Pato só precisava de um amigo no São Paulo? Kaká é mais do que isso

Alexandre Pato não é do tipo que gera antipatia. Pelo menos dentro do São Paulo. A opinião de dirigentes e jogadores é a mesma: “Bom garoto”, ou sinônimos, é o que mais se ouve. Num patamar um pouco mais profundo de prosa, colhem-se muito mais elogios do que críticas – as impressões negativas hoje se resumem às dificuldades em compreender tarefas táticas, algo imperceptível nas últimas boas atuações do atacante. Apesar das impressões positivas, Pato não cultiva amizades com maior intimidade no elenco. Não é de seu perfil. Uma amizade, no entanto, alimentada anos atrás, parece ser a chave para o sucesso neste segundo semestre. Pelo menos é o que pensa Muricy Ramalho sobre a relação de Pato com Kaká, companheiro desde 2007, no Milan (ITA).

“Com certeza. É claro. Muito claro. Jogador de futebol quando tem um parceiro, que passa de parceiro, é uma amizade a mais, de ir jantar… Eu também joguei futebol, tinha desses amigos. Quando esse amigo está bem, mostra uma palavra legal, mostra que você pode fazer mais. Ainda mais quando tem crédito, porque também não adianta ser um cara sem crédito nenhum. Quando o Kaká fala algo, é para o bem. É para ajudar. Você vê que o Pato está muito contente aqui também”, disse o técnico, na última sexta-feira, em conversa com os jornalistas no CT da Barra Funda.

A singularidade da relação entre Pato e Kaká se evidencia na relação de Pato com outros companheiros. Tanto no São Paulo como no Corinthians. Pato, de 24 anos, conversa e brinca nos treinos com quase todos, mas predominantemente com os jogadores mais jovens, e não com aqueles que têm a mesma idade, mesma experiência internacional ou o mesmo patamar na escala do elenco. No Corinthians, Pato dividia atividades e ficava mais próximo de jogadores como o meia Giovanni, 20, e o atacante Paulo Victor, 21, ambos jovens e reservas. No São Paulo, o meia Boschilia e o atacante Ewandro, de 18 anos, fazem as vezes.

A amizade com Kaká, para Pato, faz com que o meia de 32 anos sirva como modelo. Kaká não é só amigo, mas também aquele que acolheu o atacante na Itália. Kaká era o melhor jogador de futebol do planeta quando Pato, aos 18 anos, chegou ao Milan. Inexperiente e em um país desconhecido, o jovem conviveu seus primeiros meses ao lado daquele que era o melhor do esporte. O amigo de hoje é também o tutor.

Pato vive fase muito boa no São Paulo, dentro de campo. Superou cobranças de Muricy após não conseguir jogar como ponta, pelas laterais do ataque, por não conseguir acompanhar a marcação ao lateral adversário. Convenceu o técnico que tê-lo como segundo atacante, desprendido de tais compromissos defensivos, é o melhor pro time: jogou bem contra o Bragantino, em Ribeirão Preto, e na sequência contra Criciúma, Vitória, Palmeiras e Internacional.

Os elogios ao atacante, de quem não o conhece tão bem quando Kaká, fazem referência ao profissionalismo. Pato, de fato, chega cedo ao CT da Barra Funda e é um dos últimos a sair do campo. É o garoto que gosta da bola. Não pede para deixar atividades mais cedo, não sente dores musculares inesperadas – daquelas que tiram o jogador do treino – e se comportou da mesma maneira quando ficou na reserva. Também não gera qualquer preocupação em relação ao que faz fora do clube. Veio de Milão, mas não é Imperador.

Na última vez em que falou com os jornalistas no CT da Barra Funda, o volante Souza, titular, já acusara os benefícios de Kaká no futebol de Alexandre Pato. “Posso estar errado, mas a chegada do Kaká ajudou bastante o Pato. Incentivo, companheirismo, Kaká está sempre conversando com ele. Deu um pouco mais de tranquilidade para ele também. Ele é um jogador de seleção. Dentro de campo, infelizmente, não estava conseguindo dar sequência. É o que Muricy falou, jogando o que ele vem jogando é impossível tirar ele do time”, falou Souza, depois da partida contra o Vitória, quando Pato marcou duas vezes.

Se a amizade com Kaká lhe faz tão bem, resta a Alexandre Pato assimilar o que o ex-melhor do mundo tenta passar e cobrar a cada treino e a cada concentração. Emprestado pelo Orlando City (EUA), o meia fica no São Paulo apenas até o fim de 2014, enquanto Pato, emprestado pelo Corinthians, tem contrato até o fim de 2015. Por enquanto, a parceria dá muito certo. Neste domingo, no clássico contra o Santos, os dois estarão mais uma vez juntos no Morumbi. Se o São Paulo vencer, poderá passar a ser tratado como um dos concorrentes pela ponta da tabela.

 

Fonte: Uol

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