No dia 27 de setembro de 2009 São Paulo e Corinthians empataram por 0 a 0 no Morumbi em partida válida pelo Brasileirão. Aquele São Paulo tentava o tetracampeonato nacional em sequência, se sustentava a partir de uma montagem de elenco com poucos gastos e tinha jogadores como Miranda, André Dias e Hernanes. Do outro lado, o Corinthians começava seu renascimento com Ronaldo e o impulso financeiro que o camisa 9 gerou com contratos de marketing e outras receitas. Neste 9 de agosto de 2015 o cenário é outro.
São Paulo e Corinthians se enfrentam neste domingo pelo Brasileirão, no Morumbi, em um Majestoso econômico. Os rivais vivem um ano de recessão e sofrem no campo, no futebol, os efeitos das crises financeiras pelas quais passam. Ambos, porém, mostram eficiência: mesmo com os problemas, brigam na metade de cima da tabela. Gastos demais, receitas de menos, salários atrasados e erros de planejamento fazem parte das realidades dos dois lados do clássico.
Os cofres vazios de São Paulo e Corinthians:
Ernesto Rodrigues/Folhpress
Salários atrasados
É prática comum no futebol brasileiro que os clubes dividam os salários pagos aos jogadores entre o valor registrado em carteira de trabalho e pagamentos em direitos de imagem. Famoso por pagar sempre em dia e raramente atrasar o depósito dos vencimentos aos jogadores, o São Paulo passou a atrasar no início deste 2015. O clube chegou a dever quatro meses de direitos de imagem ao elenco e só quitou a dívida porque antecipou receita do contrato com aUNDER ARMOUR, fornecedora de material, e vendeu alguns jogadores. O Corinthians também convive com o problema, sanou parte dos débitos, e hoje ainda deve cinco meses de direito de imagem a Danilo, Renato, Elias, Jadson e Ralf.
Gilvan de Souza/ Flamengo
Desmanche nos elencos
O São Paulo começou no início de junho a liquidar jogadores do elenco na tentativa de aliviar o problema financeiro. Desde então,SETE jogadores deixaram o clube: Paulo Miranda, Denilson, Souza, Dória, Ewandro, Cafu e Gabriel Boschilia ? o lateral direito Auro deve ser emprestado ao Estoril, de Portugal, e o volante Rodrigo Caio chegou a anunciar saída para o Valencia (ESP), mas não concretizou a transferência. No Corinthians, Paolo Guerrero recebeu oferta superior do Flamengo e trocou de clube. Emerson Sheik foi outro que tomou o mesmo caminho porque recebia R$ 500 mil mensais no Parque São Jorge e o clube não poderia mais arcar com os gastos. Fábio Santos e Petros foram outros dois importantes jogadores que deixaram o clube para amenizar despesas.
Igor Amorim/saopaulofc.net
Poucos reforços
Desde que Juan Carlos Osorio assumiu, o São Paulo se desfez de sete atletas e só contratou dois jogadores: o atacante colombiano Wilder Guisao, por empréstimo, e o zagueiro Luiz Eduardo, do São Caetano, em contrato de experiência ? gastos muito baixos para os padrões do clube. O Corinthians só contratou o atacante Rildo.
Fabio Braga/Folhapress
Contratações barradas
O departamento de futebol do São Paulo demorou uma semana, mas no último dia da janela de transferências internacionais conseguiu fechar com o Olympique de Marselha (FRA) o negócio pela compra do zagueiro Dória, que esteve emprestado ao clube no primeiro semestre. A operação de 6 milhões de euros (R$ 21 milhões), no entanto, foi barrada pela diretoria do clube por causa dos problemas financeiros. Caso semelhante aconteceu do outro lado do clássico. Dudu, que hoje está no Palmeiras e que chegou a ficar próximo do São Paulo, foi alvo do Corinthians. A transferência não se concretizou porque o presidente ex-Mario Gobbi definiu que o negócio seria irresponsável pela situação financeira do clube.
AP Photo/Andre Penner
Fraqueza no mercado
O São Paulo nem entrou em grandes disputas desde que assumiu a realidade financeira delicada, mas o Corinthians viu de perto a falta de competitividade no mercado de atletas. Recentemente o clube tentou as contratações do colombiano Teo Gutierrez e do brasileiro Jonathas. O primeiro acabou no Sporting (POR) e o segundo no Real Sociedad (ESP), clubes que há três anos, por exemplo, perderiam disputas financeiras com o Corinthians.