Preparador de Ceni há 10 anos diz que aposentadoria do ídolo seria precoce

O dia 26 de abril marca mais uma comemoração para a vitoriosa carreira de Rogério Ceni. O ídolo comemora o seu 22º Dia do Goleiro com a camisa do São Paulo. Treinando no CT da Barra Funda desde o dia 7 de setembro de 1990, o camisa 01 afirma que 2013 é sua última temporada como profissional. Mas para Haroldo Lamounier, preparador de Ceni desde 2003, essa aposentadoria seria precipitada.

Em entrevista com o UOL Esporte, o treinador de goleiros são-paulino disse que Ceni conseguirá render muito mais e que não é necessário que ele pendure as luvas nesta temporada. Ele ainda enxerga que as críticas feitas ao goleiro pela suposta falha são exageradas.

Ex-goleiro, Haroldo é profissional do São Paulo desde 1999. Ele atuou por 16 clubes diferentes nos seus 17 anos como atleta profissional e disputou competições como Brasileiro, Paulista e Paranaense, enfrentando atletas como Zico e Cláudio Adão.

Confira a entrevista do UOL Esporte com Haroldo Lamounier:

UOL Esporte: São 10 anos ao lado de Rogério Ceni. O que você tira de lição desse tempo? E qual foi a maior lição que passou a ele?
Haroldo Lamounier: 
Eu mais aprendi. Imagina você que eu saí da base do São Paulo para trabalhar com o Rogério, que já era uma referência do São Paulo na época. Mas ele me aceitou muito bem. No dia a dia, ele pegou confiança no meu trabalho, que teve resultado positivo, foram várias conquistas. A partir daí, a gente fez uma amizade de profissional e fora de campo também muito grande.

UOL Esporte: E como é trabalhar com alguém que já é tão consagrado?
Haroldo Lamounier: 
Ele é profissional de alta qualidade. É um cara que pensa na carreira, busca aprimorar o treinamento em todos jogos e é exigente em relação a ele. Mas ele é um cara muito fácil de trabalhar.

UOL Esporte: O Rogério anunciou que este é seu último ano. Muda para você treiná-lo sabendo que são os últimos dias?
Haroldo Lamounier: 
A gente trabalha no sentido dele estar sempre à disposição, de treinar, de jogar, estar sempre em condição de fazer o melhor. Em relação ao último ano, a gente não pode prever. Nem ele mesmo. Ele é um atleta que é uma referência, um cara que se dedica, um cara que se supera dia após dia, mesmo com lesão e faz um trabalho diário puxado. É um cara que busca sempre o melhor.

UOL Esporte: Você acha, então, que ele não precisaria se aposentar?
Haroldo Lamounier:
 Fisicamente, com certeza, e tecnicamente também. Ele tem provado isso no dia a dia. Ele tem condição de prorrogar cada vez mais a carreira dele. Não sei por quanto tempo.

UOL Esporte: Por ser batedor de falta, vocês precisam de algum cuidado extra na hora do treino? Ele reclama de dores, por exemplo, no joelho, como é o caso de outros batedores?
Haroldo Lamounier:
 Não, o Rogério está sempre em cima do limite, ele batia mais falta antes. Agora, ele não bate tanto, porque já pegou o jeito. Se antes ele batia 100 faltas, agora, ele bate 10, 15 faltas dentro da qualidade do jogo que ele acha que vai fazer. Ele se poupa um pouco mais. Não tem a necessidade de bater 100, 200 faltas durante o treinamento.

UOL Esporte: Durante esses dez anos que você esteve ao lado dele, notou alguma mudança de comportamento? Alguma evolução?
Haroldo Lamounier:
 O Rogério está cada vez mais consciente em relação ao que ele faz e deixa de fazer. De cinco anos para cá, ele está ainda mais consciente de fazer exercícios, treinar e sempre no limite dele.

UOL Esporte: Como você tem visto as críticas que ele recebeu este ano por algumas falhas? Como você assimila?
Haroldo Lamounier:  
A gente assimila algumas críticas que são feitas ao Rogério, mas temos de ver também que, por ele ser Rogério, um cara que é referência, as críticas têm mais peso. Se você analisar bem, de todos os times que estão disputando jogos neste momento, os goleiros também falham e não tem o mesmo peso do Rogério. Mas a gente encara com naturalidade e procura, no dia a dia, fazer o melhor para que ele não tenha falha. Falam muito do lance do The Strongest, mas eles não levam em conta a altitude, a direção da bola, a curva da bola, o posicionamento do chute e se ele via a saída da bola. O pessoal quer saber do gol, porque ele não chegou. Mas a gente vê que foi difícil, que poderia ser defendido, mas não foi falha.

UOL Esporte: E como ele reage quando é tão criticado?
Haroldo Lamounier
: Ele é tranquilo. Ele sabe quando errou, quando acertou, tem uma autocrítica boa. Em relação a isso, ele está super tranquilo, ele recebe críticas positivas e negativas, mas, na minha visão, ele reage de uma forma muito tranquila.

UOL Esporte: Qual o grande jogo da carreira dele enquanto você esteve ao seu lado?
Haroldo Lamounier: 
Eu gosto de falar do Mundial. Tanto o Liverpool quanto o jogo anterior, contra o Al-Ittihad. Ele é decisivo na marcação do pênalti, fez duas, três defesas na hora que o jogo parecia mais tranquilo, em determinado momento que não era tão tranquilo.

UOL Esporte: Se você não conseguir convencer o Rogério a não parar, o Denis está pronto para assumir a vaga?
Haroldo Lamounier
: Com relação ao que vai acontecer amanhã, a gente não pode prever. Mas o Denis está bem encaminhado, tem jogado partidas importantes, tem aparecido bem e é jovem. Mas é um cara que tem futuro com relação ao que vai acontecer. Amanhã ou depois, o Ceni parou, a gente sabe por onde começar. E vamos apostar nesses nomes.

Fonte: Uol

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