Troca de cartas e de acusações entre Flu, Sport e SPFC no caso Diego Souza

O São Paulo terá que depositar em juízo os R$ 5 milhões ainda não pagos ao Sport pela compra de Diego Souza. Trata-se de uma decisão da Justiça após um pedido de liminar do Fluminense, que defende ter direito a 50% do valor da transferência, totalizada em R$ 10 milhões.

O clube pernambucano argumenta que o tricolor carioca tem direito a apenas R$ 1 milhão. Para isso, se baseia em um e-mail de Marcelo Teixeira, atual diretor da base do Flu, autorizando “em nome do presidente”, que Eduardo Uram, empresário do jogador, negociasse com o Sport “a parte relativa ao Fluminense em uma eventual negociação do atacante por tal valor”.

Marcelo Teixeira é atual diretor da base do Fluminense (Foto: Lucas Merçon/Fluminense FC)

Marcelo Teixeira é atual diretor da base do Fluminense (Foto: Lucas Merçon/Fluminense FC)

O GloboEsporte.com teve acesso a uma troca de cartas em que o Flu admite a existência do e-mail, mas o considera sem valor, enquanto Sport e São Paulo respondem acusando o clube das Laranjeiras de usar “artimanhas jurídicas e narrativas fantasiosas para ter benefício maior do que aquele que aceitou”.

Com base nessas e outras informações, montamos uma cronologia para que você entenda melhor o caso:

22 de março de 2016 – Fluminense acertou a venda de Diego Souza ao Sport por 300 mil euros. Em contrapartida, ficou acordado que o Tricolor ficaria com 50% dos direitos econômicos do jogador, visando uma futura transferência. O documento diz que o contrato “permanecerá em vigor enquanto o atleta permanecer vinculado desportivamente ao Sport”.

Contrato entre Sport e Fluminense no caso Diego Souza (Foto: Reprodução)

Contrato entre Sport e Fluminense no caso Diego Souza (Foto: Reprodução)

Fim de 2017 – o São Paulo sonda Diego Souza. No dia 20 de dezembro, clube e jogador chegaram a um acordo. O tricolor paulista ainda precisaria se acertar com o Sport.

29 de dezembro de 2017 – Eduardo Uram e Marcelo Teixeira conversam por telefone. Na sequência, o dirigente do Fluminense envia um e-mail “em nome do presidente do Fluminense”, autorizando o empresário de “forma irrevogável e irrestrita” a negociar com o Sport a parte relativa ao Fluminense em uma eventual negociação de Diego Souza pelo valor de R$ 1 milhão.

E-mail de Marcelo Teixeira a Eduardo Uram anexado no processo do Fluminense (Foto: Reprodução)

E-mail de Marcelo Teixeira a Eduardo Uram anexado no processo do Fluminense (Foto: Reprodução)

7 de janeiro de 2018 – O São Paulo acerta com o Sport a contratação de Diego Souza. No contrato, fica estabelecido que o clube paulista pagará R$ 10 milhões por 100% dos direitos federativos do jogador. O documento diz também que o valor devido ao Fluminense será de responsabilidade do São Paulo, que deveria fazer o pagamento diretamente ao clube carioca.

contrato entre São Paulo e Sport (Foto: Reprodução)

contrato entre São Paulo e Sport (Foto: Reprodução)

No mesmo dia, o Sport e o São Paulo, em conjunto, enviam uma carta ao Fluminense informando que, baseado no no e-mail de Marcelo Teixeira a Eduardo Uram, o clube carioca receberá a quantia de R$ 1 milhão a ser paga pelo São Paulo.

Comunicado de Sport e São Paulo ao Flu (Foto: Reprodução)

Comunicado de Sport e São Paulo ao Flu (Foto: Reprodução)

9 de janeiro de 2018 – Marcelo Teixeira encaminha o e-mail enviado a Eduardo Uram ao vice de futebol do Flu, Fabiano Camargo, a uma advogada do departamento jurídico do clube, e a mais dois contatos não identificados. No mesmo dia, o Fluminense envia carta assinada pelo presidente Pedro Abad ao Sport solicitando uma cópia do contrato de transferência de Diego Souza ao São Paulo.

17 de janeiro de 2017 – Em carta ao Sport, o Fluminense reconhece que Marcelo Teixeira autorizou a negociar exclusivamente com o Sport a participação do Fluminense sobre os direitos de Diego Souza por R$ 1 milhão. No entanto, argumenta que o Sport não adquiriu a participação do Flu sobre os direitos do atleta por nunca ter se manifestado a respeito e não ter efetuado o pagamento do valor mencionado. Desta forma, o clube carioca entende manter o direito ao valor referente a 50% da negociação e cobra o pagamento da quantia.

Resposta do Fluminense ao Sport e ao São Paulo (Foto: Reprodução)

Resposta do Fluminense ao Sport e ao São Paulo (Foto: Reprodução)

30 de janeiro de 2017 – Sai na imprensa, através do jornal “O Dia” que o Fluminense corria o risco de ficar com apenas R$ 1 milhão na negociação de Diego Souza entre Sport e São Paulo.

31 de janeiro de 2017 – O Sport e o São Paulo respondem, acusando o Flu de tentar se evadir do combinado utilizando-se de “artimanhas jurídicas e narrativas fantasiosas para ter benefício maior do que aquele que aceitou”. Afirma também que, no dia 7 de janeiro, Uram ligou para Marcelo Teixeira em “viva-voz” informando que o Sport exerceria a opção combinada e que o dirigente teria aceitado.

O Sport acusa também o Fluminense de se manter em silêncio por nove dias e afirma que, por este motivo, o pagamento de R$ 1 milhão não foi efetuado. O clube pernambucano afirma que comunicou novamente o Flu no dia 11 de janeiro, mas não obteve retorno.

Carta de Sport ao Fluminense (Foto: Reprodução)

Carta de Sport ao Fluminense (Foto: Reprodução)

19 de fevereiro de 2018 – O Fluminense entra com uma liminar na Justiça cobrando os R$ 5 milhões, referentes aos 50% dos direitos econômicos de Diego Souza, previstos no contrato feito com o Sport em 2016. O Tricolor argumenta, dentre outras coisas, que o acordo entre Teixeira e Uram não pode ser considerado por não ter sido colocado como aditivo ao contrato, que só poderia “ser modificado ou alterado mediante a celebração de instrumento escrito firmado por todas as partes contratantes” e .

Petição do Fluminense (Foto: Reprodução)

Petição do Fluminense (Foto: Reprodução)

O Flu argumenta também que o e-mail se trata de uma discussão preliminar a respeito de uma futura aquisição do Sport pelos 50% pertencentes ao Tricolor, e diz também que Marcelo Teixeira não tem poderes suficientes para responder em nome do clube neste caso específico.

Processo Fluminense Sport (Foto: Reprodução)

Processo Fluminense Sport (Foto: Reprodução)

20 de fevereiro de 2018 – A Justiça ordena que o São Paulo deposite em juízo os R$ 5 milhões ainda não pagos pelo clube paulista ao Sport até que seja tomada uma decisão final sobre o caso.

Decisão da Justiça em caso Diego Souza (Foto: Reprodução)

Decisão da Justiça em caso Diego Souza (Foto: Reprodução)

O Fluminense enviou uma nota oficial sobre o caso. Sport e São Paulo não se manifestaram:

“Desde o início do caso Diego Souza, o Fluminense tinha ciência do e-mail do diretor esportivo de futebol de base, Marcelo Teixeira, tanto que o anexou nos autos do processo uma cópia informativa que circulou apenas internamente. A versão original foi endereçada apenas ao Sr. Eduardo Uram. Nesta terça-feira, através do Escritório Bruno Calfat Advogados, contratado pelo Fluminense, o clube obteve o deferimento de liminar que determina que o pagamento das parcelas futuras devidas pelo São Paulo ao Sport seja depositado em juízo até a fim do processo. O clube, que nunca abriu mão do percentual do atleta e jamais celebrou qualquer aditivo contratual em relação aos direitos econômicos do jogador, continuará lutando para fazer valer os termos do contrato assinado com o Sport em março de 2016 – declarou o clube, através da assessoria”

Fonte: Globo Esporte

3 comentários em “Troca de cartas e de acusações entre Flu, Sport e SPFC no caso Diego Souza

  1. E o empresário só poderia ser o Eduardo Uram. Depois de passar ao São Paulo um monte de tranqueiras ( geralmente zagueiros e laterais e sempre do Rio) acontece mais esta. E não dá para acreditar mais em ingenuidade. Tem gente ganhando em cima disto.

  2. Taí, escancarada, a forma do S.Paulo fazer negócio. Um jogador avaliado em R$2 milhões, o tricolor paulista vai lá e paga logo R$10 milhões pelo cara.
    Alguém aí lembra da famigerada compra da Refinaria de Pasadina, tão bem elaborada pela sargentona Dilma e seus asseclas? Pois é, muita semelhança. Todo mundo sabia que o Diego não valia a metade do que pagaram por ele, só que, interesses “maiores” ofereceram logo 10, só 10 milhõeszinhos, ou seja, 5 vezes mais que o valor de mercado.
    Por que será, já que, nas redes sociais a grande maioria denunciava isto?
    Só pode haver negociatas por trás de tamanha pataquada. E, como eu já escrevi aqui quando da contratação do cara, vai acabar encostado recebendo 500 mil/mes de um time em fase pré-falimentar.
    Não era só o namorador que gostava de uma comissão (tipo Maidana), não. Ele deixou seus companheiros (um, inclusive, na presidência) com experiências de sobra pra continuar a mamata…

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