Maicon e Calleri: dois gols que o São Paulo já fez no Atlético-MG em 2016

O torcedor do São Paulo que se sente mais seguro quando Maicon está em campo não faz ideia de como o clube conseguiu fechar a contratação do zagueiro. Sábado, 13 de fevereiro de 2016: o departamento de futebol procurava um jogador da posição para suprir a lesão de Breno, as limitações físicas de Lugano e as convocações frequentes de Rodrigo Caio para a seleção olímpica. Naquela tarde, chegou-se ao nome de Maicon, que dias antes, havia sido alvo de uma polêmica no Porto, estava afastado pela comissão técnica e, portanto, negociável.

Quando o diretor executivo Gustavo Vieira de Oliveira ligou para o clube português, foi informado de que às 11h da manhã seguinte, no domingo, haveria uma reunião para fechar o empréstimo de Maicon para o Atlético-MG. Sim, o adversário do Tricolor nas quartas de final da Libertadores quase levou o zagueiro, assim como quase havia levado Calleri. Na próxima quarta-feira, às 21h45, no Morumbi, os dois poderiam estar vestindo camisas listradas em branco e preto.

O diretor conseguiu o telefone celular de Maicon e ligou. Eram cerca de 20h em São Paulo, quase meia-noite em Portugal. O zagueiro não se importou em ser incomodado tão tarde.

– Houve uma empatia de cara, pelo telefone, ele disse que se interessava em vir. Tivemos umas duas ou três conversas, e virei a noite tentando compor o negócio com o Porto – relatou Gustavo.

Com o OK de Maicon, o dirigente tricolor convenceu o Porto a derrubar o negócio com o Galo. O clube português foi parceiro. Não fez leilão. Era preciso ser rápido porque o prazo de inscrições na fase de grupos da Libertadores se encerrava na segunda-feira, dia 15, dois dias antes da estreia contra o The Strongest, no Pacaembu.

– Recebi uma ligação do São Paulo num sábado à meia noite, e no domingo teria que viajar. Quando o Gustavo me ligou eu aceitei na hora. Um clube com a grandeza do São Paulo. Muita gente me perguntou: “Mas você vai para o São Paulo?”. E eu dizia: “Vocês não conhecem o São Paulo”. É o melhor clube do Brasil – disse Maicon em entrevista ao GloboEsporte.com.

O São Paulo gostaria de ter negociado um empréstimo mais longo, mas teve de aceitar as condições que já haviam sido acordadas com o Atlético-MG: até 30 de junho, gratuito, mas com o pagamento dos salários de Maicon totalmente bancado pelo clube.

– Acho que foi o negócio mais rápido da vida. Foram 12 horas, liguei sábado à noite, fechei domingo de manhã e ele viajou. Chegou na segunda-feira para assinar – contou o executivo.

Calleri São Paulo (Foto: Marcelo Prado)Contratação de Calleri, artilheiro da Libertadores, teve participação importante de Edgardo Bauza (Foto: Marcelo Prado)

Quando Maicon chegou, Calleri já estava no Morumbi. Pelo centroavante também houve uma batalha travada com o Atlético-MG, essa pública. O São Paulo considerava tão importante sua chegada para o lugar de Luis Fabiano que adotou uma política de exceção: permitiu que Edgardo Bauza entrasse em contato direto com o jogador.

Normalmente, o clube reprova o diálogo entre técnico e alvo, para evitar algum tipo de compromisso. Mas o Patón era um trunfo do qual não se podia abrir mão. Além de argentino, compatriota de Calleri, e bicampeão da Libertadores, ele disputou a Copa do Mundo de 1990 ao lado de Nestor Fabbri, tio do atacante.

Fez tanta diferença que o São Paulo jura ter contratado Calleri por um salário 15% mais baixo do que os mineiros haviam oferecido. A resenha de Bauza e um ambiente que tem dado espaço a estrangeiros desde o ano passado, com o técnico colombiano Juan Carlos Osorio e o argentino Centurión, enriquecido agora pela nova comissão técnica, o lateral-esquerdo chileno Mena e o zagueiro uruguaio Lugano, são vistos como possíveis fatores de êxito na concorrência.

Ironicamente, o artilheiro da Libertadores, autor de oito gols, só ficará por mais tempo se o São Paulo conseguir eliminar o Atlético-MG e avançar à semifinal da competição. Seu contrato termina no dia 30 de junho, mas há uma cláusula que o prorroga caso a equipe esteja nessa etapa, que será disputada a partir do dia 6 de julho.

Tal cláusula não existe no vínculo de Maicon, também até 30 de junho. A diretoria do São Paulo pensa em estratégias para contratá-lo em definitivo, independentemente de se classificar. O zagueiro e o atacante argentino representam um 2×0 sobre o Atlético-MG, mas esses gols o time terá que buscar dentro de campo para se manter vivo na competição. A segunda partida será no Independência, já que o Galo tem melhor campanha, no dia 18 de maio, também às 21h45.

 

Fonte: Globo Esporte

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