Mais experiente, Carleto volta ao São Paulo em 2013: ‘Era meio moleque’

Na manhã do dia 4 de dezembro, o assunto no São Paulo era só a final da Copa Sul-Americana, que começaria a ser disputada no dia seguinte, contra o Tigre, na Bombonera. Mas, em uma sala do CT da Barra Funda, horas antes da delegação viajar para a Argentina, Ney Franco teve uma importante conversa, já de olho em 2013.

A reunião do treinador foi com Thiago Carleto. O lateral-esquerdo passou toda a temporada emprestado ao Fluminense e estava com dúvidas se queria retornar ao Tricolor, clube que não teve oportunidades em 2010 (ano de sua contratação) e 2011, quando foi emprestado ao Olimpia (PAR) e América-MG, que seria rebaixado no Campeonato Brasileiro.

Um não conhecia o outro pessoalmente, mas o saldo da conversa entre eles foi produtivo.

– Depois daquela conversa, já tinha certeza que queria voltar – afirmou o lateral-esquerdo.

Carleto retorna para tentar viver um novo momento no Tricolor. Na passagem anterior, foi pouquíssimo aproveitado e saiu sem que muitos torcedores notassem sua ausência. Mas ele próprio admite que tem grande parcela de responsabilidade nisso, já que não estava com a cabeça focada no clube, quando chegou da Espanha, onde tinha contrato com o Valência, mas estava atuando pelo Elche, da segunda divisão do país.

Agora, aos 23 anos, o jogador se diz um novo homem. Com o título de campeão brasileiro pelo Fluminense no currículo, Carleto garante ter amadurecido e se diz pronto para não ser só mais um no elenco são-paulino para 2013.

Além disso, Carleto fala da sua experiência na Libertadores, da concorrência com Cortez e da relação com Ganso. Confira:

Depois de dois anos emprestado, você volta ao São Paulo para se juntar ao elenco e ser uma opção para a lateral esquerda. Qual é a sua expectativa para esta temporada de 2013?
Estou feliz. Muito feliz. Primeiramente, pelo ano que tive no Fluminense. Foram três títulos: Guanabara, Carioca e Brasileiro. Fomos bem também na Libertadores. Participei diretamente de todos os campeonatos e conseguir fazer gols em todos. Estou feliz também de voltar ao São Paulo, apesar do Abel (Braga, ex-técnico) e dos jogadores do Fluminense terem demonstrado um carinho muito grande e toda a vontade que eu permanecesse lá. Mas isso não aconteceu. Fiquei muito feliz com a conversa que tive com o Ney Franco. Será uma oportunidade de mostrar meu trabalho para aqueles que não acreditaram em mim.

Como foi essa conversa com o Ney Franco? Você já o conhecia?
Eu tive uma conversa com ele antes do São Paulo ir para a Argentina, eu fui na terça de manhã ao CT. Conversei com ele, um cara sensacional, não o conhecia pessoalmente, mas ouvia falar muito bem dele no Rio pelo que fez nas categorias de base da CBF. Ele mostrou que já me conhecia e me deixou muito à vontade de voltar para o São Paulo. Quem não quer jogar no São Paulo com o elenco que tem. Agora tem o Lúcio também, que foi contratado. Quando sai do CT, depois daquela conversa, já tinha certeza que queria voltar. Todo o carinho que o Abel tinha comigo no Fluminense, acredito que ele também vá ter comigo no São Paulo.

O que mudou no Carleto que chegou ao São Paulo em 2010 para o Carleto que retorna agora, dois anos depois e mais experiente?
Hoje estou mais focado, coisa que não estava em 2010. Tinha muita coisa acontecendo. Agora é outra oportunidade, vida nova e espero ter muito sucesso com a camisa do São Paulo neste ano.

O que estava acontecendo em 2010, que você não conseguiu ter sucesso no São Paulo?
Eu acho que pelo momento de estar vindo da Espanha e não ser muito conhecido me atrapalhou um pouco. Poucos conheciam meu futebol, e cheguei em um elenco que tinha o Junior Cesar, que era titular do time. 2010 também foi um ano complicado para o São Paulo, que não tinha sido campeão no ano anterior e a pressão era grande. Eu ainda estava meio moleque mesmo, não sabia a importância onde estava entrando, não estava com uma concentração máxima para realizar o meu melhor dentro campo. Não estava com a cabeça focada totalmente no São Paulo, estava com a cabeça na Espanha ainda, essas coisas que me atrapalharam lá no clube. Agora vai ser totalmente diferente.

Por que vai ser diferente?
Esses dois anos fora do São Paulo me fizeram tornar um homem de verdade. O rebaixamento com o América e o título brasileiro com o Fluminense me fizeram amadurecer bastante. Sou um jogador diferente, e estou com muita vontade de dar o meu melhor em campo pelo São Paulo para provar que mudei.

Mas você sabe que não será fácil jogar no São Paulo, já que o Cortez terminou o ano em alta e é elogiado pela comissão técnica e diretoria? Como avalia a concorrência que terá pela frente no clube?
Eu vejo da mesma forma como era no Fluminense, com o Carlinhos. O Carlinhos teve um ano indiscutível e é meu amigo particular. Um cara que merecia estar na Seleção Brasileira. O Cortez não é meu amigo como é o Carlinhos, até porque não tive proximidade com ele, mas eu vou fazer a mesma coisa que fiz no Fluminense. Treinar forte todos os dias e sempre procurar melhorar a cada dia. o Fluminense ganhou o Brasileirão em 2012 porque tinha dois laterais de características parecidas. Quando jogava o Carlinhos ou quando eu era escalado, o time jogava da mesma forma, para frente sempre. Vou fazer o mesmo aqui no São Paulo e tentar deixar o treinador em dúvida quanto a quem escalar. Eu vou me preparar bem durante a pré-temporada, respeitar o Cortez, que é o titular,  e respeitar as decisões do treinador, que é quem define o time e escala os jogadores que achar melhor no momento.

Você disputou a última Libertadores pelo Fluminense e até chegou a marcar um gol diante do Boca Juniors (ARG). Acha que isso pode ajudar bastante a você ter chances na Libertadores do ano que vem, em que o São Paulo volta após dois anos de ausência?
Acho que sim. No Fluminense, tivemos de enfrentar  quatro vezes o Boca Juniors, tanto na fase de grupos, como no mata-mata. Fui em todos os jogos, entrei na partida da Bombonera. No jogo de volta, jogamos muito bem, fizemos uma grande partida e, na minha opinião, em um único detalhe perdemos o jogo. Com certeza, esse ano posso ajudar muito sim, contribuir bastante e ajudar o  São Paulo nessa Libertadores, que vai ser muito difícil porque terá muitos times brasileiros. Estou preparado e pronto para posso ajudar no que for preciso.

Você tem contrato com o São Paulo até o fim de 2013. Houve já alguma conversa para renovação?
Foram conversadas algumas coisas durante todo esse período, mas não tem nada decidido ainda. Quero voltar bem e jogar. Tenho mais um ano de contrato com o São Paulo e é óbvio que as coisas correndo bem, espero que o São Paulo me procure para renovar.

Você sempre ficava, depois dos treinos, chutando bolas no gol. O chute forte continua sendo sua melhor característica?
Acho que sim. Hoje no Brasil temos o Neymar que é um jogador fora de série, temos o Paulo Henrique Ganso que pode dar um passe decisivo a qualquer o momento da partida, o Jadson também. O Wellington, que marca muito. Eu costumo dizer que meu ponto forte é uma chegada na linha de fundo e um chute forte e inesperado. Se Deus me deu esse dom, preciso aprimorar. Por isso treino bastante. Treino sempre. No São Paulo mesmo, sempre ficava depois do treino e o Rogério Ceni até pedia para eu chutar nele para ele treinar também.

Então o torcedor são-paulino pode esperar que vai ver os seus chutes fortes nesta temporada?
Podem esperar sim. Em lances de bola parada, se tiver uma oportunidade, vou chutar. Principalmente na Libertadores, que costumam ser jogos muito truncados. Acho que esse tipo de jogada pode ser muito útil e acabar decidindo uma partida, que esteja complicada.

Fonte: Lance

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*