Três anos após 100º gol de Ceni, Fernandinho lembra: ‘Dei uma forçada’

Todos os são-paulinos devem lembrar do centésimo gol da carreira de Rogério Ceni. Será que todos também lembram quem foi o responsável por cavar a falta que resultou no tento do capitão?

Fernandinho, atualmente no Atlético-MG, lembra muito bem do dia 27 de março de 2011. Jogador do São Paulo no clássico com o Corinthians, na Arena Barueri, o atacante sofreu uma falta de Ralf aos 7 minutos do segundo tempo. Aos oito, Ceni converteu e chegou à marca de 100 gols em sua carreira.

– Eu entrei em campo com o pensamento de ajudar o Rogério a marcar o centésimo. Qualquer oportunidade eu ia em cima do zagueiro. Dei uma forçada sim (no lance). Não para prejudicar ninguém, mas queria sofrer várias faltas. Não foi necessário porque na primeira ele já fez. Fui privilegiado. Foi muito especial participar desse momento – disse Fernandinho, ao LANCE!Net.

Fernandinho foi o primeiro a abraçar Rogério após o tento. O jogador recebeu das mãos do capitão um modelo da camisa utilizada no clássico. Detalhe: Rogério Ceni mandou fazer apenas duas. Uma para ele e outra, para o atacante. Na ocasião, Fernandinho brincou dizendo que aquela camisa valia mais do que ele.

– Eu acho que ela vale mais do que eu, sem me subestimar. Não vendo por nada. Nem em sonho – disse, ainda em 2011.

Ele comentou a importância de Rogério como líder do Tricolor e lembrou como foi jogar com o goleiro.

– Ele liderava. Em todos os clubes que eu passei, o melhor momento de liderança era o dele. Principalmente no túnel, na hora de entrar em campo. Ele reunia todos e sua palavra, sua liderança e sua firmeza contagiavam toda a equipe. Ele é muito estudioso, muito inteligente. Isso contribuia muito – ressaltou.

O atacante ganhou notoriedade em 2009, quando foi eleito a revelação do Campeonato Brasileiro. Na época, atuava pelo Grêmio Barueri. Não só o São Paulo como outros clubes brasileiros tiveram interesse no jogador. Palmeiras, Cruzeiro e Corinthians perderam a disputa com o Tricolor, que assinou contrato com Fernandinho por quatro anos. Ele, porém, ficou até 2012, quando foi para Al-Jazira (EAU). O São Paulo, que tinha 20% do dos direitos econômicos do atleta, faturou R$ 2,2 milhões na venda.

Em 2013, foi contratado pelo Galo para substituir Bernard, para jogar o Mundial, mas não evitou o vexame diante do Raja Casablanca.

CONFIRA A ENTREVISTA NA ÍNTEGRA COM O ATACANTE:

LANCE!Net: O que você lembra do dia em que Ceni marcou o centésimo gol?
Fernandinho: Lembro exatamente de tudo. Foi um dos momentos mais marcantes. Algo que o Rogério viveu e eu fui privilegiado de estar no São Paulo nessa época, viver e participar desse momento. Foi muito especial. Um presente de Deus.

L!Net: Você cavou a falta?
F: Eu acho que eu dei uma forçada sim. Não tinha nenhuma falta no jogo ainda perigosa e eu queria dar a condição para o Rogério. É algo que não é legal de fazer, estou tentando me corrigir, mas nesse caso foi bom e necessário para ele ter uma mínima chance.

L!Net:Então você já entrou em campo com esse pensamento de ajudar?
F: É algo tão contagiante, que já entramos com esse pensamento. Se eu tivesse a oportunidade de ir para cima do zagueiro, eu ia. Era um momento muito bom, uma marca histórica. Juntou tudo isso. Eu, particularmente, entrei com o pensamento de ajudar o Rogério. Não para prejudicar ninguém. Se eu pudesse sofrer mais de uma eu sofria, mas não foi necessário. Ele é tão abençoado que já fez na primeira perigosa.

L!Net:Como foi receber a camisa?
F: Foi uma grande surpresa. Legal, bacana. Não esperava porque qualquer um poderia ter sofrido. Acabei participando. Fui privilegiado de participar, mas fui o de menos. Ele quem foi o protagonista de ter chegado à marca. Todos os 99 que ele tinha feito contribuíram para isso. Eu só participei.

L!Net:Como foi jogar na mesma equipe de Rogério Ceni?
F: Ele liderava. Em todos os clubes que eu passei, o melhor momento de liderança era o dele. Principalmente no túnel, na hora de entrar em campo. Ele reunia todos e sua palavra, sua liderança e sua firmeza contagiavam toda a equipe. Ele é muito estudioso.

L!Net: Você tem amigos no clube?
F: Muitos, mas foi com o Osvaldo que eu mantive mais contato.

L!Net: Como foi sua passagem pelo Al-jazira?
F: Foi muito bacana. O país é maravilhoso. Morei em uma cidade muito legal, que é abudab. Fiz um ano muito legal. No primeiro ano tive dificuldades por causa do calor, mas consegui me adaptar. Eu ainda tenho contrato lá. Se o Atlético não me comprar, tenho que voltar.

L!Net: Você tem vontade de ficar no Galo?
F: Minha vontade é permanecer. Fui muito bem recebido aqui. Vivi momentos maravilhosos. Quero permanecer e conquistar títulos. Única chance, que foi o Mundial, não conseguimos. Ainda têm muitos campeonatos pela frente.

L!Net: Tem vontade de jogar pelo São Paulo de novo?
F: Eu tinha o sonho de jogar no São Paulo e consegui realizar. Não sei se terei outra oportunidade. É difícil falar pelas circunstâncias, mas é um clube que todo o jogador que passar vai ter uma sensação diferente. O São Paulo proporciona emoções diferentes. O Atlético também tem me proporcionado coisas boas, por isso quero ficar.


LANCE! 

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