses com Diego Aguirre. Não é possível atravessar os bois na frente do carro. Cada coisa ao seu tempo.

Perguntam-me se com isso eu quero dizer que abriremos mão de ganhar qualquer coisa esse ano. Claro que não. Mas, convenhamos, temos que ser otimista ao extremo para achar que chegaremos como favoritos nos campeonatos que estamos disputando e teremos pela frente.

Por isso, por entender que ninguém constrói em quatro meses o que destruíram em dez anos é que hipoteco minha confiança em Raí. Erros irão acontecer. Críticas serão feitas. Mas, no todo, confio na honestidade e no trabalho desse grupo. É só Leco não meter o bedelho, que as coisas tendem a dar certo.

Nota: apenas para informação, não fui ao Morumbi hoje. Não iria participar do enterro simbólico do Leco, mas aderi ao movimento Morumbi Zero.

Derrota esperada atesta o óbvio: somos a quarta força do Estado

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, o que podemos falar de mais uma derrota em clássico do São Paulo, a não ser atestar que somos mesmo a quarta força do Estado? Já no comentário que escrevi no último domingo falava que dava com certa a derrota contra o Palmeiras, e que apenas o imponderável futebol clube poderia mudar a história. Mas como um dia a moeda caiu em pé e somos torcedores do time da fé, nada a se duvidar.

Pois o imponderável não prevaleceu, a moeda não caiu em pé e nós, como o previsto, perdemos. Aliás, tomamos um verdadeiro passeio no primeiro tempo. Por mais que o time tentasse marcar pressão a saída de bola do Palmeiras, o quadro era tão frágil que sequer incomodou a defesa verde, que saiu como quis para o jogo. Fez 2 a 0 e poderia ter feito mais, não fosse o goleiro Jean que apareceu muito bem em duas oportunidades.

Dorival ousou e trocou três no intervalo. Se pudesse trocar oito o faria, não tenho dúvida nenhuma. Talvez fosse difícil encontrar quem entrar, mas seria muito fácil escolher quem sair. No entanto, não posso tirar a culpa do treineiro pelo que vimos em campo.

Cueva ficou plantado do lado do campo. Claro, não jogou. Brenner ficou enfiado entre os beques. Claro, não recebeu bola. Marcos Guilherme ficou marcando as descidas de Vitor Luis. Claro, um a menos na frente. Valdivia, esse sim, se movimentou, mas não encontrou ninguém para jogar com ele. Na defesa, o circo dos horrores. Militão fez a pior partida de sua história; Rodrigo Caio perdeu todas, absolutamente todas, para Borja. Edimar, é aquilo que conhecemos. E Arboleda, que até tentou não comprometer no primeiro tempo, entrou na sintonia dos companheiros e foi uma verdadeira água no segundo.

As substituições de Dorival deixaram o São Paulo exposto. Mas ele segurou um pouco Shaylon, que fez papel de segundo volante, recuando Petros, e mandou o resto para a frente. Trellez até acertou o travessão. Mas isso foi tudo o que o São Paulo fez no jogo, pois por mais que tivesse melhorado no segundo tempo, não exigiu uma única defesa do goleiro do Palmeiras.

É impressionante o apequenamento do São Paulo. Assisto alguns jogos do Corinthians em Itaquera, do Palmeiras na Arena, e vejo os adversários dando um pouco mais de trabalho do que nós damos. O Mirassol perdeu na quarta-feira, mas o gol saiu na bacia das almas. O São Caetano ganhou dentro da Arena. E não me interessa se era time reserva ou não. Nós vamos com o titular e tomamos baile, seja em que Arena for.

Então esse ano foi assim: fomos em Itaquera, o Corinthians aproveitou da presença do público, fez pressão e ganhou do São Paulo. Jogamos na Arena Palestra, o Palmeiras aproveitou a presença do público, fez pressão e ganhou do São Paulo. Jogamos no Morumbi, prontos para aproveitar a presença de grande público e fazer pressão e perdemos do Santos. Repito: somos a quarta força do Estado. E só não estamos em pior situação porque a Portuguesa praticamente inexiste no mundo do futebol.

Estamos classificados para as quartas de final. Não por nossos méritos, mas porque nosso grupo é o mais fraco de todos. A Ponte foi mais incompetente ainda, empatou com o RBB e não pode mais nos alcançar. Mas podemos ficar em segundo. Para isso, basta não ganharmos domingo e o São Caetano vencer. Convenhamos, será uma vergonha.

Percebam que não ganhamos uma partida de times da série A este ano. Só estamos ganhando de times da série B para baixo. Por isso vitórias sobre o CSA, CRB, Linense e alguns outros. Já fico pensando o que nos reserva o Brasileiro.

Mas para Dorival está tudo bem. Afinal, perder clássicos não tem importância. Enquanto isso ele continua enganando a diretoria, Raí continua segurando o sujeito no cargo, Lugano e Leco se abraçam e apoiam e Ricardo Rocha fica uma voz solitária contra ele. Assim continuamos caminhando, de forma firme e sólida, rumo a mediocridade. Não com o sentido de “mediano”, mas o de grotesco e horroroso mesmo.

Vencemos no sufoco o lanterna. Mas vencemos.

Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, foi um sufoco. Marcamos dois gols no apagar das luzes do primeiro e do segundo tempo. Mas vencemos e é o que interessa. Ou não é?

Bem, se formos pela exigência de Raí, quando assumiu a diretoria, de que o São Paulo teria que retomar sua identidade de jogar, a resposta é não. Se for pela teoria de “futebol é resultado”, então fomos bem, três pontos na tabela, nos afastamos bem daquela incômoda zona de rebaixamento do Paulista e encaminhamos a classificação para a próxima fase.

Ah, mas se jogar como hoje, vai tomar uma surra do Palmeiras na quinta-feira. Bem, será outro dia, outro jogo. Não me interessa pensar nisso agora.

Dorival manteve o time que colocou em campo contra o CRB e deu resultado. Um time mais leve, jogando com velocidade, com os laterais subindo várias vezes e passando para receber. Verdade que o jogo foi chato e o time jogou mal. Mas foi possível ver alguma coisa interessante. Até porque, numa dessas tentativas, Reinaldo tocou para Cueva, que devolveu com precisão e o lateral fez um golaço. O único senão fica para as costas de Reinaldo, pois hoje um atacante do Linense apareceu algumas vezes em condição de fazer a jogada pela linha de fundo. A cobertura, que deveria ser de um dos volantes, falhou.

No entanto teríamos que esperar um pouco mais de Cueva e o peruano teve uma atuação muito apagada. Foi decisivo no primeiro gol, fato -e ponto para ele -, mas tem que ser mais do que só uma jogada. Brenner, por exemplo, ficou perdido entre os zagueiros, não saiu para abrir espaço para alguém que viesse de trás penetrar, e as bolas que recebeu, por estar sozinho, eram perdidas. Marcos Guilherme fez o que faz sempre, corre muito, mas erra muitas jogadas.

Com esse quadro no segundo tempo inteiro, ficou claro que o gol só sairia se fosse de bola parada. Assim foi, no apagar das luzes, escanteio muito bem cobrado por Nenê e gol de Rodrigo Caio. Aliás, belíssima partida do zagueiro, que saiu várias vezes de trás com a bola dominada, chegou ao ataque, aparecendo como elemento surpresa. Ele tem técnica para isso e é uma jogada que pode ser bem explorada.

Outro jogador que quero destacar é Valdívia. Está retomando no São Paulo o futebol que jogava no Inter até se contundir. Assim como na partida contra o CRB, foi o melhor em campo e vai assegurando sua posição no time titular.

Agora é hora de virar a página e focar o clássico de quinta-feira. Dentro de todas as teorias possíveis e imagináveis, não há qualquer uma que indique, com um mínimo de lucidez, que iremos ganhar dentro da Arena. Mas como alguém já disse um dia, “futebol é uma caixinha de surpresas”. E… quem sabe essa surpresa não aparece e a moeda volta a cair em pé.