Amigo são-paulino, leitor do Tricolornaweb, milito no jornalismo político há 44 anos e nada consegue me ludibriar mais nesse momento da minha vida. O Conselho Deliberativo impôs uma derrota humilhante ao presidente deposto, reprovando 210 votos contra 24 (três abstenções e 15 ausentes) o último balanço da gestão Júlio Casares.
Algo errado na decisão da maioria massacrante dos conselheiros? De maneira alguma. Mas por que só agora perceberam isso ? Por que não detectaram, por exemplo, quando aprovaram, numa votação no mínimo questionável, o orçamento para 2026 ?
Ah, mas é que naquele momento Olten Ayres de Abreu estava apoiando Casares e agora trabalho contra. Ele só tem 32 conselheiros e muito pouca influência para mudar um resultado (a não ser que seja manipulado, como foi a votação do orçamento).
Então, além do óbvio ululante, qual foi a razão de tamanha votação pela rejeição do balanço ? A resposta é simples: vivemos um ano eleitoral e nenhum conselheiro que vá busca reeleição ou vitalício que vá pedir voto para alguém quer carregar no ombro o fardo de ter apoiado Casares. Eles apoiaram por cinco anos, mas a imagem que fica, na política, é o último ato, uma falsa demonstração de arrependimento, jogando para trás tudo o que fizeram em troca de salgadinhos, viagens, hotéis, ingressos para shows, etc.
Todavia, vou um pouco mais à frente: esse resultado me faz crer, sem medo de errar, que Douglas e Mara serão expulsos do Conselho Deliberativo agora. Na sequência, em dois ou três meses, a expulsão de Dedé e de Júlio Casares (conselheiros apresentam o pedido no início desta semana ao CD). O momento é agora e os conselheiros estão olhando lá na frente seu cacife eleitoral e votar pela expulsão dos principais líderes da ORCRIM se transforma em bandeira eleitoral.
A gestão está em baixa. Marcelo Pupo e Leonardo Serafim, sustentáculos de Massis, fragilizaram suas pernas. Ao votarem a favor do orçamento (assim como Toninho Andrade, Adilson Alves, Gabriel Aidar entre outros), ou ao simplesmente se ausentarem (Leco, Antonio Cláudio Mariz de Oliveira, José Miguel de Andrade, entre outros) indicaram que continuam pensando neles e não no clube e, principalmente, que não conseguem liderar ou dar sustentação a um grupo de sete anões, quanto mais ao presidente de um clube gigante com 22 milhões de adeptos apaixonados.
A grosso modo essa administração vai continuar mais sete meses governando com 24 apoiadores, menos de dez por cento do Conselho Deliberativo. E com quase todos que estavam na gestão que foi defenestrada nesta sexta-feira, com a votação massacrante. Ou não continuam ali Eduardo Toni, Erica Duarte, Sergio Pimenta, Roberto Armelin, Rui Costa, Moreto, Themis, Adilson Alves e Ópice Blum (só para citar alguns) ?
De nosso lado, rezamos para chegarmos aos 45 pontos no Brasileiro. Porque a política do São Paulo é algo para Freud tentar explicar. Se é que ele vai conseguir.